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COMPATIBILIDADE DA RESINA DE POLIURETANO COM ELASTOMEROS DE MOLDAGEM.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

COMPATIBILIDADE DA RESINA DE POLIURETANO COM ELASTOMEROS DE MOLDAGEM.

A compatibilidade entre os materiais de moldagem e os materiais utilizados para a confecção de modelos é uma condição essencial para o sucesso clínico. Para que o modelo obtido seja uma cópia fiel do padrão moldado não devem existir interações entre os materiais envolvidos. Uma das razões para a ampla utilização do gesso na obtenção de modelos odontológicos é sua grande compatibilidade com os materiais de moldagem, condição verificada por SCHELB et al. (1987).

Segundo AIACH et al. (1984), muitas resinas epóxicas avaliadas para confecção de modelos tiveram um desempenho bastante pobre com relação à compatibilidade com os materiais de moldagem, não produzindo uma boa qualidade de superfície. Essa condição só não foi observada quando as resinas epóxicas foram utilizadas com siliconas e poliéter.

A compatibilidade do material de modelagem pode ser avaliada sobre vários aspectos, dentre eles o comportamento superficial do modelo obtido. Essa pesquisa adotou o critério da aderência da resina de poliuretano nos materiais elastoméricos de moldagem e a mudança de coloração do modelo obtido, os resultados podem ser observados na Tabela (1).

AIACH et al. em (1984), constataram a necessidade de isolante para garantir a separação do modelo de resina epóxica da impressão quando esta era obtida com mercaptana; em seu estudo utilizaram as resinas epóxicas, Rock Model, Coe Die, Pri-Die, Dentsply Epoxy Die. Também foi constatado que a presença do isolante prejudicava a capacidade de reproduzir detalhe expressa pela resina epóxica. VERMILYEA et al. em (1979), observaram que existe uma tendência em a mercaptana aderir-se aos modelos obtidos com resina epóxica.

SCHWARTZ et al. em (1981), analisando o comportamento dimensional de modelos obtidos em resina epóxica Epoxodent, verificaram que quando o isolante fornecido pelo fabricante não era utilizado na impressão com poliéter, mesmo com a utilização do adesivo para prender o material de impressão na moldeira, ocorria no momento da separação do modelo da impressão o deslocamento do conjunto, impressão e modelo, isto devido a grande aderência do material de impressão na resina epóxica utilizada.

Tabela (1): Compatibilidade com materiais de moldagem. Aderência (A); ausência de aderência (B), alteração na coloração (C); ausência de alteração na coloração (D).

Poliuretano Poliuretano com diatomita

Silicone de adição BD BD BD BD BD BD BD BD BD BD BD BD Silicone de condensação BD BD BD BD BD BD BD BD BD BD BD BD Poliéter AD AD AD AD AD AD AD AD AD AD AD AD

Como pode ser observado na Tabela (1), não houve interação da resina de poliuretano pura e enriquecida com diatomita para as siliconas de adiçao e de condensação. Porém, essa mesma compatibilidade não foi observada com o poliéter, pois ocorreu aderência dos dois materiais.

Esse comportamento é similar ao descrito por SCHWARTZ et al. (1981), para a resina epóxica utilizada em seu estudo. Esse fato foi observado também no estudo realizado por PEREIRA (2005) onde verificou aderência da resina de poliuretano com o poliéter. Vale ressaltar que, para o poliéter, existe a restrição da necessidade do uso de desmoldante, para que não ocorra aderência entre o material de modelagem e moldagem. Para estabelecer uma final relação de compatibilidade clínica entre a resina de poliuretano e os materiais de moldagem empregados no estudo, pondera-se a necessidade da avaliação da capacidade de cópia e do comportamento dimensional, quando em contato.

RUGOSIDADE SUPERFICIAL (Ra) EXPRESSA PELOS MATERIAIS DE MODELAGEM.

Um modelo que apresente uma superfície livre de imperfeições, (superfície lisa), proporciona ao técnico de laboratório tranqüilidade na execução dos trabalhos protéticos. A lisura de superfície do modelo depende não só das características particulares dos materiais de modelagem como também de propriedades que devem ser exibidas pelos materiais de moldagem. No presente estudo a análise da rugosidade de superfície ocorreu em caráter particular para os materiais de modelagem.

KOZONO et al. em (1983) realizaram estudo da rugosidade de materiais empregados na obtenção de modelos e verificaram que, para os produtos de gesso, ocorria maior rugosidade de superfície quando comparado com modelos que foram obtidos em resina epóxica. RIBAS & MACCHI em (1983), realizaram uma pesquisa onde analisaram a rugosidade superficial de uma resina epóxica (Epoxydie), e compararam os resultados obtidos com um gesso tipo IV para troquel (Vel-mix). Os autores concluíram que a resina epóxica apresenta superior lisura de superfície, condição também verificada por FAN et al (1981). Essas mesmas observações já tinham sido feitas por GETTLEMAN & RYGE (1970), embora estes últimos descrevessem uma superfície bastante irregular da resina epóxica quando esta era observada microscopicamente.

Analisando os resultados da Tabela (2) para a rugosidade superficial, após analise de Variância (ANOVA) e test Tukey verifica-se que existem diferenças estatisticamente significantes entre os grupos sendo G1(gesso tipo IV) >G2(resina de poliuretano) e G1(gesso tipo IV)>G3(resina de poliuretano modificada com diatomita) sendo p<0.001, e G3(resina modificada com diatomita)>G2(resina de poliuretano) para p<0.05.

Tabela (2): Rugosidade superficial, valores em µm para Gesso tipo IV (G1), Resina de poliuretano (G2), Resina de poliuretano modificada com diatomita (G3).

Gesso Fuji Rock G1 Resina de PU G2 Resina PU+Diatomita G3 0,72 0,33 0,46 0,68 0,43 0,42 0,71 0,43 0,43 0,58 0,34 0,44 0,69 0,33 0,43 0,72 0,37 0,42 0,71 0,22 0,48 0,75 0,42 0,44 0,78 0,46 0,44 0,66 0,41 0,45

Resultado semelhante quanto à rugosidade superficial (Ra), foi observado no estudo de DIAS (2005), quando avaliou a rugosidade superficial de diferentes resinas epóxicas e resina de poliuretano empregadas na modelagem odontológica, verificou que gessos tipo IV eram mais rugosos que os polímeros.

DIAS (2003) não encontrou diferença na rugosidade superficial (Ra) expressa por resina epóxica quando esta foi carregada com diatomita, o presente estudo demonstrou que a incorporação de diatomita na proporção de 30% interferiu na textura superficial da resina de poliuretano. No entanto, a rugosidade superficial (Ra) da resina de poliuretano enriquecida com diatomita ainda mostrou-se estatisticamente inferior a apresentada pelo gesso tipo IV (G1).

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