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Componentes e Efeitos Socioculturais, Psicológicos e Emocionais

5. O FATOR CONFORTO

5.5. Componentes e Efeitos Socioculturais, Psicológicos e Emocionais

A questão do conforto amplamente entendida, tanto quanto a caracterização de um ambiente e da resposta comportamental é variável, subjetiva e depende de inúmeros, mutáveis e incertos fatores. Conseqüentemente, a particularização de um ambiente confortável será tão

variável quanto dependente do usuário ou habitante do local para o que se pretenda projetar. “Sempre consideramos que a criação do espaço arquitetônico teria de se preocupar com o usuário, com sua percepção e sua maneira de ver”68 (Okamoto, 1999, Introdução), ou de ser. E Day (1972, pág. 25), no relativo a experimentos confirma a subjetividade da percepção quando do ser humano se trata: “Diversos observadores treinados relatavam diferentes sensações sob condições idênticas de estimulação”.

Em função deste ponto de partida e apesar da crítica aqui sustentada (sobre a validade apenas relativa) em relação às referências médias, modelos, padrões ou estândares, parece não haver outra alternativa para os projetistas senão a de tentar estabelecer alguns parâmetros que possam ser utilizados para a maioria das pessoas, ou seja, tentar estabelecer um padrão médio para um destinatário médio69. É isto possível? Obviamente que sim, pois esta é a opção utilizada habitualmente. Mas este tipo de alternativa universal e aqui questionada, raramente é realmente adequada. É como ter um único número de calça que atenda a pessoas entre magras e gordas, de membros curtos e longos, tamanhos e idades diferentes. Esta peça seria apenas possível se feita com um material elástico, maleável e dúctil70 ou com dimensões que atendessem a todos. Ou seja, potencialmente grande, mas com a possibilidade de encolher e moldar-se a qualquer corpo. Se aparenta ser um comentário exagerado o fato é que crianças, adultos e velhos utilizam os mesmos espaços, seja qual for o somatótipo a que pertençam e desconsiderando as enormes diferenças entre eles, biológicas, intelectuais, psíquicas, etc.

Conseqüentemente, pode-se afirmar que a questão do conforto não será eficazmente resolvida somente a partir do estabelecimento de padrões médios. Padrão médio pode redundar em solução ou conforto médios, o que, dependendo do caso pode até representar uma alternativa razoável, porém não plena. A alternativa passa por ter “flexibilidade”, ou, em outras palavras, possibilidade de ajustamento ou adequação, definida por uma faixa de possibilidades. E qual o grau de desvio ou a amplidão que esta faixa teria? Se corresponderia com a diversidade no tamanho das pessoas? Com o caráter delas? Com o grupo social ou seu status? Com os diversos ambientes, ocasiões e situações?

68 O negrito é deste pesquisador.

69 Significa definir um homem padrão da mesma condição.

O “domínio” do ambiente de uma casa pode ser social ou privativo de acordo com as características idiossincráticas particulares dos ocupantes, da ocasião, do estágio evolutivo e até da moda. A cozinha da casa brasileira pode ser considerada como uma área de “serviço”, reservada ao contexto familiar ou, pelo contrário, uma área social, conforme lugar, condição social ou postura pessoal71. Portanto, a caracterização de um ambiente como privativo, social, confortável ou desconfortável, formal ou informal ou com potencial e possibilidades de propiciar um atrativo convidativo ou não, pode ser aceitável, ambígua ou absurda, conforme o caso, lugar e circunstância, e sem que se mude sequer qualquer coisa do lugar.

A relação entre as condições, componentes do ambiente e as pessoas exige ajustamentos de adequação comportamental. Quando estes forem poucos, limitados e pequenos, pessoas e ambientes estarão em harmonia e as pessoas se sentirão confortáveis. O comportamento resultante é denominado de sinomórfico72 ao haver um ajuste equilibrado entre o ambiente e o comportamento. Martin (2005, pág. 86) enxerga o sinomórfico como similaridade física ou funcional entre o contexto ambiental do cenário de conduta e a ação comportamental na que se reflete; em outros termos, a estrutura morfofuncional se encontra inscrita nas atitudes do que denomina padrões fixos de conduta73 promovidas, no caso, pelo ambiente. Caso contrário (desequilíbrio) o ambiente “promoverá” um desajuste que deverá ser neutralizado. Entenda-se ambiente de forma ampla, não apenas físico, mas sociocultural e contextualizado. Harmonia e equilíbrio são fortemente aparentados e dependendo do caso podem ser utilizados como sinônimos. Mas o que é relação equilibrada? É universal ou apresenta variações?

Harmonias e proporções, nascidas das modulações, correspondências e alterações nos denominados temas dinâmicos74, constituiriam as razões da arte que podem estar ausentes ou pouco perceptíveis e ter caráter muito subjetivo na artes gráficas por exemplo, mas que é mais objetivo, rigoroso e prático no caso da arquitetura e do urbanismo. Entende-se que há uma ordem hierárquica de dimensão superior a que as partes das cidades se remetem e uma analogia de

71 A ser retomado adiante.

72 Nesta Tese, um ambiente que estimula uma relação comportamental harmônica no usuário também é denominado

como sinomórfico.

73 “Seqüencia de ações e relações que se desenvolvem segundo uma pauta programável estável”. O contexto é

sinomórfico com o padrão de conduta, conceito desenvolvido por Barker R. (1968).

74 Variações (de aspecto, qualidade, condição, cor, estado, etc.) dinâmicas que se correspondem com as

circunstâncias com as que algo se relaciona no momento em que este se vivencia. A arquitetura é dinâmica na medida em que se relaciona com o lugar/contexto (clima, temperatura, hora do dia, função, ocasião, etc.).

equilíbrio multidimensional (escala, tamanho, domínio, funcional, simbólico, etc.) entre as edificações, a morfologia e a psique humanas. Em alguns casos acredita-se observar este equilíbrio nas construções a partir de diferentes aspectos: o tipo de ambiência e o aconchego que emana dela, o simbolismo da construção, o intimismo espontâneo, na relação com a paisagem e inclusive nos projetos estruturados com base num antropomorfismo explícito até nas fachadas que, entretanto, sugere apenas ser uma excentricidade. A interpretação do que propicia conforto e a maneira de enxergá-lo é extremamente variada e filtrada pela pessoa que visualiza e usufrui do ambiente.

Não é incomum que se façam comentários sobre o desconforto propiciado pela geometria de alguns ambientes, mas não se avança nesta questão que permanece aberta, portanto, um assunto a pesquisar. Boada (1991), na questão homem-espaço, acredita encontrar razões vinculadas a uma relação harmônica de proporções e magnitudes geométrico-matemáticas (figuras geométricas estáveis, proporções áureas e número de ouro) que se referenciam no corpo humano e seu “equilíbrio morfológico” na simetria, na proporção e na relação de conjunto. É possível que uma correta relação de escala entre o ser humano, o espaço, o mobiliário e equipamentos ofereça este tipo de equilíbrio (reconhecida como “de escala humana”, habitual em arquitetura). Uma alta densidade de ocupação75 pode determinar uma sensação de apinhamento. Quanto à geometria em si, sugere ser mais difícil de avaliar. Espaços de formas quadradas ou retangulares (relação 1:2/1:3) são “normais” (o que é costumeiro encontrar). Formas redondas, em ângulos pouco convencionais, com jogos de luz e cores podem provocar um jogo dinâmico e a surpresa. Haverá espaços que pela forma de modelagem geométrica (do contenedor) podem incomodar (psicologicamente)? Não há pesquisas conhecidas a respeito. É provável que o incômodo seja mais do tipo funcional (inapto) com reflexos psicológicos.

Figuras simétricas, formas puras, facilitam e permitem o reconhecimento imediato da forma (e do objeto) e oferecem um conforto visual “equilibrado”. Identidade e reconhecimento são qualidades procuradas no espaço arquitetônico. Uma relação de proporções e escalas desmesuradas ou desusadas pode intimidar e criar situação de desconforto. Proporções áureas que

75 A área mínima habitualmente adotada por diversas instituições por pessoa e para habitação popular na América

Latina é de 12m² (casualidade ou não, a mesma área aproximada prevista para um carro), sem que se saiba ao certo qual a origem desta referência e sem que existam dados que confirmem a validade.

alguns pretendem encontrar na natureza parecem ser especulativas e não são necessariamente interpretadas como harmônicas, particularmente quando relativas a ambientes construídos. Estas condições podem variar de acordo com o local e a cultura do povo do local, tanto no que diz respeito às formas e tamanhos quanto ao seu uso.

Dentro da chamada diversidade cultural as diferentes maneiras de conceber (e aceitar), perceber e usar o espaço construído são, conforme o caso, bastante diferentes. Há situações em que são sob formas que poderiam ser rotuladas de extremas, como surgiria da comparação entre a sólida e fechada habitação marroquina e a leve, flexível, periódica e móvel tenda árabe. Também resulta numa evidente contraposição o confronto entre o iglu inuit, habitação transitória e também descartável ou efêmera, e outras sólidas e permanentes escavadas na rocha que aproveitam cavernas naturais e são complementadas com partes construídas com argila e pedra como as firmemente erguidas em Capadocia (Turquia) e que lembram cupinzeiros e provavelmente inspiradas por eles mesmos, e em Guádix (Espanha).

Figura 6. (Esquerda) Capadócia: Construções em terra/rocha 1 Figura 7. Capadócia: Construções em terra/rocha 2

Também e apesar de algumas semelhanças como o fato de serem compactas ou urbanas, apresentam-se com diferenças muito significativas as habitações mais características de

ocidente76 e as casas vernaculares denominadas “típicas” japonesas, construídas com materiais bastante diferentes daquelas (bambu, madeira e papel, por exemplo) assim como também o são na forma de responder à questão da privacidade, do uso e da tipologia e do tipo e disposição espacial do mobiliário.

Algumas destas maneiras de estruturação e uso provêm seguramente de uma adaptação aos recursos materiais proporcionados pelo meio geográfico e ao clima (razões determinísticas). Outras obedecem a formas e filosofia de vida muito diferentes, talvez também inspiradas ou decorrentes das mesmas razões anteriores, como o maior ou menor sedentarismo ou mobilidade, a segurança pessoal ou sua falta, o pensamento e a postura religiosa ou a filosófica, a maior ou menor individualidade e a sociabilidade, etc., na essência então, resultado das peculiaridades socioculturais. E são estas que aqui são objeto de atenção porque além das características específicas da pessoa e grupo social a que pertence e com o que convive, são as que determinam ou influenciam a percepção do conforto do ponto de vista psicológico.

Como corolário, pode-se lembrar que uma das atividades extras e interessantes que apareceram nas últimas décadas corresponde à análise de avaliação de pós-ocupação. Este tipo de tarefa vem sendo realizada de forma mais ou menos rotineira há mais de 50 anos nos EUA e Europa. No meio latino-americano é mais recente e incipiente, estando em desenvolvimento e em forte processo de afirmação. São levantamentos mais centrados em aspectos relativos ao desempenho técnico, porém tem aumentado também em outras categorias que envolvem pessoas, reações e sensações psicológicas e biológicas (pesquisa Técnica, Funcional e Comportamental (Rabinowitz, 1984, pág. 397), o que é promissor.

É sabido que “o meio ambiente, joga um papel no desenvolvimento emocional e físico do indivíduo, especialmente durante a infância, ainda que quiçá também em idades posteriores.” (Lynch, 1980, pág. 199). As características funcionais e físicas do ambiente definem ou orientam o comportamento, ainda que não de maneira definitiva. Um lugar destinado para discoteca é naturalmente bem diferente de um estúdio fotográfico. A roupa e o comportamento mudam também conforme a situação para os mesmos locais (shopping de cidade litorânea e com praia e

76 Há inúmeras tipologias habitacionais e situações que também as diferenciam, como a casa com pátio adotada na

shopping de cidade do interior, por exemplo, parecem sugerir uma liberdade ou até permissividade bem diferenciadas).

Ainda que nos últimos anos se tenha percebido uma aproximação que diminui as diferenças, é facilmente constatável que nas igrejas pentecostais o “clima” é bem diferente quando comparado aos das igrejas católicas tradicionais. Menos formais, mais populares ou “terrenas”, apresentam uma liturgia não roteirizada por rígidos cerimoniais, com risadas, cânticos, conferências, músicas e até verdadeiros shows de exorcismos. Representa uma mudança radical em relação àquelas que têm atraído um número considerável de seguidores em detrimento das outras, que viram serem esvaziados seus templos e diminuído o número de candidatos a sacerdotes. Isto se reflete no tipo de ambiente albergante, mais parecido a um local de eventos musicais (shows) do que a uma igreja do tipo convencional. O edifício “container” (ou melhor, do tipo galpão) tem servido muito bem para estas atividades, apenas decoradas com elementos arquitetônicos de duvidosa concepção, intuito e objetivos, mas que criam efeitos aparentemente satisfatórios à intenção pretendida, sutil, mas não necessariamente explicitada.

O ser humano procura fortuna, bem-estar físico e mental, facilidades. Isto está coligado com o conforto, particularmente com o entendimento mais popular. Recursos financeiros e meios materiais (muito identificados com o consumismo) ou humanos são, para muitos, o caminho para atingir o conforto psicológico, imaterial ou espiritual. Em relação ao mundo espiritual, nos países católicos este tipo de conforto era inicialmente apresentado como uma opção que valorizava a vida austera e um afastamento dos bens e prazeres materiais, ainda que o apregoado oficialmente raramente coincidisse com a pompa e a riqueza institucionais. Protestantes não tinham esta mesma concepção, o que trazia como conseqüência visões, atitudes e estilos de vidas significativamente diferentes entre seus fieis e aqueles. Há quem considere que o desenvolvimento ou, pelo contrário, o subdesenvolvimento de alguns países ou grupos humanos esteja muito relacionado a estas formas de pensar e posturas conseqüentes.

O poder estimulante e confortante das religiões exerce um papel decisivo sobre as comunidades. Algumas crenças promovem uma vida sem grandes restrições e o conforto passível de se conseguir entendido como usufruível sem remorsos e não pecaminoso. Outras culturas e cultos regram as vidas dos membros e fieis de tal maneira que inclusive o conforto material e de

alguns prazeres são vistos com reservas, ou simplesmente proibidos. Ainda há as que questionando ou até renegando do conforto e riquezas materiais, estimulam o desprendimento e austeridade, mas com um espírito não condenatório e com uma visão de maior serenidade e tolerância. Se não há dúvidas que esta filosofia de vida (ou religiosa) influi poderosamente na forma de se enxergar o significado do conforto (e do ambiente construído), mostra também o caráter subordinado ou contingente que pode assumir. É natural que se reflita na arquitetura que alberga estas atividades. De maneira inversa, há ambientes que estimulam estas posturas.

Não apenas as características dos ambientes (lugar, formas, funções, uso, usuários) alteram o comportamento das pessoas. O maior ou menor conforto também o faz, servindo inclusive como estímulo para sua visitação. Shoppings, cinemas, restaurantes, lojas, supermercados, com ar condicionado e segurança são atrativos para as pessoas que, nestas condições, podem se mostrar mais e melhor dispostas, física e emotivamente, para exercer suas atividades laborais, para o lazer e para o consumo. No caso destes lugares, existe uma verdadeira preocupação por parte dos lojistas, empresários, comerciantes e promotores em objetivamente estimular a compra de produtos e serviços, e são programados para que isto aconteça.

Algumas dimensões arquitetônicas mudaram como resultado de profundas alterações sociais (abolição da escravidão, fim de exclusões sociais), de poder (democratização, socialização do poder político e diversificação do poder econômico), culturais e gerais (templos religiosos substituídos por outros santuários, como os centros culturais ou de lazer e consumo de massas, como os shoppings centers). Mudanças sociais e econômicas também foram significativas no aparecimento de programas arquitetônicos e na dimensão dos ambientes (como no caso dos conjuntos de habitação populares).

O aparecimento de novas maquinarias e equipamentos (o automóvel é provavelmente o mais significativo) mais modernos e compactos determinou novas formas de morar (eletricidade, ar condicionado, eletrodomésticos), mas também exigiu prever novos locais e atender às necessidades de manutenção. Áreas de estacionamento, a casa de máquinas ou o local para cabines transformadoras nos arranha-céus são exemplos conhecidos. A cozinha, a lavanderia e o home-theater são exemplos concretos nos imóveis residenciais.

Nem sempre o “conforto” bem entendido é intenção projetual. Pode ser que o contrário também seja intencional. Um ambiente seco, abafado, com muita gente e estimulante pode favorecer o consumo de bebidas num bar. O designer de móveis Henning Larsen, a pedido de proprietários de cafés de Copenhague cujos clientes ficavam por tempo ilimitado em seus estabelecimentos, “criou uma cadeira que exerce uma desagradável pressão na espinha se for ocupada por mais de alguns minutos” (cito por Sommer, 1973, pág. 150). As cadeiras do Mc Donald´s e outros locais similares que oferecem alimentação do tipo fast-food também parecem ter sido projetadas seguindo este tipo de orientação, pois pode-se afirmar que servem “confortavelmente” somente durante um tempo aproximado de 20/30 minutos, quando a concentração da pessoa está mais centrada no estimulante apelo visual da loja e no aspecto da comida e da bebida, no cheiro e no sabor, em satisfazer a fome, concomitante com um tempo mais do que razoável para consumir um produto junk food. Depois de saciado o apetite, o ferro do encosto e a dureza da madeira do assento começam a se fazer notar, a não ser que a atenção da pessoa seja muito excitada por outros fatores. Em bares ou pizzarias não há esta preocupação porque o que se pretende é que a pessoa fique o tempo máximo possível para consumir bebidas.

Em aviões e navios as questões de climatização e ergonomia são fatores que merecem bastante atenção, o que não quer dizer que sejam, de fato, bem atendidos. Nos últimos anos, inúmeras reclamações de usuários resultaram numa atenção maior nas condições em que viajam as pessoas em vôos de longa duração, particularmente em relação ao tamanho dos assentos e distância entre fileiras. No Brasil, no momento em que isto está sendo redigido, estuda-se exigir um aumento da distancia entre fileiras de poltronas. O aumento da altura e o crescente grau de obesidade detectado nas pessoas, particularmente na população dos EUA77, colocaram em dúvida as diretrizes ergonômicas adotadas, que em função de um barateamento (e/ou maior lucratividade) dos valores das passagens provocaram uma substancial diminuição das dimensões citadas. Estas duas alterações têm se verificado de maneira generalizada no mundo todo, com as devidas exceções.

77 Dados de 2005 e 2006 divulgados em 2009 pelo NCHS National Center for Healts Statistics dos EUA mostram

que a obesidade mais do que dobrou desde 1980, sendo que o denominado sobrepeso permaneceu estável. Mais de 34% da população adulta é obesa, 32,7% está com sobrepeso e 6% extremamente obesa. Assim, o 1/3 das pessoas obesas corresponde a 72 milhões de pessoas. A classificação resulta do uso do IMC Índice de massa corporal (peso em quilos dividido pela altura em metros ao quadrado) como referência, onde pessoas com valores entre 25 a 29 são consideradas com sobrepeso e de 30 a 40 obesas. Acima de 40 é obeso mórbido. Obesidade e sobrepeso acarretam o aumento de riscos de doenças cardíacas, diabetes, artrites e outras. “Estados Unidos. Número de obesos ultrapassa o número de pessoas com sobrepeso”. Folha de São Paulo, Saúde, pág. C7, 12/01/2009.

No Brasil, não apenas houve aumento de altura da população. Recente pesquisa do Ministério da Saúde (divulgada em 2009) constatou que 43.3% da população de 27 capitais está com excesso de peso78. Novos hábitos de alimentação, consumo e comportamento, em especial o sedentarismo (embora este último tenha diminuído um pouco no mesmo período), são citados como prováveis fatores causais. Conforto e desconforto se confundem num limite nebuloso, mas bastante definido.

A climatização de ambientes é conhecidamente decisiva para atrair e segurar os clientes dentro de uma loja, mas isto tem um alto custo que vai ser repassado aos custos e preços. O problema da segurança é hoje um dos principais motivos na definição e localização do imóvel. A segurança não é apenas física, mas também emocional, mental. A pessoa deve se sentir segura, ainda que isto não seja uma realidade concreta. Tem sido fundamento para o aparecimento de centros de compra, que não apenas oferecem uma ampla gama de produtos e atrações, mas também ar condicionado e áreas livres de riscos, para as pessoas e seus veículos.

Ruas e edifícios em algumas cidades no Canadá são subterrâneas, oferecendo ligações entre edifícios resguardando o transeunte das inclemências do tempo. Recurso muito bem aceito nesse país, é uma necessidade determinística. As ruas arborizadas dos países mediterrâneos e das cidades hispanoamericanas são, ou pelo menos eram, belos elementos naturais de baixo custo que funcionam como atrativos para o passeio e os encontros sociais, oferecendo um resguardo quando o sol está a pino. Infelizmente, novos loteamentos devastam a vegetação original e a arborização parece ser um elemento indesejável quando se trata de evitar a presença de pássaros, seus dejetos sobre os carros, a queda de folhas, seivas e sementes, a necessidade da poda e da manutenção. Árvores são sistematicamente assassinadas pelos moradores das cidades. A “praticidade” assim como fios elétricos e placas de propaganda e de identidade comercial têm reduzido a presença de árvores e resultado em notória ausência nos centros urbanos, limitada a alguma que outra praça e em número exíguo.

As cidades concebidas com abundante vegetação são mais agradáveis visualmente, mais