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Composição de Indivíduos Presentes no Sistema Plantio Misto

3.1 RESULTADOS DAS AVALIAÇÕES DO COMPONENTE ARBÓREO

3.1.1 Composição de Indivíduos Presentes no Sistema Plantio Misto

As espécies plantadas no sistema e sua caracterização principal contendo seu nome comum, nome científico, família botânica e classe sucessional de acordo com a descrição da classificação de Lorenzi (1992; 1998) e Carvalho (1994) estão listadas na Tabela 1, onde estão apresentados os resultados de sobrevivência.

Para a avaliação do primeiro ano de plantio o percentual de sobrevivência das espécies nativas são semelhantes aos resultados apresentados por Luchesse et al. (2005). Os baixos índices de sobrevivência observados para a caroba e a canjerana já eram aguardados, mostrando que essas espécies não são boas para constituir plantios mistos de nativas. O restante das espécies obteve resultados de bons à ótimos de acordo com a divisão por classes de sobrevivência, já explicada na metodologia deste trabalho, na avaliação do 1° ano.

A avaliação de sobrevivência feita no primeiro ano após o plantio demonstra um total de percentual de sobrevivência de 96% do plantio misto de nativas. Assim foi realizado o replantio das mudas que não vingaram, sendo replantadas 23 mudas de canjerana, 16 mudas de caroba, 7 mudas de bracatinga, 5 mudas de farinha seca, 3 mudas de cedro, 2 mudas de ipê roxo, e uma muda de marmeleiro, ipê amarelo e louro.

Também sobre a avaliação do 1° ano, as classes sucessionais secundária tardia e secundária inicial apresentaram os menores níveis de sobrevivência em comparação com as espécies pioneiras.

Na avaliação do 1° ano a classe sucessional das espécies pioneiras foi a classe que obteve maior percentual de sobrevivência, o que reitera o comportamento amplamente conhecido da dinâmica sucessional dessas espécies, que apresentam um rápido crescimento, e uma boa sobrevivência, a pleno sol. Essas espécies preferem um dossel completamente aberto, recebendo radiação direta em pelo menos parte do dia.

Tabela 1 – Classificação de espécies plantadas no sistema plantio misto de acordo com seu nome comum, nome científico, família e classe sucessional, e seus respectivos percentuais de sobrevivência avaliados no primeiro e nono ano após o plantio, no município de Augusto Pestana/RS (IRDeR/DEAg/UNIJUÍ, 2013)

Nome comum Nome científico Família Classe

sucessional ni plantadas ni presentes % Sobrevivência 1° ano 9° ano Espécies Plantadas

Marmeleiro bravo Ruprechtia laxiflora Meissner Polygonaceae Secundária tardia 32 20 97 63 Farinha seca Machaerium stipitatum (DC.) Vogel Fabaceae –

faboideae

Secundária inicial 32 12 84 38 Açoita cavalo Luehea divaricata Mart. Malvaceae Secundária inicial 35 33 100 94 Angico vermelho Parapiptadenia rigida (Benth.) Brenan Fabaceae –

mimosoideae

Secundária inicial 32 19 100 59 Canafístula Peltophorum dubium (Spreng.) Taubert Fabaceae –

caesalpinioidae

Secundária inicial 33 29 100 88 Canjerana Cabralea canjerana (Vellozo) Mart Meliaceae Secundária tardia 34 2 32 6

Cedro Cedrela fissilis Vellozo Polygonaceae Secundária tardia 32 5 91 16

Ipê amarelo Hadroanthus albus (Cham.) Mattos Bignoniaceae Secundária tardia 32 17 97 53 Ipê roxo Hadroanthus heptaphyllus (Mart.) Mattos Bignoniaceae Secundária tardia 32 25 94 78 Louro pardo Cordia trichotoma (Vell.) Arráb. ex Steud. Boraginaceae Secundária inicial 32 26 97 81

Caroba Jacaranda micrantha Cham. Bignoniaceae Pioneira 32 5 50 16

Guajuvira Cordia americana (L.) Gotts.&J.E.Mill. Boraginaceae Secundária tardia 36 34 100 94 Bracatinga Mimosa scabrella Bentham Fabaceae –

mimosoideae Pioneira 1200 24 99 2 Sub-total 1594 251 96 16 Classes sucessionais Secundária inicial 164 119 96 73 Secundária tardia 198 103 85 52 Pioneira 1232 29 98 2 Total 1594 251 96 16 Fonte: Manjabosco (2013).

De acordo com a divisão por classes de sobrevivência para a avaliação do 9° ano de plantio, as espécies que alcançaram valores maiores que 75% de sobrevivência e pertencem a classe I são o açoita cavalo, canafístula, ipê roxo, louro pardo e guajuvira, sendo estas consideradas com um ótimo percentual de sobrevivência. Carvalho (1994) apresenta para essas espécies em plantio com cinco anos ou mais valores de sobrevivência sempre acima de 70%.

Dentro da classe II estão as espécies marmeleiro bravo, angico vermelho e ipê amarelo, sendo classificadas como de boa sobrevivência. De acordo com Carvalho (1994), as mesmas apresentados valores de sobrevivência variados dependendo da região.

Na classe III encontramos a farinha seca que apresentou um regular percentual de sobrevivência e na classe IV, encontram-se a canjerana, cedro e caroba. Carvalho (1994) apresenta dados de sobrevivência acima de cinco anos de idade para a canjerana que vão corroboram com o percentual encontrado no sistema, sendo que esta espécie apresenta valores de sobrevivência considerados ruins. Para a espécie caroba o mesmo autor não relata dados de sobrevivência. O cedro segundo Carvalho (1994) reflete sua ruim sobrevivência quando atacado pela broca do cedro (Hypsipyla grandella), tal praga pode ter atacado as gemas apicais dos indivíduos dessa espécie, que levou ao desenvolvimento arbustiforme e, em casos extremos, à morte das plantas.

A espécie pioneira bracatinga apresentou um percentual de sobrevivência de 2%, sendo que ainda encontram-se presentes no sistema 25% de árvores mortas, as quais deixaram um valor considerável de material orgânico para incorporação no solo.

De acordo com a classificação de categoria da dinâmica sucessional de cada espécie (CARVALHO, 1994) as espécies consideradas pioneiras seriam a bracatinga e a caroba, sendo que a caroba não apresenta as características de uma pioneira, pois na região estudada enquadraria-se como uma secundária tardia. Segundo Carvalho (1994) na caracterização do grupo sucessional as espécies consideradas secundárias iniciais são o louro, angico vermelho, farinha seca, canafístula e açoita cavalo e as espécies do grupo sucessional secundária tardia são o ipê amarelo, ipê roxo, guajuvira, canjerana, marmeleiro e o cedro, de acordo com a tabela 1 que apresenta os percentuais de sobrevivência levando em consideração a classificação de cada espécie plantada quanto a sua classe sucessional.

As espécies que representam a classe secundária inicial foram as que apresentaram um maior percentual de sobrevivência do sistema da avaliação no 9° ano, sendo que pertencem a essa classe as espécies canafístula, louro, angico vermelho, açoita cavalo e farinha seca.

O percentual de sobreviventes nove anos após o plantio foi de 16%. O decréscimo do percentual de sobrevivência é devido à drástica redução das bracatingas, que em condições locais morrem entre o sexto e o décimo segundo ano, além do manejo previamente descrito para o crescimento as demais espécies.

A morte “precoce” da bracatinga já era esperada, no entanto, aconteceu antecipadamente. Esperava-se que o nível de sobrevivência fosse superior ao verificado no 9° ano após o plantio. Tal fato deve estar ligado ao baixo potencial de adaptação da bracatinga verificado no plantio e já observado em outros efetuados em nossa região. Ao se desconsiderar a bracatinga do sistema, encontra-se um percentual de sobrevivência de 58% no 9° ano das demais espécies presentes no sistema.

No decorrer da contagem das espécies plantadas foram encontradas outras espécies que cresceram espontaneamente nas linhas de plantio, conforme descritas na tabela 2, como a espécie pioneira, Aroeira vermelha (Schinus terebinthifolius Raddi.) com 98 exemplares presentes, Mamica de cadela (Zanthoxylum sp.) com 45 exemplares, Cambará (Gochnatia polymorpha (Less.) Cabrera) com 7 exemplares, Açoita Cavalo (Luehea divaricata Mart.) com 5 espécies, entre outras. Algumas espécies que fazem parte do sistema foram encontradas fora do seu lugar de plantio, as mesmas apresentam um porte reduzido deixando evidente que a sua existência é recente no sistema sendo cinco exemplares de açoita cavalo, um de farinha seca.

A maioria das espécies espontâneas encontradas no plantio misto pertencem à classe sucessional das pioneiras, conforme apresentado na Tabela 2. Destaca-se a espécie pioneira aroeira vermelha que é a de maior ocorrência no sistema atualmente. Tal espécie caracteriza-se com um alto potencial de regeneração natural, como já descrito em Carvalho (1994) que relata que essa espécie é amplamente disseminada principalmente por aves, sendo essa a possível forma de disseminação que ocorreu dentro do sistema estudado.

Tabela 2 – Listagem e classificação das espécies espontâneas presentes no sistema plantio misto de acordo com seu nome comum, nome científico, família e classe sucessional, e seus respectivos números de indivíduos, no município de Augusto Pestana/RS (IRDeR/DEAg/UNIJUÍ, 2013)

Nome comum Nome científico Família Classe

sucessional

ni

presentes Espécies Espontâneas

Aroeira vermelha Schinus terebinthifolius Raddi. Anacardiaceae Pioneira 98 Mamica de cadela Zanthoxylum sp. Rutaceae Pioneira 45 Pessegueiro

brabo

Prunus myrtifolia (L.) Urb. Rosaceae Secundária inicial

1 Pau leiteiro Sapium glandulosum (L.)

Morong

Euphorbiaceae Pioneira 1 Açoita cavalo Luehea divaricata Mart. Malvaceae Secundária

inicial

5 Canema Solanum pseudoquina Solanaceae Pioneira 1 Cambará Gochnatia polymorpha (Less.)

Cabrera

Asteraceae Secundária inicial

7 Chal chal Allophylus edulis (St. Hill.)

Radlk

Sapindaceae Pioneira 1 Fumo brabo Solanum mauritianum Scop. Solanaceae Pioneira 1 Farinha seca Machaerium stipitatum (DC.)

Vogel Fabaceae – faboideae Secundária inicial 1 Sub-total 161 Fonte: Manjabosco (2013).

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