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4.2. Estudo de Caso
4.2.1. Componentes Importantes para o Estudo de Caso
Segundo YIN (2001), para o estudo de caso são especialmente importantes cinco componentes de um projeto de pesquisa:
• As questões de um estudo; • Suas proposições, se houverem; • Suas unidade s de análise;
• A lógica que une os dados às suas proposições; • Os critérios para se interpretar as descobertas;
A seguir será feito um breve comentário a respeito de cada um destes componentes.
4.2.1.1. Questões de Estudo
A forma da questão, como dito anteriormente – em termos de “quem”, “o que”, “onde”, “como” e “por que” – deve fornecer uma chave importante para se estabelecer a estratégia de pesquisa mais relevante a ser utilizada. É mais provável que a estratégia de estudo de caso seja mais apropriada a questões do tipo “como” e “por que” (YIN, 2001).
4.2.1.2. Proposições de Estudo
Cada proposição destina atenção a alguma coisa que deveria ser examinada dentro do escopo de estudo, porém, alguns estudos podem ter uma razão absolutamente legítima para não possuir qualquer proposição.
Essa é a condição – que existe em experimentos, levantamentos e outras estratégias de pesquisa semelhantes – na qual um tópico é o tema da “exploração”. Cada exploração, porém, deve ter uma finalidade. Ao invés de expor proposições, o projeto para um estudo exploratório deve apresentar uma finalidade e os critérios utilizados para julgar a exploração como bem sucedida (YIN, 2001).
4.2.1.3. Unidades de Análise
Este terceiro componente fundamental relaciona-se com o problema fundamental de se definir o que é um “caso”.
Como orientação geral, a definição de unidade de análise está relacionada à maneira como as questões iniciais da pesquisa foram definidas. Cada unidade de análise exige um projeto de pesquisa sutilmente diferente e uma estratégia de coleta de dados. Especificar corretamente as questões primárias da pesquisa fornece como conseqüência a seleção adequada da unidade de análise.
Se as questões colocadas não derem preferência a uma unidade de análise em relação à outra, significa que elas estão ou vagas demais ou em número excessivo. Algumas vezes, a unidade de análise pode ser definida de uma maneira, mas o fenômeno que está sendo estudado exige uma definição diferente.
Por fim, para quase todos os tópicos escolhidos, são necessários limites de tempo específicos para se definir o começo e o fim do caso. Todas estas questões precisam ser consideradas e respondidas para se definir a unidade de análise e, por conseguinte, determinar os limites da coleta e da análise de dados (YIN, 2001).
4.2.1.4. Ligando os Dados a Proposições e Critérios para Interpretação das Descobertas
Estes últimos componentes representam basicamente as etapas de análise de dados na pesquisa do estudo de caso, e deve haver um projeto de pesquisa dando base a esta análise.
Normalmente, não há uma maneira precisa de estabelecer os critérios para a interpretação dessas descobertas.
O que se espera é que os diferentes padrões estejam contrastando, de forma clara e suficiente, que as descobertas podem ser interpretadas em termos de comparação de, pelo menos, algumas proposições concorrentes (YIN, 2001).
4.2.1.5. Princípios para a Coleta de Dados
Dos principais princípios de coleta de dados para um estudo de caso, serão destacados dois, muito importantes, ou seja, a utilização de várias fontes de evidência e a manutenção do encadeamento de evidências.
A seguir estas serão discutidas brevemente (YIN, 2001).
Princípio da Utilização de Várias Fontes de Evidência
Qualquer fonte de obtenção de evidências pode e tem sido a única base para estudos inteiros, por exemplo, alguns estudos confiaram apenas na observação participante, mas não examinaram um único documento e, similarmente, há
inúmeros estudos que contaram apenas com registros em arquivos, mas não realizaram entrevistas (YIN, 2001).
Porém, um ponto forte muito importante da coleta de dados para um estudo de caso é a oportunidade de se utilizar muitas fontes diferentes para a obtenção de evidências. A figura a seguir demonstra este método:
Figura 4.2.1.5.1. – Convergência de Várias Fontes de Evidências Fonte: Cosmos Corporation, 1993
O uso de várias fontes de evidências nos estudos de caso permite que o pesquisador dedique-se a uma ampla diversidade de questões históricas, comportamentais e de atitudes, se necessário.
A vantagem mais importante, no entanto, é o desenvolvimento de linhas convergentes de investigação, obedecendo a um estilo colaborativo de pesquisa.
Princípio da Manutenção do Encadeamento de Evidências
Um outro princípio que deve ser seguido, a fim de aumentar a confiabilidade das informações em um estudo de caso, é manter um encadeamento de evidências.
Fato
Registros em Arquivo
Entrevistas Espontâneas
Entrevistas Focais
Entrevistas e Levantamentos Estruturados Documentos
Este princípio baseia-se em uma noção similar àquela utilizada em investigações criminais. O princípio consiste em permitir que um observador externo – o leitor do estudo de caso, por exemplo – possa perceber que qualquer evidência proveniente de questões iniciais da pesquisa leve às conclusões finais do estudo de caso.
Além disso, o observador externo deve ser capaz de seguir as etapas em qualquer direção (YIN, 2001).
O processo deve estar claro o suficiente para assegurar que as evidências apresentadas no relatório do estudo sejam, com certeza, as mesmas que foram coletadas durante o processo de coleta de dados.
Inversamente, nenhuma evidência original deve ser perdida, por descuido ou pela presença de idéias tendenciosas por parte do pesquisador.
Se estes objetivos forem atendidos, o estudo de caso também terá que se dedicar à questão do problema metodológico de determinar a validade do constructo, elevando, por conseguinte, a qualidade geral do caso.