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Componentes essenciais para a acessibilidade web

2. Revisão bibliográfica

2.6. Componentes essenciais para a acessibilidade web

A acessibilidade da web no seu todo não está apenas dependente do conteúdo acessível, mas também da forma como é suportada pelos navegadores web e outros agentes de utilizador, assim como as ferramentas de autor. Quer isto dizer que, não basta existirem diretrizes que ditam como criar conteúdo acessível, é necessário um ambiente que suporte esse conteúdo de uma forma também acessível. Para além das Diretrizes de Acessibilidade do Conteúdo Web (WCAG) existem também as Diretrizes de Acessibilidade para Agentes de Utilizador (UAAG) e as Diretrizes de Acessibilidade para Ferramentas de Autor (ATAG) (Caldwell, Cooper, Reid, & Vanderheiden, 2008).

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2.6.1. Diretrizes de Acessibilidade para Agentes de Utilizador (UAAG).

Os documentos das UAAG informam acerca de como tornar os agentes do utilizador acessíveis a pessoas com deficiências. Plataformas web, extensões de navegador, media players, leitores e outras aplicações que renderizam conteúdo web, são denominados agentes de utilizador (Spellman, Allan, Henry, 2016).

Os navegadores permitem resolver determinadas necessidades de acessibilidade web de uma maneira mais eficaz do que no próprio conteúdo da web, como por exemplo personalização de texto, preferências e acessibilidade da interface do utilizador. Seguir as o UAAG 2.0 permite a um agente do utilizador ter uma maior acessibilidade através de sua interface de utilizador. Assim, como aumenta também a capacidade do agente comunicar com tecnologias assistivas, como por exemplo, software que pessoas com deficiências podem usar para responder aos seus requisitos. Contudo, não serão estes os únicos beneficiados, pois todos os utilizadores mesmo que não possuam deficiências beneficiam, de por exemplo plataformas web que se guiem pelas UAAG 2.0 (Spellman, Allan, & Henry, 2016).

A UAAG é direcionada principalmente para programadores de agentes de utilizador, e em conjunto com recursos de apoio podem servir as necessidades de públicos diferentes, assim como servir de ferramenta de avaliação permitindo a um utilizador escolher qual o agente de utilizador mais acessível (Spellman, Allan, & Henry, 2016).

O UAAG 2.0 foi concebido com a finalidade de tornar as gerações futuras de navegadores web, cada vez mais acessíveis, fornecer informações alternativas baseadas na plataforma e tecnologia dos utilizadores e, estar de acordo com as WCAG 2.0 e ATAG 2.0. O UAAG 2.0 é um padrão finalizado e fornece orientação específica para navegadores e outros agentes de utilizador assim como informações de referência para profissionais de acessibilidade (Spellman, Allan, & Henry, 2016).

O trabalho atual para a Acessibilidade Móvel e a Acessibilidade de Baixa Visão mostra a importância da combinação de conteúdo, interface de utilizador, extensões, aplicações e agentes de utilizador, o que torna, não apenas nos dias de hoje, mas acredita-se que também futuramente, o UAAG 2.0 bastante relevante. Há a necessidade de um suporte consistente e confiável para os recursos de acessibilidade em todos os navegadores e agentes de utilizador, ainda que grande parte dos recursos do UAAG 2.0 sejam suportados em navegadores individuais. Seguindo o UAAG 2.0, os programadores obtêm uma orientação específica de acessibilidade para agentes de utilizador, com o objetivo de criar uma experiência de utilizador cada vez melhor para todos (Spellman, Allan, & Henry, 2016).

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2.6.2. Diretrizes de Acessibilidade para Ferramentas de Autor (ATAG).

As ferramentas de autor são consideradas softwares e serviços que os “autores”, da web, designers, escritores, usam para produzir conteúdo da web, como por exemplo páginas web estáticas e aplicações web dinâmicas (Henry, 2015).

O conteúdo dos documentos das ATAG dizem-nos como desenvolver ferramentas de criação acessíveis, para que os programadores, mas também os utilizadores finais, e as pessoas com deficiências possam produzir conteúdo da web. Permitem também ajudar outros autores a produzir conteúdo web mais acessível, e têm como finalidade específica habilitar, fornecer suporte e promover, a produção de conteúdo em conformidade com as WCAG (Henry, 2015).

O ATAG é focado para programadores de ferramentas de criação, que produzem vários tipos de ferramentas, tais como: ferramentas de criação de páginas da web, software para desenvolvimento de sites; de software didático, agregadores de conteúdo software; de autor multimédia; sites que permitem que os utilizadores adicionem conteúdo, como blogs e wikis, e ainda outros tipos de ferramentas listadas na definição do glossário de ferramentas de autor. Destinam-se também a satisfazer as necessidades de vários públicos, sejam eles formuladores de políticas, gerentes, entre outros. Ou seja, pessoas que pretendem selecionar ferramentas de criação mais acessíveis, podem recorrer ao ATAG para as avaliar, assim como podem recorrer ao ATAG para servir de base, de modo a que os programadores possam melhorar a acessibilidade das ferramentas em futuras versões (Henry, 2015). Sabe-se ainda que, o ATAG 2.0 está dividido em duas partes principais, a parte A que consiste, principalmente em como tornar uma ferramenta de criação acessível, e a parte B compreende as ferramentas de autor, isto é, ferramentas que ajudam os autores a produzir conteúdo acessível. Para além disso, o ATAG 2.0 é organizado em camadas, ou seja, a camada dos princípios que fornece uma organização de alto nível para as diretrizes, seguindo-se as diretrizes que fornecem a estrutura e os objetivos para os critérios de sucesso, e finalmente os critérios de sucesso que constituem os requisitos de acessibilidade, que são escritos como declarações testáveis, em três níveis: A, AA, AAA (Henry, 2015). O ATAG 2.0 é uma recomendação do W3C, melhor dizendo, é a recomendação atual no que a esta matéria diz respeito. Quer isto dizer que, o ATAG 2.0 é um padrão completo pois, concluídos os testes de implementação, foi demonstrado em exemplos reais de produtos que usam o ATAG 2.0 que estes se tornam mais acessíveis, sendo deste modo aprovados pela associação do W3C WAI (Henry, 2015).

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2.6.3. Interligação dos componentes essenciais à acessibilidade web.

Para suportar a acessibilidade web, e para que a web seja mais fácil de utilizar por todos, e principalmente por pessoas portadoras de deficiências, é fundamental que vários componentes diferentes funcionem em conjunto (Henry, 2018).

Segundo Henry (2018), estes componentes incluem:

● Conteúdo - as informações em uma página ou aplicação web, incluindo: ○ informações naturais, como texto, imagens e sons;

○ código ou marcação que define estrutura, apresentação, etc. ● Navegadores da web, media players e outros "agentes do utilizador".

● Tecnologia assistiva, em alguns casos - leitores de ecrã, teclados alternativos, switches,

softwares de digitalização, etc.

● Conhecimento dos utilizadores, experiências e, em alguns casos, estratégias adaptativas usando a web.

● Programadores - designers, codificadores, autores, etc., incluindo programadores com deficiências e utilizadores que contribuem com conteúdo.

● Ferramentas de autor - software que cria sites.

● Ferramentas de avaliação - ferramentas de avaliação de acessibilidade web, validadores de HTML, validadores de CSS, etc.

Figura 1 – Relação entre os componentes. Retirado de Henry (2019).

Os programadores web normalmente usam ferramentas de criação e também ferramentas de avaliação para gerar conteúdo web, enquanto os utilizadores finais fazem uso de

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agentes de utilizador, como é o caso de um navegador web, para obter e assim poder interagir com o conteúdo (Henry, 2018).

Existe uma dependência entre os componentes, o que leva a que estes trabalhem em conjunto, permitindo assim a existência de uma web acessível. Recorrendo ao exemplo do texto alternativo em imagens, temos o seguinte conjunto de acontecimentos:

Especificações técnicas endereçam texto alternativo (por exemplo, o HTML define o

atributo de texto alternativo (alt) do elemento de imagem (img);

Diretrizes de WAI (WCAG, ATAG, UAAG ) - definem como implementar texto

alternativo para acessibilidade nos diferentes componentes;

Os programadores fornecem o texto alternativo adequado;

Ferramentas de autoria permitem, facilitam e promovem o fornecimento de texto

alternativo em uma página web;

Ferramentas de avaliação são usadas para ajudar a verificar se existe texto alternativo;

Os agentes do usuário fornecem interface humana e de máquina para o texto

alternativo;

Tecnologias assistivas fornecem interface humana para o texto alternativo em várias

modalidades;

Os utilizadores sabem como obter o texto alternativo de seu agente de utilizador e/ou

tecnologia assistente conforme necessário.

Quando para um dos componentes foram implementados recursos de acessibilidade, existe uma maior propensão para os outros componentes implementarem também, portanto podemos dizer que se cria um ciclo de implementação (Henry,2018).

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Quando os agentes de utilizador suportam um determinado recurso de acessibilidade, há uma grande probabilidade de os utilizadores exigirem isso, o que leva tendencialmente, os programadores a implementá-lo no conteúdo. Por exemplo, se os programadores implementarem um determinado recurso de acessibilidade no seu conteúdo, geralmente será exigido que a ferramenta de criação facilite a implementação, e por sua vez quando as ferramentas de autor facilitam a implementação de um recurso, os programadores têm maior tendência a inseri-lo no conteúdo, e consequentemente quando um recurso de acessibilidade é implementado, na maior parte dos conteúdos, é mais provável que os programadores e os utilizadores exijam que os agentes de utilizador os suportem (Henry, 2018).

Quando um dos componentes é fraco, ou seja, um recurso de acessibilidade não é implementado num componente, resulta na falta de interesse por parte de outros componentes, em implementá-lo, uma vez que, não origina uma experiência de utilizador acessível.

Figura 3 – Quando um componente é fraco. Retirado de Henry (2018).

Quando um componente tem suporte de acessibilidade fraco, outros componentes poderão compensar através de soluções alternativas. Soluções estas que exigem muito mais esforço e não favorecem a acessibilidade geral. Numa situação em que tenha de se fazer, codificação de marcação diretamente, em vez de recorrer a uma ferramenta, os programadores esforçam-se no sentido de compensar a falta de suporte de acessibilidade nas ferramentas de criação. Por sua vez, pode ser exigido mais esforço aos utilizadores para compensar a falta de

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suporte de acessibilidade em navegadores, media players e tecnologia assistiva e falta de acessibilidade de conteúdo; por exemplo, usando diferentes navegadores ou tecnologias assistivas com o objetivo de superar diferentes problemas de acessibilidade (Henry, 2018).

Na realidade, na maior parte dos casos, não são implementadas técnicas e realizados esforços suficientes com o intuito de superar problemas de acessibilidade e como resultado disso, somos ainda, nos dias de hoje, deparados com a existência de baixa acessibilidade. Para além disso, um baixo suporte de acessibilidade num componente, não pode ser superado de forma razoável por outros componentes, o que leva à inacessibilidade, e consequentemente afeta um grupo de pessoas com deficiências, uma vez que não pode usar um determinado site ou recurso (Henry, 2018).

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