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1. INTRODUÇÃO

2.4. DESIGN E DIALÉTICA

2.4.1 Conceito básicos do pensamento dialético

O conceito dialético, em sua essência, foi criado na Grécia antiga (aprox. 540- 480 a.C) como a arte do diálogo, em seguida, passando a ser a demonstração de uma tese por meio de argumentos em uma discussão. Em uma perspectiva histórica, o termo “dialética” já foi atribuído a Sócrates e a Zênon de Eleia. Contudo, um dos

pensadores mais radicais da Grécia antiga foi o filósofo Heráclito de Éfeso, dito o Pai da Dialética (KONDER, 2008).

Um fragmento famoso que elucida o discurso de Heráclito é a ideia de que um ninguém não pode banhar-se duas vezes no mesmo rio, porque na segunda vez, o rio não será o mesmo e muito menos a pessoa, pois ambos teriam mudado. Conforme Konder (2008), na visão de Heráclito, tudo existe em constante mudança e que o conflito é o pai e rei de todas as coisas. Porém, os gregos acharam os questionamentos de Heráclito muito obscuros e perturbadores, preferindo o discurso metafísico. Por estas razões, o conceito de dialética perdeu força por um longo período, mas foi mantido entre as discussões de alguns filósofos como Montaigne, Denis Diderot e Rousseau, reerguendo-se como ideologia no modernismo, através do idealismo de Friedrich Hegel – tese x antítese x síntese (KONDER, 2008).

Hegel sistematizou a lógica dialética na tríade tese-antítese-síntese, que adquiriu novas concepções com os pensamentos futuros de Karl Max e Friedrich Engels, no materialismo dialético (CASSETI, 2009). Casseti (2009) explica que a partir da ideologia de Hegel, Friedrich Engels, na obra ‘Dialética da Natureza’, estabelece as três leis gerais da dialética, que se fundamentam no princípio da contradição da matéria:

1) A primeira é a lei da passagem da quantidade à qualidade. Refere-se ao fato de que, ao mudarem, as coisas não mudam sempre no mesmo ritmo; o processo de transformação por meio do qual elas existem passam por períodos lentos - nos quais se sucedem pequenas alterações quantitativas - e por períodos de aceleração - que precipitam alterações qualitativas, isto é, “saltos” e modificações radicais.

2) A segunda lei é a da interpretação dos contrários. Engels ressalta a inexistência de fenômenos absolutamente isolados na natureza. Afirma que os diversos aspectos da realidade se entrelaçam e, em diferentes níveis, dependem uns dos outros, de modo que as coisas não podem ser compreendidas isoladamente.

3) A terceira lei é um resgate do idealismo hegeliano que dá um sentido claramente materialista e conclusivo. É a lei da negação da negação, que aponta que a realidade não se restringe à mera repetição da tese e antítese, entre afirmações e negações, mas na verdade é a junção de ambas que, uma vez superadas, geram a síntese.

A Dialética se tornou um método influente na compreensão da natureza enquanto fenômeno dinâmico em que as coisas estão em constante mudança

(GALANTE, 2018). Neste sentido, corroborando com Casseti (2009), Lakatos e Marconi (2007), apresentam o método dialético em quatro leis:

a) Ação recíproca, unidade polar ou "tudo se relaciona";

As autoras pontuam que na visão dialética, as coisas não são isoladas, mas sim, interdependentes no todo. Tanto a natureza, quanto a sociedade são constituídos de fenômenos ligados entre si.

b) Mudança dialética, negação da negação ou "tudo se transforma";

Na mudança dialética o ponto de partida é a tese, que se nega ou se transforma em seu contrário, a antítese. Quanto à segunda proposição, a antítese, é, por sua vez, negada, gerando a terceira proposição ou síntese, ou seja, a dupla negação ou negação da negação.

c) Passagem da quantidade à qualidade ou mudança qualitativa;

A mudança qualitativa implica na compreensão da passagem de um estado a outro, partindo da quantidade à qualidade de forma gradual e não casual, tendo também algumas vezes as mudanças súbitas e radicais.

d) Interpenetração dos contrários, contradição ou luta dos contrários.

Na ação dos contrários, as coisas não são analisadas na qualidade de objetos fixos, mas em movimento. “Nenhuma coisa está ‘acabada’, encontrando-se sempre em vias de se transformar, desenvolver; o fim de um processo é sempre o começo de outro” (LAKATOS & MARCONI, 2003, p. 101).

Este último ponto sintetiza todo o pensamento, quando afirma que o motor do movimento que transforma as coisas é a existência da contradição. Para Hegel a superação dialética “é simultaneamente a negação de uma determinada realidade, a conservação de algo de essencial que existe nessa realidade negada e a elevação dela a um nível superior” (KONDER, 2008, p. 25).

O pensamento lógico hegeliano está ligado a um processo dialético que avança desde a mais pura abstração até o mais concreto que é a Ideia Absoluta, que se desdobra em uma estrutura em movimento (NICOLAU, 2010). Esta lógica é ilustrada por Galante (2018), sendo a dialética uma tensão entre oposições, em que o processo de tese, antítese e síntese se constrói:

Fonte: adaptado de Galante (2018)

O esquema acima resume o conceito estabelecido pela tríade hegeliana. A tese, como argumentação fixa, por suas próprias limitações, gera seu oposto, a antítese. A tensão estre estas duas partes cria um conceito, a síntese, que abrange as duas colocações anteriores (GALANTE, 2018).

Em outras palavras, o conceito lógico de acordo com Hegel, tem três momentos: Fixidez, sendo o primeiro momento da forma estável, é a ideia entendida como a verdade a ser contestada; Dialética, é o momento contrário em que as limitações da fixidez se tornam aparentes, descrito como um processo de negação para gerar seu oposto ou instabilidade; e por último, a Especulação, que reconhece a unidade inerente nas duas determinações anteriores [fixidez e dialético] e unifica as duas unidades (GALANTE, 2018), culminando numa ideia única que integra todos os momentos.