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Paranaíba na primeira década dos anos

5. Complementando a análise com o Coeficiente Locacional

Queremos deixar bem claro que o coeficiente locacional, por si só, não é capaz de explicar a dinâmica industrial nem o grau de concentração industrial. Sua utilização, neste capítulo, tem como objetivo complementar a análise que vem sendo desenvolvida.

Através dos dados da RAIS também será possível calcular o Quociente Locacional da indústria de transformação para o recorte espacial delimitado neste livro. O Quociente Locacional é dado por:

QL= (Eij/Ej)/( Eie/Ee) Onde:

Eij = Emprego na indústria de transformação no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba;

Ej= Emprego total no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba; Eie = Emprego na indústria de transformação no Estado de Minas Gerais;

Ee = Emprego total no estado de Minas Gerais.

Através do Quociente Locacional temos algumas indicações de qual é o grau de concentração da atividade industrial do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba em relação à indústria de transformação do estado de Minas Gerais. Se QL > 1, o setor industrial, setor selecionado para análise no nosso caso, é relativamente mais importante em termos de emprego para nosso recorte espacial em relação ao que ele representa para o estado de Minas Gerais. Se QL < 1, significa que a indústria de transformação é relativamente menos importante em termos de emprego para o Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba em relação à importância desse mesmo setor para o estado de Minas Gerais. O cálculo do QL para o período 2006-2011 possibilitou analisar as transformações no grau de importância da indústria de transformação para o Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba.

A Tabela 13 Mostra que a indústria de transformação do TMAP é levemente mais relevante no que se refere a geração de emprego formal em comparação com o conjunto do estado de Minas Gerais. Isso significa que a região em análise pode ter maior grau de produção industrial em

relação a outras regiões de Minas. Entretanto, o TMAP não é a região mais industrializada de Minas, e também não tem predominância de empresas com uso elevado de ciência e tecnologia.

O estado de Minas tem, na região central, próximo a Belo Horizonte uma grande concentração industrial, com presença de indústria automotiva, tem o vale do aço que se destaca com a produção siderúrgica e o Sul de Minas, com presença de parques tecnológicos.

Tabela 13. QL da indústria de Transformação do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba em relação a Minas Gerais, 2006-2011.

2006 2007 2008 2009 2010 2011 QL TMAP/Minas Gerais 1,09 1,15 1,13 1,11 1,09 1,13 Nota: Calculado a partir dos dados da RAIS.

Fonte: A autora.

O QL levemente mais elevado para o TMAP pode ter sido influen- ciado pela realidade de outras regiões, como é o caso do Norte de Minas, que é mais agrária e com indicadores menores de produção industrial. 6. Considerações finais

Embora a região do TMAP apresente uma tendência a crescimento do emprego industrial, podendo ser considerada uma área dinâmica no que se refere à geração de emprego, há predominância de atividades intensivas em trabalho ligadas majoritariamente à produção de alimentos. Outra tendência em alguns anos é o aumento do emprego relacionado à produção de biocombustível, o que se relaciona à expansão da cana-de- açúcar na região.

Este capítulo mostrou que a região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, como um todo, apresentou as mesmas tendências destacadas no texto de Figueiredo e Diniz (2000): de que o Triângulo Mineiro é uma das regiões que concentra parte significativa da indústria mineira. Por outro lado, o estudo também confirmou que a região concentra uma indústria leve, com grande participação da agroindústria e que em algumas microrregiões houve expansão do emprego nas atividades de produção de açúcar e álcool. Ou seja, as atividades da indústria de

transformação estão bastante relacionadas às atividades agropecuárias da região.

Algumas diferenças que encontramos em relação ao estudo de Figueiredo e Diniz (2000) estão relacionadas à classificação do cresci- mento das microrregiões do TMAP: duas microrregiões que haviam apresentado crescimento moderado foram classificadas no período mais recente com crescimento acelerado (Frutal e Ituiutaba); Araxá, que primeiramente foi classificado com crescimento moderado, no período mais recente teve crescimento rápido; Patos de Minas passou de crescimento rápido para acelerado.

Por outro lado, algumas microrregiões parecem ter perdido dinamismo na geração de emprego industrial: Patrocínio passou de acelerado a lento; Uberaba de acelerado moderado; Uberlândia de acelerado para rápido. É importante destacar a diferença entre as microrregiões de Uberaba e Uberlândia e a microrregião de Patrocínio. Essa última concentra apenas 7% do emprego industrial do TMAP, perdeu participação relativa dentro da região e é a menor microrregião em termos de concentração de emprego industrial.

As microrregiões de Uberaba e Uberlândia concentram, juntas, mais de 50% do emprego industrial. Uberaba concentra 23% e Uberlândia, 30%. Uberlândia exerce influência no conjunto do TMAP, ao passo que a área de influência de Uberaba é um pouco menor. São duas microrregiões dinâmicas, mas com dinamismo bastante concentrado em seus polos. A microrregião de Uberaba passou por expressivo crescimento agropecuário nos últimos anos, ao passo que Uberlândia passou por grande crescimento do setor de serviços, processo que contribuiu para o reforço de sua área de influência.

É importante para o TMAP que surja uma institucionalidade com a função de promover políticas de desenvolvimento regional com uma característica que transcenda as barreiras municipais e possa, dessa forma, identificar sinergias, problemas comuns e soluções conjuntas, como aponta no relatório “Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica, Financeira e Social da Aglomeração Urbana do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba e seu colar de influência regional com vistas à implantação da região metropolitana”.

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Capítulo 4

Mercado de Trabalho no Triângulo Mineiro