quando aponta alguns questionamentos, com o intuito de clarear, primeiro, o que é sucesso escolar, porque acontece em paralelo com o insucesso e que não se pode deixar de considerar, visto que, no processo ensino/aprendizagem, as duas situações são produzidas, ou seja, é na mesma sala de aula que alguns alunos alcançam sucesso e outros não. E reforça, aguçando que “as chances de sucesso dependem da forma como as crianças lidam com o modelo proposto pelo professor: se o compreendem e o aceitam, se o compreendem e o rejeitam, se o compreendem, mas o modificam em parte, ou se não o compreendem, porque não está claro”. Assim, os conteúdos escolares devem ser significativos, assim como as relações e as atitudes também precisam ser entendidas pelos alunos.
O insucesso escolar não é um problema novo, facto que o faz hoje ser um dos problemas mais estudados e discutidos na área de educação. De acordo com o Dicionário de Ciências da Educação (1983), o insucesso escolar só passou a ser considerado como um problema sociológico e educativo preocupante a partir da segunda guerra mundial, devido a vários acontecimentos, nomeadamente: a) a passagem de uma educação classicista, elitista para uma educação generalizada, uma educação para todos; b) uma progressiva democratização da sociedade, e da escola; c) a implementação da escolaridade obrigatória; d) a crescente tecnificação do sistema educativo.
Ao longo da primeira metade do século XX, alguns psicólogos como Alfred Binet (1859 -1911), William Stern (1871-1938), Lewis Madison Terman (1877-1956) e David Wechsler (1896-1981) debruçaram-se sobre o conceito da inteligência, bem como o
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estudo da relação entre QI (Coeficiente de inteligência) e o insucesso escolar dos alunos, o que fez com que a responsabilidade do insucesso recaísse sobre o próprio aluno e se procurasse no QI a causa do seu sucesso/insucesso, o qual é explicado em função das maiores ou menores capacidades dos alunos pela sua inteligência, pelos seus dotes naturais (Benavente & Correia, 1980).
Em regra, a insuficiência da inteligência é medida apenas por um critério: o insucesso escolar. Segundo Gall (1967, p. 7), os professores julgam poder discriminar no fracasso a intervenção de outros fatores e isolar assim as responsabilidades do espírito por si só. Procuram-se desde há muito sinais mais seguros que possam servir pelo menos de confirmação, na verdade, bem necessárias.
Insucesso escolar é ainda um conceito de difícil clarificação dada a sua relatividade, em consequência do campo de análise. Avançamos mais dizendo que é um conceito difícil de avalizar, visto apenas dispormos de meios indiretos para medir a importância dos insucessos escolares. As estatísticas das percentagens de alunos que não dominam um determinado objetivo não refletem, muitas vezes, a realidade social que se designa pela expressão “insucesso escolar”. Apresentaremos o ponto de vista de alguns autores no que concerne ao conceito de insucesso escolar, sendo assim:
Muñiz (1993, p. 9) entende o insucesso escolar como a grande dificuldade que pode experimentar uma criança, com um nível de inteligência normal ou superior, para acompanhar a formação escolar correspondente à sua idade. Ele apresenta esta perceção partindo de princípio de que esta criança não sofra nenhuma lesão cerebral, assista regularmente às aulas e a sua família não tenha um nível cultural excessivamente baixo. Na mesma linha, Sil (2004, p. 15) apresenta o insucesso escolar como um conceito tão relativo quanto difícil de definir. Ele avança, ainda, dizendo não ser menos difícil de explicar os seus fatores e as causas que o condicionam.
Se formos analisar o conceito de insucesso escolar ao nível educacional, vemos que significa o fraco rendimento escolar do aluno, ou seja, o aluno que não conseguiu obter a nota mínima estabelecida no sistema de avaliação.
Nesta ótica, Pires, Fernandes & Formosinho (1991, cit. Oliveira, 2009, p. 32) afirmam que o “insucesso escolar é a designação utilizada vulgarmente por professores,
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educadores, responsáveis administrativos e políticos para caracterizar as elevadas percentagens de reprovações escolares no final dos anos letivos.”
Usualmente considera-se que a escola é igual para todos. No entanto, ela parece constituir um obstáculo para muitos dos seus alunos. O (in) sucesso escolar também é caracterizado pela taxa de rendimento escolar dos alunos, que pode não ser satisfatório, uma vez que, por múltiplas razões, os objetivos podem não ser atingidos, o que consequentemente origina o insucesso. Assim Iturra (1990, p. 14) declara que:
O insucesso escolar consiste na dificuldade que as crianças têm em aprender, em completar a escolaridade no tempo previsto, em obter notas altas ou pelo menos satisfatórias pelo seu trabalho escolar para poderem continuar os seus estudos. Este autor vai mais além, dizendo que “o insucesso é um processo que envolve diversas formas de entender o social, de o gerir, gerá-lo, produzi-lo e entendê-lo”.
Resumindo, embora a definição deste conceito seja difícil, podemos dizer que, no ramo educacional, o termo insucesso escolar é utilizado no âmbito do sistema do ensino/ aprendizagem, geralmente, para caracterizar o baixo rendimento escolar dos alunos que, por algum motivo, não puderem alcançar bons resultados no decorrer ou no final de um determinado período escolar, o que leva à reprovação. Nisto concordamos com Afonso (1988), quando refere que o sistema educativo tem como objetivo instruir, justificando-se desta forma uma avaliação do sucesso e do insucesso escolar a partir dos resultados dos alunos medidos em termos de classificações positivas ou negativas.
É notável que, quando o aluno não tem sucesso, começa-se a buscar culpados e, então, ora se culpa a criança, ora a família, ora o sistema socioeconómico, ora o professor, ora a instituição escolar. Carvalho (1997, p. 24) acredita que com o fracasso dos alunos:
Fracassam todos, os que ensinam, os que são ensinados e todos os demais integrantes desta sociedade. E fracassamos não simplesmente nas tarefas de propiciar ao indivíduo que estuda uma oportunidade de seguir seus estudos, de obter um diploma ou de se inserir no mercado de trabalho [...]. A exclusão escolar em seu segmento fundamental materializa, também e, sobretudo, o fracasso de toda uma geração já adulta em iniciar as novas gerações nas disciplinas, capacidades e valores que julgamos fundamentais, portanto, básicos, comuns e necessários a todos. O que é um enorme fracasso. Não do aluno, mas de todos nós!
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Depois de várias leituras, concluímos que o insucesso escolar é o fraco rendimento dos alunos que por algumas razões não conseguiram atingir resultados satisfatórios no decorrer de um determinado período escolar e, por isso, ficam retidos num determinado ciclo. Assim, a definição que escolhemos neste capítulo para o insucesso escolar refere-se àqueles alunos que, ao finalizar sua permanência na escola, não alcançaram os conhecimentos e as habilidades necessárias para se desempenhar de uma forma satisfatória na vida social, profissional ou prosseguir seus estudos.
Assim, devido à complexidade da problemática do insucesso escolar e dos diferentes significados e dimensões que possa assumir, convém frisar mais uma vez que utilizaremos, neste estudo, o conceito de insucesso escolar para nos referirmos aos alunos que, por diversas razões, reprovaram em determinado nível educativo.