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Compartilham com os jovens o gosto de viver com autenticidade os valores

No documento Associação dos Salesianos Cooperadores (páginas 42-44)

COMPROMISSO APOSTOLICO DO SALESIANO COOPERADOR E DA SALESIANA COOPERADORA

B. Compartilham com os jovens o gosto de viver com autenticidade os valores

Analisando os conteúdos deste serviço educativo cristão nós pausamos de forma especial em alguns valores evangélicos de índole social: a verdade, a liberdade, a justiça, o sentido de bem comum e do serviço. São os grandes valores proclamados nos documentos sociais do Concilio Vaticano II: Esta ordem [social] deve ser desenvolvida cada vez mais, deve ser fundada na verdade, deve ser realizada na justiça, deve ser vitalizada pelo amor, deve encontrar um equilíbrio cada vez mais humano na liberdade. Para alcançar este objetivo, uma renovação da mentalidade e mudanças profundas na sociedade deve ser introduzida (mater et Magistra; Pacem in Terris).

Estes mesmos valores são aqueles que cada Cooperador deve levar na sua realidade social. É, portanto, natural que ele tenha que compartilhar com os jovens nos quais desenvolve sua tarefa de educação cristã. Aqui, é claro, está em jogo à formação para um “compromisso social e político”.

Educar para a verdade

Aquilo que caracteriza a nossa sociedade são as enormes mudanças que se desenvolvem em uma velocidade vertiginosa. Não vivemos mais em uma época de mudanças, mas em uma mudança de época. É isso que caracteriza a pós-modernidade.

A pós-modernidade é o resultado de um desencanto geral, de uma frustração com o insucesso das pressões da modernidade. Na verdade, a modernidade foi a época de grandes utopias sociais; foi um tempo de fé: fé ilimitada na liberdade, na ciência, no progresso, no ser humano; pensava-se que a razão, a ciência e o progresso humanos seriam a solução para todos os problemas; presumia-se que a ignorância, a servidão, as superstições religiosas acabariam e o homem seria completamente feliz. No entanto, isso não aconteceu (duas guerras mundiais).

E então, a pós-modernidade surgiu como um ponto de inflexão após, contra e além da modernidade. É o esgotamento da razão, a renúncia aos sistemas, ideologias, mas também às ideias e à verdade. Hoje temos uma avalanche de informações, mas somos órfãos da sabedoria. Vivemos em uma "cultura líquida". Existe uma diversidade de ideias, valores, visões de mundo e estilos de vida. Mas carecemos de qualquer orientação normativa pela falta e negação de qualquer tipo de absoluto. As ideias pós-modernas levam ao niilismo e criam um ambiente de relativismo e politeísmo de valores. Tudo é visto em termos de lucro.

Educar para a justiça, sentido de bem comum e serviço

A ideia que o bem comum seja definido nas suas formas concretas de uma vez por todas, sem discernir o sentido que assume na complexidade das situações históricas, é errada. A construção de uma ordem social justa, através da qual cada um tenha o que têm direito, é uma tarefa fundamental que cada geração deve novamente enfrentar.

O compromisso do honesto cidadão para o bem comum é antes um modo de vida, um agir caracterizado por algumas escolhas de fundo, a ser solicitado àqueles que estão comprometidos ou querem se engajar na política.

Resumimos estas escolhas em cinco indicações que parecem indispensáveis para quem quer servir o bem comum.

Em primeiro lugar, o compromisso pela ética pública e a moral social deve ser indissociável do compromisso ético no plano pessoal: deve ser rejeitada a lógica da máscara, que combina vícios privados e virtudes públicas. Isto implica o reconhecimento da primazia da consciência no agir social e político e o direito de cada representante do povo à objeção de consciência sobre questões eticamente relevantes, mas também significa que a credibilidade do político se medirá pela sobriedade do seu estilo de vida, pela generosidade e constância do seu compromisso, pela real fidelidade aos valores proclamados.

Em segundo lugar, nas relações com os cidadãos, o político deve seguir a máxima: Pertencer à massa e possuir a palavra que significa estar próximo do povo, escutar os problemas, para expressar as demandas de justiça daqueles que não têm voz e apoiá-los. Não estamos ao serviço do patrão, mas sim do povo. No compromisso visando o bem comum, os pobres, os sem palavras, os socialmente fracos são considerados

como referência às quais se devem ouvir e respeitar: o bem-estar, a educação e a proteção da saúde para todos não são uma conquista questionável, mas valores indispensáveis para proteger e melhorar, libertando- os do desperdício e do assistencialismo que não serve aos pobres.

Em terceiro lugar, a dialética política estará sempre subordinada à busca de convergências possíveis para trabalharmos juntos a serviço do bem comum: a corresponsabilidade, o diálogo e a participação devem ser colocados antes de contrastes preconceituosos ou de lógicas inspiradas em interesses pessoais ou de grupo. O bem comum deve ser sempre privilegiado em benefício próprio ou do partido político.

Em quarto lugar, a serviço do bem comum é preciso saber aceitar a gradualidade necessária para atingir os objetivos: a lógica populista do tudo e de imediato tem motivado muitas vezes promessas não mantidas, quando não violência e o fracasso até de causas justas. É necessário almejar o fim com perseverança e rigor, sem ceder a compromissos que ofendam a moral e atrasos injustificados e sem nunca recorrer a meios injustos. Cada escolha feita em vista do bem comum não deve medir-se apenas pela sua eficácia imediata, mas, sobretudo pelo seu valor e pelo seu papel educativo a serviço de todos. Bem como, em particular, o compromisso com os valores fundamentais da proteção da vida humana em todas as suas fases, a promoção da família, a justiça para todos, a rejeição da guerra e da violência em todas as formas e o compromisso com a paz.

Por fim, o cidadão que pretende trabalhar pelo bem comum deve considerar o bem de todos como finalidade de seu serviço, inclusive dos adversários políticos, que, portanto, nunca devem ser considerados inimigos ou competidores a serem eliminados, mas, pelo contrário, vistos como garantia de confronto crítico em vista do discernimento dos melhores caminhos para se chegar à realização da dignidade pessoal de cada um. Este conjunto de regras mínimas para o bem comum fica em vão se não houver um pressuposto de moralidade que dê a todos, especialmente aos jovens, razões de vida e esperança! O que está em jogo não é o ganho de alguns, mas o futuro que construiremos juntos.

No documento Associação dos Salesianos Cooperadores (páginas 42-44)