4.2 Compatibilidade de t-estruturas
4.2.2 Compatibilidade em t-estruturas limitadas
4.2.2 Compatibilidade em t-estruturas limitadas.
Nesta se¸c˜ao provaremos que no caso de t-estruturas limitadas as condi¸c˜oes da proposi¸c˜ao 4.10 s˜ao suficientes. Mas antes disso, demonstraremos que a no¸c˜ao de t-estrutura limitada equivale ao conceito de gerador em categorias trianguladas que definimos a continua¸c˜ao e do qual ´e poss´ıvel achar mais aplica¸c˜oes em [Hap88, p. 70].
Para mais informa¸c˜oes ver [Nee01, p. 103].
Defini¸c˜ao 4.37 Seja C subcategoria de D. Diremos que C gera D como subcategoria triangulada ou simplesmente gera, se D coincide com a mais pequena subcategoria trian-gulada de D que ´e estritamente plena e contem C como subcategoria.
O pr´oximo lema mostra que a no¸c˜ao t-estruturas limitadas e a de gerador em categorias trianguladas s˜ao equivalentes no caso particular em que o cora¸c˜ao da t-estrutura seja um gerador da categoria triangulada.
Lema 4.38 Seja A o cora¸c˜ao da t-estrutura (U, TU⊥) em D. A geraD, se e somente se, t-estrutura(U, TU⊥) ´e limitada.
Demonstra¸c˜ao: Seja C = [
n∈Z
U≤n. Sabemos que U≤n ⊂ U≤n+1,∀n ∈ Z (ver pro-posi¸c˜ao 3.3), logo as seguintes afirma¸c˜oes s˜ao verdadeiras:
a) C ´e uma subcategoria estritamente plena de D, pois para cada n ∈ Z, U≤n ´e uma subcategoria estritamente plena de D, proposi¸c˜ao 3.6.
b) Da proposi¸c˜ao 3.3, segue que TC =C.
c) Do item b), o lema 3.16 e o axioma(TR2), segue que dado um triˆangulo distinguido Z
[1]
X //Y
[[
tal que X eY s˜ao objetos em C, ent˜aoZ ´e um objeto em C. d) Segue do lema 3.17 que C ´e aditiva.
Dos itens anteriormente, podemos afirmar que C ´e uma subcategoria triangulada de D (ver defini¸c˜ao 1.5.1 em [Nee01, p. 60]) e como A ⊂C ent˜ao C =D, poisA gera D por hip´otese.
Analogamente, se demonstra que [
n∈Z
U≥n = D. Portanto, (U, TU⊥) ´e limitada, de-fini¸c˜ao 3.50.
Reciprocamente, ver o lema 2.3 do artigo [LV12, p. 839].
A importˆancia de supor que a t-estrutura (V , TV⊥) ´e limitada fica clara no resultado seguinte, pois ela nos permite provar que{X ∈D |HVn(X)∈B≤−n,∀n∈Z} ⊂ Obj(U), compare como o item b) da proposi¸c˜ao 4.10.
Teorema 4.39 Se B gera D como uma subcategoria triangulada. Ent˜ao as afirma¸c˜oes seguintes s˜ao equivalentes:
a) U ´e compat´ıvel com V⊥.
b) Obj(U) ={X ∈D | HVn(X)∈B≤−n,∀n ∈Z}.
Demonstra¸c˜ao: Demonstraremos primeiro que b) ⇒a).
Fixado m ∈ Z, temos que provar que τ≤mV U ⊂ U. Suponhamos que X ∈ U, ent˜ao HVn(X) ∈ B≤−n. Por outro lado, pelo lema 3.42, temos que HVn(X) = HVn(τ≤mV (X)) se n ≤ m, sen˜ao HVn(τ≤mV (X)) = 0, o qual implica que HVn(τ≤mV (X)) ∈ B≤−n,∀n ∈ Z. Portanto, τ≤mV (X)∈U.
Agora demonstraremos que a) ⇒ b).
Dado que Obj(U) ⊂ {X ∈ D | HVn(X) ∈ B≤−n,∀n ∈ Z}, pela proposi¸c˜ao 4.10, logo somente devemos demonstrar a outra inclus˜ao. SejaX ∈D tal queHVn(X)∈B≤−n,∀n ∈ Z, notemos que seX = 0 ent˜aoX ∈U pois U ´e aditiva. Suponhamos ent˜ao que X 6= 0, dado que por hip´otese B gera ent˜ao pelo lema 4.38 sabemos que (V, TV⊥) ´e uma t-estrutura limitada, mais ainda pelo lema 3.49, deduzimos que a t-estrutura (V, TV⊥) ´e n˜ao degenerada e que o conjunto finito e n˜ao vazio{p∈Z|HVn(X)6= 0}, assim chamando der ao m´ınimo desse conjunto e de s ao m´aximo, temos a seguinte constru¸c˜ao:
Pela defini¸c˜ao de r, temos que HVn(X) = 0,∀n < r, ent˜ao X ∈ V≥r pelo teorema 3.48, assim pelo lema 3.15X =τ≥rV (X) e dado que o triˆangulo
τ≥r+1V (τ≥rV (X))
xx [1]
τ≤rV (τ≥rV (X)) //τ≥rV (X)
dd
´e distinguido, pela defini¸c˜ao 3.8, ent˜ao pelo lema 3.19 e a proposi¸c˜ao 3.40 segue que o triˆangulo
τ≥r+1V (X)
zz [1]
HVr(X)[−r] //X
``
´e distinguido. Logo aplicando a defini¸c˜ao 3.8 ao objeto τ≥r+1V (X), temos o triˆangulo distinguido
τ≥r+2V (τ≥r+1V (X))
ww [1]
τ≤r+1V (τ≥r+1V (X)) //τ≥r+1V (X)
ff
assim pelo lema 3.19 e a proposi¸c˜ao 3.40 temos o triˆangulo distinguido τ≥r+2V (X)
xx [1]
HVr+1(X)[−(r+ 1)] //τ≥r+1V (X)
cc
Logo, depois des−1 passos teremos o triˆangulo distinguido τ≥sV (X)
xx [1]
HVs−1(X)[−(s−1)] //τ≥s−1V (X)
bb
Finalmente, aplicando o mesmo racioc´ınio ao objeto τ≥sV (X), obtemos o triˆangulo distin-guido
τ≥s+1V (X)
zz [1]
HVs(X)[−s] //τ≥sV (X)
bb
No qual HVn(τ≥s+1V (X)) = 0,∀n ≥ s+ 1, pela defini¸c˜ao de s e como HVn(τ≥s+1V (X)) = 0,∀n < s + 1 teorema 3.48, ent˜ao HVn(τ≥s+1V (X)) = 0,∀n ∈ Z, assim pelo lema 3.45 conclu´ımos que τ≥s+1V (X) = 0, ent˜ao τ≥sV (X) = HVs(X)[−s], pelo lema 1.30. Por outro lado, sabemos que HVn(X) ∈ B≤−n ⊂ U≤−n,∀n ∈ Z, ent˜ao HVn(X)[−n] ∈ U,∀n ∈ Z, assim em particularHVs(X)[−s]∈U, logoτ≥sV (X)∈U. Al´em disso,HVs−1(X)[−(s−1)] ∈ U, ent˜ao τ≥s−1V (X) ∈ U, pois U ´e fechada por extens˜oes. Por conseguinte repetindo o argumento um n´umero finito de vezes, teremos que τ≥r+1V (X)∈U e como HVr(X)[−r]∈ U ent˜ao X ∈U.
Finalmente a hip´otese de que a t-estrutura (U, TU⊥) ´e limitada permite-nos demonstrar a compatibilidade com at-estrutura limitada(V, TV⊥), a partir das condi¸c˜oes c) e d) da proposi¸c˜ao 4.10, mais ainda neste caso basta supor que o funtorHUp HVq se anula somente no cora¸c˜ao da primeira t-estrutura.
Teorema 4.40 Se A e B geram `a categoria D. Ent˜ao as afirma¸c˜oes seguintes s˜ao equivalentes:
(i) U ´e compat´ıvel com V⊥.
(ii) Obj(U) ={X ∈D | HVn(X)∈B≤−n,∀n∈Z}.
(iii) Simultaneamente
a) HUp HVqA = 0, para todo p, q ∈Z tal que p+q >0.
b) Para cada morfismof :X−→Y na categoriaB, tal queX ∈B≤neY ∈B≤n−1 tem-se que: Ker(f)∈B≤n e Coker(f)∈B≤n−1.
Demonstra¸c˜ao: Pelo teorema 4.39, sabemos que (i) e (ii) s˜ao equivalentes. Al´em disso, pela proposi¸c˜ao 4.10 temos que (i) implica (iii), pois A ⊂U.
Por conseguinte, falta somente demonstrar que (iii) implica (ii), mas como B gera D ent˜ao {X ∈ D | HVn(X) ∈ B≤−n,∀n ∈ Z} ⊂ Obj(U) (ver prova do teorema 4.39). Consequentemente somente demonstraremos a outra inclus˜ao.
Por hip´otese A gera D, ent˜ao pelo lema 4.38 sabemos que (U, TU⊥) ´e uma t-estrutura limitada, mais ainda pelo lema 3.49, deduzimos que at-estrutura (U, TU⊥) ´e n˜ao dege-nerada. Logo, para cadaX ∈U temos os dois casos seguintes:
1) X ∈ A. Por hip´otese, para cada n ∈ Z temos que HUp (HVn(X)) = 0, ∀p ∈ Z tal que p > −n. Ent˜ao pelo teorema 3.48 HVn(X) ∈ U≤−n, pois a t-estrutura (U, TU⊥) ´e n˜ao degenerada na categoriaD. Portanto, HVn(X)∈B≤−n.
2) X /∈ U≥0. Dado que U≥0 ´e aditiva, ent˜ao X 6= 0, mais ainda X /∈ U≥n, se n ≥ 0, poisU≥n⊂U≥0. Por outro lado, dado que at-estrutura (U, TU⊥) ´e limitada, ent˜ao do lema 3.49 segue que o conjunto {p ∈ Z|HVn(X) 6= 0} ´e finito e n˜ao vazio, assim chamando de r ao m´ınimo desse conjunto e aplicando o teorema 3.48, deduzimos que HVn(X) = 0,∀n < r, logoX ∈U≥r e como HVr(X)6= 0, ent˜ao X /∈U≥n,∀n > r, isto
´er=max{n ∈Z|X ∈U≥n}, o que implica quer ≤ −1. A continua¸c˜ao procederemos recursivamente sobre r:
I) r = −1. Aplicando a defini¸c˜ao 3.8 ao objeto τ≥−1U (X) temos que o triˆangulo distinguido
τ≥0U(τ≥−1U (X))
xx [1]
τ≤−1U (τ≥−1U (X)) //τ≥−1U (X)
ee
MasX ∈U≥−1, ent˜ao pelo lema 3.15, temos queX =τ≥−1U (X), e pelo lema 3.19 τ≥0(τ≥−1U (X)) =τ≥0U(X), assim, obtemos o triˆangulo distinguido
τ≥0U(X)
{{ [1]
HU−1(X)[1] //X
^^
Logo pelo teorema 3.38, para cada n∈Z, a sequˆencia
HVn−1τ≥0U(X) f //HVn+1HU−1(X) //HVn(X) //HVnτ≥0U(X) g //HVn+2HU−1(X)
´e exata e comoB ´e uma categoria abeliana, obtemos a sequˆencia exata curta 0 //Coker(f) //HVn(X) //Ker(g) //0
Assim pelo lema 3.37 temos que o triˆangulo Ker(g)
{{ [1]
Coker(f) //HVn(X)
bb
´e distinguido. Al´em disso, dado que X ∈ U, ent˜ao τ≥0U(X) = HU0 (X) ∈ A e como HU−1(X) ∈ A, segue do item 1) que HVn−1τ≥0U(X) ∈ B≤−n+1 e que HVn+1HU−1(X) ∈ B≤−n. Consequentemente, o item b) da hip´otese garante que Coker(f)∈B≤−n. Analogamente, temos queHVnτ≥0U(X)∈B≤−neHVn+2HU−1(X)∈ B≤−n−2 ⊂B≤−n−1 e de novo pelo item b) da hip´otese conclu´ımos queKer(g)∈ B≤−n. Portanto, HVn(X)∈B≤−n, dado que B≤−n ´e fechada por extens˜oes.
II) r ≤ −2. Suponhamos que para algum k tal que r ≤ k < −1, j´a temos demonstrado a afirma¸c˜ao para k + 1, isto se, X ∈ U≥k+1 e X ∈ U ent˜ao HVn(X) ∈ B≤−n,∀n ∈ Z. Agora demonstraremos que a afirma¸c˜ao ´e verdadeira seX ∈U≥k.
Pela defini¸c˜ao 3.8 aplicada ao objeto τ≥kU(X) temos que o triˆangulo distinguido τ≥k+1U (τ≥kU (X))
xx [1]
τ≤kU (τ≥kU (X)) //τ≥kU(X)
dd
Mas X ∈ U≥k, ent˜ao pelo lema 3.15, temos que X = τ≥kU(X), e pelo lema 3.19 τ≥k+1(τ≥kU(X)) =τ≥k+1U (X), assim, obtemos o triˆangulo distinguido
τ≥k+1U (X)
zz [1]
HUk(X)[−k] //X
``
Logo pelo teorema 3.38, para cada n∈Z, a sequˆencia
HVn−1τ≥k+1U (X) f //HVn−kHUk(X) //HVn(X) //HVnτ≥k+1U (X) g //HVn−k+1HUk(X)
´e exata e comoB ´e uma categoria abeliana, obtemos a sequˆencia exata curta 0 //Coker(f) //HVn(X) //Ker(g) //0
Assim pelo lema 3.37 temos que o triˆangulo Ker(g)
{{ [1]
Coker(f) //HVn(X)
bb
´e distinguido. Al´em disso, dado que τ≥k+1U (X) = τ≥k+1U (τ≤0U(X)) ∈ U T
∈ U≥k+1, ent˜ao pela hip´otese recursiva temos que HVn−1τ≥k+1U (X) ∈ B≤−n+1 e como HUk(X)∈A, segue do item 1) que HVn−kHUk(X)∈B≤−n+k ⊂B≤−n, pois k < 0. Por conseguinte, o item b) da hip´otese garante que Coker(f) ∈ B≤−n. Analogamente, temos queHVnτ≥k+1U (X)∈B≤−neHVn−k+1HUk(X)∈B≤−n+r−1 ⊂ B≤−n−1 e de novo pelo item b) da hip´otese conclu´ımos queKer(g)∈B≤−n. Por-tanto, HVn(X)∈B≤−n, dado que B≤−n ´e fechada por extens˜oes.
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