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2.7 CONSIDERAÇÕES DO CAPITULO

3.1.1 Competência para o Licenciamento Ambiental

No que concerne à competência administrativa para o licenciamento

ambiental, o § 4º de artigo 10 da lei 6938/81, por vez primeira, prescreveu:

(...)

§ 4º Compete ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis - IBAMA o licenciamento previsto no caput deste artigo, no caso de atividades e obras com significativo impacto ambiental, de âmbito nacional ou regional.

Conforme o acima regrado, o critério definidor da competência para o

licenciamento deve ser fundado no alcance dos impactos ambientais. Segundo a lei,

à União caberá o Licenciamento Ambiental de forma supletiva aos Estados-

membros, sendo exclusiva nos casos do parágrafo 4º.

O Decreto 99.274/90 regulamentou a lei 6938/81, reafirmando a

competência dos Estados-membros para o licenciamento ambiental e a competência

supletiva da União através do IBAMA.

Neste sentido assenta Milaré

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:

Como se vê, versaram referidos diplomas sobre as normas federais básicas para a uniformização do licenciamento ambiental em todo território nacional, referendando a descentralização de sua outorga, que ficou entregue fundamentalmente aos órgãos estaduais competentes.

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MILARÉ, Edis. Direito do ambiente: doutrina, prática, glossário. 4. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2005. p. 541.

Ainda, no entendimento de Milaré

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, a Constituição Federal de 1988, ao

recepcionar a Lei 6938/81, deixou claro que a responsabilidade pelas questões

ambientais é compartilhada entre os diversos entes da federação, tanto no que

tange a competência legislativa quanto no que diz respeito à competência para

execução. Assim, o licenciamento, estando entre as competências de execução, os

três níveis do governo também vai estar habilitados a licenciar empreendimentos

com impactos ambientais, cabendo, portanto, a cada um dos entes integrantes do

Sistema Nacional de Meio Ambiente – SISNAMA, promover a adequação de sua

estrutura administrativa para tanto.

Posteriormente, com o fito de dispor sobre procedimentos e critérios de

licenciamento ambiental, a Resolução CONAMA nº237, de 19 de dezembro de 1997,

estabeleceu critérios complementares a Lei 6938/81, ao mesmo tempo reforçando

que o critério para a identificação do órgão preponderantemente habilitado para o

licenciamento é determinado pela área de influência direta do impacto ambiental.

No art.4º, instituiu novas competências para a União no campo do

licenciamento ambiental:

Artigo 4º – Compete ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, órgão executor do SISNAMA, o licenciamento ambiental a que se refere o artigo 10 da Lei 6938, de 31 de agosto de 1981, de empreendimentos e atividades com significativo impacto ambiental de âmbito nacional ou regional, a saber:

I – localizadas ou desenvolvidas conjuntamente no Brasil e em país limítrofe; no mar territorial; na plataforma continental; na zona econômica exclusiva; em terras indígenas ou em unidades de conservação do domínio da União.

II – localizadas ou desenvolvidas em dois ou mais Estados;

III – cujos impactos ambientais diretos ultrapassem os limites territoriais do País ou de um ou mais Estados;

IV – destinados a pesquisar, lavrar, produzir, beneficiar, transportar, armazenar e dispor material radioativo,

em qualquer estágio, ou que utilizem energia nuclear em qualquer de suas formas e aplicações, mediante parecer da Comissão Nacional de Energia Nuclear – CNEM;

V – bases ou empreendimentos militares, quando couber, observada a legislação específica.

O parágrafo primeiro do artigo prevê que, no curso do licenciamento

ambiental de competência federal, o IBAMA deverá considerar o exame técnico

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MILARÉ, Edis. Direito do ambiente: doutrina, prática, glossário. 4. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2005. p. 541.

procedido pelos órgãos ambientais estaduais e municipais onde se localizar a

atividade ou empreendimento, bem como, quando couber, de outros órgãos públicos

de qualquer esfera administrativa envolvidos no processo.

Aos órgãos estaduais e ao Distrito Federal, por outro lado, estão afetos,

como regra, ao licenciamento dos empreendimentos cujos impactos diretos

ultrapassam os limites territoriais de um ou mais municípios. Em acordo com o artigo

5º da Resolução CONAMA 237/97:

Artigo 5º – Compete ao órgão ambiental estadual ou do Distrito Federal o licenciamento ambiental dos empreendimentos e atividades:

I – localizados ou desenvolvidos em mais de um Município ou em unidades de conservação de domínio estadual ou do Distrito Federal;

II – localizados ou desenvolvidos nas florestas e demais formas de vegetação natural de preservação permanente relacionadas no artigo 2o da Lei 4.771, de 15 de setembro de 1965, e em todas as que assim forem consideradas por normas federais, estaduais ou municipais;

III – cujos impactos ambientais diretos ultrapassem os limites territoriais de um ou mais Municípios;

IV – delegados pela União aos Estados ou ao Distrito Federal, por instrumento legal ou convênio.

Da mesma forma que nos casos de licenciamento pelo IBAMA, o órgão

ambiental estadual ou do Distrito Federal fará o licenciamento de que trata este

artigo, após considerar o exame técnico procedido pelos órgãos ambientais dos

Municípios em que se localizar a atividade ou empreendimento, bem como, quando

couber, o parecer dos demais órgãos competentes da União, dos Estados, do

Distrito Federal e dos Municípios, envolvidos no procedimento de licenciamento,

conforme parágrafo único do artigo5º.

Compete

ao

órgão

ambiental

municipal

o

licenciamento

de

empreendimentos e atividades de impacto local, sendo exigida também a oitiva dos

demais órgãos públicos envolvidos:

Artigo 6º – Compete ao órgão ambiental municipal, ouvidos os órgãos competentes da União, dos Estados e do Distrito Federal, quando couber, o licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades de impacto ambiental local e daquelas que lhe forem delegadas pelo Estado por instrumento legal ou convênio.

No Estado do Rio Grande do Sul, o Conselho Estadual de Meio Ambiente,

através da Resolução 05/98 - CONSEMA regulamentou em nível estadual a

competência do Estado e dos municípios quanto ao licenciamento ambiental. A

Resolução apresenta listagem das atividades potencialmente causadoras de

degradação ambiental, sujeitas ao licenciamento ambiental e, com base em

presunção da abrangência dos impactos das atividades e empreendimentos, na

estruturação institucional e qualificação técnica dos órgãos ambientais municipais,

comprovada quando da realização de um processo de habilitação junto a Secretaria

Estadual de Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDS), estabelece a

competência para o licenciamento ambiental das diversas atividades e

empreendimentos.