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RAS mmol/L 1/

4.4.2 Comportamento do solo no tratamento (T2) irrigação alternada

As características do solo monitorado no T2, irrigação alternada (3x/sem), encontram- se na tabela 4.12 abaixo, cujos dados foram obtidos a partir de seis análises, feitas de janeiro a novembro de 2012, utilizados para cálculos do potencial de sódio trocável (PST) e para a razão de adsorção de sódio (RAS).

Tabela 4.12 – Parâmetros do solo monitorados no T2 - jan a nov/12 – Pendências–RN

T2

Parâmetros *Jan/12 Mai/12 Jun/12 Set/12 #Out/12 **Svnov

Cálcio (cmolc.dm-3) 2,96 3,5 5,0 8,0 11,1 8,0 Cond. Elétr.Ext.Sat(dS.m-1) 0,25 0,23 0,25 2,81 4,96 0,4 Hidr + Al (cmolc.dm-3) 2,28 1,9 1,8 1,8 0 3,6 Magnésio (cmolc.dm-3) 0,85 1,5 3,2 4,5 2,7 4,7 pH em água (1: 2,5) 5,6 5,6 5,6 5,6 7,0 5,6 Potássio (cmolc.dm-3) 1,44 0,46 0,29 0,23 0,29 0,35 Sódio (cmolc.dm-3) 0,29 1,00 1,68 1,87 1,87 0,46

A condutividade elétrica associada ao pH e ao PST determinaram as características para classificação do solo em estudo, cujos valores estão demonstrados na tabela 4.13, a profundidade de 0-20 cm.

Tabela 4.13 - Classificação do solo quanto à salinidade no T2, de acordo com Richards (1954), no período - jan a nov de 2012 - Pendências – RN

Meses/2012 C.E. (dS/m-1) PST (%) pH Classe/Solo

Jan* 0,25 3,70 5,6 Normal Maio 0,23 5,50 5,6 Normal Junho 0,25 16,52 5,6 Sódico Setembro 2,81 11,40 5,6 Normal Outubro 4,96 11,72 7,0 Salino Nov (Sv)**8 0,37 2,7 5,6 Normal Fonte: a autora (2013)

De acordo com a condutividade elétrica registrada no T2 percebe-se um aumento considerável entre setembro e outubro, que chegou a 4,96 dS/m-1, o que se percebe a influência da alta evaporação e a ausência total de chuvas no período, haja vista a última chuva ter ocorrido em julho 12 mm, que contribuiu para o aumento da concentração de sais no solo.

O comportamento do pH no tratamento T2 mostrou-se sem alterações (ácido) ao longo de quase todo experimento, chegando a neutralidade em outubro, último mês de análise nesta fase do capim irrigado em dias alternados; verificou-se na análise do solo virgem que o pH ácido é característico da área, pois, comportou-se tal qual verificado antes do lançamento do esgoto (5,6), e ainda manteve esse padrão em 4 meses de irrigação; a acidez potencial (H+Al) teve uma leve redução ao longo da fase e totalmente anulada no final da pesquisa em outubro (tabela 4.12).

Os dados de classificação quanto à salinidade do solo no T2 coadunam com os resultados da estatística (tabela 4.5) e confirmam o melhor tratamento com irrigação alternada; o aumento dos valores do PST com o tempo é observado na literatura tanto para irrigação com água ou com efluente (BALKS, et al. 1998, citado por SANTOS, 2004). Um fato curioso foi relatado por Santos de que a maior média de PST registrada em seu trabalho

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foi no solo irrigado com água (primeiro mês), maior do que nas parcelas irrigadas com efluente.

A tabela 4.14 mostra os valores da razão de adsorção de sódio do extrato de saturação do solo, registrados durante a fase do tratamento com irrigação alternada, que revelam uma certa estabilidade durante os meses do ciclo T2F única, não havendo nenhum grau de restrição até o final da pesquisa. O solo virgem permaneceu com RAS inalterada, 0,6 mmol/L, em janeiro e em novembro.

Tabela 4.14 – Valores da RAS do extrato de saturação do solo registrados em T2 - jan a nov de 2012 - Pendências–RN

T2 **Sv

Meses/12 Jan*3 Mai Jun Set Out Nov

RAS mmol/L1/2

0,6 2,0 2,6 2,3 2,3 0,6

Fonte: a autora (2013) *antes do efluente **final da pesquisa Sv - solo virgem

No T2 a matéria orgânica aumentou em 212,5%, passou de 0,8 g.kg-1 para 2,5 g.kg-1 demonstrando que o esgoto é uma fonte de elementos importantes e não um grande problema ambiental; a incorporação de matéria orgânica ao solo favorece a infiltração da água (AYERS; WESTCOT, 1991), mantém a estrutura do solo e devolve alguns nutrientes utilizados pelas culturas, em longo prazo. Entretanto, sabe-se que, em grandes quantidades também pode trazer desequilíbrios nutricionais.

A concentração de nitrogênio passou de 0,3 g/dm-3 no início do experimento para 1,3 g.dm-3 ao final da fase T2, deduz-se que houve uma melhoria substancial da fertilidade do solo com aumento de 333%; esse percentual mostra que, de fato há contribuição importante do nitrogênio lançado pelo efluente no solo (tabela 4.15).

O potássio teve substancial redução nos teores do início para o final da pesquisa no T2, (tabela 4.15), que pode ter ocorrido pelo fato das plantas o utilizarem no seu sistema nutricional, já que é um elemento absorvido em grandes quantidades pelas raízes.

Uma análise positiva pode ser feita considerando a importância dos macronutrientes N, P, K para as plantas, tendo em vista que se faz necessário à introdução destes na forma de adubo químico para que ocorra uma boa produção em solo onde não é utilizado esgoto no sistema de irrigação.

Segundo Paganini (1997), o potássio é um elemento com grande mobilidade, tanto no solo quanto nas plantas e através de sua mobilidade catiônica pode deslocar o sódio, como também, pode ser deslocado por outros cátions bivalentes e monovalentes.

Tabela 4.15 – Evolução dos nutrientes do solo na área de irrigação alternada T2, antes, durante e no final do experimento – jan a nov de 2012 - Pendências–RN

T2

Nutrientes *Jan/12 Mai/12 Jun/12 Set/12 Out/12 **Sv nov Boro (mg.dm-3) 2,9 5,91 6,52 10,17 11,21 8,7 Cobre (mg.dm-3) 0,39 0,42 0,48 0,58 0,68 0,07 Ferro (mg.dm-3) 28,20 38,60 41,20 53,70 116,70 18,52 Fósforo (mg.dm-3) 1 1 1 1 4,3 1 Manganês (mg.dm-3) 6,1 6,3 8,2 8,3 6,7 5,1 Nitrogênio (g.dm-3) 0,3 0,5 0,6 0,7 1,3 0,7 Potássio mg.dm-3 561 178 113 93 112 139 Zinco (mg.dm-3) 0,57 0,78 0,89 1,05 3,9 1,1 M.orgânica (g.kg-1) 0,8 0,9 1,2 1,8 2,5 0,7

Fonte: a autora (2013) *antes do efluente **final da pesquisa Sv - solo virgem

A Resolução CONAMA nº 420 (BRASIL, 2009), que dispõe sobre critérios orientadores de qualidade do solo quanto à presença de substâncias químicas não estabelece nenhuma referência de valores para os micronutrientes encontrados como: boro, ferro e manganês, deixando suas determinações a critério do Estado, ou seja, são analisados por meio da legislação ambiental estadual.

O zinco e o cobre têm valores orientadores na Resolução acima citada, porém, as quantidades encontradas no solo, nos dois tratamentos, não comprometem a qualidade do mesmo, pois são muito baixas.

Para entender a dinâmica do solo precisa-se tê-lo como um elemento que limpa, transforma, reage, absorve, troca e alimenta, sendo o sistema solo-planta um reator renovável, regido pelas leis da natureza.