3. METODOLOGIA
3.4. Identificação das competências para o desenvolvimento da Aprendizagem
3.4.2. Compreender e Desenvolver os Modelos Mentais
A competência de “Compreender e Desenvolver os Modelos Mentais” é descrita conforme o Quadro 4:
Competência CHAV
Compreender e Desenvolver os Modelos Mentais
Conhecimentos:
• Diferença entre teoria esposada (o que se diz) e teoria em uso (as teorias subjacentes às ações);
• Distinções relacionadas à escada de inferência;
• Saber o que é indagação e argumentação.
Habilidades:
• Reconhecer as defasagem entre o que se diz e as teorias subjacentes às ações;
• Distinguir dados de abstrações, testar pressupostos;
• Equilibrar indagação e argumentação. Atitudes:
• Comprometimento com as teorias esposadas (o que se diz);
• Predisposição para a reflexão dos pensamentos que determinam as ações;
• Permissão à indagação genuína e busca pelo entendimento da visão de outras pessoas.
Valor:
• Abertura.
Quadro 4: Compreender e Desenvolver os Modelos Mentais Fonte: Elaboração do autor
• Conhecimentos:
o Diferença entre teoria esposada e teoria em uso: a teoria esposada “é aquela
em que um agente alega, defende, proclama, promete fidelidade dizendo que se comportará de tal e tal maneira sob certas circunstâncias”; a teoria em uso “é a teoria praticada ou acionada, que informa ou comanda o comportamento efetivo e concreto do agente (VALENÇA, 1997, p. 15);
o Conhecimento do modelo da escada de inferência: a escada de inferências é
um modelo que ilustra como as pessoas passam de suas observações até a tomada de decisões. Num processo de inferência, é agregado suposições, conjeturas, atribuições, interpretações, opiniões, critérios, interesses e projeções para chegar a uma conclusão. Quando bem utilizadas, as inferências economizam tempo e energia, pois ajudam a interpretar
automaticamente as observações e a projetá-las no futuro, no entanto, as inferências podem ser perigosas, pois nem sempre são válidas e nem todas as maneiras de inferir são igualmente produtivas (KOFMAN, 2002, p. 121- 133).
o Conceitos relativos à importância do equilíbrio entre indagação e a
argumentação: A argumentação refere-se à declaração dos pontos de vista de forma a revelar as próprias premissas e raciocínio, convidando a outra pessoa a investigá-los. A indagação refere-se _a investigação do raciocínio subjacente aos pontos de vista de outras pessoas. A aprendizagem produtiva normalmente ocorre quando as pessoas combinam habilidades de argumentação e indagação (SENGE, 2005, p. 226).
• Habilidades:
o Reconhecer e declarar as defasagem entre o que se diz e as teorias
subjacentes às ações: A teoria em uso pode ser incompatível com a teoria esposada. Isso não implica necessariamente hipocrisia; a pessoa em questão talvez não esteja consciente de que há uma disparidade entre as duas teorias (KOFMAN, 2002, p. 121-133). O problema não está na defasagem, mas no fato de não se dizer a verdade a respeito da defasagem. As pessoas precisam reconhecer e declarar a defasagem entre suas teorias esposadas e em uso para que haja aprendizagem (SENGE, 2005, p. 226);
o Distinguir dados de abstrações e testar pressupostos: os pressupostos e as
abstrações não necessariamente representam os fatos, os dados concretos. Para uma observação passar de “dados” concretos para a generalização, é preciso testar os pressupostos. A habilidade de testar pressupostos envolve indagar sobre as razões subjacentes às ações das outras pessoas, confessar francamente as premissas sobre os outros, compartilhar a própria visão e os dados na qual se baseia (SENGE, 2005, p. 226);
o Indagar Produtivo: o indagar produtivo é uma maneira de descobrir os
raciocínios dos outros e ajudá-los a expor não só o que pensam como também por que pensam aquilo que pensam. Envolve ações como não interromper o outro, manter contato visual e uma posição corporal aberta, verificar que compreendeu o outro, orientar a indagação para o aprendizado, investigar os pressupostos que estão subjacentes à interpretação do outro, perguntar pelas observações e dados que sustentam o raciocínio do outro, pedir ao interlocutor que manifeste suas inferências, indagar sobre as recomendações ou sugestões de ação que o outro deriva da sua opinião, pedir que o interlocutor ilustre seu raciocínio, verificar a compreensão da posição da outra pessoa e pedir permissão para acrescentar informações ou apresentar algum desacordo (KOFMAN, 2002, p. 102- 107);
o Argumentar Produtivo: a argumentação produtiva é uma forma de abrir aos
outros o raciocínio de uma pessoa, para ajudá-los a entender o que a pessoa pensa. Envolve ações como tornar próprias as opiniões, inferências e interpretações que se expressa, admitir erros, expor os pressupostos conscientes, expor os dados objetivos que fundamentam o raciocínio, expor as inferências lógicas que levam do raciocínio sobre os dados às conclusões, recomendar ações baseadas nas opiniões que se sustenta, ilustrar o raciocínio com exemplos e casos concretos, verificar que o outro tenha entendido o argumento, convidar ao outro a opinar sobre a perspectiva exposta e evitar a tentação de defender a visão antes de compreender a oposição dos demais (KOFMAN, 2002, p. 98-100).
• Atitudes:
o Comprometimento com as teorias esposadas (o que se diz): é importante
valorizar a teoria esposada e reconhecer que ela faz parte da visão de futuro de uma pessoa. Se não houver comprometimento com a teoria esposada, a defasagem não representará uma tensão entre a realidade e a visão de
futuro, mas entre a realidade e uma visão que se promove (SENGE, 2005, p. 230);
o Predisposição para a reflexão dos pensamentos que determinam as ações:
as pessoas precisam estar dispostas a questionarem uma generalização, de forma a isolá-la dos “doados” que levaram a ela. Essa atitude coloca todas as cartas na mesa e dá às pessoas uma oportunidade de considerar interpretações e cursos de ação alternativos (SENGE, 2005, p. 222);
o Permissão à indagação genuína e busca pelo entendimento da visão de
outras pessoas: é preciso ter atitude no sentido de buscar investigar as visões de outras pessoas e permitir, de fato, que as pessoas façam o mesmo. A atitude deve ser de procurar analisar os fatos de forma a chegar a uma posição válida e não de defesa do próprio ponto de vista (SENGE, 2005, p. 227);
• Valor:
o Abertura: quando as pessoas compartilham sua própria visão e os dados na
qual ela se baseia é importante que exista uma abertura à possibilidade de que a pessoa possa não compartilhar a visão nem os dados e que ambos estejam errados (SENGE, 2005, p. 227);