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Comparando e Contrastando Agendas – PROMETRÓPOLE E HBB

REPRESENTAM OS BENEFICIÁRIOS FINAIS

7 INOVAÇÃO E DIFUSÃO DA AGENDA URBANA NO ÂMBITO LOCAL

7.3 Comparando e Contrastando Agendas – PROMETRÓPOLE E HBB

Embora o discurso do Banco Mundial enfatize o fortalecimento institucional no nível municipal, suas ações no Recife — no que se refere ao tema urbano — vêm comumente ocorrendo com impactos para a região metropolitana do Recife; ressaltando uma contradição entre as escalas de intervenções, e que levaram a disputas entre os órgãos municipais e metropolitanos.

Por exemplo, no PROMETRPÓPOLE, os órgãos de planejamento municipal e metropolitano disputaram espaços de negociações e competição que prejudicaram a troca de informações; a cooperação entre os atores, e a troca de conhecimento técnico. As ações de planejamento e desenvolvimento urbano abordadas não enfatizaram questões universais de agendas, e orientaram ações voltadas para projetos nas quais concorreram o município e o órgão metropolitano.

O ponto merecedor de destaque na análise é que, em programas envolvendo muitos atores, pode-se esperar conflitos de legitimação na definição e implementação da política urbana, definidora dos programas.

Capítulo 6 __________________________________________________________________________________________

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Após constante comparação entre as informações coletadas nas entrevistas (Capítulo Dois), pode-se chegar a pontos de difusão, comparando-os com a literatura existente, para formular proposições teóricas acerca da difusão da agenda urbana das agências internacionais estudadas nesta tese.

A difusão perpetua a hegemonia do pensamento econômico utilizado pelas agências. As agências exercem papéis ambíguos quanto aos discursos e suas ações, pois há uma relação direta entre padrões de intervenção das agências e políticas de governos dos países ricos, e essas se relacionam de forma bastante pulverizada com os governos locais; dificultando a identificação dos autores nas políticas locais, e a determinação: se a difusão acontece de fora para dentro, ou vice-versa. Entretanto, não se pode negar a influência marcante da agenda das agências, nos casos dos programas investigados nesta tese.

Na tentativa de generalizar, a partir das análises realizadas nesta tese, nesse momento, é feito um paralelo à Teoria da Difusão aplicada por Rogers (1995), em que a difusão seria definida pelo processo ao qual uma inovação é comunicada por canais de divulgação, ao longo do tempo, entre membros de um sistema social. Uma outra forma de relacionar os resultados desta tese com a literatura existente seria pela contribuição de Ikenberry (1990). Pode-se dizer que nos casos estudados: 1) há indução externa no processo de definição de agendas nos contextos estudados, uma vez que os governos Federal e Estadual alteraram suas agendas para atender às pressões políticas das agências. Entretanto, tal processo não é unilateral; havendo espaço para manobras; 2) a difusão de experiências e formação de um banco de informações por parte das agências multilaterais, dá suporte ao fenômeno classificado como efeito demonstração; e, por último, 3) pode-se aferir que ambos atores se utilizam de ferramentas de disseminação do conhecimento e promoção do aprendizado social.

Pode-se dizer que a difusão no campo da política urbana se assemelha muito mais a um processo de emulação de idéias do que a um processo criativo de aprendizado. Nessa perspectiva, a difusão propicia a criação de canais distintos de sistemas sociais; que envolvem persistência, inventividade e habilidades locais. A difusão acontece em diversos níveis de interação; que, para os propósitos de simplificação, serão apresentados como dois principais níveis: difusão de agenda internacional e difusão de política local. Como foi visto acima, tais níveis foram reorganizados para atender à análise crítica da difusão, sob a perspectiva de modelos de intervenção regional e nacional.

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A transmissão das inovações ou a difusão internacional acontece por ações coletivas, tanto entre países centrais e periféricos, como entre periféricos. Entretanto, os agentes transmissores com papel fundamental são os organismos multilaterais e internacionais. Este fato deve-se à facilidade de acessar canais de transmissão de informação; que na grande maioria das vezes está na língua inglesa e, isso por si, já determina certo grau de superioridade dos países anglo-saxônicos, em assumir papel de liderança no processo de difusão frente aos outros.

No campo do desenvolvimento do Hemisfério Sul, são as instituições multilaterais, principalmente o Banco Mundial e o FMI, que determinam mais fortemente as agendas e suas mudanças. É bem verdade que o Banco Mundial é composto por diversos países; destacando- se o grupo do G-724, principal responsável pela indução e influência da agenda de desenvolvimento global.

Mas, segundo James Galbraith25,

“...as instituições do Banco Mundial e do FMI existiriam para determinar a agenda de desenvolvimento dos países em desenvolvimento, porém os Estados Unidos exercem uma forte influência na determinação das agendas dessas instituições...”

Em relação ao processo de difusão da agenda urbana do Banco Mundial para a política urbana local, em especial no caso da CONDEPE/FIDEM, pode-se verificar que o processo obedece a muitas rotinas, por negociações e acordos (Vide 6.1 e 6.2).

No relacionamento dos atores domésticos com as agências, pode-se verificar que houve uma mudança, exemplificada nos trechos das entrevistas, apresentados abaixo:

“... Hoje há mais abertura, se consegue justificar, tem mais diálogo.” (Trecho da entrevista realizada com a Sra. Nora Neves, Gerente do HBB, realizada em junho de 2001).

“...O gerente do Banco Mundial para o PROMETRÓPOLE vivia em Washington, mas o contato era direto. O atual gerente veio morar em Brasília. Hoje, o contato é quase que diário, via fax e e-mail”. (Trecho da entrevista realizada em 22 de abril de 2004, com a Sra. Bárbara Kreuzig, Coordenadora do PROMETRÓPOLE na CONDEPE/FIDEM).

24 Entrevista realizada em 27 de junho de 2002 com o Sr. Paulo Paiva, Vice-Presidente do Banco Interamericano

de Desenvolvimento, Washington – DC.

25 Entrevista realizada com o Dr. James K. Galbraith na University of Austin, Texas, no dia 27 de fevereiro de

2003.

Entrevista realizada em 27 de junho de 2002 com o Sr. Paulo Paiva, Vice-Presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Washington – DC.

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Na realidade, pode-se observar que as inovações em política pública são construções sociais e, como tais, podem ser mais bem compreendidas como um processo de repetição e reprodução de conhecimento conectado e legitimado entre os atores envolvidos. Mas que, ao mesmo tempo, está em constante transformação, mesmo que tais transformações ocorram em pequenas escalas e a longo prazo.

A construção do fenômeno da difusão na escala local parece ter sido de grande importância na consolidação de agendas, e suas modificações. Esta seção contribuiu teoricamente acerca da causalidade das influências da agenda das agências internacionais na definição das agendas urbanas no Brasil. Ainda contrastou os modelos de intervenção para explorar as contradições que emergem; em virtude da adoção de políticas urbanas do Banco Mundial e do BID, no contexto estudado.