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2 MEMÓRIAS DAS LIÇÕES DE “RETIRANTES” DA ZONA

2.4 Compromisso político no campo profissional

Meu primeiro trabalho remunerado foi aos 13 anos e teve relação com o ensino, especificamente o acompanhamento das crianças da vizinhança em seus deveres de casa. Dentre elas, estavam os dois filhos de Neusa. Como dito, Neusa era praticamente analfabeta, e não conseguia orientar os filhos nas tarefas escolares. Então, ofereceu-me uns trocados para fazê-lo. Desempenhei esse tipo de atividade até os 17 anos, suspendendo-a para fazer o cursinho pré-vestibular, e ela me foi muito útil para saber quanto era bom ter meu próprio dinheiro.

Já na faculdade, paralelamente à participação no movimento estudantil e à militância em um partido trotskista, aproximei-me, em 1967, do ambiente da pesquisa, candidatando-me a uma vaga de estagiária no então Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais (IJNPS), para aplicar questionários fechados. Tratava-se de estudo sobre produtos industrializados no Nordeste, coordenado pelo Dr. Antonio Carolino Gonçalves, para o qual os alunos do curso de Ciências Econômicas eram bem avaliados. O ambiente físico e intelectual, bem como o objeto e os objetivos do Instituto constituíam um lugar ideal para se trabalhar.

A má fama de Gilberto Freyre como direitista me constrangia, mas ouvi-lo discorrer em uma palestra, os seus modos polidos e sua fala cheia de entusiasmo e sabedoria me encantaram. O estágio acabou e eu guardei uma lembrança motivadora daquele momento. Em seguida, fiz um estágio na Sudene, onde cataloguei material de pesquisa e, por último, no terceiro ano de faculdade, conquistei um estágio no Banco de Desenvolvimento de Pernambuco (Bandepe), onde prestei concurso público para técnica de nível médio.

Naquele início de 1968, nem o Banco do Brasil nem o Bandepe, contratavam mulheres para carreiras técnicas, mesmo que não houvesse explicitamente em seus estatutos tal proibição. Os indivíduos do sexo feminino só eram admitidos para prestar serviços de secretaria, limpeza e arrumação. Foi uma imensa luta, com várias audiências com o presidente e os diretores das diferentes carteiras do banco, para que eu fosse aceita como candidata a técnica. O argumento central para o pleito foi: se eu podia ser estagiária na área técnica, por que não poderia ser funcionária? Vencida essa etapa e a de aprovação, tudo parecia resolvido, mas não foi assim. A cassação dos direitos estudantis também promovia a interdição dos estudantes em outros espaços públicos: logo perdi o emprego recém-conquistado por meio de concurso público.

O período de um ano e meio no Bandepe me fez lidar com processos de gestão de propostas de desenvolvimento de Pernambuco por meio de empréstimos e assistência técnica

para microempresários. Entrei, pois, em contato com as mulheres microempreendedoras das periferias e, por informações dos colegas, tomei conhecimento de que elas eram melhores pagadoras do que os homens. Interessei-me, então, por assumir a responsabilidade de analisar e acompanhar os seus projetos. Elas eram muito poucas em relação aos homens, assim eu dava conta de assisti-las. O aprendizado com essas mulheres alicerçou a minha iniciativa de abrir uma pequena firma, quando fui expulsa da faculdade e exonerada do Banco, para prestar serviços de datilografia aos escritórios de planejamento que faziam projetos para captar recursos administrados pela Sudene e disponibilizados pelo artigo 34/18.74 O fluxo de projetos era volumoso; estávamos no começo do “Milagre Brasileiro”,75 de maneira que eu tinha muito trabalho, mas a política no país era ameaçadora e em 1971 optei pelo exílio e não pela clandestinidade.

Como o “destino” irônico não poupa ninguém, ao voltar para o Brasil, fui trabalhar no escritório de um grupo de usinas, como gerente administrativa e de pessoal. Tal fato colocou- me diante da oportunidade de ver, por dentro, o outro lado da Zona Canavieira, os patrões, e retornei, dessa forma, a um ciclo de conhecimentos que havia aberto na infância.

Naquele momento, as usinas passavam por mais uma crise, porém, o Pro-Álcool76

parecia ser uma luz no fim do túnel, principalmente para o patronato. Não foi. As usinas pernambucanas não eram, nem nunca mais foram, rentáveis. Seus senhores deviam aos montes ao erário público, muito embora continuassem engolfados como grandes patriarcas. Durante um ano de trabalho submetido aos seus interesses, pude, mais do que nunca, recordar a figura de Severina, Salete, Conceição, Neuza e Mariazinha, entender que na Zona Canavieira a escravidão não terminara, e as mulheres continuavam a ser exploradas mais do que os homens, além de impunemente assediadas e abusadas sexualmente pelos senhores. Foi curta nossa convivência.

74 Para maior compreensão dessa questão, ver o trabalho de Albert O. Hirschman (1967).

75 Milagre Brasileiro ou Milagre Econômico Brasileiro foi a denominação dada ao período da História do Brasil

compreendido entre 1968 e 1973. Dele constam incentivos fiscais, realização de obras de grande porte, a exemplo da rodovia Transamazônica, e a usina de Itaipu, projetos de mineração e a estruturação do sistema habitacional. Os recursos para a realização das iniciativas foram conseguidos, seja por meio de empréstimos internacionais, o que onerou significativamente a dívida externa, seja com a criação do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Esse novo imposto, até hoje recolhido do trabalhador, foi usado para estimular a construção civil. O Milagre Brasileiro nem durou muito nem favoreceu as classes trabalhadoras, tendo o salário mínimo alcançado o mais baixo valor da história, U$ 100 (cem dólares), além de prejudicar os investimentos em saúde, educação, infraestrutura e previdência social, mesmo que tenha ocasionado um impacto positivo sobre a classe média. São desse momento os slogans: “Ninguém segura este país”, “Pra frente Brasil” e “Brasil: ame-o ou deixe-o”.

76 O Programa Nacional do Álcool (Pró-Álcool) foi uma iniciativa do governo Ernesto Geisel, legalizado pelo

Decreto n.º 76.593, de 14/11/1975, cujo objetivo era estimular a produção do álcool, visando ao atendimento dos mercados interno e externo e à política de combustíveis automotivos.

Em 1982, abre-se um novo momento profissional e político. Por meio de uma seleção, fui admitida como gerente administrativa do Instituto de Pesquisas Sociais da Fundação Joaquim Nabuco. A situação de estar longe e perto do campo da investigação científica repetia-se, alimentando o sonho de ser pesquisadora, despertado em 1966 e renovado no Chile, em 1972, com os tosquiadores de ovelhas.

Para melhor marcar o meu reengajamento político e profissional no Brasil, em face das mulheres da Zona Canavieira, considero importante, antes de avançar em qualquer outra narrativa, registrar que no ano de 1984 foi criado o Centro das Mulheres do Cabo, organização popular de mulheres localizada no Cabo de Santo Agostinho, município cujas características fundamentais são: ser produtor de cana desde o século XVI, localizar-se na entrada da Mata Pernambucana e, atualmente, dividir com Ipojuca os problemas sociais trazidos pelo crescimento econômico do Porto de Suape, como o aumento da violência doméstica e urbana contra as mulheres, o aumento dos casos de abuso e exploração sexual de meninas e mulheres, a reprodução da distribuição desigual de benefícios e oportunidades entre os sexos com desvantagens para as mulheres, a constante ausência de políticas públicas para as mulheres.77

O Centro das Mulheres do Cabo, com seus modos próprios de fazer política em favor das populações femininas, inaugurou a interiorização da luta pelos direitos das mulheres de tal forma que sua presença repercutiu positivamente no conjunto da Zona Canavieira, vindo a surgir, em seguida, coletivos semelhantes em outros municípios, questão que tratarei com profundidade na seção 7 relativa ao Feminismo no Brasil.

Da mesma data, é o começo das lutas das mulheres trabalhadoras rurais pela sindicalização feminina. As tensões geradas no processo de promover a igualdade de gênero nos órgãos de classe vão redundar, dois anos mais tarde (1986), na criação de uma entidade autônoma: o Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste (MMTR-NE),78 e em 1988 na eleição da primeira mulher, Gedalva de Carvalho, Sergipe, para a diretoria da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag),79 se bem que na condição de suplente. O desenrolar desse processo culmina com a oficialização, em 1995, da Comissão Nacional de Mulheres Trabalhadoras Rurais, nos estatutos da entidade, cuja Coordenadora,80

77 Para aprofundar essa questão, ver o trabalho de Hyldiane Pereira de Lima et al. (2015).

78 O MMTR-NE foi criado pelas trabalhadoras do Sertão Central de Pernambuco e do Brejo Paraibano, conforme

os conteúdos do livro intitulado A estrada da sabedoria (MMTR-NE, 2008).

79 A Contag foi criada em 22 de dezembro de 1963 e reconhecida em 31 de janeiro de 1964 pelo Decreto

Presidencial n.º 53.517.

80 Margarida Maria Alves da Silva (Ilda) era membro do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de

Margarida Maria Alves da Silva (Ilda), passou a integrar a Diretoria da Contag e, mais tarde, juntou-se ao MMTR-NE, vindo a exercer o cargo de Secretária Executiva do movimento.

Em todos esses espaços de empoderamento das mulheres, a demanda por Educação sempre foi uma prioridade. A educação, porém, é um terreno da vida brasileira que jamais apresentou um perfil estável e coerente com as necessidades da população em geral, muito menos com as das mulheres e das comunidades rurais. Conteúdos, formatos, horários e carga horária sempre foram discrepantes com a divisão sexual do trabalho, o que prejudica diretamente as mulheres e as populações rurais, e, por isso, recebe a crítica feminista e dos movimentos do campo desde o começo, como ilustram as citações de textos escritos por Nísia Floresta, Bertha Lutz, Carmen Silva, Rita de Cássia Costa Moreira, nos anos de 1832, 1919, 1960 e 2012 respectivamente. Suas observações tangenciam a discussão sobre as mulheres, a educação, a ciência e os preconceitos, em uma censura à preponderância masculina.

Porém deixemos falar uma vez a verdade: por que [os homens] se interessam em nos separar das ciências a que temos tanto direito como eles, senão pelo temor de que partilhemos com eles, ou mesmo os excedamos na administração dos cargos públicos, que quase sempre tão vergonhosamente desempenham? (FLORESTA, Nísia, 1989, p. 52).

[...] a luta das mulheres deve ser a de garantir direitos iguais, em primeiro lugar, à instrução e ao trabalho, para o qual deve dispor dos mesmos meios e pelo qual deve receber a mesma remuneração. Além desses direitos, tem a mulher outros, quais sejam: o de garantir e proteger seus interesses civis e o de dar sua opinião em questões públicas, de modo especial, nas que mais de perto possam atingir seu bem-estar e o das crianças. (LUTZ, Bertha, 1919). A relação homem-mulher é o terreno onde mais frequentemente se observa a persistência de conceitos antiquados, de modos de ver que estão em oposição frontal com as mais importantes conquistas científicas, sociais, políticas e morais dos últimos cem anos. (SILVA, Carmen, 1991 apud SANTOS, Celiane Souza, 2015, p. 14).

O início do século XX marca um ‘novo’ período para a educação feminina, fruto das reivindicações e discussões feministas em diferentes partes do mundo e principalmente na Europa. Ainda que dirigidas por homens, as mulheres passam a ocupar também hospitais, universidades e outros setores da sociedade marcadamente masculinos. Isto dá visibilidade à participação feminina e inspira estudos e pesquisas sobre sua decisiva atuação como sujeito histórico. As mulheres passam a compor estatísticas, a ter seus problemas discutidos, a ter sua condição de vida analisada na interface com outras categorias: classe social, etnia, religião etc.; são denúncias, legitimações e lutas contra o sexismo, a misoginia em diferentes veículos e linguagens. Feminismo, Epistemologia Feminista, História das Mulheres, Estudos de Gênero... caminhos de mobilização política, das conquistas femininas; campos teórico‐metodológicos para investigação, para visibilização e legitimação. (MOREIRA, Rita de Cássia, 2012, p. 3.225).

As dificuldades das mulheres com educação para si e para os seus filhos continuavam grandes ainda nos anos de 1986-1987, o que vai repercutir no processo constituinte, com a explicitação de demandas concretas por creches, escolas com horário integral, etc. Na outra ponta da questão, também são tomadas providências para influir nos resultados da Constituinte, tais como: o Ministério da Educação firma Convênio com a Fundaj, apoiado pelo Banco Mundial, encomendando o desenho de um plano estratégico de quinze anos para a educação no Nordeste, cujo conteúdo deveria ser crítico às perspectivas emanadas da ditadura.

Fui, então, escalada para participar do comitê técnico de tal ação, tendo como tarefa elaborar o texto, que intitulei Perfil sócio-político-econômico da mulher no Nordeste. Nesse documento, defendi a ideia de que o Ministério da Educação assumisse as creches como instância educacional, bem como viesse a adotar o regime de tempo integral para os ensinos primário e secundário como forma de garantir a todas as crianças uma assistência qualificada e às mães a possibilidade de voltar à escola ou trabalhar. Foram muitas as resistências, como acontece hoje. Posso dizer, contudo, que os oito meses de trabalho, com discussões e debates com especialistas em educação de várias partes do Brasil, foram muito frutíferos para a minha compreensão, do comportamento do machismo na educação formal, como para, mais tarde, montar programas de educação para as mulheres, seja colaborando com o MMTR-NE no período entre 2000-2006, seja com a Rede Mulher&Democracia, durante os anos de 2004- 2006, seja no Chapéu de Palha Mulher a partir de 2007.

Na atualidade, foi o processo de debate e aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE 2011-2020), em 2014, e a perseguição à Conferência Nacional de Educação (Conae), em 2014, os testemunhos mais cabais de que a luta das mulheres por uma educação libertária ainda não terminou; pelo contrário, enfrenta uma de suas tarefas mais difíceis: livrar-se das imposições religiosas.

Como é de amplo conhecimento, o Congresso Nacional aprovou e a presidenta da República sancionou a Lei n.º 13.005, de 25 de junho de 2014, vetando as metas de enfrentamento das discriminações raciais, bem como as discussões sobre orientação sexual, identidade de gênero, e, ainda, a realização e divulgação de censos sobre a situação educacional de travestis e transgêneros, além de exclusão do incentivo para programas de formação em gênero, diversidade e orientação sexual. Esse processo, que mais parece um ritual da Inquisição, se constitui do empoderamento ilícito das religiões à frente do Estado brasileiro, ameaçando com interpretações fóbicas sobre a discussão de gênero toda a construção teórica que as mulheres construíram para que a educação formal possa lidar e

superar as desigualdades. Baseando-se na família, em deus e na natureza, e associando perigo ao marxismo, como nos anos de chumbo da ditadura militar (1964-1985), os conservadores deram um golpe na educação, negando-lhe a condição de espaço de socialização de meninos e meninas para a liberdade. Pior: trata-se de uma intervenção continuada, com base na defesa do poder absoluto da representação diante dos mecanismos legais da democracia participativa, como se depreende das palavras do deputado Sr. Izalci Lucas Ferreira,81 do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB/DF), constantes do REQUERIMENTO DE INFORMAÇÃO N.º... DE 2015, dirigido ao Sr. Ministro da Educação, na qual solicita explicações sobre o documento apresentado pelo presidente da Conae, no qual se reafirma a importância de gênero para a educação. O referido deputado, em seu requerimento de informação, exige que não haja mais discussão sobre gênero no espaço da educação brasileira, alegando que há uma lei que proíbe, mas esquece que a Conae Tem autonomia e também foi criada por lei.

Durante a votação do Plano Nacional de Educação (Lei n.º 13.005, de 25 de junho de 2014), esta Casa suprimiu a redação da terceira diretriz proposta para a Educação Brasileira, cujo artigo 2, inciso III, na redação original proposta pelo Ministério da Educação, continha os leitmotivs clássicos da ideologia de gênero: ‘identidade de gênero’ e ‘orientação sexual’. A casa também suprimiu, no restante do projeto, todas as demais alusões a estes termos. (Deputado Izalci, 2015, grifos no original).82

Após esse necessário parêntese para atualização da questão da educação e as interdições de gênero, retomo a narrativa da minha trajetória, relembrando que na década de 1980 cresciam, em número e em responsabilidades, as organizações feministas, o que suscitou, a partir de 1986, um profícuo debate sobre a integração orgânica desses coletivos. Participando ativamente desse processo em que vivia o Brasil, tornei-me, em 1988, cofundadora da instalação do Fórum de Mulheres de Pernambuco. Observe-se que esse episódio se deu, cronológica e politicamente, em meio ao processo constituinte, onde as mulheres construíram o Lobby do Baton – movimentação vitoriosa por meio da qual foram

81 O moralismo do deputado federal Izalci Lucas Ferreira (PSDB) e ex-secretário de Ciência e Tecnologia do

DF, no governo de José Roberto Arruda, não resistiu à corrupção: o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou, em 2016, a quebra do sigilo fiscal e bancário do referido deputado. Trata-se de episódio da operação Firewall da Polícia Federal, relacionado com o inquérito instaurado pelo Ministério Público Federal (MPF) para investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos no Programa de Inclusão Digital, da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP/DF). A tal Operação aponta que de um repasse de R$ 135 milhões para a Fundação Gonçalves Lêdo (FGL) em cinco anos, o desvio teria sido de R$ 30 milhões.

82 Disponível em: <http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1337320&

incluídas de maneira sistemática as demandas relativas à igualdade de gênero na Constituição Cidadã.83

Resumindo, no espaço de quase dez anos, trilhei com intensidade três caminhos. Primeiro, na administração de pesquisa, construí uma sólida carreira como gestora,84 de forma a atingir o nível de superintendente de Planejamento, o que, sem dúvida, vai me inclinar, em momentos futuros, para o campo da administração pública. Depois, na militância feminista, construí com outras mulheres o Cendo-Mulher,85 ONG feminista voltada para a documentação e pesquisa sobre as mulheres, onde coordenei um levantamento dos grupos de mulheres em Pernambuco, o que vai proporcionar-me, logo em seguida, um convite para fazer um texto sobre o movimento de mulheres em Pernambuco, cujo objetivo seria subsidiar uma pesquisa mais abrangente, coordenada pelo sociólogo Teotônio dos Santos, que em Pernambuco estava sob a responsabilidade da pesquisadora Vileni Garcia. Por último, dei início ao meu mestrado, ligando-me ao Departamento de Ciência Política da UFPE, onde, em 1991, defendi a dissertação O Feminismo: a mudança do paradigma e passei, finalmente, a trabalhar como pesquisadora.