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Através da evolução do conceito de escola, do papel que lhe é atribuído no seio do Sistema Educativo e da sociedade, em geral, houve a necessidade e a decisão política de elaborar um Projecto Educativo. Na perspectiva de Sousa “ O Projecto Educativo de Escola (PEE), tornou-se um instrumento essencial para a vida das escolas nas últimas décadas, pelo que dada a sua importância, urge reflectir a sua estrutura e a sua eficácia de maneira a adaptá-lo às novas exigências sentidas pela escola e feitas pela sociedade (...).” (2004, p.1). Logo é uma estratégia importante no planeamento da vida da escola e também no fortalecimento da relação Escola-Sociedade.

A crise que a escola dos nossos dias atravessa reflecte a crise social da actualidade, por esse modo torna-se importante analisar se os instrumentos de planeamento (PEE) estão a ser adequados à escola que temos e à escola que poderemos vir a ter. (SOUSA, 2004, p.1)

O Projecto Educativo tem vindo a sofrer ao longo do tempo diversas adaptações e oscilações, sabendo que tem como função planear a escola, contudo continua a utilizar as mesmas finalidades do passado.

Uma das preocupações da escola é preparar os jovens para a vida em comunidade, mais especificamente para a actividade profissional, mas ainda existe uma fraca interacção da escola com a comunidade civil; seguidamente o autor acima citado, enumera alguns aspectos pelos quais o PEE deverá resolver:

a) a escola tem de cativar o poder local para intervir no processo educativo dos seus filhos;

b) tem de resolver a separação entre os encarregados de educação e a escola, tem de saber justificar o insucesso escolar dos alunos com a falta de pré-requisitos; c) ao nível da falta de hábitos de estudo e saber estar na escola, a escola tem de ser

vencida pelas actividades paralelas, para se tornar menos chata e desinteressante. (SOUSA, 2004, p.1-2).

Assim sendo, a decisão de elaborar o PEE parte da escola que pretende dar resposta às necessidades ou problemas identificados; às mudanças e melhorias desenvolvidas pela escola ou então por obediência a uma ordem superior,“ A partir dessa decisão deverá desenvolver-se a discussão sobre os princípios, valores, modelos educativos por que se quer optar tendo em conta o conhecimento existente sobre as características, condicionalismos e potencialidades da realidade (humana e material) da escola (diagnóstico da situação).” (MACEDO, 1995, p.115).

Com a análise dos dados recolhidos procede-se à identificação dos valores e objectivos que definem a lógica do funcionamento que orienta e mobiliza os actores na acção a desenvolver. Portanto, segundo a autora acima citada, coloca-se de imediato questões funcionais “ - quem participa nesta discussão e decisão?(...)- quando se realiza este trabalho?(...)- onde, em que lugares se desenrola? (...)- como se desenrola?(...)” (1995, p.115).

Desse modo, o Projecto Educativo é um instrumento muito importante que permite viabilizar a conquista da autonomia escolar e é também uma componente essencial na gestão estratégica do estabelecimento, isto porque se podem definir orientações e estratégias de desenvolvimento da escola, por isso “ O Projecto Educativo insere-se (…) num processo de planificação estratégica do desenvolvimento da escola, representando a possibilidade de mudar o contexto, as práticas escolares e as mentalidades dos actores escolares, ou seja, “ um instrumento de renovação pedagógica dos estabelecimentos escolares” (...).” (SILVA, 2000, p.226).

Contudo, para que o PEE se transforme numa política educativa de escola é necessário a participação do maior número dos seus actores e é preciso partilhar os objectivos entre os vários elementos da comunidade educativa. Desta forma “ (...) o Projecto Educativo da Escola traduz as preferências da comunidade educativa. Assegura a legitimidade das finalidades acordadas transformando-as em referência da acção colectiva da escola.” (MACEDO, 1995, p.119).

Quando se chega a uma partilha de objectos constitui-se um ponto essencial na sua coerência, na sua elaboração e na sua realização; a participação negociação na construção do Projecto Educativo é entendida, tendo em conta a autora acima

referenciada, como: “ – Levantamento da situação da escola e conhecimento dos diferentes princípios (...) presentes na comunidade escolar; - discussão desses princípios na especificidade da realidade da escola (...); - compromisso, isto é, uma suspensão do debate baseada em acordos-consensos conjunturais, definidos no tempo e no espaço” (MACEDO, 1995, p.135).

A construção do projecto educativo vai reclamar outra lógica não coincidente com a lógica da racionalidade técnica da gestão estratégica stricto sensu, mas tem como finalidades a multi-referencialidade, os critérios de natureza política e a democracia. Parafraseando Estevão, “ Por outro lado, se a ideia de projecto educativo pode articular- se com muitos dos aspectos do modelo de gestão estratégica aqui proposto e se pode contribuir para a revalorização da territorialização das políticas educativas, da autonomia e de uma gestão mais centrada na escola (...), ela consolida a emergência de um novo modelo de regulação a partir da escola (...).”( s.d, p.4).

Quer dizer que a escola vai ser transformada numa organização de verdadeira plataforma de intervenção cívica, numa empresa prestadora de serviços e num espaço de concorrência, (ESTEVÃO, s.d., p.4 -5).

O PEE é um processo que nada de novo traz às práticas educativas, pois para Alves “ Um mito que poderá acender o desejo individual e colectivo, mobilizar as boas vontades e inteligências, induzir a um trabalho mais solidário e “cooperativo.” (2003, p.72). Para que este mito se torne realidade, é necessário que as políticas organizacionais se tornem geradoras de compromissos individuais e lideranças democráticas transformacionais.

Seguidamente apresenta-se a diferença entre Projecto Educativo Local, que define a política de um território e Projecto Educativo de Escola, que define a política de uma escola; assim segundo Canário “ O Projecto Educativo de Escola foca o desenvolvimento da organização escolar no seu conjunto, tendo obviamente reflexos nas aprendizagens dos alunos (...)” enquanto que “O PEL pode ser definido como o instrumento de realização de uma política educativa local, que articula as ofertas educativas existentes, os serviços sociais com os serviços educativos, (...).”(s.d, p.1).

O Projecto Educativo deverá ser complementado com o Plano Anual de Actividades que deverá permitir a participação da comunidade educativa. Todavia, o Plano Anual de actividades define os objectivos a atingir, os temas e actividades pedagógicas, os recursos humanos necessários, a previsão dos recursos materiais e financeiros, a calendarização dos resultados, a avaliação dos mesmos e a alteração do plano (BRITO, 1991,p.22-23).