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A complexidade do modelo proposto é variável de acordo com o aspecto de interesse. Nesta seção será discutida a complexidade do ponto de vista do administrador de rede em relação à implantação e utilização do modelo. Será ainda verificada a complexidade do ponto de vista dos fornecedores de dispositivos de rede que fornecem suporte à gerência de rede internamente em seus equipamentos.

Complexidade de implantação

Comparativamente, o modelo proposto é mais complexo que o modelo de gerenciamento padrão centralizado amplamente adotado. E o motivo para isso é simples: para que uma rede passe a ser gerenciada através do modelo, um conjunto maior de atividades deve ser executado antes do início da aplicação do modelo.

Por questões de comparação, as arquiteturas de gerência centralizada (citada no parágrafo anterior), hierárquica e distribuída [LEI 96] serão abordadas. Diversas variações podem existir, mas por simplificação apenas estas três arquiteturas serão utilizadas. Uma breve caracterização passa a ser importante neste contexto. A arquitetura centralizada possui uma estação de gerência central que acessa os dispositivos de interesse diretamente. A rede gerenciada normalmente é mapeada através de um mecanismo centralizado de descoberta e passa a ser imediatamente gerenciada. Nenhum elemento intermediário é necessário, exceto proxies SNMP, mas que são encarados como dispositivos finais pelo sistema de gerência. Na arquitetura hierárquica existirão gerentes intermediários que executam tarefas delegadas por um gerente principal. Normalmente uma base de dados única é utilizada pelo gerente central. Por fim, na arquitetura distribuída existirão diversos gerentes de redes idênticos gerenciando segmentos específicos da rede, comportando-se como gerentes centrais em

cada segmento. Não existe a figura de gerentes intermediários e cada gerente existente possui uma base de dados própria, possivelmente replicada nos outros gerentes da rede.

A arquitetura centralizada é simples de ser implantada porque envolve apenas a instalação do software da plataforma de gerência, e agentes nos dispositivos gerenciados. Logo, o modelo proposto é mais complexo de ser instalado que a arquitetura centralizada porque os consumidores de políticas, monitores de QoS e identificadores de alvos precisam também ser instalados. Além disso, várias associações devem ser criadas no ambiente de gerência para que os elementos intermediários sejam atrelados aos alvos correspondentes.

Na arquitetura hierárquica, os gerentes intermediários também precisam ser instalados, e neste sentido a complexidade do modelo proposto é similar, pois na prática os elementos intermediários (consumidores, monitores e identificadores de alvos) são gerentes intermediários com funções mais específicas. A realização de associações na estação de gerência também é necessária na arquitetura hierárquica assim como é no modelo proposto. Resumidamente, as complexidades de instalação neste caso são similares, não muito diferentes entre a arquitetura hierárquica e o modelo proposto.

Por fim, a arquitetura distribuída exige a instalação de todos os gerentes em diversos segmentos. Proporcionalmente, esta atividade leva mais tempo que a instalação de gerentes intermediários, já que os gerentes da arquitetura distribuída são pacotes de software completos, enquanto que os gerentes intermediários possuem funções mais específicas, mas menos software é necessário. Como os elementos intermediários do modelo são também gerentes intermediários, comparativamente, a instalação de uma arquitetura de gerência distribuída, neste aspecto, é mais complexa pelo tempo gasto. Entretanto, na arquitetura distribuída não existe a necessidade de se registrar gerentes intermediários, já que todos os gerentes funcionalmente operam de forma centralizada em seus segmentos. Logo, neste outro aspecto, a arquitetura distribuída torna-se menos complexa em sua instalação. De forma global, mas por outros motivos, pode-se também dizer que neste caso a complexidade de instalação do modelo proposto, comparado com a instalação de uma arquitetura distribuída, é similar.

Pelos elementos que o modelo apresenta, e pelas necessidades de criação de associações existentes, no geral a instalação de uma solução de gerência baseada no modelo proposto é mais complexa que a instalação de outras soluções de gerência. Entretanto, a complexidade de instalação é enfrentada apenas uma vez (na própria instalação), não se repetindo novamente (exceto quando elementos adicionais são colocados na rede). Além disso, cabe lembrar que a tarefa de implantação de QoS é uma facilidade auxiliar que ajuda na diminuição das complexidades de implantação.

Complexidade de utilização

Depois que um sistema de gerência estiver implantado, o administrador de rede passa a utilizá-lo para gerenciar sua rede. O modelo apresentado na tese propõe o uso de abstrações para implementar facilidades que auxiliem o gerenciamento de rede. Novamente, as arquiteturas centralizada, hierárquica e distribuída serão utilizadas para comparação em relação à complexidade de utilização.

De forma geral, as arquiteturas padrão visam gerenciar uma rede de computadores através de um método padrão de acesso aos dispositivos. Há anos existe

um esforço internacional em tornar o SNMP o método padrão citado. Como conseqüência, a maior parte dos equipamentos de rede atualmente possuem suporte ao protocolo e isso deveria ser suficiente para as arquiteturas. Entretanto, o SNMP não é o único meio de acesso aos dispositivos: outros protocolos podem ser utilizados. Além disso, o conjunto de informações de gerência é diferente para dispositivos diferentes. Como resultado, não existe na prática uma forma comum de lidar com as informações de gerência em uma rede de computadores heterogênea. As arquiteturas de gerenciamento acabam tendo que suportar, ao mesmo tempo, diversas modalidades de acesso aos dispositivos, e tratamentos diferenciados dos mesmos porque as informações obtidas também são diferenciadas. Logo, as então desejadas facilidades de uso das arquiteturas de gerenciamento padrão não são totalmente alcançadas na prática.

Tanto o modelo proposto como as soluções de PBNM, tentam no fundo implementar uma nova camada de abstração entre as estruturas de rede e o sistema de gerência. A nova camada de abstração tem a função de apresentar uma interface de gerência padrão ao sistema de gerenciamento, apesar de lidar diferentemente com os dispositivos. As políticas utilizadas implementam esta camada de abstração, e os elementos intermediários são os responsáveis por executarem as traduções para ações específicas nos dispositivos. Por estas considerações, a simples existência de uma nova camada de abstração que apresenta uma interface padrão de gerência possibilita uma complexidade de utilização do modelo muito menor, quando comparada com a complexidade de utilização de uma arquitetura de gerência padrão.

Apesar da complexidade de utilização comparativamente ser baixa, o modelo pode ainda implementar operações ainda menos complexas. Isso é possível quando o ambiente de gerência implementa abstrações ainda maiores das complexidades da rede. O segundo exemplo da seção 4.11 discutiu como novas abstrações podem ser realizadas no ambiente de gerência.

O conjunto de abstrações existentes é dependente de implementação, mas novamente, o modelo apresenta uma complexidade menor que as arquiteturas tradicionais apenas por apresentar uma primeira abstração das complexidades da rede. Outras abstrações podem ser implementadas no ambiente de gerência em implementações específicas.

Complexidade de suporte por parte dos fornecedores de equipamentos de rede

Atualmente, a tendência no suporte à gerência de rede nos equipamentos é a implantação de agentes SNMP. Quase todo novo equipamento produzido fornece um agente SNMP. A versão 1 do protocolo ainda é a mais encontrada, mas diversos fornecedores começam a suportar fortemente o SNMPv3.

Os trabalhos de pesquisa desenvolvidos em universidades e principalmente o apoio do IETF em relação ao PBNM têm demonstrado que a existência de suporte PBNM internamente aos equipamentos pode ser uma realidade. E tal suporte mostra-se como a implementação de consumidores de políticas internos aos equipamentos. Ainda pesquisas devem ser desenvolvidas e normas padronizadas, mas a tendência é de que políticas possam realmente ser implantadas diretamente nos equipamentos.

Em relação ao modelo proposto, a maior dificuldade é encontrar suporte à tarefa de monitoração de QoS. As soluções que mais se aproximam do desejado são capazes

apenas de monitorar a vazão dos fluxos (por exemplo, RMON2). Isso acaba forçando a utilização de soluções externas aos equipamentos para que o QoS oferecido possa ser medido. Soluções externas, entretanto, tendem a serem menos precisas, e isso obviamente não é interessante. Apesar do IETF possuir definições para monitoração [BRO 97], não parece ser uma tendência o suporte interno da solução nos equipamentos.