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COMPREENDENDO O TERRITÓRIO-LUGAR COMO PONTO DE PARTIDA

Neste momento, a narrativa até aqui desenvolvida terá continuidade buscando-se apontar possibilidades para os questionamentos levantados. É evidente que as respostas para os mesmos não podem ser vistas como verdade absoluta nem tampouco se situar em uma perspectiva pragmática. O que se tem clareza é que os caminhos que serão seguidos são vistos como possibilidades em devir e que se encontram em um campo reflexivo em que prevalece a ambiência da radicalidade em caleidoscópio, cuja premissa é o eterno movimento que promove um infinito leque de potências e acontecimentos. Assim, os questionamentos levantados não serão respondidos pontualmente, mas através de bolhas quântico-reflexivas que demarcam o aspecto provisório de tudo que fora e será dito nesta narrativa.

Uma primeira reflexão a ser desenvolvida para o esboço das respostas levantadas, que têm como objetivo principal postular uma outra postura perante o fazer científico e encontrar formas de ação contra o processo hegemônico do capital na produção do conhecimento, é a definição de Lugar. Como foi pontuado em vários momentos na reflexão em curso, a lógica da mutante epistemotecnolucrologia tende a promover o movimento de desterritorialização e territorialização dos diversos lugares no globo, promovendo a modificação da teia e da trama de relações ali confeccionadas coletivamente para tentar instaurar outras formas de estar no mundo, ou seja, as formas homogêneas da transnacionalização neoliberal. Sendo a lógica da transnacionalização neoliberal da nova ordem capitalista o que se assiste é a destruição do lugar, que passa a assumir a configuração do olhar aligeirado do estrangeiro. Daí a urgência de seguir adiante na tentativa de compreender o que de fato venha a ser o lugar.

A conceituação do lugar passa, em primeira instância, pela reflexão do território e sua configuração nos dias atuais. Em diálogo com Milton Santos (2005), o que se escuta do autor é

que hoje se vive com uma noção de território herdada da Modernidade incompleta, bem como de seu legado repleto de conceitos puros que foi atravessando os séculos praticamente sem modificações. Milton Santos evidencia que o que faz do território o objeto da análise social é o seu uso, e não o território em si. Desta forma, a nosso ver, não é a demarcação das fronteiras territoriais concretas e imaginárias que implica em análises dos seus acontecimentos, mas, sim, toda trama de existência que dentro de suas linhas vão cotidianamente sendo tecidas.

Continuando sua reflexão a respeito do território, Santos (2005) evidencia que se tem caminhado ao longo dos séculos, da antiga comunhão individual dos lugares com o Universo à comunhão hoje global. Esse movimento vai efetivar-se com a interdependência universal dos lugares, traduzindo na nova realidade do território. Na constituição dos territórios, o Estado- Nação traduz-se em um marco que introduz a noção jurídico-política do território, que vai derivar do conhecimento e da conquista do mundo, desde o Estado Moderno e o Século das Luzes à era da valorização dos recursos naturais. Assim, para Santos (2005), nesse processo, o Estado é o definidor dos lugares, sendo o território a sua base, melhor, seu fundamento. É evidente que o território que, como foi visto era o fundamento do Estado, também por ele era moldado, ou seja, o território representava as conquistas e derrotas do Estado em constituição e modificação. No entanto, nos tempos atuais, Milton Santos indica que se vive uma dialética do mundo concreto onde se evoluiu da noção, tornada antiga, de Estado Territorial para uma noção pós-moderna de transnacionalização do território. O que se assiste nesse fim e início de milênio com esse movimento de transnacionalização do território é a constituição de territórios com a mesma face bizarra do sorridente e famigerado capitalismo, que na versão transnacional imprime seu sorriso uniformizador, obrigando a todos em todos os lugares a copiar sua expressão facial de felicidade como se de fato essa alçasse a todos em todos os lugares por onde passa. Na verdade, o que acontece é que os povos dos diversos territórios que têm tal ilusão se assustam ao deparar com a

imagem refletida em seus espelhos históricos, que mostram que a verdadeira imagem construída com a transnacionalização é a face da miséria e da dor.

É evidente que esse processo não está definido para todo sempre e que ele pode vir a se modificar a qualquer momento, basta a clareza de que de repente, como diria Gilberto Gil, as águas ficam turvas, portanto, tudo está por um fio em devir nesse tempo-instante histórico. Tal compreensão evidencia também que nada é totalmente hegemônico. Como bem aponta Milton Santos (2005), assim como antes nem tudo era território estatizado, nos dia atuais nem tudo está transnacionalizado. Ocorre que, “mesmo nos lugares onde os vetores da mundialização são mais operantes e eficazes, o território habitado cria novas sinergias e acaba por impor, ao mundo, uma revanche. Seu papel ativo faz-nos pensar no início da História, ainda que nada seja como antes. Daí essa metáfora do retorno”. (SANTOS, 2005, p. 138) O que se escuta com clareza na fala do autor é a possibilidade concreta da re-existência resistente dos tempos-espaços territoriais ao projeto mundializador da perversa globalização. Ao mesmo tempo também está evidenciada a necessidade da afirmação do território que se compõe a partir da confecção da teia e da trama existencial cotidianamente confeccionada pelos autores-atores territoriais.

Nessa perspectiva, Santos (2005) esclarece que o território são formas, mas o território usado se traduz em objetos e ações, que são sinônimos de espaço humano, espaço onde há habitação de seres humanos. Para o autor, mesmo a análise da fluidez que está a serviço da lógica da competitividade, que nos tempos atuais está regendo as relações econômicas passa pela compreensão do território. Ocorre que, como evidencia Santos (2005), hoje existe uma fluidez virtual, que é oferecida por objetos criados para facilitar essa fluidez, sendo cada vez mais objetos técnicos. Contudo, os objetos apresentam tal característica, porque a real fluidez provém das ações humanas, ou seja, são elas que podem e instauram tal movimento. Diante desse movimento, ou melhor, dessa realidade que se encontra o território, com novos recortes, que vão

além da velha categoria região. Esses novos recortes são resultados da nova construção do espaço bem como do novo funcionamento do território. Segundo Santos (2005), esse processo vai desenvolver-se através de duas características: horizontalidades e verticalidades. A primeira, as horizontalidades, são os domínios da contiguidade, dos lugares vizinhos reunidos por uma continuidade territorial. A segunda, as verticalidades, teriam sua formação por pontos distantes uns dos outros, que são ligados por processos sociais de todos os tipos. Diante dessas características, Santos evidencia que se deve retomar a ideia de espaço banal para contrapor à noção de que atualmente ganha força nas disciplinas territoriais que trabalham com a noção de rede. Tal necessidade de retomada do espaço banal está atrelada à forma analítica utilizada pela concepção que trabalha com a noção de rede. O que ocorre, como bem demarca o autor, é que as redes constituem uma nova realidade que acaba por justificar a expressão verticalidade. A noção de rede que aparentemente poderia traduzir-se é uma concepção horizontal, traz implícita a noção da hierarquia, ou seja, o território no âmbito das redes instaura-se na hierarquia daqueles que configuram e comandam a rede. “Na verdade além das redes, antes das redes, apesar das redes, depois das redes, com as redes, há o espaço banal, o espaço de todo, todo o espaço, porque as redes constituem apenas uma parte do espaço e o espaço de alguns”. (SANTOS, 2005, p. 139)

Como se forma o território nos dias atuais imersos em um perverso processo de globalização hierarquizante? Milton Santos (2005) argumenta que podem ser formados tanto por lugares contíguos quanto por lugares em rede. No entanto, conforme o autor, ambos os lugares contínguos e os lugares em rede são os mesmos lugares, os mesmos pontos, que contêm simultaneamente funcionalizações diferentes. Tais funcionalizações podem mesmo ser divergentes ou opostas. A noção do acontecer simultâneo desses diversos lugares, a nosso ver, demarca a complexidade de análise do território e, portanto, do lugar. Mas, ao mesmo tempo,

implica em uma leitura mais apurada do território e do lugar no sentido de esclarecer o que pode e precisa ser potencializado em cada tempo-espaço-lugar.

Nessa perspectiva analítica, Santos (2005) evidencia que há um conflito que vem se agravando entre o que denomina de espaço local, que se traduz em um espaço vivido por todos os vizinhos, e um espaço global, que é habitado por um processo que se desenvolve pautado na racionalização e em um conteúdo ideológico de origem distante que chegam a cada lugar com o estabelecimento de normas e objetos para servi-los. Diante desse conflito, o autor esclarece ser de fundamental importância o retorno à noção de espaço banal, ou seja, espaço de todos. A retomada de tal noção, para nós, é de extrema importância pois o olhar para o território, para o lugar, deve ter como prevalência o olhar para o acontecimentos que pertencem a todos, pois aí se encontra a potência do lugar. A afirmação da noção de espaço banal, espaço de todos precisa, portanto, contrapor a noção de redes, ou seja, o território daquelas formas e normas a serviço de alguns.

Contrapõe-se assim, o território todo de algumas de suas partes, ou pontos, isto é as redes. Mas quem produz, quem comanda, que disciplina, quem normatiza, quem impõe uma racionalidade às redes é o Mundo. Esse mundo é o do mercadi universal e dos governos mundiais. O FMI, O Banco Mundial, o GATT, e as organizações internacionais, as Universidades mundiais, as Fundações que estimulam com dinheiro forte a pesquisa fazem parte do governo mundial que pretendem implantar, dando fundamento à globalização perversa e aos ataques que hoje se fazem, na prática e na ideologia, ao Estado Territorial. (SANTOS, 2005, p. 142)

O que se escuta na voz acima é que mais do que nunca é imprescindível mergulhar no território, ou melhor, no território demarcado pelo acontecimento da vida cotidiana onde todos podem e são autores-atores de suas vidas. Esse efetivo mergulho pode possibilitar a potencialização da re-existência do lugar ao processo mundializador das redes mundiais que se ramificam para controlar e desterritorializar os territórios re-existentes. É evidente que se o controle de tais redes está em mãos do capital internacional que trabalha com a lógica da

transnacionalização de todos os territórios, assistir-se-á a uma centralização do comando mundial sobre tais redes. É aí que a lógica do conhecimento dito universal passa a ser uniformizador, isto é, vai territorialmente se instaurando como única possibilidade. Assim, a aranha-mundi que tece as teias, ou melhor, as redes, é uma espécie de viúva negra, que ao tocar os territórios-lugares os desfazem, desmontando a teia e trama de relações solidárias que são cotidianamente tecidas por todos.

O diálogo com Santos (2005) permite compreender que, quando se fala em mundo, está se falando sobretudo em mercado. Esse por sua vez, ao contrário de tempos passados, tem uma ação muito mais ampla, passando a atravessar tudo, chegando até a consciência das pessoas. Passa, a nosso ver, por corações e mentes transformando tudo e todos em mercadorias fáceis e de rápido consumo. Nesse movimento de mercadorização de tudo, o autor aponta que o que se vê é a concretização do mercado das coisas, inclusive da natureza; mercado das ideias, incluindo aí a ciência e a informação; enfim, o mercado político. O autor considera que a versão política do perverso projeto mundializador é a democracia de mercado que tem como aliada a democracia representativa que, sob a égide da igualdade, tem sido levada para todos os tempos-espaços do mundo. Milton Santos evidencia que a versão neoliberal é o outro braço da globalização perversa. Essa, por sua vez, juntamente com a democracia de mercado, vai caminhar no sentido da redução das possibilidades da afirmação de outras formas de viver cuja solidariedade tem como base a contiguidade pautada na vizinhança solidária, que se configura no território compartido. É óbvio que a transnacionalização do território tem seus moldes nos fundamentos da dominação e da imposição de regras de consumo muito bem definidas, onde o que vai prevalecer ao invés de uma com-vivência solidária é a vida em competição desenfreada, ou seja, é a lógica do salve-se quem puder, e de Deus contra todos, e todos contra todos em um afã desenfreado pelo famigerado consumo. Assim, diante do projeto mundializador, o que se vislumbra é a regulação exterior da

existência dos lugares que vão perdendo autonomia política, social, cultural e também existencial. Com esse rearranjo montado pelos ornamentadores estrangeiros passantes pelos lugares, assiste- se à despotencialização dos saberes, conhecimentos solidários e cotidianos. É nesse movimento que se vê os tempos-instantes-históricos dos lugares se desfazerem, consolidando o conhecimento hegemônico e mercadológico.

Seguindo a configuração acima, o território assume uma característica bastante peculiar na chamada democracia de mercado. Ocorre que, como aponta a mesma fonte, o território passa a ser o suporte de redes que tem o papel de transportar regras e normas utilitárias. Essas são parciais, parcializadas, e consolidam as verticalidades, reforçando o poder hegemônico e a lógica da desagregação. É óbvio que com esse movimento, as horizontalidades passam a ser enfraquecidas, ou seja, perdem força e potência para resistência a esse processo desumano. “A arena da oposição entre o mercado – que singulariza – e a sociedade civil – que generaliza – é o território, em suas diversas dimensões e escalas”. (SANTOS, 2005, p. 143) Assim, é o território o tempo-espaço ou o espaço-tempo onde efetivamente se dá a luta das diversas forças ideológicas que trabalham tanto para a construção de uma vivência múltipla, plural, diversa e em prol da humanidade, quanto para a consolidação de uma única forma de estar no mundo. Essa última forma de ocupação do território tem como parâmetro a escala do lucro-máquina: automóvel, avião, computador e não do ser humano e suas potencialidades ontológicas. É aí na escala da máquina que se vê a constituição do tempo extraterritório atropelando o tempo real das diversas temporalidades espaciais próprias.

Mas, como evidencia Milton Santos (2005), o lugar independente do seu tamanho, dimensão representa a possibilidade da resistência da sociedade civil. No entanto, aponta o autor, que nada impede e, como se percebe, é fundamental que se aprenda formas de se estender essa resistência às escalas mais altas. A resistência a esse processo necessita de ação cotidiana e

articulada, para que possa ser extensiva a outras esferas do processo social. E isso somente é possível, esclarece Milton Santos (2005), na insistência indispensável de conhecimento sistemático da realidade, que deve ter como base o tratamento analítico e fundamental do território. “Antes, é essencial rever a realidade de dentro, isto é, interrogar a sua própria constituição neste momento histórico. O discurso e a metáfora, isto é, a literaturização do conhecimento, podem vir depois, devem vir depois”. (SANTOS, 2005, p. 143) O mergulho na realidade demanda vivência do lugar, com-vivência com o lugar, leitura interna a partir das ferramentas de análises cotidianas que são chaves para o seu entendimento e afirmação. É com essa ação que está a potência trans-formadora do lugar, é nesse e desse movimento em carrossel labiríntico e em caleidoscópio que se vê a constituição da carne e da epiderme do território-lugar. É nessa perspectiva que se vê a extrema importância do território, do lugar no jogo das relações de dominação. O território transnacionalizado, lembra muito bem Milton Santos (2005), “se reafirma pelo lugar e não só pelo novo fundamento do espaço e mesmo pelos novos fundamentos do território fragmentado, na forma de novos nacionalismos e novos localismos”. (SANTOS, 2005, p. 143) Daí a importância de ter como ponto de partida o território e toda a sua dinâmica configuração de possível re-existência. Pois, em diálogo com a mesma fonte, ou melhor, com Santos (2005), ouve-se que a tendência atual é a união dos lugares a partir da verticalidade. É claro e evidente que o projeto-mundi em curso trabalha para isso. Esse processo vai se desenvolvendo através de créditos internacionais postos à disposição, pelos países ricos, para os países mais pobres, como estratégia de consolidação do estabelecimento de redes a serviço da lógica do capital transnacionalizado. Assim, é tecida uma nova e engenhosa teia de dominação e dependência, que vai se firmando nas metas internacionais que cada território-lugar é obrigado a cumprir. No caso do Brasil, as metas nas áreas da economia e da educação determinadas pelo FMI, são um claro exemplo desse processo de verticalidade e rede. Tais metas

não têm, como ilusoriamente apresentam, preocupação de fato com o dito “desenvolvimento” do território-lugar país, mas, sim, com reformas sociais e políticas que possam dar base de sustentação para a concretização do projeto em curso. No entanto, e felizmente, esse processo é contraditório, ou seja, os próprios milagres da ciência que nascem dessa mesma lógica podem vir a servir à superação desse processo. Mas, especificamente falando, o milagre da rede mundial pode agregar os lugares seguindo a lógica da horizontalidade desde que cada lugar a ocupe com sua temporalidade espacial própria. O que se vê é que os lugares podem também se unir de forma horizontal, ou seja, a partir da reconstrução da base comum que possibilita a criação de normas locais e normas regionais, tendo assim, a dinâmica do território-lugar como ponto de partida.

Para Milton Santos (2005), a união vertical dos territórios os vetores de modernização são entrópicos. Causam desordem para as regiões onde se instalam porque a ordem por eles originada tem um único benefício que é atuar a seu favor, a seu benefício extremamente egoísta. É claro que nos moldes da verticalização o território deve ser simplesmente e perversamente canibalizado, a atuação do devorador capital é a mesma de um assassino em série que mata desenfreadamente para satisfazer seus insanos desejos. A ordem de ação é quanto maior a verticalizacão, que como foi visto está a serviço do famigerado mercado, maior a corrosão da coesão horizontal que, diferentemente da lógica vertical, está a serviço da sociedade civil como um todo. Contudo, a eficiência e eficácia da união vertical está e, pode a todo momento, ser colocada em jogo, pois, segundo Milton Santos (2005), não sobrevive senão às custas de normas rígidas, mesmo sendo o discurso neoliberal montado em uma dita flexibilidade. Na verdade, o que se vê com clareza é que o neoliberalismo se pauta em leis flexíveis para sua movimentação, no entanto precisa de regras firmes estabelecidas e reguladas pelo Estado para manter tal flexibilidade. O Estado tem que ser forte para fazer as reformas neoliberais e mantê-las em pleno vigor e rigor, mesmo que isso custe a vida e a miséria da grande massa.

Pois bem, se a eficácia da união vertical pode ser colocada em xeque, as uniões horizontais podem vir a ser ampliadas, fortalecidas. Para o autor, esse processo pode vir a se efetivar mediante as próprias novas forças de produção, ou melhor, através da afirmação dos meios e modos de produção articulados com as potencialidades de cada tempo-espaço.

Assim,

Um exemplo é a maneira como produtores rurais se reúnem para defender os seus interesses, o que lhes permitiu passar de um consumo puramente econômico, necessário às respectivas produções, a um consumo político localmente definido e que também distingue as regiões brasileiras umas das outras. Devemos ter isso em mente ao pensar na construção de novas horizontalidades que permitirão, a partir da base da sociedade territorial, encontrar um caminho que nos libere da maldição da globalização perversa que estamos vivendo e nos aproxime da possibilidade de construir uma outra globalização, capaz de restaurar o homem na sua dignidade. (SANTOS, 2005, p. 144)

Como foi visto na fala de Milton Santos (2005), o que está em jogo é a valorização do território a partir de sua dinâmica própria e apropriada. E a valorização dessa dinâmica própria e apropriada passa pelo efetivo conhecimento do que venha a ser território-lugar, ou seja, quais as suas potencialidades e possibilidades de enfrentamento ao processo de mundialização em curso.