TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS
COMPENSATÓRIA - CUMULAÇÃO - PACTA SUNT SERVANDA
Ementa: Apelação cível. Despejo por falta de pagamento c/c com cobrança de aluguéis. Multa compensatória cumulada com multa moratória. Possibilidade. Aplicação do princípio pacta sunt servanda.
- De acordo com a legislação vigente, é possível a cumulação de multa moratória com multa compensatória nos contratos de locação, pois, enquanto a primeira visa punir a impontuali-dade do locatário em relação aos encargos locatícios, a segunda busca indenizar o locador pelas perdas e danos decorrentes da desocupação prematura do imóvel, razão pela qual não há falar em bis in idem.
-:::-vergastado, tendo em vista que o presente pacto não se encontra abraçado pelas normas mencionadas na aludida Lei nº 8.177/91, pois firmado em 1º.06.1989, devendo, pois, ser a TR substituída pelo INPC/IBGE conforme bem mencionado pelo d. Juiz sentenciante, verbis:
... Na espécie, tratando-se de contrato anterior aos diplomas aludidos, é de se substituir a aplicação da TR pelo INPC/IBGE, índice que melhor reflete a variação da inflação, con-soante tranqüila jurisprudência... (f. 653).
3 - Determinações contidas na sentença primeva - aplicação durante todo o curso do contrato.
No que tange aos argumentos expendidos no segundo apelo, tenho que as determinações contidas na sentença vergastada (observância do PES/CP mediante vinculação dos reajustes das prestações mensais à variação do salário mínimo; reajuste do saldo devedor pelo INPC/IBGE; aplicação da taxa de juros de 3,0%
ao ano; impossibilidade de utilização da Tabela Price), devem ser aplicadas, incontestavelmente, durante todo o curso do contrato, restando, óbvio, portanto, que tais disposições incidem tanto em relação às prestações vencidas como às vincendas.
4 - Taxa de administração e valor do seguro mensal.
No que concerne ao fato de que a taxa de seguros e administração deve acompanhar o reajuste das prestações, tenho que a questão já está mais do que esclarecida, mormente con-siderando que o próprio apelado, à f. 746, admite que o reajuste dos seguros acompa-nhará o valor do reajuste das prestações, que, como outrora consignado, deverá ser feito pelo salário mínimo.
5 - Honorários sucumbenciais.
No tocante ao inconformismo acerca dos honorários advocatícios, não merece correção a douta sentença, por inexistir, nos presentes autos, óbice à aplicação do § 4º do art. 20 do CPC, visto a sua fixação dentro dos parâmetros legais, razão pela qual deve prevalecer.
Em razão do exposto, nego provimento aos recursos e mantenho in totum, pelos seus próprios e jurídicos fundamentos, a bem-lança-da decisão primeva.
Custas recursais, meio a meio.
Votaram de acordo com o Relator os Desembargadores José Flávio de Almeida e Alvimar de Ávila.
Súmula - NEGARAM PROVIMENTO AOS RECURSOS.
TJMG - Jurisprudência Cível
Acórdão
Vistos etc., acorda, em Turma, a 11ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, na conformidade da ata dos julgamentos e das notas taquigráficas, à unani-midade de votos, EM NÃO CONHECER DO AGRAVO RETIDO E DAR PROVIMENTO AO RECURSO.
Belo Horizonte, 20 de setembro de 2006.
- Selma Marques - Relatora.
Notas taquigráficas
A Sr.ª Des.ª Selma Marques- Trata-se de apelação interposta contra a r. sentença de f.
57/59, que julgou parcialmente procedente o pedido formulado pelo autor na ação de despejo por falta de pagamento cumulado com cobrança de aluguéis, condenando os réus, de forma solidária, ao pagamento dos aluguéis e encargos em atraso, inclusive IPTU e condomínio, bem como daqueles vencidos no decorrer da lide até a data da entrega das chaves, excluindo o valor referente à multa rescisória, por ser inacumulável com multa moratória.
Embargos de declaração à f. 91, não conhecidos à f. 93.
Insurge-se o autor, f. 62/89, buscando a reforma do decisum, ao argumento de ser pos-sível a cumulação da multa moratória com a multa compensatória prevista no contrato de locação em virtude da rescisão antecipada do contrato, já que possuem naturezas distintas, incidindo sobre fatos e fundamentos diversos, sendo que a multa indenizatória encontra pre-visão no art. 4º da Lei 8.245/91. Por fim, caso
mantida a sentença, pleiteia a redução dos hono-rários advocatícios fixados.
Conheço do recurso, presentes seus pressupostos de admissibilidade.
Inicialmente, deixo de analisar o agravo retido, aviado pelos réus apelados, já que não observado o disposto no art. 523 do CPC. Isso porque, muito embora o agravo retido seja o recurso cabível contra as decisões proferidas após a sentença, só pode ser conhecido quan-do a parte requerer expressamente sua apre-ciação pelo Tribunal nas razões ou na resposta de apelação, o que não ocorreu no presente caso, já que aviado após a apresentação das contra-razões.
Cinge-se a controvérsia à possibilidade de cumulação de multa compensatória e multa moratória nos contratos de locação.
Primeiramente, cumpre ressaltar meu entendimento de que às relações locatícias, reguladas por legislação específica, não se apli-ca a legislação consumerista, já que inexistente a relação de consumo entre locador e locatário.
Assim, tenho que o contrato de locação em exame faz lei entre as partes, já que a força obri-gatória dos contratos é a base do direito contra-tual. Entender de forma diversa é estimular a inadimplência, mormente no caso específico em que a relação locatícia tem fim não residencial.
Fonte de obrigações, é tamanha a força vincu-lante do contrato que se traduz, faticamente, dizendo-se que tem força de lei entre as partes.
O contrato deve ser executado tal como se suas cláusulas fossem disposições legais para os que o estipularam. Quem assume obrigação contratual tem de honrar a palavra empenhada - Base do direito contratual, o princípio da força obrigatória dos contratos garante a segurança jurídica das relações, de modo que eventuais prejuízos sofridos por um dos contratantes não constitui motivo para se furtar à sua obrigatoriedade.
APELAÇÃO CÍVEL N° 1.0145.05.247752-1/001 - Comarca de Juiz de Fora - Apelante: Henrique Bussoni Tassari - Apelados: Teresinha Maria do Rosário Silva Azevedo e outro - Relatora: Des.ª SELMA MARQUES
Jurisp. Mineira, Belo Horizonte, a. 57, n° 178, p. 67-355, julho/setembro 2006
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e se conduzir pelo modo a que se comprometeu (GOMES, Orlando. Contratos. 12. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1990, p. 178).
Sob esse prisma, afastar a multa com-pensatória livremente acordada pelas partes constitui medida contrária ao princípio da auto-nomia da vontade que rege os contratos.
A idéia tradicional de contrato vê na vontade dos contratantes a força criadora da relação jurídica obrigacional, de sorte que nesse ter-reno prevalece como sistema geral a ‘liberda-de ‘liberda-de contratar’ como expressão do que se convencionou chamar ‘autonomia da vontade’, (THEODORO JR., Humberto. O contrato e seus princípios. Editora Aide, p. 15).
A legislação vigente, sobretudo o art. 4º da Lei 8.245/91, não veda a cumulação de multa moratória com multa compensatória nos contratos de locação, pois, enquanto a primeira visa punir a impontualidade do locatário em relação aos encargos locatícios, a segunda busca indenizar o locador pelas perdas e danos decorrentes da desocupação prematura do imóvel, razão pela qual não há falar em bis in idem, já que incidentes sobre fatos geradores diversos.
Nessa linha de entendimento:
Locação. Multa compensatória e multa moratória. Cumulação. Possibilidade. Fatos geradores distintos. - São cumuláveis os juros moratórios e a multa compensatória, propor-cionalizada como pré-fixação de perdas e danos pela desocupação do imóvel antes do término do contrato, por não incidirem sobre um mesmo fato gerador (2º TACSP, 2ª Câm., Ap. nº 561651-00/0, tendo como Relator o eminente Juiz Andreatta Rizzo e julg. em 22.11.99).
Locação. Cobrança de aluguéis. Cumulação de multa compensatória e moratória. Possibili-dade. Cobrança da obrigação principal. Impos-sibilidade de se pleitear o pagamento da multa rescisória. Bis in idem. - É possível a cobrança cumulada da multa moratória, baseada na
ausência de cumprimento da prestação no prazo avençado, e da rescisória, respaldada no descumprimento integral da obrigação prin-cipal, por possuírem naturezas diversificadas e em razão do disposto no artigo 411 do Código Civil de 2002 (Apelação Cível nº 423.806-8, Rel.ª Des.ª Heloísa Combat, extinto TAMG, em 04.03.2004).
Importante registrar ter o contrato de locação não residencial objeto da presente demanda sido firmado por um período de 24 meses (1º.04.2005 a 31.03.2007), tendo o loca-tário deixado de cumprir sua obrigação, tornan-do-se inadimplente, após o pagamento de um único mês de aluguel, razão pela qual a multa é devida em sua integralidade. Isso porque, ao se aplicar a cláusula que estabelece a chamada multa compensatória pela rescisão de contrato de locação, deve ser levado em conta o tempo remanescente de contrato, a fim de assegurar a proporcionalidade entre o valor da pena e o pre-juízo decorrente do rompimento da avença, nos termos do art. 413 do CC/02.
Mediante tais considerações, não conheço do agravo retido e dou provimento ao apelo para reformar a sentença de primeiro grau e julgar totalmente procedente a cobrança dos aluguéis e encargos, condenando os réus ao pagamento das custas processuais e honorários advoca-tícios, que fixo em R$ 1.000,00 (mil reais), sus-penso o pagamento, por litigarem sob o pálio da justiça gratuita.
Custas recursais, pelos apelados, sus-penso o pagamento, por estarem amparados pelo benefício da assistência judiciária.
Votaram de acordo com a Relatora os Desembargadores Fernando Caldeira Brant e Afrânio Vilela.
Súmula - NÃO CONHECERAM DO AGRAVO RETIDO E DERAM PROVIMENTO AO RECURSO.
-:::-TJMG - Jurisprudência Cível
Acórdão
Vistos etc., acorda, em Turma, a 8ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, incorporando neste o relatório de fls., na conformidade da ata dos julgamentos e das notas taquigráficas, à unanimidade de votos, EM NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.
Belo Horizonte, 17 de agosto de 2006. -Isalino Lisbôa- Relator.
Notas taquigráficas
O Sr. Des. Isalino Lisbôa - Conheço da apelação.
Cuida-se de ação anulatória de partilha, movida por Antônio Luiz do Rosário Lacerda em face de Zely Ladeira Lacerda e outros, cujo processo foi extinto sem julgamento do mérito, por impossibilidade jurídica do pedido.
Sem preliminares a enfrentar, fico em dizer que a respeitável sentença analisou com precisão a questão posta nos autos, não estando a merecer a reforma suplicada.
Pretende o apelante desta feita a anu-lação da partilha ao argumento de que seu quinhão foi pago em espécie, e não por meio dos bens imóveis deixados pelo de cujus.
Analisando detidamente os autos, deno-ta-se que o apelante teve sua paternidade reconhecida durante o transcurso do inventário de seu finado genitor.
Por determinação judicial em sede de ação cautelar, foi-lhe reservado o quinhão devi-do, bem como saiu vencedor anteriormente em recurso de apelação por ele interposto, tendo esta instância revisora reformado, nestes autos, decisão homologatória de partilha e determinado nova avaliação dos bens, advindo daí partilha judicial, julgada por sentença, tendo o apelante recebido em espécie seu quinhão, por via de alvará judicial.
Assim, mediante o litígio havido, a nova partilha ocorrida nos autos foi eminentemente de cunho judicial, rescindível nos termos do art.
1.030 do Estatuto Formal, e não por meio de pedido anulatório conforme estabelecido no art.
1.029 do mesmo codex.
Conferindo-se a melhor doutrina e juris-prudência pátrias, in CPC Comentado, Nelson Nery, p. 1.180/1.181, tem-se que
A partilha, uma vez feita e julgada, só é anulável pelos vícios e defeitos, que invalidam, em geral, os negócios jurídicos (CCB, 2.027, caput), havendo previsão de prazo decadencial de 01 (um) ano para o exercício dessa ação de anu-lação da partilha (CCB, 2.027, parágrafo único).
A sentença simplesmente homologatória não precisa ser desconstituída pela rescisória (CPC, 486). Contudo, se foram julgadas controvérsias judiciais no processo de inventário (CPC, 984) e a respeito desse ponto ocorrerem as hipóteses do CPC, 485, cabe rescisória.
Somente a partilha amigável, suscetível de mera homologação, é objeto de ação de anu-lação, ao passo que a partilha judicial, julgada por sentença, é passível de ação rescisória (RT 721/99).
AÇÃO ANULATÓRIA PARTILHA JUDICIAL IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO -EXTINÇÃO DO PROCESSO - AÇÃO RESCISÓRIA - ART. 1.030 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL Ementa: Ação anulatória. Partilha realizada judicialmente. Impossibilidade jurídica do pedido.
Exegese do art. 1.030 do CPC. Processo extinto sem julgamento do mérito. Legalidade.
Sentença mantida. Recurso desprovido.
APELAÇÃO CÍVEL N° 1.0384.98.004426-5/001 - Comarca de Leopoldina - Apelante: Antônio Luiz do Rosário Lacerda - Apelados: Zely Ladeira Lacerda e outros, herdeiros de Honório Lacerda Filho - Relator: Des. ISALINO LISBÔA
Jurisp. Mineira, Belo Horizonte, a. 57, n° 178, p. 67-355, julho/setembro 2006
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Permite-se rescisória contra a sentença de partilha que põe fim em inventário, se, durante seu processamento, houve decisão dirimindo controvérsia judicial posta pelos herdeiros (RTJ113/273).
Venia data, o processo mostra-se eivado de inúmeras controvérsias promovidas pelo apelante, que se encontra representado por procurador diverso dos demais herdeiros, as quais foram decididas durante seu longo trâmite, culminando com decretação da partilha judicial (f. 212), sendo passível de rescisão con-forme preceitua o art. 1.030 do CPC, e não por
meio de ação anulatória, eleita pelo recorrente, incorrendo, pois, na impossibilidade jurídica acolhida na respeitável sentença monocrática.
Ao deduzido, nego provimento ao recurso.
Custas, ex lege.
Votaram de acordo com o Relator os Desembargadores Fernando Bráulioe Silas Vieira.
Súmula- NEGARAM PROVIMENTO AO RECURSO.
:::INDENIZAÇÃO DANO MORAL CHEQUE SEM FUNDOS DEVOLUÇÃO BANCO