• Nenhum resultado encontrado

2.3 FATORES CONTROLADORES DO PROCESSO EROSIVO

2.3.4 Comprimento e declividade das vertentes

A erosão hídrica encontra-se condicionada ao escoamento superficial das en-costas. Com o aumento da declividade e do comprimento das vertentes, produz-se o aumento da velocidade, do volume do escoamento e sua capacidade de transporte e, portanto, o aumento da ação destrutiva sobre a superfície, elevando as perdas de solo por erosão (MORGAN, 2005; ZACHAR, 1982).

Gussak (1937 apud ZACHAR, 1982), Musgrave (1947 apud HOLY, 1980), Zingg (1940 apud HOLY, 1980) and Neal (1938 apud HOLY, 1980), entre outros, utilizaram medições de campo e dados experimentais obtidos a partir de monolitos de solo para derivar a equação empírica que relaciona as perdas de solo e o declive da encosta:

E = f(Sn) (2.2)

em que Eé a perda de solos (massa por unidade de área por unidade de tempo), Sa declividade da vertente e f encoeficientes empíricos, comnassumindo valores entre 0, 8 e 1, 5.

Faixas de erosão crítica foram estabelecidas por Wischmeier e Smith (1965), Polyakov (1964 apud HOLY, 1980) e Kostin (1945 apud HOLY, 1980) (fontes escritas em língua russa que não foram encontradas pela autora desta tese), indicando como declividade crítica para a erosão aguda as faixas de 1 a 2em solos de resistência baixa, de 3 a 5em solos de resistência média e de 6 a 7em solos de resistência alta.

Quanto ao comprimento da vertente, este é importante principalmente em re-lação com o incremento da vazão e o grau de confluência. À medida que estes au-mentam, a velocidade do escoamento e sua capacidade de transporte mudam. Assim, tendo uma declividade constante na encosta e uma chuva de duração suficiente para prover o tempo necessário para as partículas de água percorrer o percurso da divisória até o pé da encosta, o escoamento, sua intensidade e o esforço tangencial aumentarão com o comprimento da vertente e, portanto aumentará a intensidade da erosão (HOLY, 1980; ZACHAR, 1982).

Dados de vários estudos mostram uma tendência ao incremento das perdas de solo com o comprimento da vertente como resultado da evolução da erosão laminar para uma erosão pela concentração do escoamento em canais (NORD; ESTEVES, 2010;

HOLY, 1980).

As relações empíricas obtidas na base de parcelas experimentais foram do tipo:

E= f(Ln) (2.3)

em que E é a perda de solos (massa por unidade de área por unidade de tempo), L o comprimento da vertente e f encoeficientes empíricos. Os valores registrados paran, por diferentes pesquisadores, estiveram entre 0, 5 e 1, 5.

A combinação do comprimento e declividade das vertentes produz efeitos ero-sivos agudos, portanto pesquisas que avaliaram estes efeitos concluiram que quanto menor a declividade crítica, maior o comprimento crítico (no maior número dos casos).

Assim sendo, para encostas íngrimes o comprimento de vertente crítico será próximo de zero, sinalizando que o solo nesta condição precisa ser protegido. Estes dois fatores

são comumente utilizados na definição do tipo e localização de medidas de controle da erosão (ZACHAR, 1982; HOLY, 1980).

Estudos realizados por Zhang et al. (2017), para avaliar os efeitos do compri-mento e declividade da vertente nos processos de erosão interravinar em solos francos, contemplaram 250 eventos de chuva simulados (48, 62, 102, 149 e 170 mm/h) com du-ração de 60 minutos, declividades de vertente (DV) de 17, 6; 26, 8; 36, 4; 46, 6 e 57, 7% e comprimento de vertente (CV) de 0, 4; 0, 8; 1, 2; 1, 6 e 2, 0 m. Os resultados obtidos mos-traram incrementos nas taxas de erosão interravinares com o aumento da intensidade da chuva para todos os gradientes e comprimentos de vertente, com menor sensibili-dade ao incremento de CV. Os efeitos de CV na taxa de erosão por unisensibili-dade de área aumentaram entre 40 e 80 cm, no entanto, decresceram com incremento de CV para a maioria das DV nas intensidades de chuva testadas. A maior diminuição na taxa de erosão com o incremento do CV foi observada para as maiores intensidades de chuva (entre 80 e 120 cm), porém dita tendência foi revertida com o aumento de CV 160 a 200 cm.

A tendência da concentração de sedimentos foi decrescente com o incremento de CV, enquanto que a vazão unitária cresceu linearmente com o CV para todas as in-tensidades e DV com um incremento significativo da capacidade de transporte entre 40 e 80 cm. A erosão neta em cada segmento foi calculada indicando que no segundo seg-mento (40 a 80 cm) esta foi maior, atingindo o valor máximo para a máxima intensidade e DV. Para o terceiro e quarto segmento (80 a 120 cm e 120 a 160 cm, respectivamente) a erosão neta diminuiu, por efeito da deposição. Este último fato é similar ao comporta-mento já citado e registrado por Zachar (1982) em expericomporta-mentos anteriores. Finalmente, a erosão neta aumentou no ultimo segmento (160 a 200 cm). Este padrão pode-se afir-mar que depende de mudanças no transporte de sedimento devido à ação combinada do transporte por efeito do impacto das gotas e pelo escoamento superficial, que são característicos de zonas interravinares. Assim, pode-se atribuir o transporte nos primei-ros segmentos (0 a 80 cm) à ação das gotas de chuva e no último segmento, à ação do escoamento superficial havendo-se desenvolvido uma profundidade do escoamento maior.

A respeito da utilização destes dois parâmetros como critério para a introdução de medidas de proteção para as vertentes, Zhang et al. (2015) mostrou em uma bacia de 3, 2 km2, localizada em uma região com topografia montanhosa, que os critérios es-tabelecidos pela autoridade ambiental para efeitos da mudança do uso do solo, não só deveriam estar baseados no gradiente (15a 25dependendo da zona da bacia), senão também na relação existente entre os diferentes usos do solo sobre determinadas de-clividades com a erosão. Os gradientes utilizados nesta pesquisa foram divididos em seis categorias (0 a 2, 3 a 6, 7 a 15, 16 a 25, 26 a 75 e > 75),

corresponden-tes aos relevos plano, suave-ondulado, ondulado, forte-ondulado, montanhoso e forte montanhoso, respectivamente. Os resultados obtidos para os diferentes usos da terra mostraram que o grau de erosão que ocupou uma maior porcentagem de área na bacia correspondeu a solos florestais com declividades nas categorias de erosão admissível (1, 2 e 3), com uma erosão média nas categorias 4 e 5. Similar comportamento foi regis-trado no caso dos pomares. No caso de terrenos agrícolas e pousios os graus de erosão com maior porcentagem de área na bacia estiveram nas categorias 1 a 5 (erosão ligeira, média, destrutiva e muito destrutiva).

Segundo as equações definidas pelo autor, para um gradiente de 15, a erosão para os usos florestais, de pomares, agrícola e de pousio seria de 11 t/ha/a, 264 t/ha/a, 21 t/ha/a e 220 t/ha/a. Baseado no modelo e de acordo com a média de erosão admis-sível (15 a 40 t/ha/a) pela normativa da zona, as declividades críticas por uso de solo, segundo o autor, corresponderiam a 28, 21, 15e 5 para os usos florestais, de poma-res, agrícola e de pousio, respectivamente.