REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
1.6. Componentes do consumo residencial de água
Diversos autores utilizam a divisão do consumo residencial de água em usos internos e usos externos. Usos internos são os realizados em tarefas domésticas dentro da casa, como uso do banheiro, cozinha e lavagem de roupas enquanto os usos externos, realizados fora da casa, são, por exemplo, rega de jardim e manutenção de piscina.
Quando submetidos a situações de emergência, a WHO (2013) estipula os seguintes fatores como intervenientes na quantidade de água requerida: o clima, o estado de saúde das pessoas, nível de condicionamento físico, a eficiência dos dispositivos hidráulicos da residência, a percepção quanto ao que seria uma quantidade adequada de água para sobrevivência, diferente para pessoas em regiões urbanas e rurais, de alta e baixa renda, de diferentes culturas e religiões, bem como o sexo do indivíduo. (WHO; 2013).
O manual de saneamento da FUNASA (2006) estabelece para áreas de baixa renda, um consumo per capita diário na ordem de 125 L/pessoa.dia, e em áreas de alta renda, esse consumo é na ordem de 200 L/pessoa.dia. A norma técnica da Sabesp NTS 181 (2012) estabelece para dimensionamento em áreas de rurais ou casas populares, o valor base 120 L/pessoa.dia para o consumo per capita, enquanto para áreas de luxo o valor estabelecido é de 300 L/pessoa.dia.
Esses valores, utilizados como referências normativas, mostram que é consolidado o reconhecimento da renda como fator de influência no consumo de água residencial. Kiperstok (2008) elaborou um fluxograma que explica os principais fatores que motivam o consumo de água em edificações, como pode ser observado na Figura 1.
Figura 1 - Fluxograma resumo dos elementos que compõe o consumo de água em edificações
Fonte: (KIPERSTOK; 2008)
Conforme a Figura 1 existem quatro blocos principais de fatores determinantes do consumo de água. São eles o consumo efetivo, o desperdício, as perdas e a qualidade ambiental da edificação. O controle incide como regulador desses blocos. Os fatores que estimulam o controle no uso de água são: o valor da conta de água, medições periódicas (por exemplo, verificação do hidrômetro) ou a própria consciência do usuário. O controle está relacionado à intenção de regular o consumo, ou intenção de conservação, e isso é o fator que vai determinar se o consumo será menor ou maior.
básica, mas de alguma forma satisfaz outras necessidades do usuário, como, por exemplo, o relaxamento através de banhos demorados.
Ainda segundo Kiperstok (2008), o desperdício pode estar relacionado com o dispositivo/instalações hidráulicas ou ao próprio usuário que, por exemplo, pode deixar uma torneira aberta sem uso. Jorgensen, Graymore e O’toole (2009) e Willis (2010) também observaram a questão do uso relacionado ao dispositivo/instalação hidráulica, que consiste naquele uso imposto pela programação prévia do aparelho sanitário, definido por fabricante, que, portanto não sofre influência da vontade do usuário.
As perdas, segundo o modelo de Kiperstok (2008), estão ligadas a fatores independentes da vontade do usuário, mas tem relação com os cuidados de manutenção das instalações hidráulicas prediais, que podem evitar o aparecimento de vazamentos ou equipamentos hidráulicos pouco eficientes. Por fim, outro fator que determina o consumo é a qualidade ambiental do prédio, relacionada às características da habitação, que favoreçam a aplicação de medidas de uso racional da água como, captação de água de chuva, reuso e outros.
A Figura 2 mostra o modelo conceitual de influências sociais e econômicas no consumo de água proposto por Jorgensen, Graymore e O’toole (2009).
Figura 2 - Modelo de influências sociais e econômicas no consumo de água.
Segundo observa-se na Figura 2, a intenção de conservação é o fator principal de influencia no consumo. No trabalho de Kiperstok (2008) a intenção de conservação é balizada pelo controle, que por sua vez deve ser feito através de emissão de contas, medição do consumo ou pela consciência do usuário. Jorgensen, Graymore e O’toole (2009) detalharam mais fatores de influência na intenção de conservação que gera o controle no consumo da água, esses detalhamentos, por sua vez podem ser posicionados dentro das macro categorias definidas por Kiperstok (2008).
O Quadro 1 mostra a junção do detalhamento proposto no modelo de Jorgensen, Graymore e O’toole (2009) e as definições da WHO (2013), posicionados dentro das macro categorias definidas por Kiperstok (2008).
Quadro 1- Fatores que compõe o consumo residencial de água
Arbués, García-Valiñas e Martinez-Espiñeira (2003) apontaram em seu trabalho, que um dos fatores de influência no consumo de água, é o tipo de coleta de dados utilizada no estudo ou o tipo de função escolhida para explicar o fenômeno. Sendo, portanto necessário avaliar a metodologia utilizada em cada estudo para identificar
Macro categorias (KIPERSTOK; 2008)
Detalhamento
(JORGENSEN; GRAYMORE E O’TOOLE 2009; WHO; 2013)
Controle/Intenção de conservação
Nível de confiança nas autoridades institucionais; Grau de instrução; Medidas restritivas; Aumento de preços; Atitude de conservação; Normas; Percepção de mudanças de comportamento dos vizinhos; Percepção do risco de escassez; Restrições de uso.
Consumo efetivo
Cultura de uso da água; Aspectos climáticos; Aspectos demográficos (regiões urbanas, rurais, baixa renda, alta renda); estado de saúde; condicionamento físico; sexo;
Desperdício Perdas nas instalações, falta de cuidado por parte do usuário;
Qualidade ambiental
Composição da residência, Características da residência; Usos externos (presença de jardim, piscina); Consumo interno e externo; Eficiência dos dispositivos hidráulicos da residência.
metodologia utilizada em diversos trabalhos que estudaram o tema será feita na subseção que segue.
1.7. Ferramentas metodológicas para identificação de fatores