2.1 Componentes da Assistência Farmacêutica no SUS
2.1.3 Componente Especializado
O Componente Especializado abrange aqueles medicamentos de elevado valor unitário, ou que, pela cronicidade do tratamento, se tornam excessivamente caros para serem suportados pela população, conforme Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas – PDCT (Ministério da Saúde, 2002). Caracteriza-se pela busca da garantia da integralidade do tratamento medicamentoso, em nível ambulatorial, cujas linhas de cuidado estão definidas em PCDT publicados pelo Ministério da Saúde (Brasil, 2013). O Programa é destinado a assegurar aos portadores de doenças específicas, que atingem um número reduzido de pacientes, acesso aos medicamentos (Ministério da Saúde, 2002).
O Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (Ceaf) é regulamentado pela Portaria nº 1.554, de 30 de julho de 2013, que “dispõe sobre as regras de financiamento e execução do Componente [...] no âmbito do Sistema Único de Saúde” (Brasil, 2013). O tratamento com os medicamentos deste componente está definido em PCDT publicado pelo Ministério da Saúde. Os medicamentos são organizados em Grupos a partir de suas características peculiares e da necessidade de organização sistêmica da ação federativa, envolvendo as responsabilidades pela atenção à saúde e pelo seu financiamento (Ministério da Saude, 2014). O financiamento para aquisição dos medicamentos está diretamente relacionado ao grupo em que estão alocados (Brasil, 2013a).
Grupo 1: medicamentos sob responsabilidade de financiamento pelo Ministério da Saúde, podendo a compra ser centralizada pelo MS (Grupo 1A) ou financiado mediante a transferência de recursos financeiros às Secretarias de Saúde dos Estados e Distrito Federal (Grupo 1B). A responsabilidade pela programação, armazenamento, distribuição e dispensação para tratamento das doenças contempladas é das Secretarias de Saúde dos Estados e Distrito Federal;
Grupo 2: medicamentos sob responsabilidade das Secretarias de Saúde dos Estados e do Distrito Federal para financiamento, aquisição, programação, armazenamento, distribuição;
Grupo 3: medicamentos sob responsabilidade das Secretarias de Saúde do Distrito Federal e dos Municípios para aquisição, programação, armazenamento, distribuição e dispensação. Estes medicamentos estão agregados ao Componente Básico da Assistência Farmacêutica, porém são utilizados para a garantia das linhas de cuidado definidas nos PCDT.
No Estado de São Paulo, a dispensação dos medicamentos do Componente Especializado está sob responsabilidade da SES/SP, porém é descentralizada nas Regionais de Saúde da SES/SP.8 As farmácias que
dispensam estes medicamentos estão sob a responsabilidade dos DRS, assim o medicamento fica mais perto e acessível à população.
2.1.3.1 Volume do Componente Especializado
O Componente Especializado está em constante crescimento, tanto em relação às doenças e itens contemplados quanto ao valor financeiro dispendido pelo Governo Federal para manutenção do Programa. No Anexo 1, consta a lista dos medicamentos incorporados desde início do Programa, ainda chamados como “medicamentos excepcionais” ou de “alto custo” até final de 2014, quando passam a ser designados como Componente Especializado. O anexo traz ainda para quais CID estes medicamentos foram incorporados, bem como a data de incorporação.
No final do ano de 2014, eram 194 apresentações de medicamentos disponibilizados neste componente (Gráfico 1), para doenças presentes no Quadro 2.
8 A esse respeito ver a página da Secretaria de Estado da Saúde (Governo do Estado de São
Paulo). Disponível em: http://www.saude.sp.gov.br/ses/perfil/gestor/assistencia- farmaceutica/medicamentos-dos-componentes-da-assistencia-farmaceutica/medicamentos-do- componente-especializado-da-assistencia-farmaceutica/onde-encontrar
Gráfico 2 - Quantidade de itens disponibilizados pelo Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, por ano, 2010 a 2014, Brasil.
F Fonte: DAF/SCTIE/MS
Quadro 2 - Doenças e agravos tratados pelo componente especializado da assistência farmacêutica, fevereiro 2015.
Doenças
Acne Hiperprolactinemia Transplante Cardíaco
Doença de Paget - Osteíte
Deformante Síndrome de Guillain-Barré Diabetes Insípido
Hemangioma Artrite Psoríaca Espondilite Ancilosante
Profilaxia da Reinfecção pelo
Vírus da Endometriose Leiomioma de Útero
Hepatite B Pós-Transplante Hepático Hipertensão Arterial Pulmonar Transplante de Coração e Pulmão
Acromegalia Síndrome de Ovários
Policísticos e Dislipidemia
Doença de Parkinson Hirsutismo Espondilopatia Inflamatória
Hepatite Autoimune Artrite Reativa - Doença de Reiter
Lúpus Eritrematoso Sistêmico
Psoríase Epilepsia Transplante de Medula ou
Pâncreas
Anemia Aplástica Hipoparatireoidismo Distonias Focais e Espasmo Hemifacial
Doença de Wilson Síndrome de Turner Esquizofrenia
Hepatite Viral C Artrite Reumatoide Miastenia Gravis
Puberdade Precoce Central Esclerose Lateral
Amiotrófica Transplante de Pulmão
Anemia Hemolítica Autoimune Ictioses Hereditárias Doença de Alzheimer Doença Falciforme Síndrome Nefrótica Fenilcetonúria
Hepatite Viral Crônica B Asma Neutropenia
Púrpura Trombocitopênica
Idiopática Esclerose Múltipla Transplante Hepático
Anemia na Insuficiência Renal
Crônica Imunodeficiência Primária Doença de Crohn
Doença pelo HIV Resultando em Outras Doenças
Síndromes Coronarianas
Agudas Fibrose Cística
Hiperfosfatemia na
Hipopituitarismo
Raquitismo e Osteomalácia Esclerose Sistêmica Transplante Renal
Angioedema Hereditário
Insuficiência Adrenal Primária - Doença de Addison
Doença de Gaucher
Doença Pulmonar Obstrutiva
Crônica Sobrecarga de Ferro Glaucoma
Hiperplasia Adrenal Congênita Dermatomiosite e
Polimiosite Osteoporose
Retocolite Ulcerativa Espasticidade Transtorno Esquizoafetivo Aplasia Pura Adquirida
Crônica da Série Vermelha
Insuficiência Pancreática Exócrina
Uveítes Posteriores Não Infecciosas
Fonte: Ministério da Saúde, homepage.
Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2010, cerca de 1,4 milhões de pessoas, no Brasil, foram tratadas com os medicamentos deste componente. Em 2013, este número subiu para 1,7 milhões de pessoas. Em relação às incorporações de medicamentos neste Componente, entre 2010 e 2014 houve um acréscimo de 66 medicamentos (Ministério da Saúde, 2014).
Quanto aos recursos orçamentários utilizados para o financiamento deste componente, em 2010 foram aprovados na Lei Orçamentária cerca de R$ 3,1 bilhões de reais, crescendo para R$ 4,2 bilhões em 2013 (Ministério da Saúde, 2014).
No Estado de São Paulo houve um crescimento de cerca de 50% em número de pacientes atendidos com medicamentos presentes nesse Componente do Programa de AF no período de 2010 a 2014 (Gráfico 2).
Gráfico 3 - Pacientes atendidos pelo Componente Especializado no Estado de São Paulo, 2010 a 2014.
Fonte: Coordenadoria de AF, SES/SP
2.2 Outras iniciativas mais recentes para dispensação de medicamentos em