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COMUNIDADES INDÍGENAS ELETRIFICADAS NO BRASIL

No Brasil, diversas comunidades indígenas foram beneficiadas pelo programa Luz para Todos. Algumas delas foram pesquisadas, visando, principalmente, avaliar os impactos e adequação às necessidades dos indígenas.

Um desses trabalhos é o de Ferreira (2002), o qual envolveu energia fotovoltaica em comunidades indígenas. No caso da aldeia Guarani Tembiguai em Ubatuba, com a chegada da energia elétrica, os benefícios foram vários. Se, no âmbito da saúde, passaram a ocorrer atendimentos mais adequados, é fato também que houve melhoria na produtividade na aldeia e, por consequência, incremento na renda, indícios de melhoria na qualidade de vida e satisfação com a energia elétrica. Com seu estudo, o autor também registrou queixas dos indígenas com

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relação à falta de manutenção do sistema e treinamento aos usuários da aldeia. Os técnicos, por sua vez, alegaram que os índios não trocaram as baterias quando necessário.

Entretanto, de acordo com Ferreira (2002), se de um lado, os empreendimentos em energia não são planejados para as necessidades indígenas; de outro lado, os agentes dos empreendimentos, ou projetos que envolvem comunidades indígenas, têm um grau de incerteza, cuja solução depende da intervenção do Estado. Por isso, a interação entre comunidades indígenas e concessionárias deve ser trabalhada mais adequadamente.

Já na divisa dos estados de São Paulo e Paraná, comunidades indígenas tradicionais foram estudadas por Serpa (2006), levando em consideração a aplicação de energia fotovoltaica. Como o foco da pesquisa foi o grau de satisfação destas comunidades, aplicou-se questionários, para detectar a correspondência às expectativas geradas, com observações a respeito da segurança no uso e domínio da tecnologia em residências com jovens. No que se refere aos aspectos negativos, apontaram as luminárias de baixa qualidade, proliferação de insetos, baterias com defeitos, painel frontal e falta de acompanhamento no controle de carga.

Nesse contexto, pode-se concluir então que as pesquisas de Serpa e Ferreira sinalizaram para problemas com gestão, o que dificultava a continuidade do fornecimento.

Pereira (2008), por sua vez, teve a oportunidade de ouvir os índios Nhenety Kariri e Yakui Tupinambá falarem de suas experiências com os meios de comunicação de forma positiva. Tais etnias relataram que, por meio do computador, registram sua cultura, história e arte, além de utilizá-lo como instrumento de luta por direitos, elaborarem projetos e abrirem portas para intercâmbio, sem que abandonassem suas tradições.

Assim, pesquisadores que discutem a eletrificação de comunidades indígenas, no geral, são favoráveis a este suprimento, pois permite a fixação dos índios em suas terras e possibilita a informação e comunicação direta da comunidade, sem a necessidade de interlocutores. No entanto, vale lembrar que ainda existe o questionamento quanto a um possível esvaziamento dos valores culturais tradicionais.

Freitas (2012), por sua vez, estudou os impactos socioculturais na aldeia Guarani Urui-ty, após a chegada da energia elétrica pelo programa Luz para Todos, através da extensão da rede. Segundo o autor, sua hipótese foi confirmada, porque ocorreu alterações na organização social desses indígenas, acompanhadas de um processo de reelaborações culturais, em que foi possível rever valores, rituais e relações comunitárias. Entre as principais mudanças, relata a introdução do individualismo como valor, diferenciação social relacionada à posse de vários bens e o estabelecimento de novos conflitos provenientes do consumo de bens simbólicos

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como, por exemplo, o fato de as novelas serem exibidas nos mesmos horários de alguns rituais, impactando na sociabilidade.

Neste mesmo trabalho, este autor apresenta uma entrevista com a Secretária do Ministério de Minas e Energia para Assuntos Indígenas, Sra. Maria Eustáquia da Silva, sobre eletrificação. Na oportunidade, ela explicou que um dos objetivos do programa é o uso associado à produção, e que a FUNAI está em parceria para desenvolver pequenos projetos familiares, ajudando assim na subsistência de comunidades indígenas. As melhorias do atendimento à saúde e na educação, principalmente, estão trazendo melhoria da qualidade de vida, sendo necessário atentar para que tudo isso não venha de encontro aos costumes, crenças e diferenças de cada etnia. A secretária ainda ressalta a necessidade de projetos especiais de sistemas isolados, diante da inviabilidade de atendimento via rede convencional, além de enfatizar que alguns grupos indígenas se posicionam contrários ao atendimento pela rede, havendo o desejo pela energia solar.

Ainda assim, conforme dados do MME (2016), o programa Luz para Todos já atendeu cerca de 35 mil famílias indígenas, proporcionando a mais de 180 mil índios verem a energia elétrica chegar em suas aldeias, acompanhada de melhoria para suas comunidades, como o uso de refrigeradores nos postos de saúde para melhor conservação de soros, vacinas e outros medicamentos.

Também, em parceria com a FUNAI, o Programa Luz para Todos elaborou cartilhas bilíngues – em língua portuguesa e nos idiomas das etnias Terena, Guarani Kaiowá, Kaingang, Kinikinau e Kadiwéu – sobre o uso da energia elétrica de forma racional, segura e produtiva. Os próximos a serem beneficiados com o material bilíngue serão os Pataxó do Sul da Bahia e os Ticuna do Amazonas.

Importa lembrar ainda que o MME (2016) também capacitou cerca de 920 professores, agentes de saúde e lideranças indígenas das aldeias atendidas pelo Programa para atuarem como agentes multiplicadores nas escolas e comunidades. Ademais, diante de avaliações dos índices de inadimplência, o Governo Federal, no final de 2010, decretou que indígenas e quilombolas seriam isentos do pagamento da conta de energia elétrica até o consumo de 50 kWh.

2.11 RECURSOS DISPONÍVEIS PARA GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA NA