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17.1 – Consequências do comportamento sexual dos adolescentes A adolescência como fase de transição é também um período de conflitos e riscos, provocados por comportamentos rebeldes, que os adolescentes adoptam, quer numa incessante busca da identidade, quer pelas «travessuras» que cometem, pela imaginação e até pelas atitudes não raras vezes muito infantis.

A saúde dos adolescentes é um valor a preservar, pelos riscos que correm, fruto por vezes da imaturidade, é muitas vezes comprometida. Os adolescentes adoptam, não raras vezes padrões de risco como; hábitos alcoólicos, consumo de drogas e comportamentos de risco que conduzem a doenças de cariz sexual. A vida sexual é desde a sua essência também traduzida por percalços, quer por uma gravidezes indesejadas quer por doenças de transmissão sexual.

É importante lembrar que o nosso país se encontra muito bem posicionado no que concerne a gravidezes na adolescência, e por consequência também ao nível das doenças sexualmente transmissíveis.

As gravidezes indesejadas deverão ser objecto de prevenção, sabendo-se que os riscos para a criança e para a mãe são menores nas gravidezes desejadas do que nas não planeadas.

As doenças sexualmente transmissíveis geram também inquietação nos jovens, segundo a OMS a propagação do vírus da SIDA e de outras doenças de cariz sexual são a maior ameaça à vida dos jovens nos próximos anos. Ainda se pode afirmar que a ignorância relativa a estas doenças e à sua forma de propagação são à partida um factor de risco. A ignorância dos adolescentes vai para além das doenças, passa por conceitos básicos da própria sexualidade.

É possível então reverter as tendências para aumentar a saúde e o bem-estar dos adolescentes nos próximos anos, investindo na informação e formação em planeamento familiar.

“Em saúde de adolescentes, não basta encarar o risco no âmbito das probabilidades estatísticas. É indispensável procurar entender-se o significado das condutas juvenis, ou seja, desenvolver-se uma forma compreensiva de encarar o fenómeno risco” (Prazeres

Vasco, 1998:23). No seu processo de individuação, o adolescente empreende novas tarefas de exploração, descoberta e aprendizagem. Procuram-se novas referências, adquire-se novo sentido de pertença e traçam-se novos objectivos de vida. É nesta etapa

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nos domínios biológico, psico-afectivo e social (Prazeres Vasco, 1998; Sampaio Daniel, 2006; Sá Eduardo; Allen Gomes, 2007).

Há, contudo, a ter em conta que os comportamentos de risco podem ser encarados pelos próprios, pelos profissionais de saúde e pelos adultos em geral numa dupla perspectiva; potenciando o crescimento e o desenvolvimento pessoal, estimulando a autonomia e, podendo, também, causar danos para a saúde dos adolescentes a curto, a médio ou a longo prazo (Prazeres Vasco, 1998; Marques António et al., 2000; Sampaio Daniel, 2006).

Do exposto, resulta que a conquista progressiva da capacidade de avaliar os prós e contras de comportamentos que abrangem risco é um índex essencial da maturidade individual.

Incentivar e apoiar os jovens adolescentes a assumirem, gradualmente, o controlo e a tomada de decisões sobre a sua própria vida é uma das tarefas que cabe, também, aos profissionais de enfermagem dos cuidados de saúde primários.

O aconselhamento, aplicado numa relação de ajuda, estimula o indivíduo a exprimir-se sobre si próprio. Não se trata de uma consulta clínica efectuada segundo os parâmetros clássicos de colheita de dados, estabelecimento de diagnóstico e elaboração de projecto terapêutico, mas antes de um processo dinâmico mediante o qual se ajuda o adolescente, a lidar com as suas próprias dificuldades e a tentar ultrapassá-las. Para um adolescente, a viabilidade de abandonar um comportamento, que envolve prejuízos, está entranhadamente ligada à probabilidade de que as opções propostas tenham para ele um sentido equivalente ou valor igual (Young Ian, 1995; Prazeres Vasco, 1998; Rodrigues Custódio, 1999; Marques António et al., 2000; Capellá Alfredo, 2003; Sampaio Daniel, 2006; Sá Eduardo, 2007 ).

O processo de aconselhamento de adolescentes deve contemplar a dependência estreita entre condutas individuais e colectivas, fenómenos muito característicos da segunda década da vida. Potenciar os factores protectores individuais é uma faceta crucial da prestação de cuidados antecipatórios e que deve estar presente em todas as interacções com jovens.

17.2 – Sexualidade na adolescência, um risco acrescido para a saúde Em média, os jovens adolescentes que têm relações heterossexuais completas, adiam aproximadamente um ano a adopção de um método contraceptivo fixo. Os jovens têm hoje a percepção de que o preservativo é o protector mais eficaz e seguro contra a infecção. Apesar disso estudos apontam para que cerca de (8%) dos adolescentes

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europeus, com idades compreendidas entre os 15 e os 19 anos, padecem de alguma doença de cariz sexual (Rosa João, 2001).

“Por vezes, parece que andamos a tentar criar uma nova geração de indivíduos imunes, assépticos, eu diria quase anestesiados, longe de todos os perigos, que devem prevenir a velhice sob a pena de virem a morrer” (Prazeres Vasco, 1995:15).

O professor Jean-Pierre Deschamps, citado por Prazeres Vasco (1995:15), diz-nos

“parece que queremos matar a própria adolescência”, de tão exaustivamente

procurarmos afastar os adolescentes de correrem riscos os quais, no fundo, são a própria essência do processo de transformação e de desenvolvimento.

É no entanto evidente que a assistência precoce e os cuidados antecipatórios em saúde dos adolescentes, designadamente no campo da sexualidade, constituem, por si só, um elemento positivo para a saúde e para o bem estar durante a segunda década de vida (Prazeres Vasco, 1998; Lamas Dulce et al., 2000; Sampaio Daniel, 2006). “Fazer

educação sexual, é estimular um novo masculino e um novo feminino, dar aos jovens de ambos os sexos a possibilidade de assumirem os seus próprios passos e, através do reforço da auto-estima, da assertividade e da resiliência, poderem manusear os riscos do seu percurso com prejuízo mínimo para a saúde” (Prazeres Vasco,1995:18).

A actividade sexual na adolescência, podendo ser gratificante, pode também acarretar graves consequências à vida dos jovens. As grandes preocupações que giram em torno da actividade sexual precoce e desprotegida são essencialmente a gravidez não desejada e as doenças sexualmente transmissíveis agora, sob uma ameaça maior como é o caso da infecção por HIV.

Muitas das adolescentes acreditam que o risco de engravidar não é muito grande , mesmo que isso aconteça às suas amigas (Menezes Isabel 1990). Segundo a mesma autora, citando um estudo de Sorensen (1973), (50%) das adolescentes sexualmente activas acreditavam que, se não desejassem nunca engravidariam, mesmo não usando métodos contraceptivos.

Contudo, a investigação vem demonstrar o contrário, Moor (1992), referido por Frasquilho M. Antónia (1996), verificou que, a gravidez indesejada nas adolescentes foi de 87% dos casos contra 79% nos anos de 1970 e 1980. Nos Estados Unidos, cerca de uma em cada dez adolescentes fica grávida todos os anos (Wilson e Henshaw, 1995 referidos por Papalia & Olds, 2000).

A gravidez durante a adolescência coloca inúmeras questões, quer em termos físicos, quer em termos psicológicos e em termos sociais: em termos físicos, o corpo ainda não atingiu o completo desenvolvimento e maturidade; em termos psicológicos, também ainda