8.1 RECEBIMENTO, EXTRAÇÃO E TRATAMENTO DO CALDO SEÇÃO 400
11.1.1 Composição da mão de obra e encargos sociais
No Brasil ao contrário do que ocorre em muitos países a mão de obra é contratada por hora de trabalho e têm na legislação trabalhista a obrigatoriedade de pagar-se o referente a um mínimo de 220 horas por mês. Assim mesmo que o funcionário tenha trabalhado um tempo inferior ao definido como mínimo, mas esteja à disposição da empresa todo o tempo definido em contrato e legalmente, ele continua e ter direito ao pagamento das 220 horas (IGEPP, 2018).
De acordo com a legislação trabalhista brasileira no cálculo dos custos da mão de obra além do valor referente ao contrato devem ser inclusos os gastos com encargos sociais, no qual o pagamento é tanto de responsabilidade do empregador quanto do empregado. Assim, o custo da mão de obra se alude a fração equivalente ao trabalho realizado pelos funcionários sobre o custo total dos produtos comercializados incluindo-se os gastos com salários e encargos sociais como INSS, FGTS, férias, 13º salário, vale transporte e acréscimos.
11.1.1.1 INSS
O Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) é um órgão do Ministério da Previdência Social e o responsável pelo pagamento da aposentadoria e outros benefícios ao trabalhador brasileiro, ou seja, o pagamento deste encargo tem por finalidade garantir que o trabalhador receba a aposentadoria (CAIXA, 2018).
Este encargo social é de direito do trabalhador e tanto a empresa quanto o empregado devem pagar mensalmente um percentual para o INSS. O recolhimento deste benefício é de responsabilidade da empresa que deve pagar 20 % (INSS patronal) sobre o total das remunerações pagas aos trabalhadores. A alíquota de dever do trabalhador é descontada diretamente na folha de pagamento e o desconto varia de acordo com o salário do contribuinte (ENDEAVOR, 2015).
TABELA 38 - CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO PARA PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO PARA EMPREGADO, EMPREGADO DOMÉSTICO E TRABALHADOR AVULSO 2018.
Salário de contribuição (R$) Alíquota
Até 1399,12 8 %
De 1399,13 até 2331,88 9 %
De 2331,88 até 4663,75 11 %
FONTE: ENDEAVOR (2015).
11.1.1.2 FGTS
O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) é de obrigação da empresa, devendo ser depositado todo mês em nome do empregado, incidindo também sobre férias 13º salário e aviso prévio. Seu objetivo é auxiliar o trabalhador caso ele seja demitido (ENDEAVOR, 2015).
A alíquota de desconto corresponde a 8 % do salário nominal, quando se trata de um menor aprendiz a alíquota se reduz para 2 % e no caso de demissão sem justa causa o empregador deve pagar uma multa ao funcionário em 40 % dos depósitos efetuados ao FGTS no período de trabalho. A empresa deve informar mensalmente no holerite o valor depositado na conta do beneficiado (ENDEAVOR, 2015).
11.1.1.3 13º Salário
O 13º salário corresponde a uma gratificação salarial que é paga ao empregado todo final de ano, independentemente da remuneração a que fizer jus. Este benefício é referente ao mês trabalhado, ou fração do mês igual ou superior a 15 dias, sendo o valor do 13 º salário correspondente a 1/12 avos de cada mês trabalhado (FERREIRA, 2017; GUIA TRABALHISTA, 2016).
Os adicionais noturnos, horas extras, insalubridade e comissões devem ser considerados no cálculo do 13º salário, contudo as faltas justificadas não devem ser levadas em conta no cálculo (FERREIRA, 2017).
De acordo com a Lei 4.749 de 12/08/1965 o pagamento pode ocorrer em duas parcelas, sendo que a primeira corresponde a um adiantamento e deve ser paga entre fevereiro e novembro correspondendo à metade do salário recebido no mês anterior e a segunda parcela deve ser paga até dia 20 de dezembro.
11.1.1.4 Férias
As férias representam um período de descanso anual a que todo funcionário tem direito após o exercício do trabalho na empresa pelo período de um ano denominado período aquisitivo. As férias podem ter duração de até 30 dias sendo de responsabilidade da empresa definir o período e comunicar ao funcionário com antecedência, contudo, se o funcionário apresentar faltas sem justificativa este número é decrescido dos 30 dias de férias (BIGARELLI, 2016).
O funcionário que se encontra no período de férias deve receber remuneração normalmente acrescido no valor de 1/3 sobre o seu salário. O período de férias pode ser reduzido de 30 para 20 dias por meio do abono peculiar (venda das férias), onde o trabalhador descansa 20 dias e trabalha 10 de forma remunerada. O pagamento deste período deve ocorrer até dois dias antes do início das férias (BIGARELLI, 2016).
11.1.1.5 Acréscimos ao Salário
Os acréscimos ao salário se darão para funcionários que exerçam suas funções no período noturno, aqueles que executem tarefas consideradas perigosas ou além do horário de expediente.
O adicional noturno é garantido pela Constituição Federal no artigo 7º, inciso IX e estabelece que é direito de todo trabalhador que execute suas atividades no período compreendido entre as 22h da noite e as 5h do dia seguinte um acréscimo de 20 % sobre a hora de trabalho diurno e em caso de trabalhadores rurais esse acréscimo é de 25 %. Esse acréscimo deve ser considerado no cálculo de encargos sociais como FGTS, INSS, 13º e férias (EGESTOR, 2017).
Em casos que o trabalhador tenha que cumprir hora extra, ou seja, permanecer em local de trabalho por um período maior que a cargo horaria de trabalho, estas não devem ultrapassar 2 horas diárias sob o acréscimo de 50 % sobre a hora normal (GUIA TRABALHISTA, 2016).
De acordo com a Constituição Federal artigo 7, inciso XXII todo trabalhador que durante seu turno de trabalho esteja exposto a atividades ou operações
perigosas, ou seja, tenha contato permanente com agentes inflamáveis ou cm explosivos em condições de risco acentuado deve receber um adicional de 30 % sobre o salário sem os acréscimos resultantes de gratificações (PEREIRA, 2017).
11.1.1.6 Vale Transporte
O vale transporte concebe benefício no qual o empregador antecipará ao trabalhador para custear despesas relacionadas ao deslocamento residência- trabalho e vice-versa, como estabelecido pela Lei nº 7.619. Contudo, a lei, por sua vez, não estabelece uma distância mínima para a qual seja obrigatório o fornecimento de vale transporte, assim, empregados que utilizem transporte coletivo por menor que seja a distância devem receber o beneficiado por parte do empregador (GUIA TRABALHISTA, 2015).
11.1.1.7 Refeição
Segundo a legislação, não é de obrigação da empresa fornecer refeição ao empregado, no entanto a NR-24 exige a existência de um refeitório caso haja mais de 300 funcionários. Se os funcionários residirem em outra cidade, pode ser negociada no contrato a possibilidade do fornecimento de refeições.
11.1.1.8 Treinamentos
O empregador tem como responsabilidade a integridade física e mental do empregado desde a sua residência até as áreas de dependência da empresa, dessa forma os treinamentos de segurança e de manuseio dos equipamentos durante o exercício do trabalho, é custeado pelo empregador.
11.1.1.9 EPC‟s e EPI‟s
Os fornecimentos dos equipamentos de proteção individuais e coletivos são de responsabilidade do empregador, assim como a fiscalização e orientação do uso, treinamento, substituição ao ser danificado e higienização dos mesmos, segundo as leis trabalhistas.