3.2 Contextualizando o Transtorno do Espectro Autista
3.2.2 Conceito, características e diagnóstico do TEA
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode ser definido como uma:
síndrome comportamental que compromete o desenvolvimento motor e psiconeurológico dificultando a cognição, a linguagem e a interação social da criança. Sua etiologia ainda é desconhecida, entretanto, a tendência atual é considerá-la como uma síndrome de origem multicausal envolvendo fatores genéticos, neurológicos e sociais da criança” (PINTO et al, 2016 p.
2).
O autismo não é considerado uma doença, é uma condição que requer acompanhamento multidisciplinar e intersetorial que integre seus portadores na sociedade e que diminua os sintomas apresentados durante toda a vida de modo a permitir o completo bem-estar de seus portadores. Tal condição está classificada no Manual diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais 5ª edição (DSM-5 2014) como um transtorno do neurodesenvolvimento, um grupo de condições com início no período do desenvolvimento. Os transtornos do neurodesenvolvimento tipicamente:
Os transtornos tipicamente se manifestam cedo no desenvolvimento, em geral antes de a criança ingressar na escola, sendo caracterizados por déficits no desenvolvimento que acarretam prejuízos no funcionamento pessoal, social, acadêmico ou profissional. Os déficits de desenvolvimento variam desde limitações muito específicas na aprendizagem ou no controle de funções executivas até prejuízos globais em habilidades sociais ou inteligência. (DSM-5, 2014, p.31).
Ainda de acordo com o mesmo manual, o TEA é diagnosticado quando déficits de comunicação social acompanhada por comportamentos e interesses extremamente restritos que prejudicam as relações sociais no sentido de manter, desenvolver e compreender relacionamentos.
O quadro que a seguir apresenta as condições para o diagnóstico do transtorno:
Quadro 1-Critérios de diagnostico do Transtorno do Espectro Autista, (DSM-5, 2014)
Critérios de Diagnóstico, 299,00 (F84.0).DSM_5, 2014. p.50-51 A Déficits persistentes na comunicação social e na interação social em
múltiplos contextos, conforme manifestado pelo que segue, atualmente ou por história prévia (os exemplos são apenas ilustrativos, e não exaustivos; ver o texto):
1. Déficits na reciprocidade socioemocional, variando, por exemplo, de abordagem social anormal e dificuldade para estabelecer uma conversa normal a compartilhamento reduzido de interesses, emoções ou afeto, a dificuldade para iniciar ou responder a interações sociais.
2. Déficits nos comportamentos comunicativos não verbais usados para interação social, variando, por exemplo, de comunicação verbal e não verbal pouco integrada a anormalidade no contato visual e linguagem corporal ou déficits na compreensão e uso gestos, a ausência total de expressões faciais e comunicação não verbal.
3. Déficits para desenvolver, manter e compreender relacionamentos, variando, por exemplo, de dificuldade em ajustar o comportamento para se adequar a contextos sociais diversos a dificuldade em compartilhar brincadeiras imaginativas ou em fazer amigos, a ausência de interesse por pares. Especificar a gravidade atual: A gravidade baseia-se em prejuízos na comunicação social e em padrões de comportamento restritos e repetitivos
B Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, conforme manifestado por pelo menos dois dos seguintes, atualmente ou por história prévia (os exemplos são apenas ilustrativos, e não exaustivos; ver o texto):
1. Movimentos motores, uso de objetos ou fala estereotipados ou repetitivos (p. ex., estereotipias motoras simples, alinhar brinquedos ou girar objetos, ecolalia, frases idiossincráticas).
2. Insistência nas mesmas coisas, adesão inflexível a rotinas ou padrões ritualizados de comportamento verbal ou não verbal (p. ex., sofrimento extremo em relação a pequenas mudanças, dificuldades com transições, padrões rígidos de pensamento, rituais de saudação, necessidade de fazer o mesmo caminho ou ingerir os mesmos alimentos diariamente).
3. Interesses fixos e altamente restritos que são anormais em intensidade ou foco (p. ex., forte apego a ou preocupação com objetos incomuns, interesses excessivamente circunscritos ou perseverativos).
4. Hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais ou interesse incomum por aspectos sensoriais do ambiente (p. ex., indiferença aparente a dor/temperatura, reação contrária a sons ou texturas específicas, cheirar ou tocar objetos de forma excessiva, fascinação visual por luzes ou movimento). Especificar a gravidade atual: A gravidade baseia-se em prejuízos na comunicação social e em padrões restritos ou repetitivos de comportamento
C Os sintomas devem estar presentes precocemente no período do desenvolvimento (mas podem não se tornar plenamente manifestos até que as demandas sociais excedam as capacidades limitadas ou podem ser mascarados por estratégias aprendidas mais tarde na vida).
D Os sintomas causam prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo no presente.
E Essas perturbações não são mais bem explicadas por deficiência intelectual (transtorno do desenvolvimento intelectual) ou por atraso global do desenvolvimento. Deficiência intelectual ou transtorno do espectro autista costumam ser comórbidos; para fazer o diagnóstico da comorbidade de transtorno
do espectro autista e deficiência intelectual, a comunicação social deve estar abaixo do esperado para o nível geral do desenvolvimento.
Fonte : DSM-5, 2014.
Na 5ª edição do DSM foram incluídas no diagnóstico do TEA o Transtorno de Asperger e o Transtorno Global de Desenvolvimento.
Para melhor adequação, o espectro deve ser considerado em suas peculiaridades respeitando os chamados graus de autismo, cuja classificação baseia-se nos prejuízos na comunicação social e em comportamentos restritos e repetitivos, representado no quadro abaixo:
Quadro 2 -Níveis de gravidade para o Transtorno do Espectro Autista, DSM-5, 2014. habilidades de comunicação social verbal e não verbal causam prejuízos graves de funcionamento, grande limitação em dar início a interações sociais tem abordagens incomuns apenas para satisfazer a esferas. Grande sofrimento/
dificuldade para mudar o verbal; prejuízos sociais aparentes mesmo na presença
a interações sociais e resposta causam prejuízos notáveis.
Dificuldade para iniciar interações interferência significativa no funcionamento em um ou mais contextos. Dificuldade em trocar de atividade.
Problemas para organização e planejamento são obstáculos à independência.
Fonte : DSM-5,2014, p.52
Além das classificações do DSM-5, o SUS segue o padrão da OMS e utiliza também os códigos da Classificação Internacional de doenças (CID1) 10. O quadro a seguir, apresenta códigos de diagnóstico do TEA.
Quadro 3 -Códigos de Classificação do CID 10 Diagnósticos que compõem o TEA .CID 10
Diagnóstico CID-10
Autismo infantil F84.0
Autismo atípico F84.1 Outro transtorno desintegrativo
da infância
F84.3
Síndrome de Asperger F84.5
Outros transtornos invasivos do desenvolvimento
F84.8
Fonte : (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2016)