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Atualmente as oportunidades de lazer, entretenimento, aprendizagem e informação ampliam-se cada vez mais, trazendo uma melhor qualidade de vida para a população e a preocupação com a alimentação reflete uma concordância com esse novo padrão, onde o homem quer viver mais e melhor. A preservação do meio ambiente também é refletida por essa busca de qualidade de vida, já que num ambiente deteriorado, a qualidade de vida é muito prejudicada (GIGLIO, 1996).

Giglio (1996) prossegue, afirmando que cada vez mais o ser humano busca contribuir com esse processo, encontrando uma forma de colaboração através de seus hábitos de consumo. A preocupação com as embalagens, a escolha de alimentos saudáveis, sem aditivos químicos, sem contaminantes5, e com uma tecnologia de produção menos agressiva ao meio ambiente, como os produtos orgânicos, vem se intensificando gradualmente e impondo-se como uma nova forma de consumir, onde valores impalpáveis se manifestam e satisfazem o consumidor. Essa postura se manifesta principalmente em países mais estáveis economicamente, como os da Europa e os Estados Unidos, onde a população geralmente tem mais oportunidades de escolha e garantia de sobrevivência.

Lerípio (2000) afirma que, em função dos limites percebidos na relação homem-natureza, o próprio capitalismo industrial, baseado na visão exclusivamente econômica dos recursos naturais, começa a perder fôlego. Conforme análises de

5 Ingredientes e componentes que acumulam-se no organismo, causando efeitos colaterais progressivos e/ou

acadêmicos e empresários, segundo o autor, o capitalismo industrial é uma aberração temporária, não por ser capitalismo, mas porque desafia sua própria lógica ao destruir sua maior fonte de capital que é a natureza e seus recursos. Diante dessa realidade, o autor afirma estar surgindo um movimento mundial que busca conferir o devido valor à natureza e às pessoas e atingir, assim, lucros e vantagens competitivas, aplicando os sólidos princípios capitalistas não somente ao capital financeiro e manufatureiro, mas também a duas formas ainda mais importantes de capital - natureza e pessoas -, sem as quais não há vida nem, portanto, atividade econômica.

2.5.1 O consumidor de alimentos orgânicos

Apesar da conscientização ambiental se apresentar em níveis crescentes no mundo, no Brasil, como na maioria dos países em desenvolvimento, ainda é inexpressivo o número de consumidores verdes no contexto total. Esse fato leva à não configuração de um verdadeiro estímulo à sujeição empresarial ao imperativo ecológico. O consumidor verde seria considerado aquele em cujo poder de escolha do produto, incide, além da questão qualidade e preço, uma terceira variável: o meio ambiente, ou seja, a determinação da escolha de um produto agora vai além da relação qualidade e preço, pois este precisa ser ambientalmente correto, isto é, não prejudicial ao ambiente desde suas etapas de produção até seu consumo final.

De acordo com Layrargues (2000), em pesquisa realizada em 1992, constatou- se que apenas 18% dos brasileiros deixariam de comprar produtos que fossem agressivos ao meio ambiente, em contraste com um percentual de 50% de alemães dispostos a tomar a mesma atitude. Observa-se, de acordo com informações relatadas anteriormente, que apesar da crescente preferência por alimentos

orgânicos, tais proporções se mantém; tanto que Salomão (2004, p.58) afirma que: “...o mercado brasileiro, em 2003, movimentou US$ 200 milhões...” e, Silva e Rocha (2003) diz que as vendas de produtos orgânicos na Europa atingiram um patamar entre US$ 10 bilhões e US$ 11 bilhões em 2003.

Apesar das diferenças de mercado, o crescimento do consumo vem expandindo-se rapidamente. Segundo Harkaly (1998), os maiores mercados produtores e consumidores brasileiros encontram-se nos Estados de São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Espírito Santo. O autor afirma que estes Estados respondem por 70% da produção nacional de orgânicos e, segundo pesquisas do SEBRAE/PR (Serviço Brasileiro de Apoio à Empresa, do Paraná), realizadas em 2002, em média, 53% dos consumidores dos Estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, tem o hábito de consumo de alimentos orgânicos. Feiras orgânicas movimentam em torno de R$ 1 milhão por ano, em cidades como Porto Alegre, Curitiba, Londrina, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Apesar do franco crescimento do consumo, Layrargues (2000) aponta que variáveis como poder de compra e satisfação das necessidades básicas estão acima da consciência ecológica, mostrando a precariedade do consumidor verde, ainda muito dependente destas. Porém, o mesmo autor observa que há um aumento crescente do número de consumidores contrários ao consumo de alimentos com a tecnologia transgênica (Organismos Geneticamente Modificados – OGM), apesar de, em muitos casos, serem dependentes e/ou não terem alternativas para optarem por produtos similares orgânicos.

Segundo Dalrot (2000), com base em pesquisa realizada pelo IBOPE em 1998 e, em diversas pesquisas realizadas pelo mundo, os consumidores de alimentos

orgânicos consomem estes produtos pelos seguintes motivos: preocupação com a saúde; vontade de participar da proteção ao meio ambiente e a busca por sabor e frescor nos alimentos consumidos.

a) Motivação Saúde: Principal motivação dos consumidores de alimentos orgânicos: a preocupação com a saúde. Eles aspiram por uma alimentação mais saudável, natural e equilibrada.

b) Busca do Sabor: Outra preocupação: encontrar o gosto autêntico dos alimentos, o sabor das frutas, legumes, carnes provenientes de animais criados soltos, sem antibióticos e hormônios de crescimento, produtos preparados sem o uso de aromas artificiais, conservantes e corantes. c) Meio Ambiente: O consumidor brasileiro está disposto a pagar mais caro por um produto que não polui o meio ambiente. Uma faixa de 68% do universo pesquisado pelo IBOPE fez essa afirmativa. Os consumidores cidadãos estão preocupados com a preservação do planeta e desejam protegê-lo.

Bentley (2003) afirma que os consumidores podem usar seu poder de compra para modificar as condições do mercado, ao preferir produtos “verdes”6 ou demandar mudanças na maneira que os produtos são feitos ou usados. Governos, por meio de políticas públicas, podem também ter um grande impacto na implementação de infra- estrutura que facilite as escolhas verdes do consumidor. “A chave para minimizar os efeitos ambientais do consumo não é necessariamente consumir menos, mas consumir diferente”.(BENTLEY, 2003,p.1)

O aumento do número de consumidores verdes na sociedade depende de investimento pesado em campanhas de educação ambiental por parte do setor empresarial, como forma de antecipar a responsabilidade do Estado (LAYRARGUES, 2000).