3.2. DESENVOLVIMENTO LOCAL SUSTENTÁVEL
3.2.2. Conceito de Desenvolvimento Local Sustentável
desenvolvimento realizado anteriormente não era mais eficiente para responder as necessidades das modernas sociedades civis que torna-se cada vez mais presente nas discussões sobre os processos de cidadania.
Tenório, Dutra e Magalhães (2004) ressalta que a maioria dos agentes que promovem o desenvolvimento local sustentável, o realiza devido a ausência de respostas das políticas nacionais para os planos locais em relação ao agravamento das questões econômicas associadas às questões ambientais.
Grzeszczeszyn (2007, p. 65) informa que, dentre as diversas formas em se pensar em desenvolvimento local sustentável hoje no Brasil, a importante persiste no fato de:
[...]o desenvolvimento local sustentável no Brasil se apresentar como uma oportunidade de alterar a realidade de muitas cidades, comunidades ou localidades por meio da mobilização social e o apoio, facilitação e estímulo do poder público local alicerçado nas iniciativas realizadas, práticas concretizadas e sistematizadas. Logo desenvolvimento local sustentável se constitui num desafio tanto às sociedades civis quanto para os governos aos quais deverão repensar sobre suas formas de desenvolvimento, localidade e sustentabilidade.
3.2.2. Conceito de Desenvolvimento Local Sustentável
Pode-se dizer que o termo desenvolvimento local sustentável está na moda e este fator é o responsável pela manifestação de diversos segmentos sociais que tentam expressar as idéias que possuem sobre o tema.
Vários autores de diversas nacionalidades julgam importante conceituar um dos temas de grande relevância para o futuro das nações. Percebe-se, de um modo geral, que a literatura tem propostas de conceituação diversificada para cada localidade a qual abrangem o desenvolvimento local sustentável.
Falando nesta temática percebe-se que ao conceito de desenvolvimento foram associados outros conceitos (localidade e sustentabilidade) fundamentais a construção da nova roupagem do desenvolvimento local sustentável. Este incremento fez com que a literatura repensasse sobre o que se caracterizava como local e sustentável em uma sociedade.
O desenvolvimento puramente econômico segundo as idéias de Chenery (1981, p. IX) apud Souza (1999, p. 21) era considerado como:
[...] um conjunto de transformações intimamente associadas, que se produzem na estrutura de uma economia, e que são necessárias à continuidade de seu crescimento. Essas mudanças concernem à composição da demanda, da produção e dos empregos, assim como da estrutura do comércio exterior e dos movimentos de capitais com o estrangeiro. Consideradas em conjunto, essas mudanças estruturais definem a passagem de um sistema econômico tradicional a um sistema econômico moderno.
O conceito de sustentabilidade foi incluído no desenvolvimento a parti do momento em que o modelo usado anteriormente de desenvolvimento econômico não satisfazia mais as necessidades humanas presentes e ainda comprometia negativamente as gerações futuras.
O termo sustentabilidade foi usado com o princípio de integrar aspectos econômicos, políticos, culturais, ecológicos, espaciais, ambientais e sociais ao desenvolvimento.
De acordo com a rede de cooperação para a sustentabilidade – CATALISA – o termo sustentabilidade remota a sete aspectos fundamentais dentro de um mesmo conceito. Segundo a rede Catalisa (2003) o desenvolvimento antes da inclusão do termo sustentabilidade apresentava- se:
[...] ecologicamente predatório na utilização dos recursos naturais, socialmente perverso com geração de pobreza com extrema desigualdade social, politicamente injusto com a concentração e abuso de poder, culturalmente alienado com relação aos seus próprios valores e eticamente censurável no respeito aos direitos humanos e aos das demais espécies.
Diante do exposto o termo de sustentabilidade ao ser associado com o termo desenvolvimento levou consigo sete aspectos fundamentais a nova forma de ser pensar e eis que surge o desenvolvimento sustentável. O Quadro 6 mostra os sete aspectos da sustentabilidade bem como suas caracterizações.
Quadro 6: Aspectos e caracterizações da sustentabilidade
Aspectos da Sustentabilidade Caracterização
Social Melhoria da qualidade de vida da população,
eqüidade na distribuição de renda e de diminuição das diferenças sociais, com participação e organização popular.
Econômica Públicos e privados, regularização do fluxo
desses investimentos, compatibilidade entre padrões de produção e consumo, equilíbrio de balanço de pagamento, acesso à ciência e tecnologia.
Ecológica O uso dos recursos naturais deve minimizar
danos aos sistemas de sustentação da vida: redução dos resíduos tóxicos e da poluição, reciclagem de materiais e energia, conservação, tecnologias limpas e de maior eficiência e regras para uma adequada proteção ambiental.
Cultural Respeito aos diferentes valores entre os povos
e incentivo a processos de mudança que acolham as especificidades locais.
Espacial Equilíbrio entre o rural e o urbano, equilíbrio de migrações, desconcentração das metrópoles, adoção de práticas agrícolas mais inteligentes e não agressivas à saúde e ao ambiente, manejo sustentado das florestas e industrialização descentralizada.
Política No caso do Brasil, a evolução da democracia
representativa para sistemas descentralizados e participativos, construção de espaços públicos comunitários, maior autonomia dos governos locais e descentralização da gestão de recursos.
Ambiental Conservação geográfica, equilíbrio de
ecossistemas, erradicação da pobreza e da exclusão, respeito aos direitos humanos e integração social. Abarca todas as dimensões anteriores através de processos complexos. Fonte: Catalisa, 2003.
Com isso o termo desenvolvimento sustentável ficou definido como “um modelo econômico, político, social, cultural e ambiental equilibrado, que satisfaça as necessidades das gerações atuais, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer suas próprias necessidades” (CATALISA, 2003).
Outro termo associado ao desenvolvimento sustentável foi o termo local que dentre outras contribuições tinha a finalidade de salientar que o desenvolvimento sustentável é diferenciado em cada localidade devido as suas especificidades.
De acordo com Franco (2006) o termo local foi estruturado para dar mais tonalidade ao termo desenvolvimento sustentável. Para Franco (2006) o termo local é definido como:
Um particular, uma vizinhança, uma outra maneira de caracterizar uma rede social – ou uma região do universo de conexões – única, distinta na sua configuração (ou nos invariantes dessa configuração), capaz de afirmar uma nova identidade no mundo (global), quer dizer, em relação aos outros locais. Local não é algo dado, não pode ser desenhado de antemão sobre o mapa (nem mesmo sobre o “mapa da rede”, que – como a fonte, no dizer de um heraclítico Goethe – “só existe enquanto flui”). Local é um produto do programa de adaptação que conseguiu conservar o seu padrão de adaptação, quer dizer, que conseguiu aprender a se reconstruir a partir das mudanças que realizou para manter uma congruência múltipla e recíproca com o meio. Local é o resultado de um metabolismo da rede social.
O desenvolvimento local sustentável passou a ser pensado pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento – CMMAD – como o desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer as habilidades das futuras gerações de satisfazerem suas necessidades (CMMAD, 1987).
Desta definição proposta pela CMMAD, surgiram objetivos que tinham a finalidade de orientar a forma que o desenvolvimento local sustentável deveria acontecer. Estes objetivos foram definidos como: crescimento renovável, mudança de qualidade de crescimento, satisfação das necessidades essenciais por emprego, comida, energia, água e saneamento básico, garantia de um nível sustentável da população, conservação e proteção da base de recursos, reorientação das relações e gerenciamento do risco e reorientação das relações econômicas internacionais (CMMAD, 1987).
O relatório de Brundtland elaborado pela CMMAD, em 1987, analisava que se o crescimento econômico não leva nem a sustentabilidade econômica nem a remoção da pobreza, ele não deve ser mais visto como um objetivo do desenvolvimento local sustentável (CMMAD, 1987).
Beni (1997) conceitua que o desenvolvimento local sustentável “começa em reconhecer e utilizar o que tem de melhor nas localidades, tomando uma dimensão econômica para atingir
Acrescenta a OMT (2003) que “o desenvolvimento local sustentável de uma comunidade deve levar em consideração três princípios básicos: a sustentabilidade ambiental, sustentabilidade econômica e sustentabilidade social”.
Pearce et al (1989) define desenvolvimento local sustentável como “um padrão de transformações econômicas estruturais e sociais que otimizam os benefícios societais e econômicos disponíveis no presentes sem acabar com as potencialidade de benefícios similares futuros”.
Com relação aos objetivos do desenvolvimento local sustentável, Goodland (1997) comenta que:
O objetivo primeiro do desenvolvimento local sustentável é alcançar um nível de bem estar econômico razoável e equitativamente distribuído que pode ser perpetuamente continuado por muitas gerações humanas. Desenvolvimento local sustentável implica usar os recursos renováveis naturais de maneira a não degradá-lo ou eliminá-lo, ou diminuir sua utilidade para as gerações futuras. Implica usar os recursos minerais não renováveis de maneira tal que não necessariamente se destruam o acesso a eles pelas gerações futuras. Também implica o desenvolvimento local sustentável a exaustão dos recursos energéticos não renováveis numa taxa lenta o suficiente para garantir uma alta probabilidade de transição societal ordenada para as fontes de energia renovável.
É valido ressaltar que as atividades desenvolvidas no setor moveleiro de Gravatá - PE, partem do princípio da necessidade de se usar maneiras sustentáveis de produção que não comprometa o meio ambiente, possibilita uma alternativa econômica tanto para a comunidade local quanto para aos empresários com organizações de pequeno e médio porte, tornando essas localidades acessíveis para as gerações futuras, através da conservação (MENDONÇA, 2005).
Por outro lado, Petrocci (1998) informa que a cooperação da população consciente é essencial para o desenvolvimento local sustentado. “Se no presente não se pensa no futuro, prosseguirá o ciclo de destruição do potencial produtivo local” (PETROCCI, 1998).
Sendo assim, Lourenço (2003) afirma que é de suma importância avaliar as ações econômicas que devem ser restringidas para a preservação ambiental, tendo conhecimento se os objetivos esperados foram alcançados, pois tende a contribuir para o progresso, auxiliando a novos rumos a serem seguidos.
O planejamento do desenvolvimento local sustentável é importante porque as ações existentes em todo o contexto que o envolve servem de base aproximar o plano teórico e o plano
prático com a finalidade de preencher as lacunas entre os dos planos propondo a redução da segregação sócio-econômica.