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3 POLÍTICAS PÚBLICAS DE DESENVOLVIMENTO E INOVAÇÃO

3.1 PROGRAMA MAIS SAÚDE: DIREITO DE TODOS (2008-2010)

3.1.1 Complexo Industrial da Saúde

Em 2007, no lançamento do Programa Mais Saúde, o termo Complexo Industrial da Saúde foi utilizado como tema para a nova agenda de inovação proposta. Segundo Gadelha (2003), o CIS possui a conformação de um complexo econômico estruturado a partir de um conjunto selecionado de atividades produtivas que mantêm relações intersetoriais de compra e venda de bens, serviços, tecnologias e conhecimentos, inseridos num contexto político e institucional bastante particular. Conforma-se como sendo um complexo industrial com as especificidades da área da saúde, em convergência com setores, atividades, empresas, instituições públicas, privadas e da sociedade civil para um determinado espaço econômico de geração de investimento, consumo, inovação, renda e emprego. A figura 01 resume a estrutura de caracterização geral do CIS.

Figura 1 – Estrutura de caracterização geral do CIS

Fonte: Gadelha, 2003.

Atualmente, o Complexo Industrial da Saúde foi renomeado para Complexo- Econômico-Industrial da Saúde com o objetivo de se tratar a área da saúde na lógica econômica, vinculando o desenvolvimento nacional com a proteção social da saúde (VIANA, A. L. D’Á; NUNES, A. A.; SILVA, H. P., 2011). Nesta pesquisa optou-se por

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utilizar o termo Complexo Industrial da Saúde como forma de se contextualizar com as políticas públicas analisadas.

A partir, então, de 2003, o termo CIS toma corpo e começa a fazer parte da agenda governamental. Neste mesmo ano, foi criada, no Ministério da Saúde, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE) com a incorporação do Departamento de Ciência e Tecnologia (criado em 2000) e de dois novos departamentos: o Departamento de Economia da Saúde e o Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. Em 2004 foi aprovada, na 2ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, a Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (PNCT&I/S), na qual ficou estabelecida o papel central do Estado na promoção e regulação do CIS (BRASIL, 2008a). Neste mesmo ano, a cadeia produtiva farmacêutica foi incorporada ao conceito do CIS, com a institucionalização do Profarma, do BNDES, para subsidiar financiamentos voltados a inovação e fortalecimento do complexo. (VIANA, A. L. D’Á; NUNES, A. A.; SILVA, H. P., 2011)

Ainda em 2004, é lançada a Agenda Nacional de Prioridades de Pesquisa em Saúde (BRASIL, 2008a), que seria a base dos editais do Programa de Pesquisa para o SUS (PPSUS) pelas agências estaduais de fomento à pesquisa. É então em 2007, que o Ministério da Ciência e Tecnologia lança o Plano de Ação 2007-2010: Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional e o Ministério da Saúde publica o Programa Mais Saúde: Direito de Todos (2008-2011), enfatizando as estratégias voltadas para beneficiar os diversos setores do CIS. (VIANA, A. L. d’Á; NUNES, A. A.; SILVA, H. P., 2011).

Uma ressalva deve ser feita se refere à questão do enquadramento da indústria de produtos diagnósticos na estrutura do CIS. Gadelha (2003) a insere no contexto das indústrias de bases químicas e biotecnológicas, pela característica da composição dos produtos e do processo de produção similar aos medicamentos. Contudo, esta inserção vai de encontro às concepções adotadas mundialmente, e até mesmo em outras instituições nacionais, como é o caso da ANVISA. Os produtos para diagnósticos, em conjunto com os materiais médicos e equipamentos médicos são identificados como produtos para saúde. Suas regulamentações são similares e o controle sanitário é feito de forma conjunta e coordenada. Diversos testes diagnósticos necessitam de equipamentos médicos para sua

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realização, e esta vinculação é um ponto adicional que é levado em consideração nesse rearranjo. Em nenhuma instituição reguladora mundial os produtos para diagnósticos são alocados no mesmo nicho dos medicamentos ou fármacos.

Internacionalmente, o International Medical Device Regulators Forum (IMDRF), fórum internacional que busca a harmonização das legislações regulatórias mundiais, adota a terminologia “medical devices” para identificar a junção das três categorias de produtos (equipamentos, materiais e produtos diagnósticos). Essa união não é meramente documental, mas faz com que todas as ações que demandem harmonização de legislações que visam maior controle sanitário mundial e facilitação do comércio utilizem a mesma base legal para as três categorias. (GLOBAL HARMONIZATION TASK FORCE, 2012)

No Ministério da Saúde a secretaria que trata das questões relacionadas aos equipamentos e materiais médicos não é a mesma que trata dos produtos diagnósticos, tal separação dificulta as ações que visam harmonizar o contexto de fomento do setor industrial, fazendo com que o setor produtivo de produtos diagnósticos esteja no mesmo espaço de debate ocupado pelos medicamentos e fármacos, cujas indústrias nacionais são bem estruturadas e desenvolvidas, quando comparadas aos seus “pares” na agenda pública. Estas considerações são corroboradas pela WORLD HEALTH ORGANIZATION (2011) que indica que o mercado de produtos diagnósticos é muito diferente do mercado de produtos farmacêuticos e de vacinas. Apesar de compreenderem menos de 5% dos custos hospitalares e apenas 1,6% de todos os custos do Medicare nos Estados Unidos, os resultados provenientes da utilização dos produtos diagnósticos influenciam de 60 a 70% dos processos de tomada de decisão nos cuidados de saúde e gastos públicos decorrentes deste processo (LEWIN GROUP, 2005).

Nos países em desenvolvimento, os produtos diagnósticos representam uma porcentagem insignificante dos gastos de saúde. Um estudo da OMS no Malawi mostrou que apenas 6% dos gastos com saúde em um hospital do distrito é gasto em diagnóstico (SAWERT, 1996). A magnitude do mercado global de produtos diagnósticos e previsões sobre as tendências futuras são objeto de especulação comercial. As estimativas de valor de mercado variam conforme as fontes das evidências utilizadas nas pesquisas, que nem sempre podem ser verificadas. Contudo, um novo modelo de gestão de saúde comercial está emergindo, com empresas multinacionais oferecendo pacotes completos de serviços

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de diagnóstico para as clínicas e hospitais do setor público e privado. Estas empresas possuem enormes contratos com outras empresas de maior porte e podem ter uma influência significativa sobre as tendências de mercado. Esta inovação não se limita aos países industrializados. Empresas transnacionais de entrega de cuidados de saúde estão se expandindo para países como o Brasil, Índia e África do Sul. (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2011)

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