4. A QUALIDADE DO GASTO PÚBLICO EM EDUCAÇÃO NO TOCANTINS: UM
4.5 Comparativo entre receitas e despesas do Fundeb
As receitas do Fundeb nos municípios do Tocantins aumentaram significativamente no período de 2007 a 2012. Tanto a receita total quanto a receita per capita, tiveram crescimento desde a implantação do fundo. O aumento do volume de recursos nos quatro primeiros anos corresponde principalmente à escala de implantação financeira do fundo e a inclusão progressiva das matrículas de todas as etapas de ensino, conforme previsto na Lei. Davies (2008), defende que o Fundeb inseriu poucos recursos novos no sistema educacional como um todo, redistribuindo grande parte dos recursos já constitucionalmente vinculados à educação. Portanto, na prática, o incremento de recursos não foi tão significativo como se esperava.
O gráfico 18 evidencia que os recursos do Fundeb distribuídos entre os municípios do Tocantins quase dobraram no período de 2007 a 2012.
Gráfico 18: Evolução dos recursos do Fundeb no Tocantins por microrregião – Valores em R$ Milhões
Fonte: Elaboração própria com dados da Secretaria do Tesouro Nacional
41 49 51 56 71 76 47 59 65 77 105 113 225 284 295 332 423 447 - 100 200 300 400 500 2 0 0 7 2 0 0 8 2 0 0 9 2 0 1 0 2 0 1 1 2 0 1 2 M IL H Õ E S
O aumento se deve basicamente a ampliação da área de abrangência financiada pelo fundo para além do ensino fundamental e complemento a todas as etapas que compõem a educação básica. De acordo com Oliveira (2007), essa evolução não representa avanços significativos devido à dificuldade de equalização dos recursos. Enquanto alguns municípios ganham outros perdem, pois os fatores de ponderação que determinam o gasto/aluno não conseguem estabelecer um valor mínimo que garanta as mesmas condições para todos os entes subnacionais. Essa seria uma das disfunções do federalismo cooperativo debatida por Castro (2011), Martins (2011), Abrucio (2010) e Rezende (2010).
A tabela 09 apresenta o número de matrículas da educação básica no estado do Tocantins entre o período de 2007 a 2012, destacando os números por microrregião, o total de matrícula das redes públicas municipais e estadual.
Tabela 09: Número de matrículas na educação básica do estado do Tocantins REDE PÚBLICA MUNICIPAL
MICRORREGIÃO 2007 2008 2009 2010 2011 2012 Bico do Papagaio 28.566 27.748 27.126 27.511 28.153 28.503 Araguaína 28.674 27.302 28.028 28.341 28.720 29.529 Miracema do Tocantins 18.203 17.616 16.884 17.013 16.579 16.325 Rio Formoso 13.641 13.783 13.527 12.974 12.463 12.155 Gurupi 15.172 15.404 15.177 15.132 14.640 14.606 Porto Nacional 34.365 34.806 37.255 39.339 39.465 40.177 Jalapão 12.021 11.372 11.407 11.043 10.903 11.046 Dianópolis 13.113 12.569 13.036 12.439 11.977 12.305 TOTAL 163.755 160.600 162.440 163.792 162.900 164.646
REDE PÚBLICA ESTADUAL
MICRORREGIÃO 2007 2008 2009 2010 2011 2012 Bico do Papagaio 37.255 36.229 35.311 33.895 33.485 32.052 Araguaína 48.234 47.413 46.031 45.735 45.040 44.223 Miracema do Tocantins 25.185 24.423 23.801 23.343 22.991 21.804 Rio Formoso 19.064 17.797 17.000 16.876 16.463 16.477 Gurupi 20.551 19.609 18.616 18.420 18.250 17.829 Porto Nacional 42.365 44.041 40.953 41.249 41.496 40.734 Jalapão 12.748 12.693 12.262 12.350 12.082 12.294 Dianópolis 25.462 25.024 24.231 23.498 22.923 21.772 TOTAL 230.864 227.229 218.205 215.366 212.730 207.185
Fonte: Elaboração própria com dados do INEP
A distribuição das matrículas segue a mesma tendência em todas as microrregiões do estado. O número de alunos matriculados na rede pública estadual de ensino decaiu ao longo dos últimos anos, ao passo que os municípios apresentaram caminho inverso mantendo esse
número estável e, em alguns casos, apresentando significativo incremento, conforme demonstrado no gráfico 19. Esse fator corrobora com os estudos de Pinto (2007) quando mostra o efeito da municipalização do ensino fundamental iniciada nos anos 1990, onde os municípios ganharam mais importância no contexto federativo quanto à distribuição dos recursos da educação. Neste aspecto a disputa entre redes de atendimento estadual e municipais pode ser constatada, sendo esta uma característica própria do federalismo competitivo evidenciado por Souza (2005), Abrucio (2010) e Cury (2010).
Gráfico 19: Comparativo da evolução do número de matriculas entre a rede pública estadual e municipal do estado do Tocantins – Valores em R$ milhões
Fonte: Elaboração própria com dados do INEP
Por outro lado, ao contrário do que afirma Diniz (2012), no Tocantins não se constata necessariamente disputa entre municípios pelas matrículas de alunos. Dadas as características geográficas de localização e de baixa densidade demográfica da maioria dos pequenos municípios do estado, dificilmente os alunos seriam matriculados em escolas de municípios vizinhos devido à localização distante entre esses municípios.
Gráfico 20: Evolução do valor médio por aluno – comparação entre microrregiões – Valores em R$
Fonte: Elaboração própria com dados do INEP/STN
- 500,00 1.000,00 1.500,00 2.000,00 2.500,00 3.000,00 2007 2008 2009 2010 2011 2012
Bico do Papagaio Porto Nacional
0 50.000 100.000 150.000 200.000 250.000 2007 2008 2009 2010 2011 2012
O valor médio por aluno repassado pelo Fundeb aumentou na mesma proporção do montante total repassado pelo Fundo, representando um acréscimo de 187% na microrregião do Bico do Papagaio e 205% na microrregião de Porto Nacional, no período de 2007 a 2012. A microrregião de Porto Nacional que no início da vigência do Fundo recebia valor/aluno inferior ao repassado a Microrregião do Bico do Papagaio, passou a receber mais em 2011. Entretanto, trata-se do valor médio por aluno calculado em função do número geral de matrículas. Esse aumento não significa maiores valores investidos pelo fundo, mas diz respeito ao incremento proporcionado pela escala de implantação do Fundeb que previa um aumento percentual dos valores arrecadados para compor o fundo.
Em outras palavras, não significa que todos os municípios e todas as etapas de ensino tiveram incremento substancial que garanta plenamente a manutenção das despesas com o ensino fundamental. Ressalta-se que o Fundeb aplica fatores de ponderação diferenciadores de custo/aluno em relação às distintas etapas, modalidades e tipos de estabelecimento de ensino. Os valores repassados não são fixos, uma vez que as receitas que formam o fundo podem variar em função do comportamento da atividade econômica. Na realidade o valor mínimo nacional repassado por aluno sofre poucos ajustes.
Um dos fatores que contribuem para que o mínimo nacional por aluno/ano do Fundeb sofra poucos ajustes significativos diz respeito ao cálculo anual para formação desses valores que se apoiam em estimativas de receita que raramente passam por revisão das projeções de arrecadação do governo, que por sua vez dependente da política fiscal e do comportamento da própria atividade econômico-financeira do país.
Gráfico 21: Despesas do Fundeb por natureza – Microrregiões de Porto Nacional e Bico do Papagaio – R$ em milhões
Fonte: Elaboração própria com dados do SIOPE/FNDE - 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2007 2008 2009 2010 2011 2012
Bico do Papagaio Porto Nacional
M il h õ e s
De acordo com informações disponibilizadas no Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação – SIOPE65 do FNDE, no período de 2007 a 2012 todos os municípios das duas microrregiões analisadas apresentaram gastos superiores ao mínimo de 60% que deveriam ser destinados à remuneração dos profissionais do magistério em efetivo exercício. Entretanto, não há garantias de que esses valores realmente tenham sido integralmente aplicados na remuneração desses profissionais, considerando que os balancetes e demonstrativos detalhados das folhas de pagamentos ainda não são publicados na maioria dos municípios.
4.6 Controle e acompanhamento da aplicação dos recursos do Fundeb nos municípios do