4.1 Padrões Culturais Avaliativos (PCAs)
4.1.1 Eixo Sobrevivência e Ascensão Social
4.1.1.4 Comprometimento com o trabalho
4.1.1.4.2 Comprometimento com o trabalho: maranhenses 129
Para este PCA, os indicadores são: “Iniciativa para o Trabalho”,
“Disponibilidade para o Trabalho”, “Funcionários maranhenses não têm o costume de faltar ao trabalho”, “Comprometimento com a tarefa”, “Perseverança no trabalho”,
“Vontade de aprender”. O PCA deste item foi representado por indicadores de mineiros e maranhenses sobre maranhenses.
Indicador 1:Iniciativa para o Trabalho Incidentes críticos
• A observação sobre comportamento de um colega maranhense também surgiu no relato do técnico TH-MG1:
“Já os outros que têm uma instrução um pouquinho a mais, já é diferente. Igual eu estava falando do menino que trabalha aqui, você vê nele, que é... Ele tem as vontades, a conduta dele é diferente desses outros.”
• O empresário EH-MG1 descreveu um de seus funcionários maranhenses como:
“[...] de uma responsabilidade infinita. Muito responsável, atencioso, consegue aprender, consegue desempenhar várias atividades. Você vai repassando e ele consegue assimilar [...].”
• Outro relato de Incidente Crítico foi dado pelo professor PH-MG1 sobre um aluno bolsista de Imperatriz-MA com quem trabalhou:
“[...] Agora, uma coisa que eu acho importante do [nome do estudante] é iniciativa. Ele, por exemplo, nas viagens para o Bico de Papagaio que a gente fez pelo projeto, ele se mostrou sempre prestativo, sempre querendo fazer as coisas, sempre... Pró-ativo, talvez seja a palavra certa.”
• “O [amigo dono de construtora] é um maranhense que eu considero um modelo de maranhense [...] Ele veio aqui para Palmas, tem um edifício [...] um prédio bem alto. O primeiro prédio daquela altura aqui em Palmas foi ele que fez.” (EH-MA2)
Indicador 2: Disponibilidade para o Trabalho Incidentes críticos
• “Por exemplo, eu tenho uma funcionária maranhense: o que eu acho positivo?
Ela está sempre disponível. [...] É uma característica que eu percebo no maranhense. Então, assim, eu falo: “-D. (nome da funcionária), eu preciso que a senhora, hoje, trabalhe até mais tarde porque determinado funcionário faltou.” E ela fica de cara boa.” (EM-MG1)
• O auxiliar AAH-MG1, cuja esposa é maranhense, relatou: “[...] sempre quando eu preciso, que eu peço, eles estão, assim, disponíveis para me atender, para resolver [...]”.
Indicador 3: Funcionários maranhenses não têm o costume de faltar ao trabalho
Incidente Crítico
• “[Os funcionários maranhenses] são comprometidos, não têm o costume de faltar no trabalho.” (ICS) (EH-MG2)
Indicador 4: Comprometimento com a tarefa Incidente Crítico
• “[...] um funcionário, [...] quando a gente estimulou ele para estudar. Ele disse
“eu não quero, porque quem vai fazer essa minha tarefa? Eu gosto de fazer isso”. [...] A gente foi fazendo o upgrade nele de função... Ele tirou habilitação de moto [e depois de] carro [...] A gente conseguiu levar ele para o laticínio e fazer ele dirigir o caminhão de coleta de leite nas fazendas [...] ele adorou o oficio.”
(EM-MA4)
Comentário sobre Maranhenses no Coletivo
• “[Maranhense] não consegue começar e terminar alguma coisa. Mas isso aí é senso comum, eu não consegui chegar a situações como essa.” (PH-MG1) Indicador 5: Vontade de aprender
Incidente Crítico
• “[...] [o funcionário maranhense é] de uma responsabilidade infinita. Muito responsável, atencioso, consegue aprender, consegue desempenhar várias atividades. Você vai repassando e ele consegue assimilar [...].” (EH-MG1)
4.1.1.5 Comprometimento com o trabalho (sentido invertido)
O PCA “Comprometimento com o Trabalho” com sentido invertido foi construído a partir de relatos feitos por mineiros e maranhenses sobre maranhenses.
Estes relatos apareceram somente na forma de Incidentes Críticos.
4.1.1.5.1 Comprometimento com o trabalho (sentido invertido): maranhenses
Pode-se argumentar que as razões para a ocorrência deste PCA estão atreladas às condições precárias encontradas nas cidades maranhenses citadas anteriormente. Neste sentido, serão tecidos comentários de forma mais aprofundada ao final deste eixo.
Indicador 1: Falta de Iniciativa para o Trabalho Incidentes Críticos
• “Eu tive uma babá [maranhense] recentemente, que cuidava da minha filha, que ela era assim, fazia tudo, mas só se você estivesse orientando. Senão, ela chegava, sentava no sofá e passava o dia lá, sentada.” (EH-MA1)
• “[...] o comportamento é totalmente diferente do modo mineiro. Primeiro pela iniciativa que eles não têm. [...] A gente tem que solicitar a eles que façam as coisas, se não eles não agem.” (ICS) (EM-MG3)
• “As instruções tinham que ser muito bem dadas e até por escrito. Tem um pinguim na geladeira que a gente escreve: “-Limpar isso, limpar aquilo.” Se não, não limpa. Se você escrevesse, limpava. [...] Senão, realmente não fazia.” (PH-MG2)
Indicador 2: Indisponibilidade para o Trabalho Incidente crítico
• “[...] eu nunca achei elas disponíveis para trabalhar não. Não, muito pelo contrário, as pessoas que eu convivi, eu achei elas preguiçosas para trabalhar.
[...] Se não está bom aqui, vai para outro lugar trabalhar ali, para ganhar o mínimo, trabalho de sobrevivência.” (ICS) (PM-MG1)
Indicador 3: Falta ao trabalho Incidentes Críticos
• “[...] achou que a gravidez é o atestado dela de férias, que a partir desse momento não trabalha mais, não faz mais nada. [...] Ontem ela trabalhou... O último dia dela foi no sábado, domingo era folga, segunda ela arrumou um
atestado, no médico, terça-feira atestado com outro médico e apareceu hoje. O serviço que ela fez ali, ela fez menos de 50% do que ela deveria fazer.” (EH-MG1)
• “Ela [empregada doméstica maranhense] trabalhando, uma copa do mundo, que os jogos eram 15:00, 16:00 horas. [...] eu combinei com ela [...] que ela iria trabalhar até o meio dia e que depois eu iria liberar. [...] ela não ia nem no dia do jogo e nem no outro dia.” (PM-MG1)
• “Esse pintor [maranhense] [...] Chamamos ele, tabulamos já o negócio, já pagamos uma entrada, compramos material. E, a última vez, ele disse que estava com o filho doente. Tudo bem, admite-se. Mas isso já tem 15 dias. Que doença é essa?” (TH-MG2)
Indicador 4: Fazer trabalho para terceiros durante o expediente Incidente Crítico
• “[...] Trabalhei com uma pessoa [maranhense] que, no horário de serviço, fazia trabalhos para terceiros e achava que isso era totalmente natural, normal. [...]
pelo padrão que eu fui educada, eu acho que quando você tem um compromisso com uma coisa, você deve fazer somente aquilo que você está fazendo no momento e não duas ao mesmo tempo [...]” (EM-MG3)
Indicador 5: Pedir demissão para passar férias Incidente Crítico
• “[...] estamos fechando o ano [...] já com deficiência de quatro profissionais. [...]
Estão deixando de ficar na empresa, porque querem voltar para o Maranhão, passar férias e voltar só em março. [...] Vão passar as festas [de fim de ano].
Vão para a fazenda do avô, do pai.” (EH-MG1)
Indicador 6: Funcionários maranhenses utilizam artifícios para entrar com processos trabalhistas
Incidentes Críticos
• “[...] tem o livro de ponto, que ela [funcionária do restaurante] deveria assinar todo o dia, tem dia que ela assina e tem dia que ela não assina. [...]“-Não, hoje eu não quero assinar.” Mas já é a intenção de futuramente ir no Ministério do Trabalho [...] Aí você tem que usar desses instrumentos, colocar lá: “-O livro de ponto fica disponível, ela não assina porque não quer.” (EH-MG1)
• “Ela entrou, e meu marido queria assinar a carteira, aí ela não quis porque ela recebia esse auxílio, do governo, desemprego. [...] Mas ela não atendia [...] era lenta, era preguiçosa, não era o que ele queria, aí ele foi dispensar, e ela falou em entrar na justiça [...] ele tinha, é claro, os recibos, ele pagava tudo certinho, aí falou: “-Não, você pode entrar, sim, porque realmente eu errei de não ter assinado para te favorecer, mas eu tenho comprovação de que você recebeu, então você vai ter de devolver para o governo o que você recebeu do governo, que você também agiu errado.” (TM-MG1)
• “[...] ele [funcionário maranhense] entrou na justiça [...] Ele alegou que pode atender o cliente, diga-se de passagem mal e porcamente...” (EM-MG1)
• “A grande quantidade, se eu levar para o lado do trabalho, de problema na justiça do trabalho que eu tive, foram com maranhenses.” (EM-MA2)
Indicador 7: Chegar atrasado Incidente Crítico
• “[...] o cara chega atrasado demais, o cara reclama:’ - me dá logo um aumento de salario, dá não sei o quê’ e o cara não merece nem o que já recebe” (EH-MA2)
Faz-se verídica a informação de que, ao longo deste item, há um quantitativo maior de incidentes críticos envolvendo maranhenses com sentido invertido ao do PCA “Valorização do Trabalho”. No item a seguir, serão comparados os indicadores para este PCA, em termos de mineiros e maranhenses.