Sobre o uso do modelo DC e do modelo completo podem retirar-se conclusões importantes. Concretamente para os casos estudados, pôde observar-se que embora com valores diferentes, os barramentos com repressão são os mesmos em ambos os modelos (Tabela 4.10 e Tabela 4.20).
Sobre os valores duais do caso base existem diferenças quer nos valores, quer nos ramos que estão activos. Por exemplo no barramento 9, no caso AC (Tabela 4.16) o ramo 4-7 apresenta um valor dual de 0.6989 enquanto no caso DC (Tabela 4.7) apresenta um valor dual nulo. Contudo e em geral, os maiores valores duais activos no caso AC (ramos activos) correspondem aos maiores valores duais do caso DC. Com efeito, os resultados obtidos nas secções 4.4.3.1 e 4.5.4.1 indicam que para se obter a menor severidade global de repressão deverá ser considerado para ambos os modelos, o reforço do ramo 3-4 (Tabelas 4.11 e 4.21). Pode então dizer-se que o uso do modelo DC CFPF permite obter um conjunto de indicadores que são relevantes no modelo completo.
Num outro ponto (secção 4.4.3.2 e 4.5.4.2), verificou-se que os reforços sucessivos de ramos no caso DC e AC não seguiram a mesma ordem. No entanto, verifica-se que até se conseguir diminuir a severidade global de repressão para um valor desejado (0.4 pu) que os ramos utilizados para reforço foram os mesmos em ambos os casos. Notar que apesar das semelhanças o grau de repressão mantém-se praticamente em 0.9 ao longo do processo de reforço no modelo DC e vai sofrendo reduções no caso do modelo AC. Os barramentos cuja repressão foi afectada (10 e 12), além de obviamente o barramento 9, foram também os mesmos em ambos os casos. Na obtenção da potência especificada no modelo completo teve ainda de se proceder ao reforço do ramo 9-10. Nesta altura produziram-se pequenas diminuições de repressão nos barramentos 12 e 13.
As diferenças em ambos os modelos podem ser justificadas pela existência da potência reactiva gerada e consumida em alguns barramentos. Esta grandeza influencia os TP nos ramos e claro, os pedidos de transporte (onde se incluem as perdas) no caso AC.
Pelo conjunto de resultados obtidos, pode dizer-se que o modelo DC dará indicações muito interessantes do que deverá acontecer quando se aplica o modelo completo.
4.7 CONCLUSÕES
Neste capítulo foi apresentada uma metodologia que aplica o CFPF para identificar sugestões de reforços a realizar sobre a rede. Em seguida resumem-se algumas das suas potencialidades:
- Identificação dos ramos que influenciam directamente a repressão de cada barramento; - Encontrar a potencialidade total ou parcial de um ramo na diminuição da repressão;
- Identificação dos ganhos máximos em termos de potência injectada (potência permitida) função do reforço dos ramos;
- Teste de várias situações de reforço de forma a permitir obter a potência injectada desejada (especificada) para cada barramento;
A metodologia apresentada é baseada na avaliação dos valores duais, resultado natural dos problemas de optimização. A leitura dos valores duais (Tabela 4.1) permite ao utilizador aferir de imediato sobre as sugestões de reforço mais promissoras para diminuir ou eliminar a repressão num dado barramento. Paralelamente e com base na mesma informação pode o utilizador também verificar quais os ramos que influenciam a repressão em mais de um barramento.
Após obter as sugestões de reforço torna-se necessário conhecer o valor para o qual se deve reforçar o ramo. No modelo linear (DC CFPF) o problema de optimização oferece, além dos valores duais, os intervalos onde estes são válidos permitindo a identificação de patamares. Desta forma e considerando as expressões fornecidas na secção 4.2, a obtenção da diminuição da severidade de repressão para um dado valor de reforço é simples de calcular. Contudo, para determinados valores de reforço poderá ser necessário o recurso a pós-optimizações. Também aqui são fornecidos os novos intervalos de validade dos valores duais. No caso do modelo completo coloca-se a questão da não linearidade. Os valores duais obtidos são derivadas de funções não lineares pelo que o seu valor apenas é válido na vizinhança da solução actual, não sendo possível a obtenção de patamares como no modelo linear. A forma encontrada para se poderem calcular valores de reforço específicos foi apresentada como processo incremental. Para verificação das metodologias de melhoria de adequação foram apresentados alguns exemplos baseados numa rede de teste. Foram obtidos bons resultados, com especial relevância no processo incremental, por se tratar de uma aplicação sobre um modelo não linear.
Os estudos efectuados permitiram também constatar que a acção de reforço de um ramo nem sempre conduz à obtenção da potência especificada. Nesta situação, a diminuição da repressão permite obter uma potência permitida menor que a pretendida (especificada).
Finalmente e baseados no conjunto de estudos apresentado, pode-se referir que o modelo DC oferece boas sugestões do que deverá acontecer quando se aplicar o modelo completo. Este caso poderá levar o utilizador a considerar a sua utilização quando pretender obter resultados de forma célere.
CAPÍTULO 5
ANÁLISE DE SEGURANÇA
5.1INTRODUÇÃO
A análise clássica de segurança do sistema composto considera métodos determinísticos e probabilísticos, ambos referidos no Capítulo 2.
O critério determinístico normalmente aplicado no sistema composto é o critério (N-1). O sistema deve suportar a saída de serviço de um qualquer componente sem que ocorra corte de carga (ou pelo menos o corte de carga não deverá ser superior a um valor predefinido). Nesta situação o sistema é adequado, caso contrário é considerado inadequado. Algumas entidades responsáveis pela tutela das redes utilizam também critérios considerando eventos múltiplos (critério n-2 ou critério n-1-1) onde se pressupõe que o sistema resiste. Podem neste caso, os eventos serem a saída de um qualquer componente de serviço quando se está a realizar manutenção num outro componente. Estes critérios são rígidos e não fornecem informação sobre o impacto de cada contingência sobre os pontos de carga.
As técnicas probabilísticas como as analíticas ou o Método de Monte Carlo (Capítulo 2) permitem analisar o impacto das contingências na fiabilidade do sistema através do cálculo de índices como a probabilidade do corte de carga [Billinton e Li, 1994]. Também a REN, SA utiliza, como se referiu, uma ferramenta baseada no MMC que simula centenas de milhares de cenários da rede com vista a avaliar a fiabilidade, neste caso do sistema composto, perante indisponibilidades de componentes.
Em seguida são enunciados os três principais objectivos deste capítulo:
Como primeiro objectivo, é pretendido mostrar como o CFPF pode ser aplicado para avaliação da segurança da rede (estado estacionário) aplicada ao critério determinístico (N-k), sendo k a ordem da contingência seleccionada. A diferença para a formulação clássica é que, como se verá, o CFPF permite obter os resultados, neste caso da adequação exclusiva da rede
de transporte para cada estado estudado, dando indicação da influência na severidade de repressão por cada contingência.
O segundo objectivo é proporcionar uma técnica capaz de minimizar o impacto das contingências tomando medidas (reforços) para limitar as consequências negativas para a rede. Este caso, não deve ser confundido com medidas correctivas como acontece nas versões clássicas baseadas em redespachos económicos utilizando o trânsito de potências óptimo ou corte de carga. De facto, o CFPF admite já na modelização dos pedidos de transporte todos os despachos possíveis. Neste objectivo o que se pretende é a definição de pontos interessantes a serem reforçados com vista a melhorar a adequação da rede avaliada pela repressão existente nos pedidos de transporte.
O terceiro e último objectivo deste capítulo consiste em mostrar como pode o CFPF ser utilizado em conjunto com critérios probabilísticos na análise de segurança.