LISTA DE ABREVIATURAS
HMQC 1 H Detected Heteronuclear Multiple – Quantum Coherence
1.2. Os Anfíbios
1.2.5. Componentes da Secreção de Anfíbios – Visão geral
A secreção produzida por anfíbios constitui num conjunto muito amplo e diversificada de substâncias, sendo que podem ser classificadas quanto a sua atividade em categorias de atividade biológicas diferentes a serem estudadas, pois ainda pouco se sabe a este respeito destas substâncias, bem como os mecanismos de ação das mesmas sobre outros sistemas biológicos vivos, haja vista que até o momento cerca de apenas 300 delas já foram isoladas e agrupadas, sendo que sua composição pode variar em na proporção de componentes em função da fase de vida do animal ou estímulos externos (BROWN et al., 1977, BEVINS & ZASLOFF, 1990, REILLY et al., 1994).
O potencial destas substâncias bioativas pode ser ilustrado pela epibatidina, um alcalóide azabicicloheptano, que foi isolado de um veneno da pele de um sapo equatoriano chamado
Epipedobates tricolor por Daly e colaboradores (1980) e teve sua estrutura elucidada 12 anos mais
tarde (SPANDEa et al., 1992) e apresenta ação de analgesia 200 vezes mais potente que a morfina. Com o decorrer dos estudos determinou-se que a ação da epibatidina é via receptor neuronal nicotínico para acetilcolina, contudo, causava uma série de efeitos colaterais tais como paralisia, derrames e freqüentemente morte o que o teria descartado para o uso como um agente analgésico caso pesquisadores não a tivessem utilizado para molécula modelo para modificações por síntese e após testes com mais de 500 compostos achou-se um, o ABT 595, que tinha efeitos antinoceptivos iguais aos da morfina, entretanto sem causar dependência física, achando-se no momento ainda em testes na Europa para ser liberada para o uso em humanos (BADIO et al., 1997, BANNON et al., 1998, SHU, 1998, SPANG et al., 2000).
O trabalho de Daly com a epibatidina também é de interesse por servir como um alerta, pois ao remover o espécime de estudo de seu habitat natural foi constatado que a substância alcalóide que
Epipedobates tricolor produzia foi gradualmente diminuindo até não ser detectado mais na secreção
deste anfíbio, o que sugere que a matéria-prima para esta substância era obtida da alimentação deste animal (DALY, 1998). Outra questão que deve ser mantida em foco é a variabilidade na composição da secreção da pele que pode ocorrer em função do sexo, idade ou outras diferenças fisiológicas que impõem muitas vezes flutuações sazonais. Como podemos observar no trabalho de Wabnitz e colaboradores (2000) com machos e fêmeas de um hilídeo australiano Litoria splendida no qual após três anos de estudos evidenciaram que no período reprodutivo no macho era encontrado um peptídeo que funcionava como feromônio, a splendiferina, em concentração dez vezes maior do que fora deste período; um segundo peptídeo antimicrobiano, a caerina 1.10, foi encontrada apenas no
macho e apresentou concentração constante durante o ano, sendo que existem outros peptídeos antimicrobianos que inclusive são mais potentes que este e estão presentes em ambos sexos. Ainda um terceiro encontrado nos dois sexos, a ceruleína que é um neuropetídeo, sofreu variação marcante durante o ano com o aparecimento de substâncias derivadas, uma cerulina dessulfatada e a Phe8 - ceruleína que aumentavam em quantidade diretamente em proporção ao decréscimo da cerulina por razões que os autores não souberam explicar, quanto a atividade destes compostos, haja vista que a cerulina é um vasodilatador potente, analgésico e hormônio, neste trabalho não foi avaliado. Outro trabalho com o mesmo animal procurou detectar a partir de quando era possível a detecção de peptídeos de defesa e observou que desde muito cedo com apenas dez dias da deposição dos ovos, ainda girinos, eram produzidos e continuavam ao longo da metamorfose, contudo não foram detectados nos ovos (WABNITZ et al., 1998).
Existe uma seletividade quanto a resposta comportamental em função do predador em questão, o que foi objeto de estudo por Schmidt e colaboradores (2001) com girinos de
Phyllomedusa tarsius, um anuro neotropical, i sto podendo possívelmente se refletir na composição
de suas secreções.
Muitos estudos têm sido direcionados as secreções da pele de anfibios da ordem anura (sapos, rãs e pererecas), com muitos poucos às salamandras e somente pouco mais de três estudos a investigação de bioatividade da cecílias. Dentre estes temos os trabalhos de Moodie (1978) que obeservou que as secreções da pele de uma cecília aquática, Typhlonectes compressicauda, era tóxica para um peixe
Hoplias malabarius e o de Sawaya (1940) que demonstrou a cardiotoxicidade da secreção da peleda
cecília Siphonops annulatus, mas não investigaram o seu mecanismo de ação. Um terceiro trabalho de Schwartz e colaboradores (1997).detectou atividade semelhante no coração, além de atividade hemolítica em Siphonops paulensis, gerando outro trabalho (SCHWARTZ et al., 1999) no qual o mesmo grupo encontrou indícios de que a atividade cardiotóxica era indireta e era atribuída ao fato de que a secreção da pele deste anfíbio ocasionava primeiramente uma atividade hemolítica que fazia com que aumentassem os níveis de potássio no meio.
Farmacologicamente, os produtos bioativos atuam como irritantes locais, cardio, mio e neurotoxinas, agentes colinomiméticos, simpatomiméticos, alucinogênicos, anestésicos, hemolíticos, agentes citotóxicos e antimicrobianos (DALY & WITKOP, 1971; ROSEGHINI et al., 1988).
A classificação química dos produtos até então isolados da pele de anfíbios podem ser distribuída em 5 grupos: aminas biogênicas, peptídeos, proteínas proteolíticas, alcalóides e esteróides (HABERMEHL, 1969). Na tabela 2, podem ser observados estes grupos e alguns exemplos representantes dos mesmos.
Tabela 2 - Classificação química dos produtos até então isolados da pele de anfíbios e alguns exemplos.