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4 MATERIAL E MÉTODOS

6.5. RESULTADOS OBTIDOS

6.5.1. Componente maxilar (FIGURA 6.1)

6.5.2. Componente mandibular; 6.5.3. Relação maxilomandibular; 6.5.4. Relação vertical; 6.5.5. Componente dentário; 6.5.6. Componente tegumentar;

6.5.1. Componente maxilar (FIGURA 6.1)

A maxila é considerada por um número significante de autores (ALMEIDA et al., 1998a; ENGLISH, 2002; KIM, 1974; MOYERS, 1991; NIELSEN, 1991; VIG, 2001; YAMADA et al., 2001) como sendo a responsável pelo desenvolvimento da mordida aberta anterior, uma vez que sofre ação da musculatura intra e extrabucal produzindo alterações na forma e tamanho (GERSHATER, 1972; SCHENDEL, 1976; WATSON, 1981). Por esse motivo alguns autores (KUHN, 1968; MAJOURAU; NANDA, 1994; NAHOUM, 1977; OZAWA et al., 1998; SASSOUNI; NANDA, 1964; SCHUDY, 1964) atribuíram à maxila a responsabilidade pelo aumento vertical da face.

Para a avaliação da estabilidade dos efeitos produzidos durante o tratamento e ocorridos no componente maxilar, utilizou-se neste trabalho as grandezas cefalométricas SNA e Co-A. Os resultados não demonstraram diferenças estatísticas significantes entre os Grupos. O ângulo SNA que define a posição da maxila em relação à base do crânio, diminuiu no Grupo tratado (-0,35°) e aumentou no Grupo controle (0,60°), porém não demonstrando alteração significante. Fato este que pode ser atribuído ao ponto A, devido à influência que este ponto sofre com a alteração na inclinação dos incisivos.

Discussão 161

Alguns autores (BASCIFTCI; KARAMAN, 2002; HERING et al., 1999; MAJOURAU; NANDA, 1994; RITUCCI; NANDA, 1986), afirmam que qualquer força transmitida à mandíbula, assim como em casos onde uma mentoneira é utilizada, resulta em modificação do crescimento da face média (ALEXANDER, 1966). Teoricamente, a direção da força deveria ser a mais vertical possível em pacientes com face longa. Estudos em animais (JANZEN; BLUHER, 1965) e clínicos (ALEXANDER, 1966), sobre o aparelho de Milwaukee e sobre a mentoneira (GRABER, 1977), mostraram que forças no sentido vertical e horizontal aplicadas na mandíbula causam modificações no crescimento normal da face média.

0,6

-0,35

-0,4

-0,2

0

0,2

0,4

0,6

SNA (grau)

Controle

Tratado

FIGURA 6.1- Média das alterações do ângulo SNA para os Grupos 1 e 2

Em relação ao comprimento efetivo da maxila, avaliada pela medida linear Co-A notou-se um aumento para os dois Grupos (1,46mm controle e 0,60mm tratado) (FIGURA 6.2), e não demonstrou diferença estatisticamente significante entre eles. Este aumento do comprimento efetivo da maxila (Co-A) é reflexo do crescimento durante o período de avaliação, uma vez que os jovens apresentavam-se no estágio II de maturação das vértebras cervicais.

Apenas a pesquisa de Janson et al.(2003) avaliou medidas do componente maxilar em relação a estabilidade dos efeitos do tratamento da mordida aberta e

Discussão

162

seus resultados corroboram com este trabalho que também não verificou alterações maxilares significantes.

1,46

0,6

0

0.2

0.4

0.6

0.8

1

1.2

1.4

1.6

Co-A (grau)

Controle

Tratado

FIGURA 6.2- Média das alterações Co-A para os Grupos 1 e 2

6.5.2. Componente mandibular (FIGURAS 6.3, 6.4, 6.5, 6.6)

A mordida aberta anterior sofre uma influência significante quando alguns componentes mandibulares estão alterados por si só ou mesmo quando não apresenta boa relação com a maxila. Desde 1961, o crescimento do ramo mandibular tem sido relacionado com as possíveis alterações do trespasse vertical, como relatou Fleming (1961). Sassouni e Nanda (1964) atribuíram a alteração da posição da mandíbula como fator etiológico do estabelecimento do trespasse vertical, destacando a necessidade do controle vertical. Kuhn (1968) enfatizou que a rotação da mandíbula no sentido horário contribui para intensificar a mordida aberta anterior.

Avaliando o componente mandibular e para explicar as alterações verticais, Björk (1969) sugeriu o termo rotação do crescimento mandibular, no qual o côndilo é o centro de crescimento primário da mandíbula. Em geral o crescimento vertical condilar é proporcional ao crescimento dentoalveolar vertical, gerando a

Discussão 163

rotação mandibular no sentido horário. Desta forma, afeta o trespasse vertical, e para que haja harmonia facial, o crescimento vertical do côndilo deve ser igual ao crescimento vertical dentoalveolar. (SCHUDY, 1964).

No presente estudo, avaliou-se o posicionamento mandibular em relação à base do crânio pela grandeza cefalométrica SNB. O comprimento efetivo da mandíbula (Co-Gn) e o comprimento do ramo mandibular (Go-Gn) também foram analisados.

Os resultados desta pesquisa mostraram um comportamento similar do ângulo SNB para os dois Grupos. Houve aumento do ângulo SNB para o Grupo controle (0,71°) e para o Grupo tratado (0,21°) sem diferenças estatisticamente significantes. Sankey et al. (2000) relataram que o ângulo SNB aumentou moderadamente, para o Grupo de jovens tratados com mentoneira e diminuiu no Grupo controle que não recebeu tratamento. No entanto, quando verificado os efeitos após a remoção da mentoneira em indivíduos Classe III de Angle, Sakamoto et al. (1984), concluíram que a mandíbula foi deslocada para frente novamente.

0,71

0,21

0

0,2

0,4

0,6

0,8

SNB (grau)

Controle

Tratado

FIGURA 6.3- Média das alterações SNB para os Grupos 1 e 2

Alguns trabalhos (ELLIS et al., 1985; FLEMING, 1961; HELLMAN; SAKUDA, 1964; PEARSON, 1991; SASSOUNI; NANDA, 1964; SCHENDEL, 1976; WYLIE, 1946) evidenciaram que a mordida aberta anterior sofre grande influência do ramo mandibular. Em 1931, Hellman por meio de medidas

Discussão

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antropológicas observou que as pessoas com mordida aberta tinham o ramo mandibular mais curto.

Avaliando o comprimento do ramo mandibular, por intermédio da medida linear Ar-Go, observou-se um aumento para os dois Grupos, sendo que no Grupo tratado houve um menor aumento (0,62mm) em comparação ao Grupo controle (2,02mm), porém não sendo estatisticamente significante (FIGURA 6.4). Este resultado contraria os apresentados por Sankey et al. (2000), que observaram um aumento significante da altura do ramo no Grupo que recebeu tratamento e menor aumento do Grupo não tratado, porém estes autores não verificaram a estabilidade. O mesmo ocorreu no estudo de Spyropoulos (1985) quando comparou os resultados em pacientes que usaram apenas mentoneira e pacientes tratados com exercícios musculares com o uso de goma de mascar comparados com um Grupo que não recebeu tratamento, concluindo que houve um desenvolvimento maior do ramo da mandíbula nos indivíduos que usaram a mentoneira, da mesma forma não verificando a estabilidade dos resultados.

2,02

0,62

0

1

2

3

Ar-Go (mm)

Controle

Tratado

Discussão 165

O aumento do ângulo goníaco é amplamente citado na literatura (ALMEIDA et al., 1998b; CANGIALOSI, 1984; ENGLISH, 2002; GERSHATER, 1972; GRABER, 1977; HARVOLD et al., 1981; ISCAN et al., 2002; JOHNSON, 1950; NAHOUM, 1975; NAHOUM et al., 1972; RICHARDSON, 1969; SASSOUNI, 1969; SASSOUNI; NANDA, 1964; SCHUDY, 1964; SUBTELNY; SAKUDA, 1964; SWINEHART, 1942) como uma das características dos pacientes que apresentam mordida aberta, agravada pelo aumento do ângulo Ar.GoMe, no entanto não verificado quando o assunto é estabilidade. O aumento do ângulo goníaco, geralmente está associado com um menor aumento do ramo mandibular. (CANGIALOSI, 1984; ELLIS et al., 1985; FROST, 1980; ISCAN et al., 2002; LOPEZ-GAVITO et al., 1985; NAHOUM et al., 1972; SASSOUNI; NANDA, 1964; SUBTELNY; SAKUDA, 1964).

Os resultados obtidos nesta pesquisa mostram que o ângulo Ar.GoMe tanto para o Grupo controle como para o Grupo tratado comportou-se de forma distinta porém não significante estatisticamente, demonstrando uma diminuição no Grupo tratado (-0,72°) e aumento no Grupo controle (0,94°) (FIGURA 6.5), Os resultados obtidos por Graber (1977) utilizando mentoneira vertical, no tratamento de pacientes Classe III, observou modificações no crescimento da face média e diminuição significante do ângulo goníaco quando comparados a um Grupo controle, porém o autor não verificou a estabilidade dos resultados.

0,94 -0,72 -1 -0,5 0 0,5 1 Ar.GoMe (grau) Controle Tratado

Discussão

166

Os efeitos da mentoneira vertical em jovens com média de idade de 9,48 anos e tempo de tratamento de 9 meses sobre a mandíbula, avaliados por Iscan et al. (2002), no tratamento da mordida aberta, evidenciaram uma diminuição do ângulo goníaco (Ar.GoMe), enquanto que para o Grupo controle houve um aumento, porém sem expressar significância, resultado este que se assemelha aos valores desta pesquisa de estabilidade. No entanto devido à ausência de qualquer tipo de protocolo de tratamento nesta fase de avaliação da estabilidade, pode-se afirmar que em ambos os Grupos o fator considerado influente foi o crescimento de cada indivíduo.

Contrariando os resultados deste estudo Freitas et al. (2004), avaliando a estabilidade dos efeitos do tratamento da mordida aberta com extração de pré- molares em pacientes após o surto de crescimento observaram que a altura do ramo mandibular (Ar-Go) aumentou significantemente e o ângulo goníaco (Ar.Go.Me) diminuiu, o que contribuiu para uma melhora na estabilidade dos resultados.

Avaliando o comprimento efetivo da mandíbula, por intermédio da medida Co-Gn (FIGURA 6.6) observou-se resultados muito similares entre os dois Grupos, sendo que ambos apresentaram um aumento no comprimento mandibular (2,31mm controle e 1,52mm tratado).

2,31

1,52

0

0.5

1

1.5

2

2.5

Co-Gn (mm)

Controle

Tratado

Discussão 167

Sakamoto et al (1984) avaliaram a grandeza Co-Gn e observaram que houve restrição no crescimento do corpo da mandíbula, na altura do ramo e diminuição do ângulo goníaco com o uso da mentoneira, usando este protocolo durante vários anos ininterruptos. No entanto, após o tratamento, o crescimento mandibular foi o mesmo expresso pelos pacientes antes do tratamento e após 1 ano da remoção do aparelho. A mandíbula foi deslocada para frente confirmando a restrição do crescimento apenas durante o tratamento. Concluindo, os autores confirmaram a grande limitação da mentoneira no componente esquelético.

Janson et al. (2003), verificando a estabilidade dos efeitos do tratamento da mordida aberta sem extração em pacientes após o surto de crescimento afirmaram que devido este protocolo não ser capaz de influenciar as estruturas esqueléticas, não observou alterações para as variáveis Co-Go, Co-Cn, Go-Gn.

Como conclusão deste tópico, observou-se o Grupo tratado apresentou efeitos semelhantes ao Grupo controle, e em nenhum momento verificou-se diferenças estatisticamente significante entre os Grupos.