2. Caracterização do contexto escolar
2.9 Conceito de competência
A evolução do setor do turismo a nível internacional reflete-se também em Portugal, em termos do crescimento da economia, do desenvolvimento das regiões e da dinamização do emprego, pelo que tal potencial de crescimento tem determinado a importância estratégica deste setor e, mais concretamente, da hotelaria, no nosso País. A dinâmica do emprego tem sido afetada por algumas alterações, quer ao nível da procura turística, quer ao nível da exigência dos clientes que procuram esta oferta de qualidade com técnicos competentes. Esta exigência das empresas turísticas tem incutido na atividade formativa da EPA uma maior importância na formação profissional dos jovens, tendo esta, em atenção, a flexibilidade requerida do potencial humano no exercício da atividade.
Nos últimos tempos, temos assistido a um contínuo debate acerca das diferenças entre qualificação e competência, como Fátima Suleman (1995) constata, ao salientar que tal facto ocorre a partir dos anos 80, num deslizar progressivo do conceito de qualificação para o conceito de competência e, até mesmo, de um eclipse do conceito de qualificação.
Como refere Baião (2003), os autores Troussier, Merchiers, Merle e Stroobants, realçam a possibilidade de uma nova forma de tornar operativo o conceito de qualificação, partindo da competência. Parece importante reconhecer com Suleman (1995) a necessidade do aprofundamento da definição de competência, para, a partir dele, esboçar perfis profissionais e, simultaneamente, ter em conta a instabilidade que envolve ainda o conteúdo e as dimensões abrangentes do respetivo conceito. Segundo esta autora, o termo “competência”, em si mesmo, não é novo, nem encerra uma dimensão inovadora. Sendo uma expressão bastante divulgada, é usada por vezes de forma ambígua, nomeadamente nesta nova utilização, sobre a qual muito se tem divagado nas últimas décadas.
A nível comunitário, são muitas as análises sobre o conceito de competência, e parece continuar-se ainda longe de se chegar a uma única definição. Estas análises abrangem um conjunto de questões, das quais evidenciamos a formação profissional, a organização do trabalho, as políticas e as práticas de recrutamento e as classificações profissionais (Suleman,1999).
Em relação ao conceito de competência, importa ter em conta os seguintes aspetos: o seu uso requer uma definição que não perca de vista as “especificidades societárias” e os seus objetivos; tem uma larga difusão por se tratar de um conceito “charneira” que interliga indivíduo, emprego e formação, assegurando-lhe um profissionalismo que garante a competitividade da empresa; questiona os modelos pedagógicos obsoletos e os seus conteúdos, através da procura de soluções para os problemas concretos; acentua a capacidade de o indivíduo integrar um conjunto de conhecimentos e canalizá-los para a consecução de determinado objetivo, não se limitando apenas a fazer a demonstração dos seus conhecimentos (Alves,1996).Segundo Leplat (1991), o conceito de competência aparece de certo modo
44 [João Paulo Bernardino nº 7416] relacionado com as seguintes dimensões: a habilidade, destreza manual e motora; a perícia, conhecimento utilizado na execução de cada tarefa; e a capacidade, enquanto possibilidade que influencia e condiciona resultados diretamente mensuráveis e apreciáveis. Sendo a competência um conceito abstrato, só as suas manifestações podem ser observadas.
Entre as formas de definir competência, evidenciamos duas: conceção cognitiva, que a considera um sistema de elementos cognitivos que tornam possível a execução da atividade correspondente às tarefas de um dia concreto; conceção behaviorista, para a qual a competência é definida pela execução de uma tarefa ou um conjunto delas.
Apesar da difusão do conceito “competência”, ainda continuam a subsistir dúvidas e opiniões controversas acerca do mesmo, daí que importa realçar o seguinte: não confundir competências com conhecimentos, pois remete para conhecimentos que carecem de ser identificados e caracterizados, tendo em conta a lógica das atividades; diferenciar qualificação de trabalhadores e qualificação do emprego, adotando critérios que permitam identificar as exigências requeridas pelos empregos; e definir as qualidades dos trabalhadores (Suleman,1999).
As competências não se podem dissociar da atividade e são apreendidas por aprendizagens de natureza diversa (Suleman, 1995). Se a EPA conquistou a sua atual relevância como escola de qualidade na área de hotelaria e restauração, foi por um esforço conjunto de todos os atores da comunidade educativa, que têm pugnado pela competência dos seus formandos, o que a torna hoje um símbolo de qualidade e prestígio ao nível local, regional, nacional e internacional.
Nas áreas de hotelaria e restauração os formandos deverão adquirir conhecimentos específicos, para mais eficazmente desenvolverem a atividade profissional, daí a necessidade de competências em que é transversal, o domínio de línguas estrangeiras e de técnicas de relacionamento interpessoal. Na área de cozinha, há a salientar as seguintes: utilização de sistemas informáticos aplicados ao registo/pedido/faturação de produtos e serviços; utilização de novas tecnologias aplicadas ao serviço de cozinha; confeção de sobremesas e/ ou montagem dos componentes adquiridos a empresas externas; gestão de stocks, compras e otimização da relação custos-benefícios. No setor de restaurante salientamos: técnicas de serviço de bar e de mesa, de forma a assegurar a qualidade do serviço ao cliente; utilização de sistemas informáticos aplicados ao registo/pedido/faturação de produtos e serviços; desenvolvimento de competências na área comercial e marketing por parte da direção do departamento, de forma a promover e a divulgar os serviços de alimentação e bebidas do estabelecimento, a nível interno e externo, nomeadamente dos eventos de maior dimensão (Suleman,1999). Face à crescente competitividade e à exigência dos clientes, nesta área de restauração exige-se uma maior qualidade na prestação do serviço, que se traduz pela melhoria do atendimento e da relação com o cliente, onde se requer uma boa capacidade de relacionamento interpessoal, e ainda uma polivalência de funções.
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Esta escola, agora alvo de um estudo de caso, evidencia possuir uma política de formação profissional definida com perspetivas de operacionalização, em que os objetivos da formação profissional têm sido, principalmente, a qualificação e o aperfeiçoamento dos formandos, procurando, assim, melhorar a qualidade global e contribuir para a realização dos objetivos estratégicos da organização educativa, em ordem a um futuro ainda mais promissor.