CAPÍTULO 11 – ANÁLISE DA EXPLORAÇÃO E DA SITUAÇÃO FINANCEIRA
11.1 Análise dos resultados de exploração e da situação financeira
11.1.1 Análise da Demonstração Consolidada dos Resultados
11.1.1.2 Comparação dos exercícios de 2007, 2008 e 2009
Demonstração Consolidada dos Resultados 2007 2008 2009
PROVEITOS OPERACIONAIS 1.066.727 1.377.181 1.385.404
Vendas e prestações de serviços 1.011.513 1.291.073 1.282.493
Outros proveitos operacionais 55.214 86.108 102.911
CUSTOS OPERACIONAIS -996.821 -1.246.087 -1.231.563
Custo das vendas -402.400 -553.469 -446.275
Variação de produção -969 52.683 6.093
Fornecimentos e serviços externos -311.022 -411.211 -449.745
Custos com pessoal -184.248 -217.887 -235.811
Amortizações e depreciações -43.088 -54.930 -55.304
Provisões e perdas por imparidade -57 -1.818 -628
Outros custos operacionais -55.037 -59.455 -49.893
RESULTADOS OPERACIONAIS 69.906 131.094 153.841
Custos e perdas financeiros -124.049 -191.212 -135.021
Proveitos e ganhos financeiros 39.351 70.793 71.411
Resultados relativos a actividades de investimento 148.565 -475.020 61.430
Resultados de associadas 108.011 58.647 52.954
Outros 40.554 -533.667 8.476
RESULTADOS FINANCEIROS 63.867 -595.439 -2.180
RESULTADOS ANTES DE IMPOSTOS 133.773 -464.345 151.661
Impostos sobre o rendimento -6.182 51.368 -36.687
RESULTADO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO 127.591 -412.977 114.974
Atribuível a:
Detentores de capital 122.252 -347.244 116.629
Interesses minoritários 5.339 -65.733 -1.655
Resultado por acção
Básico 0,29 -0,83 0,28
Diluído 0,29 -0,83 0,28
Volume de negócios
Evolução do volume de negócios por mercados
489.760 553.355 497.181 521.753 737.718 785.312 0 200.000 400.000 600.000 800.000 1.000.000 1.200.000 1.400.000 2007 2008 2009
O volume de negócios registou, em 2009, valores semelhantes ao exercício de 2008, atingindo 1.282.493 milhares de Euros. A ligeira variação negativa (-0,7%) ficou a dever-se, essencialmente, ao facto da descida verificada em Portugal ter sido superior à expansão conseguida no mercado externo, o qual passou a representar 61,2% do total do Grupo Teixeira Duarte.
Em 2008, o volume de negócios subiu 27,6%, relativamente ao exercício de 2007, atingindo 1.291.073 milhares de Euros, reflectindo um aumento tanto no mercado interno, como no externo. Apesar da reconhecida e acentuada contracção do mercado nacional, registou-se como positivo o acréscimo de 13% do volume de negócios em Portugal.
Em 2007, o Grupo Teixeira Duarte registou um aumento do volume de negócios de 33,8%, atingindo 1.011.513 milhares de Euros.
São de assinalar, nos últimos três exercícios, os significativos avanços alcançados na exposição do Grupo a outras economias de maior dinamismo, conduzindo a um importante incremento do contributo do estrangeiro na actividade, tendo aumentado ainda mais a posição relativa do mercado externo, que passou a representar 61,2% em 2009 (face a 57,1% em 2008 e 51,6% em 2007). No mapa infra indicamos os valores dos contributos dos países em que a Teixeira Duarte actuou em 2007, 2008 e em 2009, destacando os crescimentos, em 2008, em Angola, Brasil e Argélia, tendo este último país representado, nesse ano, mais de 10% do total do volume de negócios. O mapa infra reflecte ainda, relativamente ao exercício de 2009, o decréscimo na generalidade dos mercados em que o Grupo actua, decorrente da actual conjuntura de crise, com excepção dos crescimentos sustentados nos mercados de Angola, Brasil e Moçambique.
Contributo para o volume de negócios
Países 2007 2008 2009 Var 09/08 (%) Var 08/07 (%)
Portugal 489.760 553.355 497.181 -10,2% 13,0% Angola 334.027 445.015 495.759 11,4% 33,2% Argélia 64.708 135.042 101.655 -24,7% 108,7% Brasil 39.384 53.410 78.212 46,4% 35,6% Ucrânia 20.623 27.560 11.326 -58,9% 33,6% Espanha 24.000 26.782 29.092 8,6% 11,6% Moçambique 28.514 26.034 53.424 105,2% -8,7% Marrocos 4.812 13.177 6.822 -48,2% 173,8% Venezuela 4.396 9.090 5.254 -42,2% 106,8% Outros 1.289 1.608 3.768 134,3% 24,7% Total 1.011.513 1.291.073 1.282.493 -0,7% 27,6% Proveitos operacionais
Proveitos operacionais por sectores de actividade e mercados geográficos
2009 2008 2007 2009 2008 2007 2009 2008 2007
Construção 336.096 342.639 286.459 412.758 370.354 233.455 748.854 712.993 519.914
Cimentos, betões e agregados - 3 1 17.881 33.148 21.419 17.881 33.151 21.420
Concessões e serviços 18.840 13.420 13.459 25.934 21.445 21.681 44.774 34.865 35.140 Imobiliária 94.889 70.885 82.465 48.419 42.971 5.470 143.308 113.856 87.935 Hotelaria 15.061 13.597 11.537 70.016 55.137 51.002 85.077 68.734 62.539 Comércio alimentar 19 - - 115.513 102.589 89.286 115.532 102.589 89.286 Comercialização de combustíveis 103.031 151.320 131.134 18 20 45 103.049 151.340 131.179 Comercialização de viaturas 1.477 122 7.148 125.452 159.531 112.166 126.929 159.653 119.314 Total 569.413 591.986 532.203 815.991 785.195 534.524 1.385.404 1.377.181 1.066.727
Em 2009, os proveitos operacionais consolidados registaram um ligeiro aumento (+0,6%) face a 2008, atingindo no exercício findo em 31 de Dezembro de 2009 o montante de 1.385.404 milhares de Euros.
No mercado interno verificou-se uma diminuição de 3,8% em relação ao período homólogo, enquanto que o mercado externo cresceu 3,9%, passando, este, a representar 58,9% dos proveitos operacionais no final de 2009.
O total dos proveitos operacionais alcançado no sector dos combustíveis em Portugal diminuiu sobretudo em resultado da estratégia de optimização de resultados em detrimento do volume de negócios.
Já relativamente aos Cimentos, Betões e Agregados, os valores foram afectados negativamente pela conjuntura de alguns mercados geográficos em que a C+P.A., S.A. actua, designadamente o Ucraniano.
A Comercialização de Viaturas registou uma retracção no volume de vendas, essencialmente no segundo semestre de 2009.
Ainda assim, estas mais significativas reduções foram compensadas com as prestações positivas conseguidas na Concessões e Serviços, na Hotelaria, no Comércio Alimentar e na Construção, tendo este último sector de actividade registado um incremento de 5% face ao período homólogo, apesar das reconhecidas dificuldades conjunturais que tem enfrentado, e passado a representar 54,1% do total dos proveitos operacionais consolidados do Grupo.
A Imobiliária, por seu lado, registou um crescimento face a 2008, o qual se revela particularmente significativo, atendendo à descida do valor dos proveitos com origem em operações não recorrentes em 14.961 milhares de euros.
Em 2008, os proveitos operacionais consolidados foram de 1.377.181 milhares de Euros, revelando um acréscimo de 29,1% em relação aos verificados em 2007. Esta variação positiva deve-se, essencialmente, à expansão do mercado externo, que foi bastante superior à verificada em Portugal. No mercado interno verificou-se um aumento de 11,2% em relação ao período homólogo, enquanto que o mercado externo cresceu 46,9%, passando a representar 57% dos proveitos operacionais no final de 2008.
Realçamos o contributo do sector da construção para sustentar o crescimento do Grupo, representando mais de 50% do valor total dos proveitos operacionais consolidados, com aumentos de 19,6% em Portugal e de 58,6% no estrangeiro.
Em 2007, os proveitos operacionais consolidados apresentaram um crescimento de 28,1% face aos apurados em 2006 (1.066.727 vs. 832.858 milhares de Euros) em resultado do crescimento significativo das operações, nomeadamente no mercado externo, o qual apresentou uma evolução positiva de 47,7%.
À semelhança do referido para o ano de 2009, o sector da construção foi, para os períodos referidos, o core business do Grupo e representou cerca de metade do total de proveitos consolidados (52% em 2008 e 49% em 2007).
Os contributos de cada um dos sectores de actividade para o valor global dos proveitos operacionais consolidados foram os seguintes:
2009 2008 2007
Construção 54,1% 51,8% 48,7%
Cimentos, betões e agregados 1,3% 2,4% 2,0%
Concessões e serviços 3,2% 2,5% 3,3% Imobiliária 10,3% 8,3% 8,2% Hotelaria 6,1% 5,0% 5,9% Comércio alimentar 8,3% 7,4% 8,4% Comercialização de combustíveis 7,4% 11,0% 12,3% Comercialização de viaturas 9,2% 11,6% 11,2% Total 100,0% 100,0% 100,0%
Sector de actividade Contributo para proveitos operacionais
EBITDA
Em 2009, o EBITDA cresceu 11,7%, tendo atingido o mais alto valor de sempre ao fixar-se em 209.773 milhares de Euros.
Analisando este indicador por sectores de actividade, no mapa que se segue, verifica-se que a grande instabilidade a nível mundial determinou comportamentos muito díspares destas áreas de negócio em função das características próprias de cada uma delas e dos respectivos mercados em que actuam.
2009 2008 Var (%)
Construção 64.776 37.149 74,4%
Cimentos, betões e agregados 993 7.279 -86,4%
Concessões e serviços 8.276 6.252 32,4% Imobiliária 80.491 79.820 0,8% Hotelaria 38.294 26.461 44,7% Comércio alimentar 7.758 8.456 -8,3% Comercialização de combustíveis 7.846 6.297 24,6% Comercialização de viaturas 14.333 29.222 -51,0%
Não afectos a segmentos -13.895 -12.083 15,0%
Eliminações 901 -1.011
-Total 209.773 187.842 11,7%
Sector de actividade Contributo para o EBITDA
Em 2008, o EBITDA registou um crescimento de 66,2% em relação ao ano anterior e fixou-se nos 187.842 milhares de Euros, influenciado por operações não recorrentes em 53.263 milhares de Euros. As operações não recorrentes podem ser analisadas na nota 8 – Proveitos Operacionais e nota 13 – Outros Custos Operacionais do Relatório e Contas de 2008, na rubrica “Variação justo valor de propriedades de investimento”.
Em 2007, o EBITDA desceu 4,1% e fixou-se nos 113.051 milhares de Euros.
A margem EBITDA (EBITDA / Volume de Negócios) registou, em 2009, um aumento de 1,9 pontos percentuais, passando de 14,5% em 2008 para 16,4% em 2009. Em 2007, o mesmo indicador fixou-se em 11,2%.
Resultados financeiros
Em 2009, os resultados financeiros foram negativos em 2.180 milhares de Euros, destacando-se essencialmente a diminuição do valor que resulta da aplicação do método de equivalência patrimonial às participações em Associadas, em 5.835 milhares de Euros.
As diferenças de câmbios tiveram um impacto positivo nos resultados financeiros de 8.351 milhares de Euros.
Em 2008, os resultados financeiros foram negativos em 595.439 milhares de Euros, devido essencialmente à desvalorização do justo valor dos Activos Financeiros Disponíveis para Venda (nomeadamente em resultado da desvalorização da participação detida no Banco Comercial Português, S.A.), no montante de 536.037 milhares de Euros.
Sem considerar esta perda não recorrente, o agravamento dos resultados financeiros seriam de 123.269 milhares de Euros, sendo explicado, no essencial, pela subida acentuada das taxas de juro e pelo aumento do valor do endividamento em 164.934 milhares de Euros, bem com pela diminuição dos resultados em associadas, os quais, em 2007, haviam tido um benefício significativo com a alienação da participação na “Scutvias – Autoestradas da Beira Interior, S.A.”.
De referir ainda, a este propósito, o impacto negativo no exercício de efeitos cambiais no montante de 5.870 milhares de Euros, devido às desvalorizações do real (Brasil) e da hryvnia (Ucrânia). Em 2007, registou-se um aumento dos resultados financeiros, os quais atingiram 63.867 milhares de Euros, muito em função da contribuição positiva dos resultados das actividades de investimento, que incluem o valor das mais-valias obtidas pelo contrato de venda da participação na SCUTVIAS – Auto-estradas da Beira Interior, S.A. e pela alienação de acções em Bolsa, que compensaram o efeito negativo provocado pela desvalorização do dólar americano face ao Euro e pela evolução da taxa de juro.
Imposto sobre o rendimento
O Imposto sobre o Rendimento atingiu no exercício findo em 31 de Dezembro de 2009 o montante de 36.687 milhares de euros.
Em 2008, o Imposto sobre o Rendimento, negativo em 51.368 milhares de Euros, reflecte a constituição de activos por impostos diferidos de 76.480 milhares de Euros, referentes à perda dos Activos Financeiros Disponíveis para Venda e a passivos por impostos diferidos de operações não recorrentes de 16.490 milhares de Euros.
O Imposto sobre o Rendimento ascendeu, em 2007, a 6.182 milhares de Euros. Resultado líquido consolidado
Em 2009, os resultados líquidos consolidados atribuíveis a detentores de capital foram positivos em 116.629 milhares de Euros.
Em 2008, os resultados líquidos consolidados atribuíveis a detentores de capital foram negativos em 347.244 milhares de Euros. Tais resultados foram fortemente penalizados pelas desvalorizações dos Activos Financeiros Disponíveis para Venda em 390.105 milhares de Euros. Sem essa penalização, os resultados seriam positivos em 42.861 milhares de Euros.
Em 2007, os resultados líquidos consolidados atribuíveis a detentores de capital alcançaram 122.252 milhares de Euros, reflectindo um crescimento de 7% em relação a 2006.