14. INQUÉRITO CIVIL
14.4. COMPROMISSO/TERMO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA (CAC/TAC)
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2019.1 112 Art. 5º, §6º da LACP.
LACP Art. 5º, § 6° Os órgãos PÚBLICOS legitimados poderão tomar dos interessados compromisso de ajustamento de sua conduta às exigências legais, mediante cominações, que terá eficácia de TÍTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL. (Incluído pela Lei nª 8.078, de 11.9.1990) (Vide Mensagem de veto) (Vide REsp 222582 /MG - STJ)
As demais regras serão encontradas na Resolução n.23 do CNMP.
14.4.2. Natureza do termo
Prevalece na doutrina que o TAC é uma TRANSAÇÃO.
Outra corrente: Natureza de reconhecimento jurídico do pedido. O que está sendo discutida nessa apuração é o interesse coletivo. Se assim o é, ele não pertence ao órgão celebrante do termo, mas sim à coletividade. Logo, é um interesse indisponível. Prova disso é que o órgão celebrante não pode abrir mão do conteúdo da obrigação, mas apenas pode negociar a forma de cumprimento.
14.4.3. Legitimação
Conforme o art. 5º, §6º, quem pode celebrar o TAC são os órgãos públicos (MP, Defensoria Pública, Administração Pública Direta, autarquias e fundações de Direito Público). Ou seja, as empresas públicas, sociedades de economia mista e associações (dentre as legitimadas para propor ACP) não podem celebrar TAC.
FRISE-SE: Um legitimado não depende da concordância dos outros.
14.4.4. Facultatividade
O STJ, no julgamento do Resp 596764, entendeu que inexiste um direito público subjetivo de quem quer que seja à celebração de TAC com os órgãos públicos legitimados, em especial, o MP.
Trata-se duma faculdade de quem pode propor aceitar/recusar, celebrar ou não, o TAC. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. TERMO DEAJUSTAMENTO DE CONDUTA. NÃO OBRIGATORIEDADE DE O MINISTÉRIO PÚBLICOACEITÁ-LO OU DE NEGOCIAR SUAS CLÁUSULAS. INEXISTÊNCIA DE DIREITOSUBJETIVO DO PARTICULAR. 1. Tanto o art. 5º, § 6º, da LACP quanto o art. 211 do ECA dispõem que os legitimados para a propositura da ação civil pública "poderão tomar dos interessados compromisso de ajustamento de sua conduta às exigências legais". 2. Do mesmo modo que o MP não pode obrigar qualquer pessoa física ou jurídica a assinar termo de cessação de conduta, o Parquet também não é obrigado a aceitar a proposta de ajustamento formulada pelo particular. Precedente. 3. O compromisso de ajustamento de conduta é um acordo semelhante ao instituto da conciliação e, como tal, depende da convergência de vontades entre as partes. 4. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ - REsp: 596764 MG 2003/0177227-5, Relator:
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2019.1 113 Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, Data de Julgamento: 17/05/2012, T4 - QUARTA TURMA, Data de Publicação: DJe 23/05/2012)
14.4.5. Responsabilidade pela má celebração do TAC ou não fiscalização do seu cumprimento
Resultado: Responsabilidade do celebrante por improbidade administrativa, sem prejuízo de outra ACP para a reparação do dano.
Art. 9º O órgão do Ministério Público que tomou o compromisso de ajustamento de conduta deverá diligenciar para fiscalizar o seu efetivo cumprimento, valendo-se, sempre que necessário e possível, de técnicos especializados.
Parágrafo único. Poderão ser previstas no próprio compromisso de ajustamento de conduta obrigações consubstanciadas na periódica prestação de informações sobre a execução do acordo pelo compromissário.
Art. 10. As diligências de fiscalização mencionadas no artigo anterior serão providenciadas nos próprios autos em que celebrado o compromisso de ajustamento de conduta, quando realizadas antes do respectivo arquivamento, ou em procedimento administrativo de acompanhamento especificamente instaurado para tal fim.
Art. 12. O Ministério Público tem legitimidade para executar compromisso de ajustamento de conduta firmado por outro órgão público, no caso de sua omissão frente ao descumprimento das obrigações assumidas, sem prejuízo da adoção de outras providências de natureza civil ou criminal que se mostrarem pertinentes, inclusive em face da inércia do órgão público compromitente.
14.4.6. Termo lacunoso
Ocorre quando o TAC não é capaz de resolver todo o problema. Nesta circunstância, de acordo com a doutrina, poderá ser realizado outro TAC em caráter complementar ou ser proposta uma ACP, exclusivamente, para reparar o prejuízo não ajustado.
14.4.7. TAC’s incompatíveis entre si
Art. 6º As entidades e órgãos da Administração Pública destinados à defesa dos interesses e direitos protegidos pelo Código de Defesa do Consumidor poderão celebrar compromissos de ajustamento de conduta às exigências legais, nos termos do § 6º do art. 5º da Lei nº 7.347, de 1985, na órbita de suas respectivas competências.
§ 1º A celebração de termo de ajustamento de conduta não impede que outro, desde que mais vantajoso para o consumidor, seja lavrado por quaisquer das pessoas jurídicas de direito público integrantes do SNDC. Prevalecerá o TAC mais vantajoso ao celebrante
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2019.1 114 Não cumprido o TAC, pode-se executá-lo judicialmente (título executivo extrajudicial). Se não há cumprimento, o MP, celebrante ou interessado poderão executar o TAC.
14.4.9. Objeto
Geralmente os TACs contemplam execução de fazer/não fazer, de modo que a execução se dá pelo art. 815 do CPC/2015.
Art. 815. Quando o objeto da execução for obrigação de fazer, o executado será citado para satisfazê-la no prazo que o juiz lhe designar, se outro não estiver determinado no título executivo.
14.4.10. Condição de celebração do TAC
A celebração é, geralmente, condicionada pela multa. Essa multa tem natureza muito parecida com a astreinte. A multa funciona como pressão para o acusado.
FRISE-SE, no entanto, que pode existir outro tipo de cominação (“castigo”). A multa não é, necessariamente, uma condição para o TAC.
Vide art. 5º, §6º, da LACP e art. 4º da Resolução do CNMP nº 179/2017:
LACP Art. 5º Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar: (...)
§ 6° Os órgãos públicos legitimados poderão tomar dos interessados compromisso de ajustamento de sua conduta às exigências legais, mediante cominações, que terá eficácia de título executivo extrajudicial. Res. CNMP. Art. 4º O compromisso de ajustamento de conduta deverá prever multa diária ou outras espécies de cominação para o caso de descumprimento das obrigações nos prazos assumidos, admitindo-se, em casos excepcionais e devidamente fundamentados, a previsão de que esta cominação seja fixada judicialmente, se necessária à execução do compromisso.
A celebração é condicionada pela multa. Essa multa tem natureza muito parecida com a astreinte. A multa funciona como pressão para o acusado.
14.4.11. Celebração do TAC no curso do IC
Implica em arquivamento do IC, por isso depende da homologação do arquivamento pelo órgão superior do MP. Em outras palavras, diante do acordo, o IC será arquivado e consequentemente a validade do TAC será condicionada a homologação do órgão superior.
14.4.12. Celebração de acordo no âmbito da ACP já ajuizada pelo MP
Aqui, o acordo não fica sujeito a controle do órgão superior do MP, mas sim do juiz.
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2019.1 115 Grosso modo, é um TAC parcial. Não impede a propositura da ACP contra outros investigados, ou para alcançar outros pedidos. Em sendo o compromisso celebrado, não haverá o arquivamento do IC ou extinção da ACP, pois o procedimento segue quanto às questões não contempladas no compromisso.
14.4.6. Em regra, não cabe TAC em improbidade administrativa (VER LIA)
O §1º do art. 17 da Lei de Improbidade Administrativa foi revogado pela MP 703/2015. Assim, em tese, passou-se a admitir transação, acordo ou conciliação.
Exceção: Os MPs têm admitido esse TAC para fins de reparação do dano, se o funcionário responsável for raso e a Administração já o tiver sancionado eficazmente.
14.4.7. Impugnação dos compromissos e transações
Para Mazzilli, o acordo EXTRAJUDICIAL é uma garantia mínima, motivo pelo qual se qualquer outro colegitimado coletivo não o aceitar poderá desconsiderá-lo e buscar diretamente os remédios jurisdicionais cabíveis. Por esse motivo, o STJ já reconheceu a legitimidade do MP em defender o meio ambiente, apesar de o causador do dano já ter assumido compromisso de ajustamento de conduta perante outro órgão estatal (Resp 265.300).
A situação é um pouco mais complexa quando se trata de acordos JUDICIAIS (transações ou compromissos homologados judicialmente). Para Didier, a homologação de acordo judicial em causa coletiva produz coisa julgada erga omnes, impedindo a repropositura da demanda por qualquer dos colegitimados. No entanto, caso se mostrem irresignados, possibilita-se àqueles a interposição de recurso (ou outro meio de impugnação, a exemplo das ações anulatórias), questionando a homologação do acordo e postulando o prosseguimento do feito em direção à heterocomposição.
Na seara individual, há quem diga (Mazzilli) ser possível ao indivíduo recusar o acordo (judicial ou extrajudicial) por meio de ações individuais (exceptio male gesti processus).
Por sua vez, José Marcelo Vigliar discorda ao afirmar que o terceiro titular de direito individual que se sinta afetado com o acordo celebrado não poderá recorrer da sentença que homologa acordo judicial em ação coletiva, por não possuir interesse recursal, na medida em que a coisa julgada coletiva se estende às causas individuais in utilibus.
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AÇÃO POPULAR (Lei nº 4.717/65)
1. GENERALIDADES