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Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela

CAPÍTULO III – Caracterização da entidade de acolhimento

1. Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela

1. Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela33

A Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela (CIMBSE) é uma pessoa coletiva de direito público, de natureza associativa de âmbito territorial e fins múltiplos. A CIMBSE tem como fim a realização de interesses comuns aos municípios que a integram, regendo-se pela Lei 75/2013 de 12 setembro que aprovou o Estatuto das Entidades Intermunicipais, pelos seus estatutos aprovados em reunião de Assembleia Intermunicipal a 14 de março de 2014 e pelas demais disposições legais aplicáveis.

A Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela corresponde a uma Unidade Territorial Estatística de Nível III (NUT III) de acordo com a nova organização das regiões portuguesas para fins estatísticos, instituída pelo Regulamento (EU) n.º 868/2014 da Comissão, de 8 de agosto de 2014, e compreende alterações nas NUTS de nível III que passam a ter limites territoriais no Continente, coincidentes com os limites das Entidades Intermunicipais (EIM) definidas na Lei n.º 75/2013. Esta nova divisão regional (NUTS 2013) começou a ser aplicada pelo Sistema Estatístico Europeu a 1 de janeiro de 2015. A CIMBSE tem sede fiscal na cidade da Guarda e as suas instalações arrendadas ao Município da Guarda, situadas na Praça Luís de Camões. É composta pelos Municípios de Almeida, Belmonte, Celorico da Beira, da Covilhã, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Fundão, Guarda, Gouveia, Manteigas, Mêda, Pinhel, Sabugal, Seia e de Trancoso, e adota a designação abreviada de CIMBSE. Ocupa uma área territorial de 6.305 km2 e uma população de 236.023 habitantes.

A CIMBSE está implementada num território de baixa densidade, reflexo de um conjunto de fatores associados, em grande parte, ao declínio demográfico, ao abandono dos espaços rurais, aos fluxos migratórios e ao envelhecimento da população. Esta situação é uma ameaça ao crescimento económico, pelo que dever-se-ão canalizar esforços em prol de um desenvolvimento sustentável, que potencie os seus recursos e permita a fixação de mão-de-obra qualificada. Tem como visão ser um parceiro regional, capaz de implementar práticas de gestão que permitam identificar e satisfazer as necessidades dos municípios associados e desenvolver estratégias que conduzam a uma maior coesão intermunicipal, com resultados na melhoria de qualidade de vida e no desenvolvimento sustentado da região. Pretende, dentro de 10 anos, ser líder de crescimento no interior do país, sendo reconhecida como uma região atrativa para novas atividades económicas, uma origem de marcas diferenciadas, um destino turístico de qualidade, e, como tal, uma referência nacional na valorização de recursos endógenos.

33Todas as informações contidas neste capítulo foram recolhidas nos documentos: Lei n.º 75/2013 de 12 de setembro; Estatutos da Comunidade das Beiras e Serra da Estrela; Plano de Marketing e Comunicação das Beiras e Serra da Estrela; Estratégia Integrada de Desenvolvimento Intermunicipal Beiras e Serra da Estrela; Cultura em Rede das Beiras e Serra da Estrela; Plano de atividades 2020 disponíveis na página https://cimbse.pt/

A CIMBSE pretende proporcionar aos cidadãos níveis de qualificação, oportunidades de desenvolvimento profissional e acesso a cuidados de saúde alinhados com a média nacional. O seu património histórico, cultural e natural, bem como a cooperação transfronteiriça, continuarão a ser centrais para a diferenciação e para o crescimento sustentável da Região, resultando numa evolução demográfica mais favorável que a do País. Tem como missão potenciar, promover o desenvolvimento da região, otimizar e defender os interesses comuns dos municípios associados e reforçar a identidade conjunta da região, mediante a articulação de interesses e criação de sinergias e estimulando o desenvolvimento integrado e coletivo, valorizando parcerias, e maximizando resultados. Pretende desenvolver um processo de integração interna e de convergência acelerada com os indicadores socioeconómicos nacionais, alinhar prioridades e coordenar iniciativas, tendo em vista a utilização eficiente de financiamentos públicos e a captação de investimentos privados, resultando em projetos com impactos visíveis na eficiência do uso de recursos públicos, na especialização inteligente da Região, na qualidade de vida das populações e na utilização sustentável do território. A CIMBSE tem como objetivos estratégicos aumentar a coesão territorial e intermunicipal, promover e dinamizar o desenvolvimento económico e social na região, tornar a organização interna mais eficiente e eficaz e fomentar a participação nas decisões dos municípios associados.

Relativamente aos níveis de escolaridade, a sub-região das Beiras e Serra da Estrela, apresenta valores demasiado reduzidos, com cerca de 15,4% da população sem qualquer nível de escolaridade. Cerca de 8,8% da população não sabe ler nem escrever, representando um número superior ao registado pela Região Centro (6,4%). Na sua maioria, a população apenas detém o 1º Ciclo do Ensino Básico (33%), e 10,6% concluiu o Ensino Superior e 12,9% o Ensino Secundário. Ao nível da empregabilidade, no ano de 2018 apresentava uma taxa de desempregados inscritos nos centros de emprego e de formação profissional de 5,5%, uma taxa superior à da Região Centro que no mesmo ano era de 4,4%. O território apresenta debilidades ao nível da empregabilidade, fator que contribuiu para a diminuição da população em idade ativa que emigrou, agravando o êxodo rural. O território apresenta desafios importantes no que diz respeito ao emprego e, consequentemente, à inclusão social, fundamentais para fortalecer a coesão social e territorial. A taxa de desemprego e a pouca escolaridade da população reforçam a importância de criar dinâmicas no território por forma a estimular na comunidade (em especial nos grupos excluídos ou socialmente desfavorecidos) o desenvolvimento de atitudes e capacidades de aprendizagem, com vista à aquisição de novas competências pessoais, sociais e profissionais que facilitem a sua integração no mercado de trabalho.

A CIMBSE identifica como principais forças a sua localização geográfica, que faz deste território uma das principais portas terrestes abertas para a Espanha e Europa. A aproximação com Espanha permite desde logo a partilha, o contacto com outras culturas e dinâmicas artísticas e culturais, um trabalho de

cooperação transfronteiriça como o caso da Red de Teatros de Castilla y Léon. Existe no território da CIMBSE um conjunto de áreas naturais classificadas e recursos naturais e diversificados como o Parque Natural da Serra da Estrela que viu a sua candidatura a Geopark Mundial aprovada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco)34 , a reserva Natural da Malcata, o Parque Natural do Douro internacional, entre outros. Identifica como força as marcas territoriais Serra da Estrela, Aldeias Históricas de Portugal, Aldeias de Xisto, Aldeias Históricas, Aldeias de Montanha e Rede de judiarias, castelos, espaços museológicos e culturais e património material e imaterial.

A CIMBSE é um território de povoamento ancestral, que se notabiliza pela quantidade e diversidade patrimonial e cultural. Segundo dados da Direção-Geral do Património Cultural no ano de 2018, a CIMBSE disponha de 208 imóveis classificados enquanto património cultural 164 Monumentos, 25 Conjuntos e 19 Sítios; quanto à sua tipologia, 22 são classificados de sítios arqueológicos, 108 de arquitetura Civil, 20 de Arquitetura Militar, 1 de arquitetura Mista e 57 arquitetura religiosa. Dos 208 imóveis classificados enquanto património cultural, 36 estão classificados como Monumentos Nacionais, 139 Imóveis de Interesse Público e 33 Imóveis de Interesse Municipal, correspondendo a mais de 17% do património imóvel da Região centro. Constituem o rico património classificado como Monumento Nacional (MN), as Muralhas da Praça de Almeida, Castelo Mendo e Castelo Bom, Castelo de Belmonte, Castelo de Celorico da Beira e Linhares, Palácio Cristóvão Moura e Igreja e convento de Santa Maria de Aguiar de Figueira de Castelo Rodrigo, Casa da Torre de Gouveia, Sé da Guarda, Torre de Menagem e Castelo da Guarda e Torre dos Ferreiros, Castelo de Pinhel, Castelo do Sabugal e respetiva muralha, Castelo de Sortelha, Castelo de Alfaiates, Castelo e muralhas de Trancoso, castelo de Marialva e Longroiva, Pelourinho do Fundão, Antas de Paranhos e Capela de São Pedro em Seia, entre outros. Possuí um vasto património classificado como Imóvel de interesse público como o caso da Casa das Obras de Manteigas, Antiga tinturaria da Real Fábrica de Panos da Covilhã (conjunto de fornalhas e poços cilíndricos), da antiga Tinturaria da Real Fábrica de Panos da Covilhã, para além de património com outras classificações e património em vias de classificação (VC) como o caso da Igreja da Misericórdia de Algodres, e em alguns casos subaproveitado e em risco. Em 2011 a capeia arraiana passou a constar no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial do Instituto dos Museus e da Conservação.

O rico e diversificado acervo patrimonial de que o território dispõe tanto de cariz material (monumentos e outros imóveis) como imaterial (costumes, gastronomia, artes), é fator de identidade do território e das comunidades e ao mesmo tempo fator de diferenciação, num forte contexto de concorrência entre regiões, às mais diversas escalas territoriais. O território possui 13 museus, que são importantes estruturas para a preservação e reinterpretação e divulgação da cultura, com vocação para o acolhimento

34https://www.publico.pt/2019/09/03/sociedade/noticia/unesco-atribuiu-serra-estrela-estatuto-geopark-mundial-1885334, consultada a 23 de outubro de 2020

e captação de fluxos turísticos. Museu Histórico-Militar de Almeida, Museu da Guarda, Museu da Eletricidade (Seia), o Museu do Pão (Seia), o Museu Judaico de Belmonte, o Museu de Lanifícios da Universidade da Beira Interior (Covilhã), que, pela sua diversidade, conseguem concentrar um conjunto significativo de temáticas e dinâmicas culturais, passíveis de conversão em oferta turística no segmento de Turismo Cultural, constituindo 14 % dos museus da região centro. Possui rotas e eventos histórico-culturais de elevada capacidade de atração de visitantes devido ao seu carácter diferenciador e constante ao longo do ano, designadamente, recriação histórica ao cerco de Almeida, Feira Medieval de Marialva, de Belmonte, Recriação Histórica da Batalha de Trancoso, Festa da História – Bodas Reais de D. Dinis e de D. Isabel de Aragão, Muralhas com História, entre demais exemplos.

Os municípios que constituem a rede estabelecem e implementam programação cultural regular a nível concelhio, principalmente os municípios da Guarda, Seia, Gouveia e Covilhã, afetando espaços de natureza diversa (recintos fixos de espetáculo, espaços históricos, pequenos auditórios, pavilhões multiusos) criando dinâmicas aos diversos equipamentos culturais presentes no território. O Chocalhos – Festival dos caminhos da Transumância, Cale – Festival de Artes de Rua do Fundão, Ventus Nocturnos – Festival de Música Antiga de Castelo Novo, Gouveia Festival “Gouveia Art Rock”, Dias da Música Eletroacústica, CineEco – Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela, Festival de fotografia, Música Popular, Festival Seia Jazz&Blues, Festival de Artes de Seia, Festival da Cherovia em parceria com a Banda da Covilhã e Associação Cultural Desertuna, 12 em rede aldeias em festa, eventos associados às tradições da quaresma Quadragésima – Ciclo de Tradições da Quaresma e Semana Santa do Concelho do Fundão, Magia de Natal, Sabugal Presépio, Carnaval como o Julgamento e morte do Galo, projeto Carpinteira – do Sineiro à Poldras, são exemplos de dinâmicas culturais, sendo alguns deles de cariz e criação comunitária.

No território CIMBSE realizam-se feiras e eventos ao longo de todo o ano, como exemplo o Surpreenda os Sentidos, feira do fumeiro, da caça, da castanha, do queijo, Feira das antiguidades e produtos regionais das tradições, feiras do livro, feira de São Tiago entre outros, bem como festivais como é o caso do Festival do Borrego. Estas atividades têm em vista a promoção dos produtos endógenos de qualidade. São realizados em todo o território espetáculos diversificados e exposições temáticas, como o Tinturaria, um espaço localizado numa antiga unidade fabril, que é destinado exclusivamente a exposições de artes plásticas de carácter temporário. Estas exposições, de duração mensal, promovem não só artistas locais, mas também o que de melhor se faz no País ao nível da pintura, da escultura, da instalação e da fotografia.

Acontecem atividades de pintura, artes decorativas, escultura entre outras, cinema, residências artísticas e desenvolvimento de coproduções no território, criações de dança contemporânea, artes plásticas, de orquestra sinfónica, orquestra de sopros de música de câmara, concursos de fotografia, exposições

noturnas, colóquios e congressos, atividades educativas e didáticas com vista a formação dos participantes e do público.

Na sua maioria os Municípios que compõem esta comunidade, desenvolvem a sua estratégia cultural em articulação com os agentes culturais e artísticos locais e nacionais. A CIMBSE possui ao longo de todo o território um grande número de agentes culturais, como são exemplo os ranchos folclóricos (Trancoso, Mêda, Seia Gouveia…) e bandas filarmónicas (Sociedade Musical Gouveense, Filarmónica Popular Manteiguense, Banda Filarmónica da Covilhã…) Orquestra Ligeira de Gouveia, grupos de teatro (Teatro Escola Velha de Gouveia, Teatro da Vela da Guarda, Teatro das Beiras da Covilhã, Teatro Calafrio da Guarda) entre tantos outros agentes culturais coletivos. Estão presentes no território agentes formativos como a Universidade da Beira Interior, Instituto Politécnico da Guarda e Escola Superior de Turismo e Hotelaria de Seia, Escola Profissional de Artes da Beira Interior na Covilhã, Escola Profissional da Serra da Estrela, com cursos profissionais direcionados para as artes, Conservatório de Música de São José da Guarda, de Belmonte, de Seia, de Covilhã, de Fundão, e entidades não oficiais como a Academia de Música de Trancoso, Centro de Formação de Mêda, Academia de Música de Pinhel, Academia de dança, Kayzer Ballet, a companhia Asta, Coruja do Mato, CARB entre tantos outros. Estes agentes realizam ao longo do ano, para além de concertos, atividades complementares de formação como o caso dos workshops, masterclasses, concursos de piano e outros. Aqui nasceu um grande conjunto de autores com destaque para Eduardo Lourenço, Eugénio de Andrade, Augusto Gil, Vergílio Ferreira, Pinto Peixoto, entre outros, merecendo os mesmos destaques no território, como comprova o nome dado por alguns municípios às suas bibliotecas, Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço da Guarda, Biblioteca Municipal Eugénio de Andrade de Fundão, Biblioteca Municipal Virgílio Ferreira de Gouveia.

O território tem algumas atividades e projetos que proporcionam um trabalho em rede quer através do programa Cultura em Rede, a Rede Intermunicipal de Bibliotecas das Beiras e Serra da Estrela entre outras, como o caso da Rede 5 Sentidos, Rede de programação Artéria, Judaica - Projeto de programação em rede com territórios de património judaico de Belmonte, rede cultural do Alto Mondego, rede das Aldeias Históricas de Portugal35 entre outras.

Globalmente, sobretudo ao longo dos últimos dois anos, os municípios da rede têm evidenciado larga experiência no que diz respeito à programação e execução de atividades culturais, em estreita consonância com as expectativas e exigências dos públicos locais e regionais. Inclusivamente, os municípios demonstram capacidade para dinamizarem espetáculos em coprodução e em rede, experiência que se constitui enquanto condição favorável ao lançamento da rede, tendo em consideração

35Recebeu em novembro de 2018 o certificado BIOSPHERE DESTINATION, eleito o primeiro destino em rede, no mundo, e o primeiro a nível nacional. Foi-lhe atribuída a liderança da comunidade internacional de Destinos Turísticos Sustentáveis em 2020 – Consultado em

https://www.noticiasdecoimbra.pt/aldeias-historicas-de-portugal-sao-o-primeiro-territorio-portugues-a-liderar-a-comunidade-internacional-de-destinos-turisticos-sustentaveis/

a programação em rede, a realização de coproduções e a promoção de atividades culturais inovadoras como as principais apostas desta operação. A Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela conta com a experiência dos municípios em matéria de planeamento e execução de programação cultural e a experiência e conhecimento da Associação de Municípios da Cova da Beira na coordenação intermunicipal e sub-regional de projetos, muitos dos quais apoiados por programas de financiamento comunitário. A articulação de interessentes e expectativas das várias entidades envolvidas na rede, bem como o equilíbrio dos pontos mais fortes de cada uma beneficiarão assim da intervenção destas duas entidades, assegurando condições mais favoráveis ao lançamento, implementação e consolidação da rede.