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5 O TEMPLO CENTRAL DA IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS EM

5.2 COMPREENDENDO A ARQUITETURA DO TEMPLO ENQUANTO FORMA

Junto à programação flexível, há uma liberdade de acesso. O estabelecimento fica sempre aberto e as pessoas podem circular livremente pela nave do prédio. Inclusive, há muitas pessoas que atravessam o quarteirão utilizando as entradas da estrutura religiosa, saindo da Avenida Tristão Gonçalves para a Rua 24 de Maio e vice-versa. Os pedestres utilizam a climatização do local para fazer a travessia, livrando-se do calor do Centro da cidade. Assim, aproveitam a liberdade de acesso para descansarem, sentando-se nas poltronas do templo. Isso é evidentemente, visto que, ao chegar ao local, há reuniões cujos assentos não são ocupados. Além disso, há no templo banheiros e bebedouros disponíveis para qualquer pessoa. Por mais simples que pareça isso auxilia, pois não há banheiros públicos no Centro, precisando aos pedestres usarem banheiros particulares e comprar água de vendedores ambulantes.

A parte restrita da igreja é o estacionamento interno, localizado no subsolo, onde somente pessoas vinculadas à liderança da igreja, ou seja, bispo, pastores e obreiros podem usar. Na entrada desse estacionamento sempre tem vigilância particular que observa a entrada e a saída de veículos. Esse estacionamento tem uma entrada que fica defronte aos banheiros e é monitorado por câmeras de vigilância (Figura 6).

Figura 6 – Estacionamento interno da IURD-TCF.

Outra parte restrita da catedral é o prédio anexo (Figura 7) onde uma das entradas está na parte interior, ao fundo, e a outra entrada se encontra na Avenida Tristão Gonçalves. Neste prédio são realizadas reuniões entre o bispo e pastores. Lá as ordens episcopais são direcionadas aos pastores de outros templos da cidade e da região metropolitana. Acontecem uma ou duas reuniões por semana e, também há, algumas vezes, reuniões destinadas somente às mulheres. Neste prédio, quando um fiel sem cargo eclesiástico ou visitante adentra, é compelido por vigilantes presentes na entrada e se deslocar à entrada principal do templo.

O prédio em anexo, situado à direita da entrada principal, também segue alguns padrões. Podemos exemplificar A escada de acesso, a altura do desnível e a cor negra da base das paredes junto à calçada. Porém, além disso, as semelhanças se dissipam. O prédio possui cores distintas, com estilo arquitetônico mais moderno, portas de vidro na cor azul em estilo espelhado, parecendo ser um prédio comercial. Contudo, os dirigentes fizeram questão de identificá-lo com a igreja, uma vez que este prédio tem uma saída que dá para dentro do templo e, no alto, há uma enorme cruz em dourado, forjado no mesmo estilo do letreiro anterior existente no templo. Neste prédio, há uma recepção e até elevadores para acesso aos andares superiores. Aparentemente, são seis andares, mas não podemos confirmar, pois o acesso, como já dito anteriormente, é restrito.

Figura 7 – Prédio anexo da IURD-TCF.

Como parte da infraestrutura da IURD-TCF, existe também um espaço destinado à “Escolinha Bíblica” para crianças, e um fraldário, além de uma pequena livraria com títulos, exclusivamente, elaborados pela instituição. Estes espaços são de acesso fácil ao público e durante as reuniões os obreiros levam as crianças, com permissão do responsável, para um destes espaços, ou simplesmente para irem ao banheiro ou beberem água. Estes espaços ficam na entrada secundária do templo, defronte à Rua 24 de maio. Ainda nesta entrada fica a recepção, local aonde chegam as correspondências, convites e aquisições direcionadas ao bispo ou pastor responsável.

O grande destaque pra quem vê a IURD-TCF da rua é a imponência. O modelo arquitetônico das catedrais da IURD é referente à “noção de ecletismo com referência ao neoclássico” (GOMES, 2011, p. 163). O neoclássico é um estilo arquitetônico

Descrito como um revival da Antiguidade clássica Greco-romana, principalmente na arquitetura, que, no contexto da Revolução Francesa, expressou a influência e o poder da nova classe dominante, a burguesia. As referências neoclássicas na arquitetura baseiam-se na grandiosidade e autoridade, principalmente expressas em fachadas de prédios ou em entradas principais. (GOMES, 2011, p. 163)

Isso mostra que a intenção, por parte dos líderes da IURD, é realmente transmitir sua potência enquanto igreja. Assim, como a burguesia expressava sua emergência social, a IURD demonstra a sua emergência religiosa a partir de suas formas, principalmente pela fachada e pelo tamanho, como é o caso da IURD-TCF (Figura 8).

Figura 8 – Fachada principal da IURD-TCF.

No que concerne às suas formas, o templo impressiona pela grandiosidade. Para o acesso ao interior da igreja existem escadas, em cor cinza, com doze degraus, por volta de um metro e meio do nível do piso da rua. Esse desnível já seleciona a diferença entre espaços, pois marca uma passagem do espaço profano para o espaço sagrado. Recentemente reformaram a rampa de acesso aos portadores de dificuldades locomotoras, sendo aquela localizada ao lado da esquerda das escadas, no sentido de quem adentra ao local.

Os destaques neoclássicos da estrutura são as colunas frontais, posicionadas nas escadas a frente das portas principais da igreja, além das formas ortogonais geométricas e simétricas da parte frontal do templo. São cinco colunas em cor branca, com uma base quadrada revestida de granito preto. Essas colunas são seccionadas por cinco sulcos que acompanham o modelado arredondado da coluna. Aparentemente, possui um metro de intervalo entre cada sulco, totalizando cinco metros de altura, fora a estrutura que está acima. Estas colunas estão mais avançadas que a parede frontal, formando uma espécie de pórtico, remetendo ao estilo grego de construção. Este estilo evoca a grandiosidade do poder grego, cujos alguns monumentos, ainda hoje, estão de pé. Essas formas gregas representavam a morada dos deuses ou a sede do poder cívico. Passando a ideia de força para a religião por meio das formas.

Na parede frontal as colunas também aparecem. Contudo, são anexadas às paredes de modo que só podemos ver uma parte dela, realçada na cor branca, mas em mesmo estilo arquitetônico que as demais. Nesse caso, são oito colunas posicionadas em distâncias iguais, com exceção da posicionada ao lado esquerdo que está mais próxima da outra mais a direita. Este aspecto remete à IURD-TCF uma arquitetura em estilo neoclássico, santuário dos deuses, só que, nesse caso, santuário do único Deus.

Entre as colunas, as paredes também se destacam. São revestidas de arenitos, com exceção da fachada frontal acima das portas de entrada, pois é coberto por revestimento cimentado na cor cinza. Entre as portas, a parede é lisa, pintada de bege. Já as portas, são pintadas de preto, com vidros ofuscados em preto também. Essa configuração das portas isola o ambiente interno do externo, ou seja, quem está fora não vê o que está dentro. Nas paredes laterais, além do arenito, há vitrais como se fossem janelas, com figuras que remetem à IURD. As figuras que aparecem são a logomarca da igreja, além de símbolos como a menorah (candelabro, símbolo judaico), cálices (símbolo cristão) e coroas (símbolo de poder) (Figura 9). No total são cinco janelas com dimensões bem grandes, porém todas são isoladas. É como se o templo escondesse o sagrado ali apresentado.

Figura 9 – Janelas laterais da entrada principal da IURD-TCF.

Fonte: SANTOS FILHO, 2015.

A beira do edifício também é um elemento de destaque. Toda a cobertura da nave é pintada de bege, com eiras e beiras em cor branca. Na parte central, acima das portas de entrada, o formato retilíneo dá lugar a um formato piramidal, também lembrando o formato das contruções gregas. Nesta parte está o nome da igreja com sua logomarca principal: o coração vermelho com uma pomba branca no centro (Figura 10).

Figura 10 – Logomarca da IURD.

Fonte: SANTOS FILHO, 2016.

Ressaltamos que o letreiro da igreja mudou durante o tempo da pesquisa. Nas nossas primeiras visitas, o letreiro era em cor dourada, com a logomarca também em dourado, posicionada bem acima na parte piramidal do eirado. Logo abaixo, ao invés do nome da igreja, havia somente os dizeres “Jesus Cristo é o Senhor”, slogan da instituição e, na parte inferior, acima das portas, atrás das colunas frontais, se posicionava o nome da igreja. Após a

alteração, o slogan foi reduzido em tamanho e colocado na parte piramidal do eirado, junto com o nome reduzido da igreja, UNIVERSAL, com letras azuis e a logomarca, a esquerda do nome em sua cor original, como se vê na imagem acima. Não se sabe o motivo da alteração, mas podemos perceber que outros templos da IURD também fizeram reformas em suas fachadas. Parece ser um tipo de padronização da instituição, mas não podemos informar ao certo por falta de confirmação dos dirigentes. Contudo, como uma marca registrada com fins religiosos, não é difícil deduzir que seja um molde padronizado adotado para melhor identidade e difusão da igreja.

Há também uma estrutura auxiliar, que funciona como sala de obreiros e parte da imprensa da igreja. Diferentemente do outro prédio vinculado à igreja, este, localizado do lado esquerdo, é mais modesto, com apenas três andares, além do térreo (Figura 11). O térreo tem portas metálicas retráteis, lembrando um ponto comercial, e os andares acima apenas com uma pintura branca e janelas em cor preta. É também restrita ao público, mas a movimentação é mais próxima da população, uma vez que está no mesmo nível da calçada. Podemos ver em nossas visitas que este prédio é utilizado como um depósito, para guardar, principalmente, os jornais da igreja. É um local para funcionamento logístico da igreja. A entrada também é vigiada por segurança particular. Como não tivemos acesso a este local, podemos apenas deduzir que também dá acesso ao templo e às salas de obreiros e pastores. Este prédio é um pouco ocultado na paisagem da IURD-TCF, diferentemente do outro que a igreja expõe.

Figura 11 – Prédio de acesso às salas dos pastores.

Em relação aos estacionamentos podemos evidenciar três. O primeiro é interno, no subsolo da igreja, com entrada pela Avenida Tristão Gonçalves e restrito aos dirigentes, pastores, ao bispo, e pessoas autorizadas. A entrada é discreta e também vigiada. O segundo estacionamento, mais antigo e menor, está localizado na Rua 24 de maio, onde é destinado aos obreiros e também aos visitantes. O acesso é livre, tendo apenas um cone que controla a entrada. Já o terceiro estacionamento, este maior, está posicionado a frente da entrada principal do templo, com uma guarita na entrada, além de uma cancela (Figura 12). O aviso na entrada diz ser particular, mas o acesso é livre a todos que querem ir ao templo. Este é mais amplo, atravessando o quarteirão, com saída para a Avenida do Imperador.

Figura 12 – Estacionamento privativo da IURD-TCF.

Fonte: SANTOS FILHO, 2015.

Percebemos também que na frente à IURD-TCF há poucos ambulantes. Os que lá estão são permissionários, com autorização da Prefeitura, e vendem bebidas, doces e salgados. Os que não são permissionários apenas circulam com uma caixa de isopor vendendo, principalmente, água. Segundo entrevistas com permissionários, a relação entre ambulantes e dirigentes da igreja não é amistosa, pois reivindicam o espaço, que a prefeitura cedeu legalmente. Dessa forma, os líderes da IURD não podem removê-los nem denunciá-los, com exceção dos ilegais.

Podemos perceber que a segurança no local é reforçada. A igreja possui muitos seguranças particulares, bem vestidos e com comunicação direta entre si. Observamos sempre dois ou três seguranças na entrada principal, além de ficar um no prédio anexo da esquerda vigiando, também, a entrada do estacionamento e mais dois no prédio anexo da direita, o chamado prédio dos pastores. Há seguranças na parte interna, que circulam discretamente, e mais dois seguranças na entrada secundária do prédio.

Além da segurança particular, percebemos que a segurança pública no local também é intensiva. Em nossas visitas, observamos que policiais de bicicleta fazem a ronda no local, e até casos de ficarem em guarda de frente ao templo. Uma vez que é um local de muita movimentação e parada de ônibus, a polícia tem uma justificativa para tal ação.

Na parte interna da nave, temos o espaço maior. O local acomoda, segundo uma placa anexada na entrada, 3500 pessoas sentadas. Porém, a empresa responsável pela construção admite comportar 3000 pessoas sentadas55. As cadeiras são acolchoadas e reclináveis para a posição vertical, proporcionando que as pessoas fiquem de pé nos seus lugares. O espaço de uma fileira de cadeiras para outra é mínimo, com exceção dos corredores centrais e laterais. São três corredores no sentido paralelo e quatro em sentido perpendicular ao altar. Estes corredores são também para circulação dos obreiros que ficam passeando pelo templo durante as reuniões, além de distribuir os amuletos de fé anunciados pelos pastores.

O ambiente interno é muito amplo. Com uma altura considerável, ao ponto de comportar na parte do altar dois telões fixos, o local é alto em seu tamanho, fato que estimula os fiéis contemplar o próprio templo. Os telões servem para a transmissão do culto em dias de maior concentração. Inclusive, há uma grua cinematográfica, em que instala uma câmera capta imagens da reunião, circulando pelas cadeiras e focando imagens do alto, ressaltando a presença massiva dos fiéis. No entanto, só é usada em dias de maior público, ficando desativada nas outras reuniões, apesar de continuar fisicamente no local.

Fora os telões fixos, o templo possui um telão móvel ao centro, na frente do altar, para projeção. Geralmente é usado para reuniões durante a semana, quando os pastores lecionam aos fiéis às lições referentes ao tema da reunião. Neste telão também são mostrados vídeos das ações de inimigos espirituais ou então propagandas de programações da igreja, ou ainda mensagens do Bispo Edir Macedo.

Na parte interna, podemos constatar a grandiosidade exposta pela arquitetura do prédio. As colunas de sustentação ficam expostas, pintadas de branco, acopladas às paredes. Somente no fundo da nave, devido ao prédio anexo ao templo, as colunas são expostas totalmente, sem paredes, inclusive atrapalhando a visão das cadeiras que ficam atrás. Nas paredes, observamos desenhos de janelas com figuras referentes à confissão judaico-cristã, como menorah’s e cálices. Junto às figuras, existe o emblema da Universal. As cores das paredes são discretas: bege na parte superior e amadeirada na parte inferior. Essa parte

55

Fonte: FUJITA Engenharia. Disponível em: <http://novo.fujita.com.br/projetos/obras-institucionais/>. Acesso em: 15/02/2016.

inferior tem, aproximadamente, dois metros de altura e o restante reflete a cor bege. Entre as diferenças de tonalidades, aparece uma linha modelada de gesso branco.

As portas isolam o ambiente interno da igreja, tanto visualmente como acusticamente. São pintadas de branco no interior da igreja com vidros foscos, isolando totalmente a visão interna e externa. Essas portas, de igual modo, barram o som que vem da rua, dando uma acústica diferenciada para quem está dentro. Em momentos de reuniões, o som que paira é, predominantemente, do pastor, sendo possível ouvir de maneira confusa as vozes dos fiéis em orações. Nos intervalos litúrgicos, o silêncio predomina. Nem as buzinas de automóveis são ouvidas dentro do templo. Esse ambiente de silêncio até ajuda àqueles que vão ao templo somente repousar. É como se lá dentro a pessoa estivesse fora do centro de Fortaleza.

O teto possui uma aparência discreta. É revestido de material sintético tampando os tubos de ventilação. É um ambiente claro. No entanto, nem todas as luzes são acesas durante a semana. Como algumas reuniões possuem pequeno número de fiéis, deixam as luzes do fundo desligadas, incentivando as pessoas a se dirigirem às proximidades do altar. Mais um motivo que levam pessoas ao templo em busca de sossego. Além do silêncio, a pessoa desfruta da pouca luminosidade. No teto são fixadas algumas caixas de som e algumas câmeras de vigilância, mas, devido à altura e à ausência de cores chamativas, são quase imperceptíveis aos frequentadores.

Outro ponto a se destacar na infraestrutura da IURD-TCF é o sistema de ventilação. O ambiente é climatizado constantemente, sendo a temperatura bem abaixo do que está fora. Como o acesso é livre, muitas pessoas adentram à nave apenas de passagem, para se “refrescarem” com o clima artificial, e logo após saem pela outra porta. Percebemos, portanto, que a IURD-TCF é um ambiente de intenção reconfortante aos visitantes. O ambiente é propício para o relaxamento e para acomodação de seus frequentadores, fiéis ou não. Elementos como a climatização e o som ambiente transformam o ambiente religioso em um ambiente pacífico. A guerra espiritual pregada pelos pastores é preenchida por uma paz planejada e eficiente que dá a sensação de que o transcendental existente dentro do templo conforta os que nele visitam.

Com relação ao piso, a estrutura arquitetônica denota a grandiosidade do lugar. É revestido de peças de granito e mármore, modeladas nos corredores e no revestimento do altar. A grandiosidade sentida se dá pelo valor que esse tipo de piso tem no mercado, além de nos corredores serem colocados para demarcar espaços específicos de trânsito, orientando os

usuários da igreja. É o caminho para o altar e espaço de poder, uma vez que delimita onde permanecer e onde fluir.

Do que descrevemos até aqui sobre o ambiente interno da IURD-TCF, o grande destaque do templo é o altar. Este é destacadamente visível e de traços diferenciados em relação aos outros lados da construção. O altar é o local considerado no espaço sagrado. É onde são direcionados os olhares das pessoas que adentram na construção religiosa.

O cenário do altar é riquíssimo em detalhes, merecendo uma pormenorização descritiva. Temos elementos que só aparecem nesta parte do templo e é nele onde são colocados os objetos utilizados nas liturgias da igreja. O altar exibe desenhos distintivos na paisagem da igreja e também é o local mais iluminado da nave. A riqueza de itens presentes no altar, bem como as cores e os detalhes fazem desse local uma centralidade perceptiva dentro da igreja, daí precisamos observar mais atentamente (Figura 13).

Figura 13 – Altar da IURD-TCF

Fonte: SANTOS FILHO, 2016.

O primeiro destaque a ressaltar é o nível do piso. Tem, aproximadamente, 1,2m de altura em relação ao piso da nave, na sua parte central, de onde são ministradas as reuniões. Esse desnível é revertido de um mármore avermelhado, onde as pessoas se aproximam e fazem orações curtas encostadas neste pavimento. Para subir ao altar, as pessoas utilizam as escadas laterais revestidas de granito preto e com corrimões de cor prateada. O acesso se dá pelos dois lados.

No altar, vemos o púlpito de onde o bispo e os pastores dirigem as reuniões. É cilíndrico, amadeirado, formicado em cor escura e algumas partes em dourado. Na parte central, em dourado, está fixada uma cruz. Podemos dizer que é um geossímbolo, uma vez que é um elemento identitário do fiel,pois lá existe um estrado com uma base do oráculo de onde sai à mensagem divina. Para o pregador, é um auxílio litúrgico, tendo em vista que o fiel encosta sobre a tribuna a bíblia e outros objetos simbólicos usados nas reuniões. O púlpito faz referência à área onde os sacerdotes hebreus faziam os holocaustos e oblações56. Isso remete a ideia de que no púlpito o lócus do perdão sacrificial é dado por Deus aos fiéis, mediante a ação do pregador. Observamos nas reuniões que, a partir do púlpito, o pastor dá as bênçãos e pede proteção aos fiéis, bem como é do estrado que roga pela expulsão dos demônios existentes no recinto.

O altar como um todo é um local especial para o fiel da IURD-TCF. Possui elementos que anunciam a sacralidade do lugar. Um exemplo disso é o batistério localizado ao fundo do altar, permanece no interior do templo, uma vez que está disponível a qualquer momento para pessoas que buscam arrependimento espiritual, conforme a tradição cristã. É adornado por vitrais que explicitam uma queda d´água, ligando o ato batismal à imersão em águas correntes. É um componente do templo que transmite não somente as formas, mas as relações entre fiéis e a divindade, uma vez que o batismo é um ato de ligação do cristão com Deus. A presença do batistério realça ainda mais a particularidade do altar no espaço sagrado da IURD-TCF.

Outro elemento geossimbólico presente no altar é a célebre frase da Igreja Universal do Reino de Deus: Jesus Cristo é o Senhor. Não é somente a frase em si, mas tudo que está simbolizado nela. A começar pelas letras colocadas no alto do altar. São letras grandes e de cor dourada. O dourado claramente demonstrando a riqueza que a frase exprime