3 . REGISTROS HISTÓRICOS DA UEPB, AS REFORMAS ACADÊMICAS E O CURSO DE LICENCIATURA EM FÍSICA
3.2. O PROCESSO DE REFORMA CURRICULAR DOS CURSOS DE LICENCIATURA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA- UEPB
3.2.1. Compreendendo o Projeto Institucional e a Reforma Acadêmica
Após a estadualização da Universidade em 22 de Outubro de 1996, o Reitor Sebastião Guimarães Vieira inicia um projeto de Reforma Acadêmica intitulado de “A Reforma Necessária”, que teve como principal objetivo solidificar a Universidade como imprescindível para o desenvolvimento social e econômico do Estado.
Na ocasião a Universidade Estadual da Paraíba – UEPB dispunha de vinte e
quatro Cursos de Graduação. Como a instituição era formada por Centros de acordo com as áreas de conhecimento, Campi e Departamentos, vinte e um desses cursos funcionavam com Campus I e os demais no Campus III. A UEPB oferecia além dos Cursos de Graduação, o Mestrado em Desenvolvimento pelo Programa PRODEMA/UFPB/UEPB e o Mestrado Interdisciplinar em Saúde Coletiva e em Ciências da Sociedade, e mais dois Cursos de nível técnico na área agrícola, um
funcionando na cidade de Lagoa Seca, no Campus II e o outro na cidade de Catolé do Rocha, no Campus IV.
No auge das mudanças educacionais brasileiras, a administração da UEPB, em fevereiro de 1997 instituiu o documento “UEPB: A reforma necessária” onde continha além das diretrizes que embasariam esta gestão, a importância da Universidade para o desenvolvimento do Estado, e também reformular as funções do Ensino, Pesquisa e Extensão.
Nesse ínterim, a nova gestão (1996-2000), embasada na idéia de que as ações administrativas e pedagógicas é o que marcam o cotidiano universitário, sentiu a necessidade de elaborar um projeto pedagógico que agrupasse as ações institucionais. O Programa da Avaliação Institucional, em desenvolvimento na instituição desde 1995, ofereceu subsídios para a análise da realidade institucional através do Diagnóstico dos Cursos de Graduação.
Naquela ocasião percebeu-se que a maioria dos cursos apresentava o seu currículo elaborado e protegido pela Lei 5540/68, sustentados e assumidos como meios de veiculação a histórica do saber acumulado. A avaliação interna evidenciou em sua análise dentre algumas irregularidades, “a desarticulação nas ações pedagógicas (Ensino, Pesquisa e Extensão), desenvolvidas nos Cursos, ‘a falta de
articulação entre teoria e prática’ e ‘uma carga horária excessiva’” para a
integralização curricular. (Cf. UEPB. PROEG. Relatório 1997/2000, p. 5 e 6). Constatou-se também que a maioria dos Cursos de Graduação não apontava a definição do perfil dos profissionais que pretenderiam formar. Quanto aos objetivos estavam distribuídos de maneira solta que indicava para uma formação dissipada, catalogada por pontos de vistas particulares dos professores formadores envolvidos.
Depois de um vasto debate na comunidade acadêmica, continuando a convenção de Reforma, o Conselho Universitário aprovou por meio da Resolução UEPB/CONSUNI/SN/97 o Projeto Acadêmico Institucional e o Projeto de Investimentos, projetos específicos, no entanto convergentes para a estabilização da “Reforma necessária”. O primeiro “buscava implementar reformas na Universidade, visando progressos qualitativos significantes nas suas ações de Ensino, Pesquisa e Extensão” (UEPB/CONSUNI/97). E o segundo propunha a necessidade de “racionalizar a utilização dos recursos físicos, humanos e financeiros disponíveis” (UEPB, 1997b, p. 29).
No intuito de elaborar uma formação que relevasse as atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão objetivando a importância dos conteúdos trabalhados, o
Projeto Acadêmico Institucional descreveu o Ensino de Graduação como “núcleo de
convergência da gestão acadêmica”, considerando a Reforma Curricular em todos os cursos deste nível como essencial para a atualização de uma “universidade que avança”. A implicação da reformulação dos currículos propunha intenções como a “indissociabilidade entre ensino-pesquisa-extensão e a otimização do tempo de formação profissional – longevidade X pertinência”, sugerindo que o tempo de vida acadêmica do aluno, ou seja, sua permanência na instituição fosse somente o necessário para a sua formação.
Através da Resolução UEPB/CONSEPE/09/97, institucionalizou-se a Reforma Curricular na tentativa de manter a integração do trabalho da instituição, sofrendo alterações para adequar-se à Lei 9394/96.
A Resolução, enquanto contempla os padrões de qualidade estabelecidos para a avaliação e as condições de oferta dos Cursos de Graduação, inclui princípios que rompem com concepções herdadas do período da ditadura militar e com aquelas estabelecidas no projeto neoliberal, em processo de implementação pelo MEC. A perspectiva deste órgão converge para o desenvolvimento de competências instrumentais (aprender a fazer) para o mercado de trabalho.
Os princípios adotados na Resolução 09/97 referenciam uma concepção de formação pautada em bases filosófica e epistemológica orientadas para a formação de um cidadão crítico, capaz de intervir na realidade, com competência para transformá-la, não deixando, porém, de considerar o desenvolvimento de competências instrumentais. Neste sentindo, a formação profissional a ser conferida pela Graduação deveria pautar-se num Currículo-projeto, a ser construído pelos que compõem o Curso, constituindo-se em uma “proposta sistematizada de produção e distribuição do saber científico articulado à legítima manifestação da Cultura”, tendo a “prática social como horizonte de sua efetiva aplicação.” (UEPB, CONSEPE. Resolução 09/97, Art 2° Inciso II).
Ao pretender investir na habilitação de profissionais com competência para inserção na sociedade em mudança, a Instituição assume uma concepção crítica de currículo, orientada por um princípio educativo fundamentado na filosofia da práxis.
A definição do princípio educativo tornava-se indispensável a esta formulação e à concretização da nova proposta pedagógica. Nessa perspectiva, o Art 2° da
Resolução UEPB/CONSEPE 09/97, em seu Inciso IV, confirma “o trabalho como princípio educativo”, compatível com o documento “A Reforma Necessária”, nos seguintes termos: “da realidade e do trabalho, o estudante depreenderá o método científico e o conceito humanista de que necessita para realizar-se como cidadão.” (UEPB, 1997a, p. 13).
O debate envolvendo a concepção de cidadania no contexto atual, marcado por desigualdades provocadas pela implementação de políticas neoliberais, tem sido associado à discussão acerca das possibilidades de transformação das relações de exploração aprofundadas pelo Estado neoliberal. A cidadania referenciada nesse trabalho, diz respeito à cidadania ativa, que, na compreensão de Benevides (1994, p. 16), é aquela que institui “o cidadão como portador de direito e deveres, mas essencialmente, criador de direitos para abrir novos espaços de participação política”.
Para o empreendimento desta formação, a Composição Curricular resultaria
de núcleos de atividades – básicas, complementares e eletivas - e a organização
deste currículo pressupunha compromisso ético-político, interdisciplinaridade e gestão democrática. (Cf. UEPB. CONSEPE. Resolução 09/97, Art 2°, Inciso V, 1997). A gestão democrática, deveria confirmar-se no processo de elaboração e implementação do Projeto Pedagógico de cada Curso.
Neste sentido, os 24 (vinte e quatro) Cursos de Graduação da Instituição, a época, iniciaram a elaboração dos seus projetos pedagógicos, tendo como referência a orientação Institucional. O desafio de repensar a formação profissional, que, inicialmente, se configurava como meta da Pró-Reitoria de Ensino de Graduação (PROEG), foi assumido não só pela Administração Central da Instituição, a partir de 1997, mas também pelos Centros e Departamentos.
Sob a denominação de “Equipe de Reformulação de Currículo”, foi constituída, de forma representativa, uma Comissão Central, para conduzir o processo no âmbito institucional. Nos Cursos o trabalho foi assumido por Comissões Setoriais de Reformulação Curricular.
As Comissões tinham a “autonomia necessária” para realizar o trabalho conforme as normas vigentes na esfera institucional. A Comissão Central atuava provocando reuniões, elaborando calendários de visitas para levantar os problemas e receber informações. As Comissões Setoriais, que funcionavam nos Cursos, assumiram, não só esse papel, no âmbito do Departamento, mas atuaram também
como formuladoras de propostas que seriam discutidas e aprovadas pelos Colegiados dos Respectivos Cursos.
Na conjuntura das reformas institucionais, a Comissão de Reformulação Curricular do Curso de Física, assumiu a dinâmica de elaboração do Projeto Pedagógico, destinado a viabilizar a formação a ser conferida pelo referido Curso. Hoje, o curso de Física conta com dois Projetos Políticos Pedagógicos, visto que
houve uma nova Reforma Curricular no ano de 2008
(RESOLUÇÃO/UEPB/CONSEPE/008/2008), que modifica a Resolução
UEPB/CONSEPE/38/99, que aprova o projeto político pedagógico do curso de graduação em Física-Licenciatura Plena- do Centro de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual da Paraíba, mas ainda não se pode com profundidade observar desde a sua implementação o impacto que essa “nova formação” tem sobre a formação dos professores formadores e formação inicial.
Nesse sentido, por uma questão temporal sabe-se que o PPP de 1999, ainda vigente, é o que está mais presente nos discursos dos professores formadores justificado pela participação dos mesmos na construção deste documento.
3.2.2. Os Discursos das Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de