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2.3 Resultados e discussão

2.3.4 FASE 4 Avaliação dos mapas

2.3.4.9 Comparação entre o mapa C e o mapa digital

O cruzamento entre o mapa C e o mapa digital gerou uma matriz de confusão entre as unidades de mapeamento destes (Tabela 33 dos anexos). A matriz resultante é apresentada na forma de mapa de concordância (Figura 24), no qual as cores mais claras representam concordância em nível categórico mais detalhado.

Figura 24 - Mapa de concordância da matriz de confusão entre o mapa C e o mapa digital

O cruzamento entre os mapas C e digital resultou em uma correspondência espacial até o primeiro nível categórico de 69,64 % da área (127,01 ha). Considerando até o segundo nível categórico houve uma redução na correspondência de 3,46 % (6,32 ha), a qual passa a 66,18 % (120,70 ha). Para o terceiro nível categórico houve uma redução de 16,14 % (29,43 ha) na correspondência, que assumiu o valor de 50,04 % (91,26 ha). Aumentando-se o detalhamento, no quarto nível categórico há uma redução na correspondência de 18,31 % (33,39 ha), a qual ficou em 31,73 % (57,87 ha). Acrescentando-se a informação a respeito da textura do solo ao quarto nível categórico, a correspondência foi reduzida de 27,40 % (49,97), a qual termina em 4,33 % (7,90 ha) (Tabela 3). Este valor final de correspondência espacial é um dos menores observados nas comparações feitas.

Foram observados apenas dois principais casos de discordância no primeiro nível categórico envolvendo maior área. No primeiro e maior deles, parte das unidades NVeft arg +

NVeft mt arg e CXveft arg + NVeft arg, ambas do mapa C, sobrepuseram grande parte da

unidade MTft arg, do mapa digital. Este caso é idêntico ao observado na comparação entre os mapas A e C (2.3.4.2) e entre os mapas B e C (item 2.3.4.4). De maneira análoga a estes, dentro das unidades dos dois mapas foi examinado o perfil P3 (Figura 3A dos anexos).

Entretanto para o mapa C julgou-se que o perfil examinado, classificado como Chernossolo, não representaria a maioria dos solos contidos na unidade de mapeamento do mapa C. Assim sendo, para classificar esta unidade foram tomados como base resultados de análise de solo dos pontos 22 e 57 (Tabela 18 dos anexos) e observações de campo feitas em outros locais dentro da unidade. Assim, pode-se observar que para este caso, o mapa digital forneceu a mesma informação que os mapas A e B. Por outro lado, trata-se de uma discordância entre solos relativamente parecidos, os quais se confundem na paisagem local, uma vez que todos são derivados a partir de diabásio, de estágio de desenvolvimento não muito avançado, ricos em óxidos de ferro e bases trocáveis, de textura argilosa a muito argilosa, com horizonte B nítico, e que ocorrem associados na paisagem local. O segundo caso de discordância deu-se entre parte da unidade PVeft med/arg, do mapa C, e parte da unidade NVeflat arg, do mapa digital. Tal caso de discordância também se assemelha aos relatados nas sobreposições entre os mapas A e C (item 2.3.4.2), B e C (item 2.3.4.4) e C e D (item 2.3.4.6). Da mesma forma que o mapa digital, os mapas A, B e D também classificaram suas unidades como Nitossolo. Assim sendo, observa-se que o mapa C classificou solos com maior gradiente textural (Argissolos) para a região em questão, que contempla solos desenvolvidos a partir de diabásio, do que os demais mapas. Tal fato pode ser explicado também pela variação do gradiente textural dentro da área de estudo, de forma que dependendo dos locais nos quais foram consultados os resultados de análise granulométrica do solo este pode ser enquadrado com Nitossolo Vermelho ou Argissolo Vermelho. Isso mostra que tais solos ocorrem associados de maneira complexa dentro desta porção da paisagem, sendo uma tarefa quase que impossível discriminá-los individualmente em unidades de mapeamento simples.

Com relação às discordâncias no segundo nível categórico, verificou-se que houve apenas um caso de discordância que envolve área significativa. Neste, parte da unidade PVeft

me/arg, do mapa C, sobrepôs parte da unidade PVAdab ar/med + PVAdt ar/med, do mapa

digital. Fato semelhante também ocorreu nas demais comparações feitas com o mapa digital. A sobreposição se deu nas bordas entre as unidades, tendo sido observado que os mapas convencionais determinaram uma maior área para as unidades de solos desenvolvidos a partir de diabásio, o que levou a sobreposição desta à unidade de solos derivados de siltito do mapa do digital (Argissolos). Tal fato pode ser explicado pela limitação de resolução espacial da imagem de satélite, a qual possui pixel de 30 x 30 m, porém McBbratney; Mendonça-Santos e Minasny (2003) salientam que para mapeamento de escala 1:10.000 é necessária a utilização de informações com resolução espacial de 10 m. Como para este caso a informação a informação espectral incorpora o comportamento de textura e teor de óxidos de ferro

(MADEIRA NETTO, 2001), importante para discriminar os solos férricos e argilosos dos não férricos e de textura média que ocorrem ao seu entorno, a falta de resolução espacial pode ter sido limitante neste caso.

No terceiro nível categórico houve três casos de discordância. Para os três casos houve grande semelhança entre casos ocorridos na sobreposição entre os mapas A e C (item 2.3.4.2) e entre os mapas B e C (item 2.3.4.4). No primeiro e maior, houve sobreposição entre parte da unidade PVAdt med/med + PVAdt med/arg + PAdt med/med + PAdt med/arg, do mapa C, e parte da unidade PAeab ar/med, do mapa digital. Na região envolvida neste caso, os mapas A, B e digital discriminam a ocorrência de solos eutróficos, enquanto o mapa C indica a ocorrência de solos distróficos. Conforme discutido anteriormente, a causa para tal fato pode estar relacionada à grande variação de alguns atributos do solo na área de estudo, neste caso os químicos, conforme observado por Silva (2000) nessa mesma região. Um segundo caso se deu entre a unidade PAet med/med + PAet med/arg + PVAet med/med + PVAet med/arg, do mapa C, e a unidade PVAdab ar/med + PVAdt ar/med, do mapa digital. Neste observou-se o inverso do primeiro, enquanto o mapa C classifica os solos como eutróficos, o mapa digital classifica como distróficos, da mesma forma que os mapas A e B. No terceiro caso, parte da unidade CXvet med, do mapa C, sobrepôs a unidade CXveft arg, do mapa digital. Este caso assemelha-se ao observado nas comparações entre o mapa C e o mapa A (item 2.3.4.2), e entre o mapa C e o mapa B (item 2.3.4.4). Tal caso se deu em uma região de complexidade geológica, onde ocorre transição entre diabásio e siltito. Assim sendo, enquanto o mapa digital indica solos desenvolvidos a partir de diabásio (férricos), assim como os mapas A e B, o mapa C indica solos desenvolvidos a partir de siltito (não férricos). No entanto tais solos ocorrem de maneira complexa nesta porção da área de estudo, o que dificulta sua separação em unidades de mapeamento simples.

Para o quarto nível categórico a maior parte desta área de discordâncias está em três principais casos. No primeiro, parte da unidade NVeft arg + NVeft mt arg, do mapa C, sobrepôs parte da unidade NVeflat mt arg, do mapa digital. Este caso assemelha-se ao observado nas comparações entre os mapas A e B (item 2.3.4.1) e entre os mapas A e C (item 2.3.4.2). Tal discordância refere-se à presença ou não de horizonte B latossólico abaixo do horizonte B nítico para os Nitossolos, na porção mais elevada da área de estudo. Uma vez que as características morfológicas são determinantes nesta constatação, faz-se necessário o exame de perfil de solos. Sendo inviável abrir trincheiras para examinar o perfil do solo ao longo de toda a área a ser mapeada (BRADY; WEIL, 2004), evidências são reunidas (feições de relevo, correlação com outros locais examinados, entre outros) a fim de embasar predições.

Dessa forma, observou-se uma correspondência quanto ao mapa A e digital, os quais indicam Nitossolos latossólicos para esta área, enquanto que os mapas B e C indicam Nitossolos típicos, provavelmente por associar a ocorrência de tal solo com relevo mais declivoso. No segundo e terceiro casos de correspondência, a divergência se dá quanto ao caráter abrupto dos Argissolos. No segundo caso, parte de unidade PAet med/med, do mapa C, sobrepôs parte da unidade PAeab ar/med, do mapa digital. No terceiro caso, parte da unidade PVAdt

med/med + PVAdt med/arg + PAdt med/med + PAdt med/arg, do mapa C, sobrepôs parte da

unidade PVAdab med/arg do mapa digital. Casos semelhantes a estes foram observados nas comparações entre os mapas A e C (item 2.3.4.2) e entre os mapas B e C (item 2.3.4.4). Nestes dois casos, enquanto os mapas A, B e digital classificam suas unidades de mapeamento como Argissolo abrúptico, o mapa C classifica a sua como Argissolo típico. Para caracterizar mudança textural abrupta é necessário identificar um considerável aumento no teor de argila do horizonte A ou E em relação ao horizonte subjacente B em uma distância menor ou igual a 7,5 cm (EMBRAPA, 2006). Assim, a constatação deste caráter depende do grau de sensibilidade e/ou critérios perceptivos do avaliador do solo, ou mesmo dos locais onde as observações foram tomadas, o que pode explicar essa divergência.

Considerando a informação a respeito da textura do solo ao quarto nível categórico, foram verificados três casos de discordância. No primeiro e maior deles, parte das unidades

CXvdt med + PVAdt med/med + PVAdt med/arg + PAdt med/med + PAdt med/arg e PVAdt med/med + PVAdt med/arg + PAdt med/med + PAdt med/arg, do mapa C, sobrepuseram a

unidade PVAdab ar/med + PVAdt ar/med, do mapa digital. Nos outros casos, parte da unidade NVeflat arg, do mapa C, sobrepôs parte da unidade NVeflat mt arg, e parte da unidade CXveft arg + NVeft arg, do mapa C, sobrepôs parte da unidade NVeft mt arg, do mapa digital. Todos estes casos envolvem classes texturais adjacentes, ocorrendo em porções da área de estudo em que os resultados de análise de solos revelam valores de teor de argila no solo próximos ao limite entre as classes texturais. Assim sendo, são aumentadas as chances de discordância, além do que devido à grande variação em alguns atributos do solo, dependendo dos locais onde foram consultados resultados, houve predominância de uma ou outra classe textural.