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4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1.2. Compostos nitrogenados

A análise de variância detectou efeito (P<0,01) de tratamentos para a variável proteína bruta (PB), registrando-se valores médios de 1,8; 2,6; 16,9; e 19,0% de PB, respectivamente, para os tratamentos controle, 2,5% de Na2S,

4% de NH3 e 4% de NH3 + 2,5% de Na2S.

O aumento no teor de PB do bagaço tratado com amônia (16,9%) e amônia mais sulfeto de sódio (19,0%) foi atribuído ao nitrogênio não-protéico oriundo da amônia anidra. Percebe-se que valores mais elevados foram verificados, quando o bagaço foi tratado com NH3 + Na2S. Entretanto, o valor

elevado, apesar de diferente estatisticamente, apresentou pequena variação para a variável estudada (Tabela 3). Os resultados do aumento no teor de PB estão de acordo com os verificados por CÂNDIDO et al. (1999), ao submeterem bagaço de cana-de-açúcar ao tratamento com uréia, encontrando valores de 1,2% de PB para o controle e 18,0% de PB para o tratado com uréia 8% de uréia.

Acréscimos no teor de PB, da ordem de 156,3%, foram verificados por FAHMY e KLOPFENSTEIN (1994), ao utilizarem silagem de plantas de milho sem espiga contendo 40,0% de MS tratada com uréia. Ao adicionarem uréia

mais 5,0% de SO2, os autores observaram aumento de 226,7%. Os teores

de

Tabela 3 - Valores médios de proteína bruta (PB), fibra em detergente neutro (FDN), fibra em detergente ácido (FDA), hemicelulose, celulose, lignina e digestibilidade in vitro matéria seca (DIVMS) do bagaço de cana-de-açúcar tratado ou não com amônia anidra (NH3) e, ou,

sulfeto de sódio (Na2S)

Tratamentos Itens  Controle Na2S NH3 NH3 + Na2S PB1 1,8 c 2,6 c 16,9 b 19,0 a FDN1 94,7 a 93,4 a 75,8 c 78,7 b FDA1 61,5 b 63,5 a 56,4 d 58,8 c Hemicelulose1 33,1 a 29,9 b 19,4 c 19,9 c Celulose1 44,8 a 44,3 a 40,8 c 42,2 b Lignina1 15,2 b 17,9 a 13,5 c 14,6 b DIVMS 32,1 b 32,9 b 59,8 a 58,1 a

Médias, na linha, seguidas por uma mesma letra minúscula não diferem pelo teste Tukey a 5% de probabilidade.

1. % na MS.

PB para silagem controle, silagem mais uréia e silagem mais uréia mais SO2

foram de 5,2; 13,4; e 17,1%, respectivamente. Segundo esses autores, a amônia possui alta afinidade com o enxofre, o que acarretou maior retenção de nitrogênio, quando adicionado o dióxido de enxofre.

Resultados semelhantes também foram relatados por REIS et al. (1995b), ao utilizarem 3,0% de NH3 ou 5,4% de uréia na amonização de feno

de palha de arroz e feno de Brachiaria brizanta, obtendo-se valores para PB de 5,9; 12,2; e 18,3% para a palha de arroz e 2,5; 10,8; e 18,0% para o feno de capim-braquiária, respectivamente, para os tratamentos controle, amônia anidra (3%) e uréia (5,4%).

Esta elevação no teor de proteína bruta de forragens amonizadas é relatada na maioria dos trabalhos de amonização. Entretanto, a variação na retenção de nitrogênio aplicado depende de outros fatores, entre os quais o teor de umidade do material merece destaque principal. Forragens com baixa umidade apresentam maiores perdas de nitrogênio por volatilização, pois a amônia possui alta afinidade com a água, o que faz com que permaneça mais ligada ao nitrogênio.

Quando se compararam o bagaço controle e o tratado com sulfeto de sódio, observou-se pequena variação no teor de proteína bruta, a qual pode ser atribuída à procedência do bagaço do tratamento controle, que foi adquirido para a condução do experimento com alimentação das novilhas 10 meses depois do tratamento, e, ou, também à presença de fungos observados no bagaço tratado com sulfeto de sódio.

Verificam-se, na Tabela 4, dados relativos aos compostos nitrogenados (N) totais (NT), N insolúvel em detergente ácido (NIDA) e N insolúvel em detergente neutro (NIDN), registrando-se maiores valores de NIDA para o material tratado com NH3 e NH3 + Na2S e menores para o controle e o tratado

apenas com Na2S. Os valores encontrados foram de 0,13; 0,26; 0,58; e 0,76%

de NIDA para os respectivos tratamentos controle, Na2S, NH3 e NH3 + Na2S. Estes

resultados se assemelham à maioria dos estudos com amonização, que mostram aumento no teor de NIDA, com elevação da dose de NH3.

PAIVA et al. (1995), ao submeterem palhada de milho ao tratamento com doses de 0, 2 e 4% de amônia anidra, verificaram que o teor de NIDA em relação ao nitrogênio total aumentou com a elevação das doses. Os autores relataram ainda correlação positiva (r = 0,71) entre os teores de NT e NIDA/NT, indicando que parte do nitrogênio aplicado à palhada de milho se ligou covalentemente a algum constituinte da parede celular.

Valores mais elevados de NIDN foram detectados, quando o bagaço de cana-de-açúcar foi submetido ao tratamento com NH3 e NH3 + Na2S (Tabela 4).

Os valores encontrados para NIDN foram de 0,28; 0,39; 0,74; e 0,79%, respectivamente, para os tratamentos controle, Na2S, NH3 e NH3 + Na2S.

Observa-se que os valores de NIDN foram muito próximos ao NT, para os tratamentos controle e sulfeto. Isto indica que praticamente todo o nitrogênio presente nos referidos tratamentos, para o bagaço de cana-de-açúcar, se apresentou na forma de NIDN.

Verificaram-se também valores mais elevados de NIDIN/NT para os tratamentos controle e o Na2S, mostrando que o N em quase sua totalidade se

encontra sob esta forma, enquanto menores valores foram observados para NH3 e NH3 mais Na2S (Tabela 4).

LINES et al. (1996) verificaram acréscimo de 15 para 30,8% no valor de NIDN/NT, ao submeterem feno de alfafa com 16% de umidade ao tratamento com 2% de NH3 (base MS), enquanto o teor de NIDA não sofreu

alterações. Resultados variáveis têm sido encontrados, nos quais os fatores mais importantes na alteração dos compostos nitrogenados são doses a serem aplicadas e qualidade do material a ser amonizado.

Tabela 4 - Valores médios de compostos nitrogenados (N) totais (NT), N insolúvel em detergente ácido (NIDA) e N insolúvel em detergente neutro (NIDN) do bagaço de cana-de-açúcar tratado ou não com amônia anidra (NH3) e, ou, sulfeto de sódio (Na2S)

Tratamentos Itens  Controle Na2S NH3 NH3 + Na2S NT1 0,29 c 0,42 c 2,70 b 3,04 a NIDA1 0,13 d 0,26 c 0,58 b 0,76 a NIDN1 0,28 b 0,39 b 0,74 a 0,79 a NIDA/NT2 44,82 b 61,90 a 21,48 c 25,0 c NIDIN/NT2 96,55 a 92,85 a 27,41 b 25,98 b

Médias, na linha, seguidas por uma mesma letra minúscula não diferem pelo teste Tukey a 5% de probabilidade.

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