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CAPÍTULO III ESTUDO

3.4. Discussão do Estudo 1

4.3.2. Comparação das medidas do tempo 1 dos grupos A e B com

Com o objectivo de identificar diferenças entre os grupos A, B e C antes de qualquer intervenção, procedeu-se a uma análise de variância univariada face às avaliações de ameaça, desafio, controlo, eficácia do coping, coping de confronto, coping de evitamento, coesão grupal, satisfação, ansiedade-conforto e depressão- entusiasmo. Assim, os dados relativos aos grupos A e B referem-se ao momento 1 enquanto que os do grupo C referem-se ao momento 3, isto é, relativos à apresentação oral realizada na disciplina de referência depois da realização desta.

às mesmas 2 disciplinas de referência do grupo C, mas numa perspectiva futura. Quanto às restantes medidas, referem-se à última apresentação que os participantes haviam realizado. Foram retirados os participantes para os quais não existem dados no terceiro momento. Não foi possível realizar o teste de χ2 relativamente ao ano por não ser possível atender aos critérios do teste

Como se pode observar no quadro 12, apenas se observaram diferenças significativas em função do grupo no que se refere ao coping de confronto [F(2,53) = 4,11; p < 0,05]. O grupo B (grupo de controlo com tarefa) apresentou um número de referências de estratégias de coping de confronto significativamente mais baixo (M = 1,80) do que os outros dois grupos (grupo A: M = 3,46; grupo C: M = 3,18), de acordo com o teste de Tukey (p < 0,05).

Desta forma, à excepção do coping de confronto, à partida não existem diferenças significativas entre os grupos, o que permitirá atribuir maior validade às diferenças que possam ser detectadas.

Quadro 12. Análise da variância das variáveis em estudo por grupo (grupos A e B: 1º momento; grupo C: 3º momento)

Fonte de variação

Soma dos

quadrados g.l.

Média dos

quadrados F

Ameaça Entre grupos 3,960 2 1,980 0,499

Dentro dos grupos 210,469 53 3,971

Total 214,429 55

Desafio Entre grupos 0,247 2 0,124 0,048

Dentro dos grupos 136,878 53 2,583

Total 137,125 55

Controlo Entre grupos 0,898 2 0,449 1,854

Dentro dos grupos 12,838 53 0,242

Total 13,736 55

Eficácia do coping Entre grupos 0,218 2 0,109 0,336 Dentro dos grupos 16,864 52 0,324

Total 17,081 54

Coping de confronto Entre grupos 18,260 2 9,130 4,110* Dentro dos grupos 117,740 53 2,222

Total 136,000 55

Coping de evitamento Entre grupos 3,141 2 1,571 0,857 Dentro dos grupos 97,073 53 1,832

Total 100,214 55

Coesão grupal Entre grupos 0,300 2 0,150 0,671

Dentro dos grupos 12,059 54 0,223

Total 12,359 56

Satisfação Entre grupos 0,031 2 0,016 0,031

Dentro dos grupos 27,732 54 0,514

Total 27,763 56

Ansiedade-conforto Entre grupos 0,691 2 0,345 0,847 Dentro dos grupos 22,038 54 0,408

Total 22,729 56

Depressão-Entusiasmo Entre grupos 0,130 2 0,065 0,141 Dentro dos grupos 24,788 54 0,459

Total 24,918 56

4.3.3. Análise da avaliação de ameaça, desafio e controlo nos três momentos, relativamente os grupos B e C

De forma a se testar o impacto do Inquérito Apreciativo nas avaliações de ameaça, desafio e controlo realizou-se uma análise com base nos dados relativos ao grupo A (grupo experimental) e grupo B (grupo de controlo com tarefa) fornecidos pelos participantes que estiveram presentes nos três momentos de avaliação. Assim, o grupo A conta com 13 participantes e o grupo B com 10. A variável ano será tomada como como covariável na análise. As avaliações de ameaça e de desafio, apesar de conceptualmente se inserirem num mesmo processo, o da avaliação cognitiva primária, revelaram-se como duas dimensões independentes. Desta forma serão analisadas separadamente. Consequentemente, serão realizadas três análises de variância com um plano 2 (grupos A e B) x 3 (momentos 1, 2 e 3), com medidas repetidas neste último factor. São analisados os 3 momentos simultaneamente considerando que, apesar de não se terem verificado diferenças em função da perspectiva futura vs passada no estudo anterior, esta baseava-se numa análise inter-sujeitos, podendo ser detectada, à semelhança de Lazarus & Folkman (1985), numa análise intra-individual. Por outro lado, permitirá também analisar melhor o que poderão ser efeitos imediatos do IA e efeitos mais consistentes, que se mantenham mesmo após a apresentação oral.

4.3.3.1. Análise da avaliação de ameaça

Procedeu-se a uma análise de variância 2 (grupos A e B) x 3 (avaliação de ameaça nos momentos 1, 2 e 3), com medidas repetidas neste último factor. A variável ano não apresentou uma relação significativa com a variável dependente [F(1,20) = 0,004; p > 0,05], sendo retirada da análise como covariável (Bryman & Cramer,

2003). A variável cumpriu o requisito de esfericidade (Mauchly W = 0,855;p > 0,05), pelo que se procedeu a uma análise de variância univariada de medidas repetidas. Não se observaram diferenças significativas em função do grupo [F(1,21) = 0,004; p > 0,05]. Não se observaram diferenças significativas em função do momento [F(2,42) = 1,108; p > 0,05]. Não se observou um efeito significativo de interacção entre tempo e grupo [F(2,42) = 1,146; p > 0,05]. No entanto, uma análise mais focalizada realizada através dos contrastes simples entre momentos, revelou um efeito significativo de interacção entre tempo e grupo nas diferenças observadas do momento 1 para o momento 3 [F (1,21) = 4,490; p < 0,05; η2 = 0,176). De acordo com a figura 2, enquanto que no grupo A a avaliação de ameaça tende a aumentar do momento 1 para o momento 3, o que vai ao encontro dos resultados observados no primeiro estudo, observa-se no grupo B que a avaliação de ameaça diminui do momento 1 para o momento 3. Através do teste de não paramétrico para amostras emparelhadas de Wilcoxon esta diferença revela-se como significativa (Z = -1,725; p < 0,05): enquanto que 3 estudantes reportaram uma avaliação de ameaça superior, 6 reportaram uma avaliação de ameaça inferior. Relativamente ao grupo experimental, a diferença entre o momento 1 e o momento 3 não é significativa (Z = -0,718; p > 0,05). Os resultados são à partida inesperados, mas uma vez que também na tarefa de controlo (IA relativo à vivência académica) parece ter abrangido o tema de apresentação oral, poder-se-á considerar que a tarefa de controlo poderá também ter tido alguma influência nos processos de stress relativos à apresentação oral.

5,92 5,62 5,73 5,65 5,40 6,35 4,80 5,00 5,20 5,40 5,60 5,80 6,00 6,20 6,40 6,60 1 2 3 Grupo A Grupo B

Figura 2. Avaliação de ameaça nos três momentos por grupo, com indicação da média e desvio-padrão.

Quadro 13. Análise da variância da avaliação de ameaça por momento e grupo

Fonte de variação Quadrados Soma dos g.l. Quadrados Média dos F

Tempo 2,341 2 1,170 1,108

Tempo*Grupo 3,688 2 1,844 1,746

Erro 44,355 42 1,056

Grupo 0,011 1 0,011 0,004

Erro 60,468 21 2,879

4.3.3.2. Análise da avaliação de desafio

A variável ano não apresentou uma relação significativa com a variável em causa [F(1,20) = 3,350; p > 0,05], pelo que novamente foi retirada da análise como covariável.

Não se observou um efeito de grupo [F (1,21) = 0,54; p > 0,05]. O teste de Mauchly revelou que a variável desafio tem uma covariância heterogénea em função do tempo (Mauchly’s W = 0,452; g.l. = 2; p < 0,01), pelo que, uma vez que a variável desafio tem três níveis, se optou pelo teste de análise de variância multivariada de medidas repetidas (Pestana & Gageiro, 2000). Como se pode observar na figura 3, no geral, parece haver uma tendência para o aumento da avaliação de desafio. No entanto, não se observou um efeito significativo em função do tempo [F de Pillai (2,20) = 1,033; p > 0,05]. O efeito de interacção entre grupo e tempo, ao contrário do que seria de esperar em função das hipóteses, também não foi significativo [F de Pillai (2,20) = 0,029; p > 0,05].

Um aspecto a considerar é que a medida de desafio no momento 3 apresentou uma heterogeneidade da variância segundo o teste de Levene (F = 5,030; p < 0,05).

7,85 8,46 8,42 7,75 8,35 8,30 7,20 7,40 7,60 7,80 8,00 8,20 8,40 8,60 1 2 3 Grupo A Grupo B

Figura 3. Avaliação de desafio nos três momentos por grupo, com indicação da média e desvio-padrão.

Quadro 14. Análise da variância da avaliação de desafio por grupo

Fonte de variação Quadrados Soma dos g.l. Quadrados Média dos F

Grupo 0,206 1 0,206 0,054

Erro 80,236 21 3,821

Quadro 15. Análise da variância relativa aos efeitos intra-sujeitos da avaliação de desafio

Efeito Traço de Pillai Valor do g.l. F

Tempo 0,094 2,20 1,033

Tempo * Grupo 0,003 2,20 0,29

4.3.3.3. Análise da avaliação de controlo

Mais uma vez a variável ano não revelou uma relação significativa com variável em causa [F(1,20) = 0,342 p > 0,05], pelo que foi retirada como covariável da análise. Não se observou um efeito de grupo significativo [F(1,21) = 2,871; p > 0,05].

O teste de esfericidade de Mauchly revelou que a variável controlo tem uma covariância heterogénea em função do tempo (Mauchly’s W = 0,452; g.l. = 2; p < 0,01), pelo que se procedeu de acordo com a situação anterior. Não se observou um efeito principal do tempo [F de Pillai (2,20) = 0,878; > 0,05]. Observou-se um efeito de interacção significativo entre tempo e grupo [F de Pillai (2,20) = 3,880; p< 0,05; η2 = 0,280]. Observando-se a figura 4, os resultados vão parcialmente ao encontro do esperado. Enquanto que no grupo B a avaliação de controlo parece manter-se ao longo dos três momentos, no grupo A parece ter havido um impacto positivo do IA, isto é, um aumento da avaliação do controlo no momento 2, efeito este que parece ter-se dissipado no momento 3.

4,17 4,37 4,08 3,85 3,75 3,78 3,40 3,50 3,60 3,70 3,80 3,90 4,00 4,10 4,20 4,30 4,40 4,50 1 2 3 Grupo A Grupo B

Figura 4. Avaliação de controlo nos três momentos por grupo, com indicação da média.

Quadro 16. Análise da variância da avaliação de controlo por grupo

Fonte de variação Quadrados Soma dos g.l. Quadrados Média dos F

Grupo 0,206 1 0,206 0,054

Erro 80,236 21 3,821

Quadro 17. Análise da variância relativa aos efeitos intra-sujeitos da avaliação de controlo

Efeito Traço de Pillai Valor do g.l. F

Tempo 0,081 2,20 0,878

Tempo * Grupo 0,280 2,20 3,880

4.3.4. Análise das diferenças entre uma apresentação passada e a apresentação, relativamente aos grupos A e B

4.3.4.1. Eficácia do coping

Dois participantes do grupo B não responderam quanto a esta medida, ficando este com 8 participantes e impedindo a análise de variância na medida em que um dos requisitos considerados é de 10 sujeitos por célula.

4.3.4.2. Utilização das estratégias de coping

Procedeu-se a uma análise de variância 2 (grupo A e B) x 2 (momentos 1 e 3), sendo as medidas repetidas neste último factor, para cada uma das estratégias de coping. A variável ano não mostrou uma associação significativa face às estratégias de coping [Coping de confronto: F(1,20) = 3,779; p > 0,05; Coping de evitamento: F(1,20) = 0,394; p > 0,05), pelo que foi retirada da análise como covariável.

Relativamente ao número de referências de coping de confronto, observou-se um efeito significativo de grupo [F(1,21) = 8,020; p < 0,01; η2 = 0,276], que vai ao

encontro dos resultados inicialmente obtidos, apresentando o grupo B menos estratégias de coping de confronto, resultado este que parece manter-se após a realização da tarefa de controlo. Não se observou um efeito face aos dois momentos [F(1,21 = 0,080; p > 0,05). Também não se observou um efeito de interacção entre tempo e grupo [F(1,21) = 0,028; p > 0,05].

Relativamente ao número de estratégias de coping de evitamento, não se observaram quaisquer efeitos [Grupo: F(1,21) = 1,207; p > 0,05; Tempo: F(1,21) = 0,983; p > 0,05; Grupo * Tempo: F(1,21) = 0,154; p> 0,05].

Quadro 18 – Análise da variância do coping de confronto por tempo e por grupo

Fonte de variação Quadrados Soma dos g.l. Quadrados Média dos F

Tempo 0,028 1 0,028 0,080 Tempo * Grupo 0,028 1 0,028 0,080 Erro 4,450 21 0,355 Grupo 33,115 1 33,115 8,020* Erro 86,712 21 4,129 **p < 0,01

Quadro 19 – Análise da variância do coping de evitamento por tempo e por grupo

Fonte de variação Quadrados Soma dos g.l. Quadrados Média dos F

Tempo 0,309 1 0,309 0,983 Tempo * Grupo 0,048 1 0,048 0,154 Erro 6,604 21 0,314 Grupo 5,121 1 5,121 1,207 Erro 89,096 21 4,243 4.3.4.3. A coesão grupal

Procedeu-se a uma análise de variância 2 (grupo A e B) x 2 (momentos 1e 3), sendo as medidas repetidas neste último factor. A variável ano não mostrou uma associação significativa face à coesão grupal [F(1,20) = 0,238; p > 0,05], pelo que foi retirada da análise como covariável.

Apesar de se observar um aumento da coesão grupal no grupo experimental, de acordo com a figura X, não se observaram quaisquer efeitos significativos [Grupo: F(1,21) = 1,058; p > 0,05; Tempo: F(1,21) = 0,480; p >0,05; Tempo*Grupo: F(1,21) = 1,081; p > 0,5].

4,24 4,44 4,12 4,16 3,90 4,00 4,10 4,20 4,30 4,40 4,50 T1 T3 Grupo A Grupo B

Figura 5. Média da coesão grupal dos grupos A e B nos momentos 1 e 3

Quadro 20. Análise da variância da coesão grupal por tempo e por grupo

Fonte de variação Quadrados Soma dos g.l. Quadrados Média dos F

Tempo 0,072 1 0,072 0,480 Tempo * Grupo 0,163 1 0,163 1,081 Erro 3,162 21 0,151 Grupo 0,455 1 0,455 1,058 Erro 8,840 21 0,421 4.3.4.4. Ajustamento psicológico

Considerando que as medidas se referem ao ajustamento psicológico e tendo apresentado uma forte correlação entre si no estudo anterior, procedeu-se a uma análise de variância de medidas repetidas (momentos 1 e 3) com tripla medição (Satisfação; Ansiedade-conforto; Depressão-entusiasmo) e um factor inter-sujeitos

(grupos A e B). Foi retirada a variável ano da análise por não apresentar uma associação significativa com as variáveis em causa, nem na análise univariada [Satisfação: F(1,20) = 1,791; p > 0,05; Ansiedade-conforto: F(1,20) = 0,189; p> 0,05; Depressão-entusiasmo: F(1,20) = 0,941; p> 0,05), nem na análise multivariada [F de Pillai (3,18) = 0,581; p > 0,05].

Não se observou um efeito significativo de grupo [F de Pillai (3,19) = 0,161; p > 0,05] Também não se observou um efeito significativo face aos dois momentos [F de Pillai (3,19) = 2,018; p > 0,05]. Também não se observou um efeito de interacção entre tempo e grupo [F de Pillai (3,19) = 0,134; p > 0,05]. No entanto, a análise univariada relativa à satisfação e a relativa à depressão-entusiasmo revelaram uma tendência do efeito do tempo [Satisfação: F(1,21) = 3,55; p = 0,07; η2 = 0,145; Depressão-

entusiasmo: F(1,21) = 3,911; p = 0,06; η2 = 0,157]. De acordo com a figura X, os resultados apontam para uma tendência, em ambos os grupos, para se sentirem mais satisfeitos e mais entusiasmados com a apresentação realizada na disciplina de referência.

Quadro 21. Análise da variância multivariada relativa à satisfação, à ansiedade-conforto e depressão-entusiasmo por tempo e por grupo

Efeito Valor do Traço de Pillai g.l. F Grupo 0,025 3,19 0,161 Tempo 0,242 3,19 2,018 Tempo * Grupo 0,021 3,19 0,134

Quadro 22. Análise da variância da satisfação por tempo e por grupo

Fonte de variação Quadrados Soma dos g.l. Quadrados Média dos F

Tempo 0,912 1 0,912 3,555

Tempo * Grupo 0,049 1 0,049 0,192

Erro 5,384 21 0,25

Grupo 0,028 1 ,028 0,037

Erro 15,495 21 0,738

Quadro 23. Análise da variância da ansiedade-conforto por tempo e por grupo

Fonte de variação Quadrados Soma dos g.l. Quadrados Média dos F

Tempo 0,137 1 0,137 0,801

Tempo * Grupo 0,021 1 0,021 0125

Erro 3,602 21 0,172

Grupo 0,233 1 0,233 0,313

Erro 15,646 21 ,745

Quadro 24. Análise da variância da depressão-entusiasmo por tempo e por grupo

Fonte de variação Quadrados Soma dos g.l. Quadrados Média dos F

Tempo 0,362 1 0,362 3,911

Tempo * Grupo 0,016 1 0,016 0,175

Erro 1,942 21 0,172

Grupo 0,013 1 0,013 0,021

2,50 2,70 2,90 3,10 3,30 3,50 3,70 3,90 4,10 4,30 T1 T3 Satisfação grupo A Satisfação grupo B Ans.-conforto grupo A Ans.-conforto grupo B Dep.-entusiasmo grupo A Dep.-entusiasmo grupo B

Figura 6. Média da satisfação, da ansiedade-conforto e da depressão-entusiasmo dos grupos A e B nos momentos 1 e 3

4.3.5. Comparação das medidas dos grupos A, B e C relativamente ao 3º momento

Com o objectivo de se testarem as diferenças em função dos grupos, procedeu- se a uma análise univariada de variância, semelhante à primeira, sendo as medidas de todos os grupos relativas ao 3º momento.

A diferença que se tinha observado relativamente ao número de estratégias de coping de confronto, manteve-se [F(2,53) = 4,497; p < 0,05): o grupo B continua a apresentar uma média significativamente inferior (M = 1,70) aos outros dois grupos (grupo A: M = 3,46; grupo C: M = 3,18), de acordo com o teste de Tukey (p < 0,05).

Apenas se observa uma diferença significativa no que se refere à coesão grupal [F(2,54) = 3,288; p < 0,05]: o grupo A apresentou níveis de coesão grupal

significativamente superiores (M = 4,44) aos do grupo C (M = 4,06), de acordo com o teste Tukey (p < 0,05).

Quadro 25. Análise da variância das variáveis em estudo por grupo no 3º momento

Fonte de variação quadrados Soma dos g.l. quadrados Média dos F

Ameaça Entre grupos 7,594 2 3,797 1,103

Dentro dos grupos 182,459 53 3,443

Total 190,054 55

Desafio Entre grupos 2,987 2 1,493 1,155

Dentro dos grupos 68,509 53 1,293

Total 71,496 55

Controlo Entre grupos 0,324 2 0,162 0,479

Dentro dos grupos 17,894 53 0,338

Total 18,218 55

Eficácia do coping Entre grupos 0,507 2 0,254 0,920 Dentro dos grupos 14,060 51 0,276

Total 14,567 53

Coping de confronto Entre grupos 20,742 2 10,371 4,497* Dentro dos grupos 122,240 53 2,306

Total 142,982 55

Coping de evitamento Entre grupos 2,245 2 1,123 0,626 Dentro dos grupos 95,112 53 1,795

Total 97,357 55

Coesão grupal Entre grupos 1,329 2 0,664 3,288* Dentro dos grupos 10,911 54 0,202

Total 12,239 56

Satisfação Entre grupos 1,498 2 0,749 1,978

Dentro dos grupos 20,450 54 0,379

Total 21,948 56

Ansiedade-conforto Entre grupos 0,333 2 0,166 0,392 Dentro dos grupos 22,930 54 0,425

Total 23,263 56

Depressão-Entusiasmo Entre grupos 0,925 2 0,462 1,294 Dentro dos grupos 19,286 54 0,357

Total 20,211 56

4.3.6. Comparação dos grupos A e B (juntamente) com o grupo C

Na medida em que parece ter havido um impacto positivo em ambos os grupos, nomeadamente ao nível da satisfação e da depressão-entusiasmo, procedeu-se a uma comparação de médias conjuntamente dos grupos A e B face ao grupo C, no que se refere ao momento 3. Assim, o grupo AB conta com 23 participantes e o grupo C com 33. Não se observaram diferenças face ao ano em função dos grupos (χ2 (1) = 0,061; p > 0,05)

Como esperado, observaram-se diferenças significativas face à satisfação (t = 1,953, N = 56; p < 0,05): o grupo AB apresentou uma satisfação média superior (M = 4,10; D = 0,6) ao grupo C (M = 3,78; DP = 0,64).

Também se observaram diferenças significativas face à depressão-entusiasmo (t = 1,624; N = 56; p < 0,05): o grupo AB apresentou um nível médio de entusiasmo superior (M = 4,18; DP = 0,46) ao grupo C (M = 3,92, DP = 0,66).

4.4. Discussão do estudo 2

A participação dos estudantes pautou-se pelo seu enquadramento numa investigação. Ou seja, os estudantes participaram num estudo sobre stress e bem- estar face a uma apresentação oral realizada em grupo, prestando a sua colaboração, ao invés da participação numa actividade de promoção do bem-estar, no sentido do usufruto de um serviço, introduzindo algumas implicações a considerar. Uma delas refere-se à implementação do IA. De forma a ser possível a realização do presente estudo, teve que se proceder a alguns ajustes ao IA, como a omissão da quarta dimensão considerada (Delineamento). Estes aspectos podem se ter traduzido em factores influentes sobre os resultados, colocando-se a hipótese de que uma intervenção deste género, contextualizada de uma forma mais significativa para os participantes do que a participação num estudo, possa potenciar os seus efeitos. Note-se que a implementação do IA pressupõe precisamente este aspecto na medida em que supõe ser transmitido o racional do seu funcionamento.

Como limitações pode-se identificar, para além de um número algo reduzido de participantes, que a tarefa de controlo parece não ter sido a mais adequada em termos metodológicos, na medida em que os estudantes acabaram também por referir a situação de apresentação oral, havendo uma aproximação à tarefa experimental (a do IA relativo à apresentação oral).

Outra das limitações apontadas, à semelhança do primeiro estudo, refere-se à omissão da avaliação de um possível impacto no desempenho da apresentação, apesar de se poder associar a satisfação ao desempenho (Chambel e Curral, 2005; Patterson, Warr e West, 2004).

Seria também relevante considerar na análise o nível grupal, tomando-se como unidade os grupos de trabalho da apresentação oral. As abordagens multiníveis têm ganho destaque na literatura, nomeadamente sobre o stress ocupacional (Bliese & Jex, 1999). Por um lado, o IA é, classicamente, um processo de grupo, pelo que, para uma melhor compreensão do seu impacto, seria relevante tomar-se este nível. Por outro lado, a transposição do modelo de Lazarus & Folkman (1984) para o nível grupal permitiria colmatar algumas críticas, provindas essencialmente da área do stress ocupacional, relativamente à subjectividade do foco na avaliação do indivíduo (Lazarus, DeLongis, Folkman & Gruen; 1985) e a subjacente problematização do indivíduo, para além da possibilidade de permitir uma maior compreensão sobre factores de carácter interpessoal, onde o coping de apoio social e a dimensão de apoio social são pouco consistentes quanto ao seu impacto no ajustamento.

Quanto à avaliação de desafio, em consonância com os princípios subjacentes ao IA e com as descrições das reacções dos participantes (Rogers & Fraser, 2003), seria de esperar que o IA tivesse um impacto positivo ao nível da avaliação de desafio. No entanto, apesar de se observar um aumento, este é bastante semelhante entre o grupo experimental e o de controlo, não sendo significativo. A considerar para a ausência de resultados refere-se que esta medida, já no primeiro estudo, tinha revelado algumas limitações e que neste segundo estudo, observou-se uma heterogeneidade da variância no terceiro momento.

Relativamente à avaliação de ameaça, os três grupos não diferiam à partida entre si. De acordo com Skinner e Brewer (2002), seria de esperar um aumento do momento 1 para o 2, o que também não se observou. No grupo experimental a avaliação de ameaça foi constante, indo ao encontro dos resultados do segundo

estudo, onde não se observaram diferenças entre um momento antes e após a apresentação. Observou-se uma diminuição significativa no grupo que realizou um IA relativo à vivência académica do momento 1 para o momento 3, não tendo sido esta suficientemente expressiva para se reflectir numa diferenciação dos três grupos no momento 3.

Estes dados apontam também para que as avaliações de ameaça e de desafio sejam sensíveis a aspectos diferentes, indiciando uma natureza qualitativamente diferente que não se cinge à sua simetria, indo ao encontro dos dados reportados por Skinner & Brewer (2002) que observaram que a avaliação de ameaça tendia ter maior intensidade com a proximidade temporal do acontecimento, enquanto que a avaliação de desafio não registava alterações e com a análise do estudo anterior no que se refere às diferenças encontradas no padrão das correlações entre os aspectos relativos a uma apresentação passada e as avaliações cognitivas face à apresentação futura.

Relativamente à avaliação de controlo, os grupos à partida também não diferiram entre si. Observou-se que o grupo que tinha realizado o IA relativo à apresentação oral e o grupo que tinha realizado o IA relativo à vivência académica diferiram significativamente na variação ao longo dos três momentos. Enquanto que o grupo B manteve-se constante, o grupo A apresentou um pico no segundo momento, indicando que o IA terá tido um impacto imediato ao nível da avaliação de controlo que se terá desvanecido num terceiro momento, não se observando diferenças entre os três grupos.

No que se refere às estratégias coping, os grupos diferiram à partida. O grupo B distinguiu-se dos outros dois por um número menor de referências de estratégias de coping de confronto, diferença esta que foi saliente nas restantes comparações.

Apesar de se observar a presença de conteúdos idênticos nas medidas de coping, nomeadamente no que se refere ao coping de confronto, e nas respostas ao IA, nomeadamente no relativo à apresentação oral, os resultados não indicam qualquer impacto do IA sobre a utilização de estratégias. Um dos aspectos a considerar prende-se com o desajuste ou com um carácter pouco discriminatório da medida utilizada.

Relativamente à coesão grupal, os grupos não diferiam à partida. Quando se comparam os dois grupos que tinha realizado um IA, graficamente é sugerido um aumento no grupo experimental, não sendo no entanto significativa. Esta acaba por se destacar na comparação entre os três grupos, apresentado o grupo experimental níveis de coesão grupal superior ao grupo que não tinha realizado qualquer IA, o que aponta para um efeito positivo do IA quando o grupo é levado a partilhar, de forma positiva, as ideias sobre o trabalho a realizar.

Relativamente ao ajustamento, os grupos não diferiram significativamente, nem no primeiro momento, no terceiro. No entanto, na comparação dos grupos A e B,

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