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5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.1 AVALIAÇÃO DO CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO DA PALMA FORRAGEIRA

5.1.3 Comprimento de cladódios de palma forrageira

De acordo com os resultados da análise de variância pode-se verificar que não houve interação significativa a P˃0,05 entre os fatores intervalo entre eventos de irrigação com lâmina fixa (3,5 mm p/ evento) – IILF e densidade de plantio (DP) no comprimento dos cladódios de palma forrageira. Assim como, não houve diferença significativa entre as densidades de plantio a P˃0,05 (TABELA 14).

No entanto, houve efeito significativo entre os fatores intervalos entre eventos de irrigação com lâmina fixa a P<0,01 para comprimento dos cladódios aos 75 DAP. Como também, houve efeito significativo a P<0,05 aos 300 DAP. Mas não houve efeito significativo a P˃0,05 aos 150, 225 e 375 DAP.

Pode-se verificar que o comprimento dos cladódios (CC) aos 75 DAP na palma forrageira orelha de elefante mexicana se ajustou a um modelo de regressão linear decrescente a P<0,01. E aos 150 e 300 DAP se ajustou ao modelo de regressão quadrático a P<0,01. Mas aos 225 e 375 DAP não se ajustou a nenhum modelo de regressão testado, em função dos intervalos entre eventos de irrigação com lâmina fixa com aplicação de 3,5 mm de água de

esgoto doméstico tratado a cada 7, 14 e 21 dias e 3,5 mm de água de abastecimento de poço artesiano a cada 2,3 dias na capacidade de campo como testemunha absoluta (FIGURA 19).

Aos 75 DAP os intervalos entre eventos de irrigação com lâmina fixa se ajustaram a um modelo de regressão linear decrescente com a equação da reta resultando no intervalo entre eventos de irrigação com lâmina fixa de 2,3 dias com o comprimento do cladódio de 26,28 cm, respectivamente. Aos 150 e 225 DAP os intervalos entre eventos de irrigação com lâmina fixa se ajustaram a um modelo de regressão quadrático com a equação da reta resultando nos intervalos entre eventos de irrigação com lâmina fixa de 11,82 e 11,09 dias com os comprimentos dos cladódios de 26,80 e 29,51 cm, respectivamente. Já aos 300 e 375 DAP os intervalos entre eventos de irrigação com lâmina fixa não se ajustaram e nenhum modelo de regressão testado, ficando com suas médias com 30,60 e 30,61 cm, respectivamente, de comprimento de cladódios (FIGURA 19).

Aos 75 DAP todos os intervalos entre eventos de irrigação com lâmina fixa apresentaram diferença significativa a P˃0,05 em relação à testemunha em condições de sequeiro. Ao contrário, aos 150, 300 e 375 DAP todos os intervalos entre eventos de irrigação com lâmina fixa não apresentaram diferença estatística significativa a P˂0,05 em relação à testemunha. Mas já aos 225 DAP apenas os intervalos entre eventos de irrigação com lâmina fixa de 7 e 14 dias apresentaram diferença significativa P˃0,05 em relação à testemunha (TABELA 14).

Todos os intervalos entre eventos de irrigação com lâmina fixa aos 75 DAP apresentaram diferença estatística significativa com a testemunha, demonstrado que na fase inicial do crescimento da palma forrageira houve maior alongamento no comprimento dos cladódios, chegando a mais de dois terços dos valores do comprimento final aos 375 DAP. Do contrário, todos os intervalos entre eventos de irrigação com lâmina fixa aos 150, 300 e 375 DAP não apresentaram diferença estatística significativa em relação à testemunha em condições de sequeiro, demonstrando que as fases de crescimento submetidas aos rigores do clima (chuvas, evapotranspiração e luminosidade) e manejo (fertirrigação) não foram suficientes para influenciar o comprimento do cladódio dos intervalos entre eventos de irrigação com lâmina fixa em relação à testemunha. Entretanto, aos 225 DAP somente os intervalos entre eventos de irrigação com lâmina fixa de 7 e 14 dias apresentaram diferença estatística significativa em relação à testemunha (sequeiro), justamente no período posterior as chuvas, quando ocorreu diminuição do crescimento da planta e queda dos cladódios, consequentemente, redução do comprimento dos cladódios. Há de se inferir que o alongamento dos cladódios ocorreu nos primeiros meses após o plantio e que as condições de

umidade natural provocadas pelo período chuvoso nas condições do experimento foram suficientes para provocar um considerável alongamento dos cladódios na fase inicial e depois, praticamente com exceção dos intervalos entre eventos de irrigação com lâmina fixa de 7 e 14 dias aos 225 DAP, se manterem sem haver diferença significativa de acordo com o crescimento nas demais fases em relação à testemunha em condições de sequeiro.

Tabela 14 – Resumo da análise de variância e médias para comprimento dos cladódios da palma forrageira em resposta aos intervalos entre eventos de irrigação com lâmina fixa (3,5 mm p/ evento) e densidades de plantio sob aplicação de efluente doméstico tratado.

GL Quadrados Médios 1 Causa de Variação CC_CL_C1 CC_CL_C2 CC_CL_C3 CC_CL_C4 CC_CL_C5 Blocos 3 4,6302ns 3,2871ns 5,1625ns 5,1625ns 5,1625ns IILF (3,5 mm p/ evento) (4) 165,4556** 19,7973ns 33,8893ns 33,8893* 33,8893ns Contraste 1 500,2593** 3,8557ns 55,4977* 55,4977ns 55,4977ns Regressão Linear 1 127,2036** 0,0854ns 14,5027ns 14,5027ns 14,5027ns Regressão Quadrática 1 28,8482ns 74,7653** 50,6750ns 50,6750** 50,6750ns Desvio de Regressão 1 5,5114ns 0,4827ns 14,8819ns 14,8819ns 14,8819ns Resíduo (a) 12 9,6387 7,7645 10,9204 10,9204 10,9204 Densidade de Plantio (DP) 2 1,8642ns 0,8245ns 2,0305ns 2,0305ns 2,0305ns Interação (TRxDP) 8 4,9210ns 8,8275ns 15,5525ns 15,5525ns 15,5525ns Resíduo (b) 30 3,5264 4,3850 6,9269 6,9269 6,9269 CV 1 13,6 9,6 10,9 10,9 10,9 CV 2 8,2 7,2 8,7 8,7 8,7

DENSIDADE DE PLANTIO Médias

2

CC_CL_C1 CC_CL_C2 CC_CL_C3 CC_CL_C4 CC_CL_C5

33.333 22,95 a 29,11 a 30,23 a 28,59 a 30,22 a

52.282 22,46 a 28,73 a 30,38 a 28,10 a 30,62 a

66.667 23,03 a 28,80 a 29,77 a 28,26 a 30,11 a

IILF (3,5 mm p/ evento) Médias

3 CC_CL_C1 CC_CL_C2 CC_CL_C3 CC_CL_C4 CC_CL_C5 2,3 25,26+ 27,61ns 29,87ns 27,31ns 30,78ns 7 26,27+ 30,07ns 32,50+ 29,89ns 31,53ns 14 24,14+ 30,43ns 30,98+ 28,69ns 30,95ns 21 21,36+ 27,92ns 29,06ns 27,35ns 29,18ns Sequeiro (testemunha) 17,04 28,37 28,20 28,35 29,14 DMS 3,56 3,19 3,79 2,07 2,55

1– **, * e ns: significativo a 1 % e 5 % e não significativo, respectivamente.

2– Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem pelo teste de Tukey (P˃0,05).

3– + Significativo e superior à testemunha, pelo teste de Dunnett, em nível de 5 % de probabilidade; - Significativo e inferior à testemunha, pelo teste de Dunnett, em nível de 5 % de probabilidade e ns não significativo, pelo teste de Dunnett, em nível de 5 % de probabilidade.

O comprimento médio dos cladódios das plantas de palma forrageira está relacionado diretamente com a disponibilidade de água e nutrientes, que são influenciados pela interceptação luminosa utilizada pela planta para a fotossíntese, cujo desempenho é afetado pelo espaçamento e densidade de plantio. O adensamento fez com que as plantas emitissem brotos verticais, uma vez que não houve espaço para que estes fossem emitidos lateralmente. Por outro lado, os cladódios não conseguiram se desenvolver devido à sobreposição. Como a planta tem a necessidade de crescer, acaba emitindo novos cladódios, sempre orientados verticalmente. Portanto, o tamanho e o número de cladódios por planta diminuiu, por passar a emiti-los apenas na vertical. Corroborando com essa linha de conclusão, Cavalcante (2014) concluiu que houve uma redução no comprimento dos cladódios com o aumento da densidade de plantio. A maior população de plantas eleva a competitividade por nutrientes e interceptação luminosa. Já Silva (2014), encontrou resposta linear negativa ao aumento das densidades de plantio no cultivo de palma forrageira para o comprimento médio dos cladódios. O autor verificou que o comprimento dos cladódios varia de 31,9 a 27,6 cm na palma forrageira gigante, 27,1 a 24,2 cm na palma redonda e de 22,1 a 19,3 cm na palma miúda, respectivamente, da menor para a maior densidade de plantio.

No entanto, contrariando os estudos acima citados, este experimento não apresentou diferença significativa entre as densidades de plantio, ou seja, não houve diferença significativa entre as densidades estudadas no comprimento médio dos cladódios com o aumento da densidade de plantio. Entretanto, só houve diferença significativa em todos os intervalo entre eventos de irrigação com lâmina fixa aos 75 DAP e exceção nos intervalos entre eventos de irrigação com lâmina fixa de 7 e 14 dias aos 225 DAP, sendo estes influenciados pelo ajuste fisiológico das plantas como resposta ao inicio do período seco do ano (sem chuvas). O que pode também explicar este fenômeno é o excesso de adubação orgânica e mineral na fundação, aliado ao excesso de água das chuvas e de irrigação no primeiro semestre do ano. O mesmo resultado acontece aos 300 DAP com a resposta fisiológica das plantas a tendência para perda de cladódios em relação à fase anterior (225 DAP), cuja consequência foi à diminuição das dimensões dos cladódios por conta da diminuição da oferta de água, dentre eles, a redução do comprimento médio.

Aos 75 e 150 DAP o intervalo entre eventos de irrigação com lâmina fixa de 2,3 dias apresentou um comprimento médio de cladódio de 26,28 cm-1 e 27,61 cm-1, respectivamente. Média superior à encontrada por Silva et al. (2015), estudando o comprimento dos cladódios das três cultivares gigante, sertânia e orelha de elefante estudadas aos 30, 60, 90, 120 e 150 dias após o plantio, que observaram que as três cultivares tiveram médias muito próximas,

contudo a cultivar IPA – sertânia (baiana) foi a que evidenciou maiores médias, obtendo aos 150 DAP 24 cm de comprimento do cladódio. A cultivar orelha de elefante evidenciou um comprimento médio de cladódios aos 30, 60 e 150 DAP de 5,85, 19,87 e 21 cm-1, respectivamente.

Aos 225 DAP os intervalos entre eventos de irrigação com lâmina fixa de 2,3, 7, 14 e 21 dias apresentaram comprimento médio de cladódio de 29,87, 32,50, 30,98, 29,06 cm-1, respectivamente. As médias deste estudo foram superiores as médias encontradas por Oliveira Júnior et al., (2009) aos 210 DAP, que verificaram média do comprimento de 25,8 cm-1, para a cultivar italiana. Y (CC_C1) = 26,808 – 0,230139**X R2 = 78,73 Y (CC_C2) = 26,011 + 0,793398*X – 0,033547*X2 R2 = 99,36 Y (CC_C3) = 30,60 R2 = ns Y (CC_C4) = 26,546 + 0,53442**X – 0,024075**X2 R2 = 74,65 Y (CC_C5) = 30,61 R2 = ns

Figura 19 – Comprimento de cladódios da palma forrageira aos 75, 150, 225, 300 e 375 DAP (cm-1) em função dos intervalos entre eventos de irrigação com lâmina fixa(3,5 mm p/ evento) sob aplicação de efluente doméstico tratado.

O intervalo entre eventos de irrigação com lâmina fixa de 2,3 dias com água de abastecimento oriunda de poço artesiano também reforça o argumento do excesso de água e de nutrientes no primeiro semestre, assim como na adaptação morfofisiológica da planta no segundo semestre com a queda dos cladódios e consequentemente redução das suas dimensões, em especial, o comprimento dos mesmos. Aos 150 DAP o referido intervalo entre eventos de irrigação com lâmina fixa proporcionou um comprimento médio de cladódio de 27,61 cm-1, e 150 dias após esse período de avaliação, diminuiu o comprimento médio de cladódio da avaliação seguinte aos 300 DAP, cujo comprimento médio dos cladódios foi de

27,31 cm-1, menor que a avaliação anterior, apesar de não apresentar diferença estatística significativa. No entanto, com o decorrer do tempo ou o período de avaliação o comprimento de cladódio deveria aumentar e não diminuir conforme aconteceu.