6. RESULTADO E ANÁLISE DE DADOS
6.2. COMPARAÇÃO DOS RESULTADOS INTRA E INTERGRUPOS
6.2.1. Resultados Grupo 1
Serão apresentados, a seguir, os padrões observados entre os participantes do Grupo 1 (Participantes 1, 2 e 3), que interagiram com audiência divergente (gerente comercial) na fase experimental 1, e com audiência convergente (psicóloga organizacional) na fase experimental 2.
Em relação aos dados quantitativos, observou-se maior número de palavras auto-editadas do Grupo 1 na fase experimental 1 (audiência “gerente comercial”), sendo observadas 121 palavras auto-editadas na fase 1, para 31 (sendo dessas 21 apagadas) na fase 2 (audiência “psicóloga organizacional”). Já, observou-se maior número de palavras digitadas e publicadas na fase experimental 2 (audiência convergente), 826 palavras digitadas e 805 publicadas, para 807 palavras digitadas e 686 publicadas na fase 1 (audiência divergente).
Observou-se que, no geral, a audiência divergente controlou o maior número de auto-edições do Grupo 1, enquanto a audiência convergente o maior número de publicação.
Especificamente, foi observado que todos os participantes apresentaram maior número de auto-edições, em formato de supressões no discurso, na fase experimental 1 (audiência “gerente comercial”), mesma fase em que foram apresentadas maior incidência de persuasão, discordância implícita em relação à audiência e oscilação entre diversas categorias do discurso. O maior tempo de digitação de todos os participantes também ocorreu na fase 1.
O maior número de palavras digitadas dos Participantes 1 e 2 ocorreu na fase 1. Já o maior número de palavras finais da Participante 1 ocorreu na fase 2, e do Participante 2 na fase 1.
Enquanto o maior número de palavras digitadas e finais da Participante 3 ocorreu na fase 2.
Na fase experimental 1, todos os participantes apresentaram segmentos verbais concordantes, discordantes e persuasivos em relação à audiência “gerente comercial”. Porém, não foi observada nenhuma discordância explícita (apenas implícita), enquanto a concordância explícita foi observada nos Participantes 1 e 3 (o Participante 2 apresentou somente concordância implícita). Os Participantes 2 e 3 iniciaram suas respostas com segmentos concordantes em relação à audiência, já a participante 1 iniciou com segmento persuasivo. O Participantes 2 apresentou um segmento verbal incoerente à sua abordagem teórica (Gestalt), sendo que no mesmo o participante utilizou o termo “reforçaria” para explicar a intervenção que faria, termo este correspondente à abordagem behaviorista radical.
O mesmo também foi observado em um segmento verbal da Participante 3, que utilizou o
termo “reforçar” para defender um procedimento interventivo. Já nas respostas da Participante 1, não foi observada incoerência em relação à sua abordagem teórica (Cognitiva-Comportamental). A Participante 1 apresentou segmentos equilibrados entre os vieses explicativos internalista-mentalista e externalista-funcional. O Participante 2 apresentou segmentos predominantemente internalistas-mentalistas. A Participante 3, segmentos predominantemente externalista-funcionais. Todavia no discurso de todos os participantes foi observada a presença dos dois tipos de vieses explicativos. Foram observadas auto-edições nos discursos das Participantes 1 e 3, que alteraram sua qualidade (através da supressão do que haviam escrito e da mudança de explicação). Também foram observadas alta emissão de cópias pelas duas participantes.
Na fase experimental 2, por sua vez, não foi observada nenhuma discordância, dos três participantes, em relação à audiência “psicóloga organizacional”. Os Participantes 2 e 3 iniciaram suas respostas com manifestação de concordância em relação à audiência (implícita e explícita respectivamente), já a Participante 1 iniciou sua resposta com segmentos categorizados como adicionais, para em seguida manifestar concordância (explícita e implícita). Apenas o Participante 2 apresentou um segmento verbal categorizado como persuasivo em relação à audiência. Novamente, o Participante 2 apresentou um segmento incoerente à sua abordagem teórica, pela repetição do mesmo termo da fase 1, que também foi observado novamente em um segmento verbal da Participante 3. Não foi observada incoerência na Participante 1. Os segmentos verbais da Participante 1 mantiveram-se equilibrados entre os vieses explicativos internalista-mentalista e externalista-funcional, os da Participante 3 mantiveram-se predominantemente externalista-funcionais. Todavia, o Participante 2, proporcionalmente, emitiu mais verbalizações de viés externalista-funcional na fase experimental 2, em comparação à fase 1. O discurso do participante se apresentou significativamente alterado de uma fase em relação à outra (apesar de ter emitido explicitamente poucas auto-edições olhando-se isoladamente cada fase).
No geral, na fase experimental 1, observou-se que os segmentos verbais dos participantes do Grupo 1 transitaram mais dentre as diferentes categorias do discurso em relação à audiência, do que em comparação à fase experimental 2. Foi identificado o controle da audiência “gerente comercial” no sentido da formulação de discordâncias implícitas (não-explícitas), “suavizando” a aversividade e diretividade das negações, e também, da formulação de concordâncias (e persuasões) anteriormente à formulação de discordâncias.
Foram observadas apenas uma discordância em relação à audiência por participante, sendo que a maioria dos segmentos dos Participante 2 e 3 foram categorizados como concordantes,
enquanto da Participante 1, persuasivos. Já na fase experimental 2, não foi identificado nenhum segmento categorizado como discordante em relação à audiência “psicóloga organizacional” emitido pelos participantes (diferente da fase 1). Os segmentos foram, no geral, categorizados como concordantes (explícito e implícito) e adicionais. Apenas o participante 2 emitiu um segmento categorizado como de persuasão. Observou-se o maior controle da audiência no sentido da concordância e da emissão de verbalizações adicionais, sem elementos persuasivos (semelhante a uma conversa natural em função de contingência não-punitiva).
6.2.2. Resultados Grupo 2
Serão apresentados, a seguir, os padrões observados entre os participantes do Grupo 2 (Participantes 4, 5 e 6)14, que interagiram com audiência convergente (psicóloga organizacional) na fase experimental 1, e com audiência divergente (gerente comercial) na fase experimental 2.
Em relação aos dados quantitativos, observou-se maior número de palavras auto-editadas do Grupo 2 na fase experimental 2 (audiência “gerente comercial”), sendo observadas 189 palavras auto-editadas (sendo dessas 105 apagadas) na fase 2, para 177 palavras auto-editadas (sendo dessas 118 apagadas) na fase 1 (audiência “psicóloga organizacional”). Já, observou-se maior número de palavras digitadas e publicadas na fase 1 (audiência convergente), 1047 palavras digitadas e 929 publicadas, para 1022 palavras digitadas e 917 publicadas na fase 2 (audiência divergente). Observou-se que, no geral, a audiência divergente controlou o maior número de auto-edições no Grupo 2, enquanto a audiência convergente, o maior número de publicação. No entanto, os dados são bastante próximos.
Especificamente, o maior número de auto-edições do discurso dos Participantes 4 e 5, foi observado na fase 1, enquanto da participante 6, foi observado na fase 2. O maior número de palavras digitadas e publicadas na versão final da resposta foi observado, novamente, na fase 1 para os participantes 4 e 5, já para a participante 6, na fase 2. Os Participantes 4 e 5, que apresentaram predominância de segmentos verbais categorizados como persuasivos na fase 2 (audiência divergente), emitiram menos verbalizações (e ocuparam menos tempo de digitação nessa fase). Enquanto a Participante 6, que apresentou
14 Todos os participantes desse Grupo formaram-se na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Todavia, essa não foi uma condição arranjada pela experimentadora, ocorrendo ao acaso.
predominância dos segmentos categorizados como adicionais na fase 2, emitiu mais verbalizações (e ocupou mais tempo de digitação nessa fase).
Na fase experimental 1, em relação à audiência (outra psicóloga organizacional), os segmentos de todos os participantes do Grupo 2 se dividiram entre as categorias concordante e adicional, não sendo identificado nenhum segmento categorizado como discordante ou persuasivo. Os Participantes 4 e 6 apresentaram concordâncias explícitas (“Concordo”), enquanto a Participante 5 apresentou concordâncias implícitas. Todos os segmentos verbais dos Participantes 4 e 6 foram categorizados, em relação ao viés explicativo, como externalista-funcional, enquanto os segmentos verbais da Participante 5 também foram predominantemente categorizados como externalista-funcional, no entanto, apresentou um segmento verbal categorizado como internalista-mentalista. Apenas um segmento da Participante 5, também, foi categorizado como parcialmente incoerente em relação à abordagem teórica, a Sócio-Histórica. Todos os participantes do Grupo 2 fizeram uso do termo “reforço” ou “reforçar”, no entanto apenas o Participante 4 denominou a abordagem behaviorista radical como a abordagem teórica que orienta sua atuação profissional, sendo que a Participante 6 respondeu em questionário inicial que nenhuma abordagem teórica específica orientava sua atuação. Todos os segmentos verbais do Participante 4 foram categorizados como coerentes em relação à sua abordagem teórica, sendo exclusivamente de viés explicativo externalista-funcional. Todos os participantes relacionaram variáveis ambientais organizacionais e históricas a variáveis comportamentais, para explicar os comportamentos dos colaboradores da situação hipotética, apenas foi observado um segmento verbal, da participante 5, de viés explicativo internalista-mentalista (mencionado anteriormente).
Na fase experimental 2, em relação à audiência (gerente comercial), os segmentos verbais de todos os participantes transitaram entre mais categorias do discurso, comparando-se à facomparando-se 1. Por isso, também, foram obcomparando-servados maior número de comparando-segmentos verbais na facomparando-se 2, em relação à fase 1. Os segmentos de todos os participantes transitaram entre as categorias concordante, discordante, persuasivo e adicional (sendo que não foram observadas discordâncias e persuasão em relação à audiência na fase 1, mas apenas segmentos concordantes e adicionais). Os Participantes 4 e 5, assim como apresentaram segmentos categorizados como de discordância explícita em relação à audiência, também apresentaram de concordância explícita. A Participante 6, por sua vez, apresentou discordância apenas implícita, enquanto concordâncias implícita e explícita. A maioria dos segmentos verbais dos Participantes 4 e 5 foram categorizados como persuasivos, enquanto da Participante 6, como adicionais e, em seguida, persuasivos. Todos os participantes, porém, iniciaram suas respostas
na fase 2 com concordância em relação à audiência, para, posteriormente, emitirem segmentos categorizados como discordantes ou persuasivos. Os segmentos de todos os participantes, novamente, foram predominantemente categorizados como de viés explicativo externalista-funcional, sendo apresentado apenas um segmento da Participante 5, novamente, categorizado como internalista-mentalista (repetindo o mesmo fator interno da fase 1). Nessa fase, todos os segmentos verbais dos Participantes 4 e 5 foram categorizados como coerentes em relação à abordagem teórica (Behaviorismo Radical e Sócio-Histórica, respectivamente).
No geral, na fase 1, foi observado o controle da audiência (psicóloga organizacional) no sentido da emissão de segmentos verbais concordantes e adicionais (não sendo identificado nenhum segmento discordante ou persuasivo). Na fase 2, foi observado o controle da audiência (gerente comercial) no sentido de concordâncias serem emitidas antes de discordâncias e serem emitidas quantidade significativa de segmentos persuasivos (os quais não foram observados na fase 1). Em ambas as fases, os segmentos foram categorizados em relação ao viés explicativo e à abordagem teórica de forma equivalente, havendo pouca alteração no controle dessas variáveis conforme se alterou a audiência em cada fase. Contudo, na fase 2, as Participantes 5 e 6 acrescentaram explicações referentes à atribuição do comportamento do colaborador a “problemas em casa” ou “fatores externos à organização”, fatores não mencionados na fase 1.
6.2.3. Resultados Grupo 1 x Grupo 2
A seguir, serão apresentadas os padrões comuns e as discrepâncias observadas entre os resultados do Grupo 1 e 2.
Em relação aos dados quantitativos, comparando-se os dois grupos, foi observado que o maior número de publicações, bem como de auto-edições, ocorreu, nas duas fases, no Grupo 2.
Tanto no Grupo 1, quanto no Grupo 2, os segmentos dos participantes transitaram entre mais categorias do discurso na fase em que o gerente comercial era audiência (fase 1 para o Grupo 1, fase 2 para o Grupo 2). Por isso, também, houve maior número de segmentos verbais de todos os participantes nessa fase. Também, em ambos os grupos, foi identificado o controle da audiência “gerente comercial” no sentido da formulação de concordâncias (e persuasões) anteriormente à formulação de discordâncias (por todos os participantes). Na fase em que a psicóloga organizacional era audiência (fase 2 para o Grupo 1, fase 1 para o Grupo 2), nos dois grupos, não foi observado nenhum segmento categorizado como discordante
(havendo apenas um segmento persuasivo no Grupo 1). Também, em ambos, nessa fase, os segmentos foram predominantemente categorizados como concordantes e adicionais (semelhante a uma conversa natural em função de contingência não-punitiva).
No entanto, no Grupo 2, em que os participantes interagiram primeiramente com audiência convergente (psicóloga organizacional); quando interagiram com audiência divergente (gerente comercial), observou-se o maior número de segmentos verbais do grupo categorizados como persuasivos, sendo também apresentados segmentos discordantes explícitos em relação à audiência por dois participantes, categorização esta que não foi observada no discurso de nenhum participante do Grupo 1 em relação ao gerente comercial. O Grupo 1, por sua vez, que interagiu primeiramente com audiência divergente (gerente comercial), apresentou nessa fase somente discordâncias implícitas, “suavizando” a aversividade e diretividade da negação. Também, foram observados maior número de segmentos verbais categorizados como internalista-mentalista no Grupo 1, em comparação ao Grupo 2 (que teve discurso quase que exclusivamente externalista-funcional nas duas fases).