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Composição da Parcela A

No documento Tarifas de energia elétrica no Brasil. (páginas 42-47)

5. AS TARIFAS DE ENERGIA ELÉTRICA NO BRASIL

5.3. REAJUSTE TARIFÁRIO

5.3.1. Composição da Parcela A

A Parcela A contempla os custos não-gerenciáveis da empresa, ou seja,

valores ao qual a empresa não tem controle. São eles: encargos setoriais, custos com transporte da energia e energia comprada para revenda, conforme tabela demonstrativa abaixo:

Tabela 2 – Fonte ANEEL – elaboração própria

ENCARGOS SETORIAIS Reserva Global de Reversão - RGR

Conta de Consumo de Combustíveis Fósseis - CCC Conta de Desenvolvimento Energético - CDE

Compensação Financeira pela Utilização de Recursos Hídricos - CFURH Taxa de Fiscalização de Serviços de Energia Elétrica - TFSEE

Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia - PROINFA Encargo de Serviços do Sistema - ESS

Pesquisa & Desenvolvimento - P&D Operador Nacional do Sistema - ONS

CUSTO COM TRANSPORTE DE ENERGIA Uso das Instalações de Conexão

Uso das Instalações da Rede Básica e Demais Instalações de Transmissão - DIT Contrato de Uso das Instalações da Rede de Distribuição - CUSD

Transporte de Energia de Itaipu

Montante de Uso do Sistema de Transmissão - MUST

COMPRA DE ENERGIA ELÉTRICA PARA REVENDA Contratos Bilaterais

Contratos de Itaipu Contratos de Leilões

5.3.1.1. Encargos setoriais

Os encargos setoriais são custos não-gerenciáveis pelas concessionárias de distribuição de energia elétrica, sendo definidas por leis e os seus valores são estabelecidos pelo órgão regulador. O nome encargos setoriais deve-se ao fato de serem recursos arrecadados dos consumidores, pelas distribuidoras, e serem destinados ao próprio setor de energia elétrica, mas não estão ligados diretamente à operação e manutenção do sistema elétrico. Abaixo breve definição de cada encargo.

Reserva Global de Reversão - RGR: encargo instituído pela Lei nº. 41.019, de 26 de fevereiro de 1957, com o intuito de formar provisões, em favor da União, no caso da assunção da mesma dos saldos não depreciados dos ativos revertidos ao término das concessões. Tem como objetivo, também, subsidiar fontes alternativas de energia elétrica. Segundo a Lei nº 10.438, de 26 de abril de 2002, a RGR será arrecadada pelas concessionárias até o final do ano de 2010. Em 31 de dezembro de 2010 foi publicada a Medida Provisória nº 517 que prorrogou este encargo por mais 25 anos, ou seja, término somente em 2035.

Conta de Consumo de Combustível - CCC: encargo instituído pela Lei nº. 73.102, de 07 de novembro de 1973. É destinado ao subsídio de combustíveis (óleo combustível, óleo diesel, carvão) para geração de energia termoelétrica, nos sistemas isolados (Amazônia). Este custo é rateado por todos os consumidores do país, e visa garantir o abastecimento de energia elétrica no norte do País, devido ao alto custo das fontes termelétricas.

Conta de Desenvolvimento Energético - CDE: encargo instituído pela Lei nº. 10.438, de 26 de abril de 2002. Tem como destino a promoção da competitividade das fontes alternativas (eólica, biomassa, pequenas centrais hidrelétricas, carvão mineral, gás natural). Parte dos recursos é utilizada para promover a universalização da energia elétrica no Brasil.

Compensação Financeira pela Utilização de Recursos Hídricos - CFURH: estipulada pela Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989, tem como objetivo compensar financeiramente aos Municípios, Estados e Distrito Federal pela área alagada pelas usinas hidrelétricas e consequentemente uma não utilização econômica da terra alagada.

Taxa de Fiscalização de Serviços de Energia Elétrica - TFSEE: encargo instituído pela Lei nº. 9.427, de 26 de dezembro de 1996, destinado à cobertura orçamentária do órgão regulador.

Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica - PROINFA: encargo instituído pela Lei nº. 10.438, de 26 de abril de 2002, para incentivo à maior participação de fontes de energia alternativa (energia eólica, biomassa, pequenas centrais hidrelétricas) na geração de energia elétrica.

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Encargo de Serviços do Sistema - ESS: encargo destinado a cobrir os custos de geradores aptos a gerar energia elétrica, porém, por alguma restrição no sistema de transmissão, não foram despachados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico - ONS. Esses valores são apurados mensalmente, pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica - CCEE, quando da contabilização da energia gerada e consumida, pelos diversos agentes de mercado, dentro de cada mês e rateados entre todos os consumidores.

P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) e Eficiência Energética: Instituído pela Lei nº. 9.991, de 24 de julho de 2.000, posteriormente alterado pela Lei nº 11.465, de 28 de março de 2007, instituiu a obrigatoriedade das concessionárias e permissionárias de distribuição de energia elétrica de investirem no mínimo 0,50% de sua receita operacional líquida para Pesquisa & Desenvolvimento e outros 0,50% para Eficiência Energética.

Operador Nacional do Sistema - ONS: encargo relativo à cobertura de despesas originadas das atividades operacionais desenvolvidas pelo ONS.

5.3.1.2. Custo com transporte de energia

Abaixo uma breve descrição dos custos com transporte de energia:

Uso das Instalações de Conexão: custo referente ao uso, por parte das concessionárias de distribuição de energia elétrica e demais acessantes, das conexões com a Rede Básica de transmissão de energia elétrica, assim denominadas as linhas de transmissão e subestações, com tensão igual ou superior a 230 kV.

Uso das Instalações da Rede Básica e Demais Instalações de Transmissão - DIT: custo que deve ser pago pelas concessionárias de distribuição e demais acessantes, para as transmissoras, pelo uso da Rede Básica de transmissão do sistema interligado e das Demais Instalações de Transmissão - DIT, como são denominadas as linhas de transmissão e subestações, com tensão entre 88 kV e 230 kV, mas com função de Rede Básica.

Contrato de Uso das Instalações da Rede de Distribuição - CUSD: custo relativo ao uso da rede de distribuição de outra concessionária de energia.

Transporte de Energia Elétrica de Itaipu: custo referente ao transporte da energia de Itaipu, pelo montante de demanda de potência (MW) transportada.

Montante do Uso do Sistema de Transmissão - MUST (ITAIPU): as concessionárias que detém “quotas-partes” de Itaipu devem pagar pelos Encargos de Uso da Rede Básica atribuídos à Itaipu Binacional, sendo esses encargos ponderados pelas suas respectivas “quotas-partes”.

5.3.1.3. Compra de energia elétrica para revenda

A compra de energia elétrica por parte das concessionárias só pode ser efetuada através de leilões promovidos pelo Ministério de Minas e Energia - MME, ou por sua delegação, usualmente à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica - CCEE, conforme diretrizes estabelecidas para cada leilão. As distribuidoras de energia elétrica, exceto às com mercado de fornecimento inferior a 500 GWh/ano, localizadas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste são obrigadas a comprar energia elétrica proveniente de Itaipu, de acordo com rateio proporcional do seu mercado de fornecimento em relação ao mercado total. Essa obrigatoriedade tem origem no Tratado de Itaipu.

No cálculo da receita requerida para a concessionária de distribuição de energia elétrica, é considerada a energia requerida, ou seja, a soma de energia do seu mercado de fornecimento cativo, mais o eventual suprimento de energia elétrica a outra concessionária e as perdas de energia ocorridas na rede básica e na sua rede de distribuição, bem como perdas comercias. A ANEEL define, distribuidora por distribuidora, qual o limite aceitável dessas perdas. Isso faz com que as distribuidoras sejam extremamente criteriosas com esse balanço energético, já que a energia excedente a 103% da sua necessidade não terá cobertura tarifária e uma contratação inferior a 100% ensejará penalidades, sem cobertura tarifária, ou seja, prejuízo dos acionistas.

Os contratos de compra de energia são classificados conforme a seguir:

Contratos Bilaterais: são os contratos de livre negociação entre os agentes compradores e vendedores de energia elétrica, anteriores à Lei 10.848/04. A partir da publicação da Resolução Normativa nº 167, de 10 de outubro de 2005, a comercialização da energia oriunda de Geração Distribuída, com tarifas reguladas pela ANEEL, passaram a ser todas registradas na CCEE.

Contratos de Leilões: contratos de comercialização de energia elétrica através de leilões públicos.

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