Para efetuarmos a comparação entre aviões monomotores e bimotores foram utilizados como modelos as aeronaves Cessna 172 e Seneca I que são largamente utilizados no país. O Cessna 172 é uma aeronave de 4 lugares, monomotor e de asa alta. É uma das mais populares aeronaves de treinamento no mundo, sendo utilizada também por profissionais liberais que precisam se deslocar grandes distâncias para atender clientes além de famílias de classe média alta que a utilizam para deslocamentos rápidos e diversão. É uma aeronave extremamente fácil de pilotar e robusta, possuindo um perfil de asas convencionais que geram bastante sustentação. O Piper Seneca I é uma aeronave bimotora a pistão, com fuselagem de metal, com capacidade para 6 passageiros além do piloto, utilizada na aviação regional do país em voos intermunicipais e interestaduais. É uma aeronave que foi inicialmente derivado do Piper Cherokee Six, um monomotor a pistão de muito sucesso nos Estados Unidos da América.
Tabela 1 – Comparação dos dados operacionais entre uma aeronave monomotora e outra bimotora.
(continua) Tupi (Monomotor) x Seneca I (bimotor)
C-172 Seneca I
Quantidade de motores 1 frontal 2 contrarotativos (1 em cada asa)
Tipo de motores Lycoming Lycoming
Direito: LIO-360-C1E6 Esquerdo: IO-360-C1E6 Quantidade de cilindros em
cada motor
(conclusão)
Cessna 172 (Monomotor) x Seneca I (bimotor)
C-172 Seneca I
Potência dos motores 180 HP 200 HP
Capacidade de combustível 100 l em cada asa. Total de
200 litros. 185 l em cada asa. Total de 370 litros
Autonomia 6 horas 5 horas
Peso máximo de decolagem 1110 kg 1905 kg
Envergadura 11 m 11,85 m Comprimento 8,3 m 8,70 m Altura 2,72 m 3,00 m Velocidade máxima de Cruzeiro 110 kt 160 kt Alcance máximo 660 NM 800 NM
Para fazer esta comparação utilizamos como base o custo da hora de voo de ambas as aeronaves que foi obtido em pesquisa junto ao Aeroclube de Pará de Minas, que cedeu para este trabalho sua planilha de custos relativos a ambos os modelos de aviões no ano de 2008. O Aeroclube de Pará de Minas é um dos maiores do país e possui larga experiência na operação destas aeronaves que foram escolhidas como padrão neste cálculo comparativo.
Suponhamos então que um empresário more no bairro da Barra da tijuca no Rio de Janeiro, seja proprietário de uma pequena empresa de fabricação de peças para a indústria petrolífera, cuja sede e escritório fiquem também na Barra da Tijuca, e a unidade de produção situe-se em Campos dos Goytacazes no norte do Estado, que dista 255 km em linha reta. Se este usuário precisar viajar a Campos dos Goytacazes duas vezes por semana, num hipotético voo utilizando regras visuais, decolando do Aeroporto de Jacarepaguá (SBJR), na Barra da Tijuca, passando pelas REA Delta e November, e a partir da posição Morro nas proximidades de Rio das Ostras seguindo direto até o Aeroporto de Campos dos Goytacazes (SBCP) teremos uma distância de 155 milhas náuticas. Então vejamos, utilizando um C-172 que tem velocidade máxima de cruzeiro de 110 kt este empresário iria gastar 1,4 horas de viagem em navegação. Se assumirmos que em média um avião de pequeno porte gasta cerca de 15 minutos em cada perna, entre acionamento, taxiamento, decolagem, pouso e estacionamento, então teremos um total de 1,65 horas de voo em cada perna, 3,3 horas de deslocamento por dia e 6,6 horas de deslocamento por semana. Segundo vimos no referencial teórico na tabela 1 o Aeroclube de Pará de Minas calculou em 2009 o custo operacional de um C-172 baseado em 850 horas voadas neste equipamento no ano de 2008, obtendo um valor de R$ 370,94 por hora de voo. Baseado neste valor chegamos à conclusão que este empresário gastaria R$ 2448,20 semanalmente para se deslocar em um C-172 segundo suas necessidades profissionais (370,94 Reais / h x 6,6 horas semanais).
Agora vejamos o mesmo cálculo utilizando um Seneca I bimotor, com velocidade de cruzeiro máxima de 162kt: Este empresário iria gastar 0,96 horas de viagem em navegação. Se assumirmos que em média um avião de pequeno porte gasta cerca de 15 minutos em cada perna, entre acionamento, taxiamento, decolagem, pouso e estacionamento, então teremos um total de 1,21 horas de voo em cada perna, 2,42 horas de deslocamento por dia e 4,84 horas de deslocamento por semana. Segundo vimos no referencial teórico na tabela 1 o Aeroclube de Pará de Minas calculou em 2009 o custo operacional de um Seneca I, baseado em 850 horas voadas neste equipamento no ano de 2008, obtendo um valor de R$ 610,45 por hora de voo. Baseado neste valor, chegamos à conclusão que este empresário gastaria R$ 2954,58
semanalmente para se deslocar em um Seneca I, segundo suas necessidades profissionais (610,45 Reais/ h x 4,84 horas semanais).
Tabela 3 – Comparação de custos e vantagens operacionais entre uma aeronave monomotora e outra bimotora em 2 viagens semanais para cidades que distam 255 Km em linha reta.
Monomotor Bimotor
Custo Semanal 2448,20 Reais 2954,58 Reais Tempo de Viagem
Semanal
6,6 Horas 4,84 Horas
Fonte: Elaboração do autor (2016).
Chegamos à conclusão de que para este tipo de viagem curta e com apenas 1 passageiro é mais vantajoso financeiramente quando utilizamos um C-172 monomotor do que um Seneca I, embora o Seneca economize um pouco de tempo em relação ao monomotor (cerca de 26%), há também um economia de 17,1 % nos custos operacionais do C-172 o que justifica seu uso nessas rotas.
Façamos agora uma comparação utilizando o conceito de ASK e CASK que como vimos no referencial teórico é mais difundido na aviação regular, mas que segundo Corrêa (2013) pode ser utilizado perfeitamente para se calcular a eficiência econômica de uma aeronave no transporte de passageiros: Um voo em que uma hipotética empresa queira fazer o transporte de funcionários semanalmente entre São Gabriel da Cochoeira e Manaus, cidades situadas no Estado do Amazonas e distantes 837 km. Utilizando um C-172 e extrapolando para utilizar o valor de custo horário do voo obtido junto ao Aeroclube de Pará de Minas cujo valor é de R$ 370,94, haveria o seguinte cálculo:
Distância de 452 MN / Velocidade Máxima de Cruzeiro (110 kt) = 4,1 h.
Adicionando-se 0,25 horas para o acionamento, taxi, decolagem, pouso e estacionamento, obtemos um valor de: 4,1 + 0,25 = 4,35 h. A partir disto calculamos o custo do voo: 4,35 h x 370,94 = 1613,59 Reais.
Segundo Corrêa (2013) o ASK do C1-72 seria calculado da seguinte forma: 3 assentos disponíveis x 837 km = 2511.
Dai encontramos o ASK que é o Custo por Assento Quilômetro Ofertado. Cask do C-172 = 1613,59 Reais (Despesas + Custos Operacionais) / 2511 (ASK)
Portanto o CASK do C-172 ficaria em 0,64 por ASK. Ou seja, apenas para bancar a operação do avião, pressupondo que todos os assentos estejam pagos, cada passageiro custaria a empresa um valor mínimo de 537,86 Reais.
Se a aeronave fosse um Seneca, que possui uma lotação de 6 passageiros então: Distância de 452 MN / Velocidade Máxima de Cruzeiro (162 kt) = 2,79 h.
Adicionando-se 0,25 horas para o acionamento, taxi, decolagem, pouso e estacionamento, obtemos um valor de: 2,79 + 0,25 = 3,04 h. A partir disto calculamos o custo do voo: 3,04 h x 610,45 = 1855,77 Reais.
Segundo Corrêa (2013) o ASK do Seneca seria calculado da seguinte forma: 6 assentos disponíveis x 837 km = 5022.
Dai encontramos o ASK que é o Custo por Assento Quilômetro Ofertado.
Cask do Seneca = 1855,77 Reais (Despesas + Custos Operacionais) / 5022 (ASK) Portanto o CASK do Seneca ficaria em 0,37 por ASK. Ou seja, apenas para bancar a operação do avião, pressupondo que todos os assentos sejam utilizados, cada passageiro custaria 309,30 Reais à empresa.
A vantagem operacional deste modo é do Seneca I que possui um CASK bastante inferior ao C-172 (0,37 por ASK contra 0,64 por ASK).