Setor VIII Anhanguera/Bandeirantes Dimensão fractal temporal
8.2.12. Comportamento fractal direcional em 1930 e
Em 1930 e 1940 os setores direcionais apresentam características de densificação distintas. A expansão do aglomerado urbano em cada setor direcional, nestas datas, atingiu raios de diferentes distâncias, variando entre 20 a 22 km (Figuras 8.21 e 8.22).
A diferença dos valores de Dd entre o centro e a periferia é grande apenas nos setores Cantareira e Anhanguera/Bandeirantes. Nos demais setores, apesar da intensa oscilação dos valores de Dd nas áreas intermediárias, a diferença entre as áreas centrais e periféricas é baixa, quanto os valores de Dd. Exceção ao setor Castelo Branco/Anhanguera que não apresenta oscilações dos valores intermediários de Dd.
A forma de ocupação observada em 1930 e 1940, para os setores direcionais, retrata uma ocupação heterogênea do espaço entre o centro e a periferia para os setores Cantareira e Anhanguera/Bandeirantes. Oscilações entre áreas densificadas e fragmentadas ocorrem nestes dois setores, porém de forma suave nas áreas próximas ao centro e com magnitude um pouca mais elevadas nas áreas periféricas.
Os setores Zona Leste e Castelo Branco/Anhanguera apresentam densificação homogênea do aglomerado urbano entre as áreas centrais e periféricas, além de baixa oscilação entre áreas fragmentadas e densificadas ao longo dos raios.
Os setores Mauá, Ipiranga, Billings, Santo Amaro/Interlagos apresentam áreas intermediárias bastantes fragmentadas em sua forma de preenchimento do espaço, enquanto que nas áreas centrais o preenchimento é homogêneo. Exceção deve ser feita ao setor Billings que apresenta oscilação entre preenchimento fragmentado e densificado desde as áreas centrais até as áreas periféricas, sendo as oscilação nas áreas intermediárias menores, porém com baixos valores de Dd.
Neste período, os rios Tietê e Pinheiros e seus afluentes situam-se entre as áreas intermediárias e periféricas do aglomerado, tornando estas áreas fragmentadas nos setores Cantareira, Zona Leste, Mauá, Castelo Branco/Anhanguera e Anhanguera/Bandeirantes. O início das obras de retificação e canalização destes canais fluviais permitiu o avanço da ocupação urbana nos trechos concluídos, gerando variação entra áreas densificadas e fragmentadas ao longo dos raios.
A rede de transporte rodoviário implementada nas área centrais e sua menos distribuição nas áreas intermediárias e periféricas influenciou a forma de ocupação e preenchimento dos setores Ipiranga, Billings e Santo Amaro/Interlagos, cuja a densificação é maior nas áreas centrais e os espaços intermediários mais fragmentados que os limítrofes. A influência das redes ferroviária e rodoviária, que forneceram acesso ao litoral, favoreceram o surgimento de núcleos de ocupação nas áreas periféricas do aglomerado.
8.2.13. Comportamento fractal direcional em 1952
A expansão do dos setores direcionais em 1952 atingiu a distâncias de 31 km na maioria dos setores, com exceção dos setores Billings e Santo amaro/Interlagos, cuja o crescimento chegou até o raio de 25 km (Figura 8.23).
As maiores diferenças dos valores de Dd entre as áreas centrais e periféricas são observadas nos setores Cantareira e Ipiranga. Nos demais setores, as diferenças são menores, indicando um preenchimento do espaço mais homogêneo entre as áreas centrais e periféricas. No entanto essa homogeneização é observada ao longo dos raios apenas para os setores Zona Leste e Castelo Branco/Anhanguera. Os setores Mauá e Santo Amaro/Interlagos apresentaram oscilações suaves entre fragmentação e densificação que se acentuam nas áreas limítrofes, apesar da pouca variação dos valores centrais e periféricos de Dd. O setor Billings apresentou grande oscilações nas áreas centrais, enquanto o setor Anhanguera/Bandeirantes apresentou grandes oscilações nas áreas intermediárias, apesar de ambos apresentarem baixos valores de Dd entre as áreas centrais e periféricas.
A heterogeneidade na forma de preenchimento do espaço do setor Cantareira ocorre pela diminuição dos valores de Dd a partir das área intermediárias até as áreas limítrofes. No setor Ipiranga a heterogeneidade ocorre pela queda dos valores de Dd apenas nas áreas limítrofes, assim, ambos os setores apresentam valores elevados de Dd nas áreas centrais.
A conclusão das obras de retificação e canalização dos rios Tietê e Pinheiros (SANTOS, 1958) e afluentes permitiram a expansão do aglomerado, ocupando as áreas da margem do rio Tietê que gerou a fragmentação das área periférica do setores Cantareira e Anhanguera/Bandeirantes. Apesar das obras no rio Pinheiros, os setores Santo Amaro/Interlagos e Castelo Branco/Anhanguera ainda não apresentavam uma densificação nas áreas situadas à margem esquerda deste rio. O setor Castelo Branco/Anhanguera apresentou um preenchimento de ocupação mais homogênea intensificação da rede rodo-ferroviária neste setor. Esta intensificação das vias acesso contribuiu para uma homogeneização do preenchimento das áreas centrais e intermediárias dos setores Zona Leste, Mauá, Ipiranga e Billings. A valorização da terra nas áreas centrais impulsionou a ocupação nas áreas periféricas, expandindo o aglomerado urbano com a incorporação de núcleos mais distantes como Diadema, Mauá e Guarulhos (GONÇALVES, 1994).
8.2.14. Comportamento fractal direcional em 1962
Em 1962, as maiores expansão do aglomerado urbano em relação a 1952 são observadas nos setores Zona Leste, que atingiu 53 km; Santo amaro/Interlagos, 40 km; e Anhanguera/Bandeirantes, 35 km de extensão. Os demais setores permaneceram estáveis ou cresceram no máximo 1 km (Figura 8.24).
A forma de ocupação do aglomerado urbano sofreu alterações em relação à observada em 1952, apenas nos setores que apresentaram crescimento. Os setores Zona Leste, Santo Amaro/Interlagos e Anhanguera/Bandeirantes passaram exibir valores de Dd com grandes diferenças entre as áreas centrais e periféricas. Assim, estes setores demonstraram uma forma de preenchimento heterogênea do espaço. Além da heterogeneidade, o setor Anhanguera/Bandeirantes continuou apresentar oscilações entre a fragmentação e a densificação no preenchimento do espaço, que em 1952 eram apenas observadas nas áreas intermediárias e que, em 1962, se estendem às áreas periféricas. O setor Cantareira, apesar do pouco crescimento, tornou-se ainda mais fragmentado.
Os investimentos em urbanização das vias de acesso pela intensificação do transporte coletivo e da indústria automobilística, permitiu a densificação do preenchimento dos raios centrais e intermediários dos setores Zona Leste, Ipiranga, Santo Amaro/Interlagos, Castelo Branco/Anhanguera. No entanto, as áreas periféricas nestes setores, bem como dos setores Cantareira e Anhanguera/Bandeirantes, se expandem e se tornam mais fragmentadas, em relação a 1952, devido a maior irradiação das vias de acesso. Os setores Ipiranga e Billings não apresentaram aumento na extensão do aglomerado e do preenchimento de ocupação nas áreas periféricas e próximas da rodovia Anchieta, devido a topografia irregular caracterizada por vertentes com elevada inclinação (AB’SABER, 1975).
8.2.15. Comportamento fractal direcional em 1972
Em 1972, os setores Mauá, Billings e Castelo Branco/Anhanguera que não apresentaram crescimento significativo entre 1952 e 1962, já mostram uma extensão do aglomerado até o raio de 42 km, no setor Mauá; até 37 km para o setor Billings; e até 38 km para o setor Castelo Branco/Anhanguera. Os demais setores não manifestaram expansão urbana, em relação a data anterior, digna de ser analisada sob o ponto de vista fractal (Figura 8.25).
O preenchimento do aglomerado urbano teve sua forma alterada para os setores que apresentaram expansão. Nos setores Mauá, Billings e Castelo Branco/Anhanguera aumentaram as diferenças entre os valores de Dd das áreas centrais e periféricas. A diferença é maior nos setores Mauá e Billings, que também apresentam oscilações entre o preenchimento urbano fragmentado e densificado, principalmente nas áreas periféricas. Isto reflete uma ocupação bastante heterogênea na forma de preenchimento do espaço. No setor Billings, esta heterogeneidade é menor nas áreas intermediárias que apresenta valores semelhantes de Dd e baixa oscilação entre a fragmentação e densificação do aglomerado. Para o setor Mauá, entretanto, a heterogeneidade e as oscilações são observadas apenas nos raios periféricos. O setor Castelo Branco/Anhanguera apresentou uma queda acentuada nos valores de Dd apenas nas áreas limítrofes, mantendo uma ocupação homogênea e de pequenas oscilações nas áreas centrais.
Nos setores Cantareira, Ipiranga, Zona Leste e Anhanguera/Bandeirantes apresentaram densificação do preenchimento apenas nas áreas centrais e periféricas, sem alterar a extensão do aglomerado urbano.
A conclusão das obras do sistema de radiais e perimetrais possibilitou um maior preenchimento das áreas marginais aos rios Pinheiros e Tietê, como também facilitou o acesso para áreas extremas do aglomerado urbano, o que permitiu a intensificação da ocupação ao longo das radiais e expandiu a ocupação nas áreas periféricas. Estas alterações foram apresentadas pelos setores Cantareira , Santo Amaro/Interlagos, Ipiranga, Billings, Castelo Branco/Anhanguera e Anhanguera/Bandeirantes. A densificação de ocupação das áreas centrais e intermediárias dos setores Zona Leste e Mauá, não foi influenciada, tanto quanto a fragmentação da área periférica, pela expansão das vias de transporte.
8.2.16. Comportamento fractal direcional em 1996
Em 1996, a maioria dos setores atingiram o crescimento máximo do aglomerado. O setor Cantareira apresentou um pequeno crescimento de 2 km, atingindo o raio de 34 km. O setor Zona Leste apresentou um crescimento de 3 km, atingindo o raio de 55 km, que foi considerado o limite máximo de crescimento do aglomerado urbano da RMSP. O setor Mauá também atingiu um crescimento até o raio de 54 km, porém exibindo vazios urbanos nas áreas periféricas. Os setores Ipiranga e Anhanguera/Bandeirantes não expressaram crescimento do aglomerado em relação a 1972. Os setores Billings, Santo Amaro/Interlagos e Castelo Branco/Anhanguera atingiram, respectivamente, um crescimento até os raios de 44, 48 e 43 km, que foi considerado o crescimento máximo para estes três setores (Figura 8.26).
O comportamento fractal para todos os setores direcionais mostra uma diferença entre os valores de Dd das áreas centrais e periféricas. Esta redução no valor de Dd é observada em maior magnitude nos raios limítrofes. Os setores Zona leste e Castelo Branco/Anhanguera apresentam esta fragmentação das áreas limítrofes sem oscilações dos valores de Dd nas áreas centrais e intermediárias, indicando uma densificação homogênea do espaço nestas áreas. Os setores Mauá, Ipiranga e Santo Amaro/Interlagos demonstraram oscilações ao longo de todos os raios de crescimento,
sendo estas mais suaves nas áreas centrais e intermediárias e mais acentuadas nas áreas limítrofes. Isto retrata uma alternância constante entre a fragmentação e densificação do aglomerado, que demostram grandes contrastes nas áreas limítrofes.
As oscilações entre áreas fragmentadas e densificadas são observadas com grande contraste nos setores Cantareira, Billings e Anhanguera/Bandeirantes. No setor Cantareira, a alternância entre a forma de ocupação mostrou um contraste dos valores de Dd nas áreas intermediárias e limítrofes, acentuando-se nesta última. Nas áreas centrais deste setor, os valores elevados e homogêneos de dimensão fractal revelam uma forma de ocupação densificada. O setor Billings apresentou alternância entre valores elevados e baixos de Dd nas áreas centrais e limítrofes, atenuando o contraste nas áreas intermediárias. A oscilação entre áreas fragmentadas e densificadas ocorre ao longo de todos os raios de crescimento, tornando a forma de preenchimento bastante heterogênea. O setor Anhanguera/Bandeirantes apresenta oscilações entre áreas fragmentadas e densificadas com pequena diferença nas áreas centrais entre o maior e o menor valor de Dd. Esta diferença acentuou-se nas áreas intermediárias e limítrofes, apresentando baixos valores no raio do limite urbano, que retrata um menor preenchimento do espaço nas áreas expandidas.
A intensificação da ocupação do espaço iniciada na década de 70 com os programas de habitacionais, como a autoconstrução e com os loteamentos populares, conduziu à expansão do aglomerado urbano ao limite máximo observado atualmente. Também contribuíram para a expansão, intensificação e a expansão das principais vias de transporte. O preenchimento das áreas centrais é percebido em todos os setores direcionais e o preenchimento das áreas intermediárias é percebido principalmente nos setores Zona Leste, Mauá, Ipiranga, Santo Amaro/Interlagos e Castelo Branco/Anhanguera. Os setores Cantareira, Billings e Anhanguera/Bandeirantes apresentam fragmentação que se iniciam nas áreas intermediárias e aumentam nas áreas periféricas, devido a expansão apresentada nas áreas situadas além a Serra da Cantareira, ao longo dos sistemas de rodovias Imigrantes/Anchieta e Anhanguera/Bandeirantes.
8.2.17. Comportamento fractal direcional em 2001
Em 2001, o setor Anhanguera/Bandeirantes apresentou expansão do aglomerado urbano, atingindo o raio de 44 km, considerado o crescimento máximo para este setor. O setor Ipiranga evidenciou um crescimento de 1 km e os demais setores não alteraram sua extensão em relação a data anterior (Figura 8.27).
O setor Cantareira mostrou uma grande redução na oscilação dos valores de Dd ao longo dos raios, mas a diferença entre os valores centrais e periféricos de Dd continuam em menor magnitude. Isto demonstra um preenchimento do aglomerado heterogêneo entre as áreas centrais e periféricas, no entanto, os valores de Dd declinam a partir dos raios periféricos, o que demonstra uma ocupação homogênea do espaço nas áreas intermediárias. O setor Zona Leste reduziu bastante as diferenças de Dd entre as áreas centrais e periférica, tornando o preenchimento do espaço homogeneamente densificado ao longo dos raios de distância. O setor Anhanguera/Bandeirantes também manifestou diferenças em relação a data anterior, reduzindo as oscilações entre áreas fragmentadas e densificadas nos raios intermediários e limítrofes. No entanto, a diferença entre os valores Dd entre as áreas centrais e periféricas aumentou, mostrando-se acentuada apenas nos raios limítrofes. Os demais setores não apresentaram diferenças em relação nos valores de Dd em relação a data anterior. A diferença observada nos valores de Dd nas áreas periféricas do setor Mauá ocorreu pela variação do uso do solo, devido principalmente aos programas de reurbanização.
A saturação urbana ocorrida na década anterior influenciou as políticas de estímulo ao deslocamento das indústrias pesadas para áreas do interior paulista e para outros estados, ao mesmo tempo que promoveu a descentralização do núcleo central urbano e surgimento de subcentros auto-suficientes, o que promoveu a densificação das áreas periféricas diminuindo as diferenças de ocupação entre as regiões centrais e periféricas. As áreas intermediárias também são beneficiadas e passam apresentar um padrão de ocupação semelhante ao das áreas centrais. Esta forma de ocupação é observada principalmente nos setores Zona Leste, Ipiranga, Santo Amaro/Interlagos. Os setores Cantareira, Mauá, Billings e Anhanguera/Bandeirantes apresentam núcleos de ocupação afastados da área central do aglomerado, como: Francisco Morato, Ribeirão Pires, Riacho Grande, Parelheiros e Cajamar.