1.4 Organiza¸c˜ao
2.1.4 Comportamento de longo prazo do processo de Markov
Markov
Na maioria das vezes estamos interessados no comportamento de um processo de Markov ap´os um longo per´ıodo de tempo, particularmente se esse compor- tamento se “estabiliza” probabilisticamente. Ser˜ao discutidos trˆes conceitos relacionados ao comportamento de longo prazo, quais sejam: distribui¸c˜oes limite, distribui¸c˜oes estacion´arias e ergodicidade.
Considere uma cadeia de Markov de parˆametro discreto e suponha existir πj sendo a probabilidade de o processo estar no estado j quando o compri-
mento do prazo de execu¸c˜ao do processo tende a infinito. Para tal situa¸c˜ao temos ent˜ao lim
m→∞p (m)
ij = πj, para todo i. Isto ´e, ap´os um longo tempo, a
probabilidade de que o processo esteja no estado j, dado que ele come¸cou no estado i, ´e independente do estado inicial i. Isto significa que Pm se aproxima
de um limite, `a medida que m tende a infinito, a saber, que todas as linhas de Pm tornam-se iguais. Neste caso, as probabilidades {π
de probabilidades de estado estacion´ario ou probabilidades limite da cadeia de Markov.
Considere agora as probabilidades incondicionais de estado ap´os m passos dadas por π(m) = π(0)Pm, Equa¸c˜ao (2.4), isto ´e, π(m)
j = X i π(0)i p(m)ij , ent˜ao: lim m→∞π (m) j = lim m→∞ X i πi(0)p (m) ij = X i πi(0)m→∞lim p (m) ij = X i π(0)i πj = πj X i π(0)i = πj.
Da´ı πj(m) converge para o mesmo limite p(m)ij e ´e independente das proba- bilidades do estado inicial e do parˆametro de tempo m. Quando estas pro- babilidades incondicionais limitantes existem, elas podem ser obtidas como segue.
Da Equa¸c˜ao (2.3), vem lim
m→∞π
(m) = lim m→∞π
(m−1)P. Assim, fazendo π =
(π0, π1, . . . ) representar o vetor limite, temos lim m→∞π (m) = lim m→∞π (m−1) = π, tal que: π = πP. (2.10)
Disto, junto com a condi¸c˜ao de fronteira,P
jπj = 1, podemos obter {πj}.
Estas condi¸c˜oes, bem conhecidas, s˜ao chamadas equa¸c˜oes estacion´arias da cadeia de Markov e sua solu¸c˜ao ´e chamada distribui¸c˜ao estacion´aria. Note que a condi¸c˜ao de fronteira pode ser escrita em nota¸c˜ao vetorial como πe = 1, sendo e um vetor coluna com todos os elementos iguais a 1.
2.1.5
Ergodicidade
Intimamente associado com os conceitos de distribui¸c˜oes limite e estacion´aria est´a a ideia de ergodicidade. A ergodicidade ´e importante na medida em que lida com problemas de determina¸c˜ao das medidas de um processo estoc´astico
X(t) de uma ´unica realiza¸c˜ao, como ´e frequentemente feito em an´alise de sa´ıda de simula¸c˜ao. Um processo estoc´astico X(t) ´e erg´odico, no senso mais geral, se, com probabilidade 1, todas as suas “medidas” podem ser determi- nadas ou bem aproximadas por uma ´unica realiza¸c˜ao, x0(t), do processo. Um
processo estoc´astico ´e erg´odico se o valor esperado ´e calculado “atrav´es da m´edia do conjunto”.
Em geral, n˜ao ´e f´acil mostrar ergodicidade atrav´es de m´etodos diretos. Antes de enunciar os teoremas fundamentais que nos permitir˜ao determinar quando uma solu¸c˜ao para a equa¸c˜ao estacion´aria existir, se uma distribui¸c˜ao limite existe e quando o processo ´e erg´odico ou n˜ao, apresentaremos algu- mas defini¸c˜oes necess´arias para caracterizar cadeias de Markov de parˆametro discreto.
Dois estados i e j se comunicam entre si (i ↔ j) se i pode ser acessado de j (j → i) e j pode ser acessado de i (i → j), ou seja, existem n e m inteiros positivos, tais que a probabilidade de ir do estado i para o estado j em n passos ´e n˜ao nula, assim como, a probabilidade de ir do estado j para o estado i em m passos ´e n˜ao nula.
Uma cadeia ´e chamada irredut´ıvel se todos os seus estados se comunicam, isto ´e, se existe algum nij inteiro positivo, tal que p
(nij)
ij > 0, para todos os
pares (i, j).
O per´ıodo de retorno a um estado k de uma cadeia ´e definido como o maior divisor comum (MDC) do conjunto de inteiros {n} para os quais p(n)kk > 0. Um estado ´e chamado aperi´odico se o MDC do conjunto de valores n definido anteriormente ´e igual a 1, isto ´e, se seu per´ıodo ´e igual a 1. Diz-se que uma cadeia ´e aperi´odica se cada um de seus estados ´e aperi´odico.
Defina fjj(n)como a probabilidade que uma cadeia, come¸cando no estado j retornar para j pela primeira vez em n transi¸c˜oes. Por isso, a probabilidade
de a cadeia retornar sempre a j ´e fjj = ∞
X
n=1
fjj(n).
Se fjj = 1, ent˜ao diz-se que j ´e um estado recorrente. Por sua vez, se
fjj < 1, diz-se que j ´e um estado transiente. Quando fjj = 1, o tempo m´edio
de recorrˆencia, denotado por mjj ´e dado por mjj = ∞
X
n=1
nfjj(n).
Se mjj < ∞, ent˜ao j ´e conhecido como estado recorrente positivo. Se
mjj = ∞, ent˜ao j ´e um estado recorrente nulo.
Defina fij(n), i 6= j, como a probabilidade de a primeira passagem do estado i para o estado j ocorrer em n passos. Ent˜ao, a probabilidade de o estado j ter vindo de i ´e fij =
∞
X
n=1
fij(n).
Existe uma extensa lista de teoremas na literatura que permitem deter- minar a presen¸ca de recorrˆencia em uma cadeia de Markov e calcular o tempo m´edio de recorrˆencia. Os teoremas a seguir, cujas provas s˜ao omitidas, rela- cionam os conceitos de ergodicidade, probabilidades limite e probabilidades estacion´arias para cadeias de estado discreto.
Teorema 2.1
1. Em uma cadeia de Markov de parˆametro discreto irredut´ıvel e recorrente positiva, uma solu¸c˜ao n˜ao-degenerada para as equa¸c˜oes estacion´arias π = πP, πe = 1 sempre existe, quando o vetor π = {πj} ´e tal que
πj = 1/mjj.
2. Se o vetor de probabilidades de partida π(0) ´e um conjunto igual ao
vetor de probabilidades estacion´arias π, a cadeia acima torna-se um processo estoc´astico estacion´ario e, por isso, erg´odico.
3. Se a cadeia ´e aperi´odica, bem como irredut´ıvel e recorrente positiva, ent˜ao o processo ´e erg´odico e possui uma distribui¸cao de probabilidade limite igual `a distribui¸c˜ao estacion´aria.
Note que a existˆencia de uma distribui¸c˜ao limite ´e a condi¸c˜ao mais forte, ergodicidade ´e um pouco mais fraca e a solu¸c˜ao n˜ao-degenerada para as equa¸c˜oes estacion´arias ´e a mais fraca das trˆes condi¸c˜oes.
Teorema 2.2 Uma cadeia irredut´ıvel, aperi´odica ´e recorrente positiva se existe uma solu¸c˜ao n˜ao-negativa do sistema
∞ X j=0 pijxj ≤ xi − 1, para i 6= 0, tal que ∞ X j=0 p0jxj < ∞.