CAPÍTULO 1 – Discussões teóricas
1.6 Conceito de texto
Os PCNs (de primeira a quarta séries) propõem o seguinte conceito de texto:
“O discurso quando produzido, manifesta-se lingüisticamente por meio de textos. Assim, pode-se afirmar que texto é o produto da atividade discursiva oral ou escrita, que forma um todo significativo e acabado, qualquer que seja sua extensão.É uma seqüência verbal constituída por um conjunto de relações que se estabelecem a partir da coesão e da coerência.” (PCNS, 1997, p.25). Segundo os PCNs, o texto só é texto quando pode ser compreendido como unidade significativa global, quando possuir textualidade; caso contrário, dizem os PCNs, não passa de um amontoado aleatório de enunciados.(PCNS, 1997, p.26).
O texto como unidade de ensino, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, deve excluir métodos antigos como a abordagem aditiva ou seja, juntar sílabas ou letras para formar palavras, juntar palavras para formar frases e juntar frases para formar textos (PCNS, 1997, p.35). Os PCNs Defendem que a unidade básica do ensino só pode ser o texto. Faz ainda uma crítica aos textos curtos: “Aos alunos são oferecidos textos curtos, de poucas frases, simplificadas, às vezes, até o limite da indigência” (PCNS, 1997, p.36).
Os PCNs, ainda dentro da linha crítica e referindo-se à produção editorial, que traz uma ou duas frases por página, no caso da literatura infantil, escrevem:
A possibilidade de se divertir, de se comover, de fruir esteticamente num texto deste tipo é, no mínimo, remota. Por trás da boa intenção de promover a aproximação entre alunos e textos, há um equivoco de origem: tenta-se aproximar os textos das crianças – simplificando-os –, no lugar de aproximar crianças dos t extos de qualidade (PCNS, 1997, p.36).
Maria Alice Faria não concorda inteiramente com este enunciado e observa: “Os alunos, influenciados por essas leituras – obrigatórias de partida – além das leituras de gibis e da TV, da literatura de massa, gostam sim, de ler e falar sobre narrativas triviais, como constatamos em nossa pesquisa” (FARIA, 1999, p.105).
Também acreditamos que o contato com o texto, seja curto ou longo, deve ser estimulado, principalmente se houver vontade em ler pelos alunos e principalmente espontaneidade às leituras de textos de quaisquer espécies.
De acordo com os PCNs, podemos argumentar que o texto então toma como objeto particular de investigação não mais a palavra ou a frase isolada, mas o texto, considerada a unidade básica de manifestação da linguagem, visto que o homem se comunica por meio de textos e que existem diversos fenômenos lingüísticos que só podem ser explicados no interior do texto. Ele é muito mais que a simples soma de frases (e palavras) que o compõem: a diferença entre frase e texto não é meramente de ordem quantitativa, é sim, de ordem qualitativa (PCNS, 2000, p.14).
Nos PCNs, é dado pouco espaço para definições, mesmo assim é possível notar que existe mais a preocupação em criticar os métodos antigos do que em propor novos; mesmo assim podemos citar:
Um texto não se define pela sua extensão. O nome que assina um desenho, a lista do que dever ser comprado, o conto, o romance, todos são texto (PCNS, 1997, p.36).
Para as quintas e oitavas séries fica evidente o caráter dos textos:
Na perspectiva de uma didática voltada para a produção e interpretação de textos, atividade metalingüística deve ser instrumento de apoio para a discussão dos aspectos da língua que o professor seleciona e ordena no curso do ensino aprendizagem (PCNS, 1988, p.28).
Sobre o texto literário e sua especificidade, notamos que os PCNs de primeira a quarta série trazem comentários que entendemos aqui como uma recomendação:
É importante que o trabalho com o texto literário esteja incorporado às práticas cotidianas da sala de aula, visto tratar-se de uma forma específica de conhecimento. Essa variável de constituição da experiência humana possui propriedades compositivas que devem ser mostradas, discutidas e consideradas quando se trata de ler as diferentes manifestações colocadas sobre a rubrica geral do texto literário (PCNS, 1997, p.36-7).
Os Parâmetros Curriculares Nacionais, de quinta a oitavas séries do ensino fundamental, com relação à especificidade do texto literário ainda registram:
O texto literário constitui uma forma peculiar de representação e estilo em que predominam a força criativa da imaginação e a intenção estética. Não é mera fantasia que nada tem a ver com o que se entende por realidade, nem é puro exercício lúdico sobre as formas e sentidos da linguagem e da língua (PCNS, 1988, p.26).
Nesse enunciado vemos que há uma diferenciação e um maior cuidado nas reflexões sobre o texto literário.Esse cuidado se reflete ainda mais nos PCNS de primeira a quarta séries, com outros subsídios para este tipo de texto:
A questão do ensino da literatura ou da leitura literária envolve, portanto, esse exercício de reconhecimento das singularidades e das propriedades compositivas que matizam um tipo popular de escrita. Com isso, é possível afastar uma série de equívocos que costumam estar presentes na escola em relação aos textos literários, ou seja, tratá-los como expedientes para servir ao ensino das boas maneiras, dos hábitos de higiene, dos deveres do cidadão, dos tópicos gramaticais , das receitas desgastadas do ‘prazer do texto’, etc. Postos de forma descontextualizadas, tais procedimentos pouco ou nada contribuem para a formação de leitores capazes de reconhecer as sutilezas, as particularidades, os sentidos, a extensão e a profundidade das construções literárias (PCNS, 1997, p.37-38).
A crítica aos métodos de alfabetização e aos textos das cartilhas deslocou a questão para uma nova conceituação de leitura; a cartilha mal saia da decodificação, ou seja, o novo conceito de texto enfatiza a compreensão daquilo que se lê.